O programa Bolsa Família
foi eleito pelo Banco Mundial um "exemplo" de benefício social e
adotado, com adaptações, por 20 países, entre os quais, Chile, México, África
do Sul, Turquia, Marrocos, Honduras, El Salvador, Gana, Quênia e a cidade de
Nova York
por Cristiano Romero* no jornal Valor
Econômico – Sociedade
em defesa
do Bolsa Família
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na internet
No país de pouquíssimos consensos, o programa Bolsa
Família é uma exceção. Instituído por lei em 2004, segundo ano do primeiro
mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o BF foi eleito pelo Banco Mundial um "exemplo" de benefício
social e adotado, com adaptações, por 20 países, entre os quais, Chile, México,
África do Sul, Turquia, Marrocos, Honduras, El Salvador, Gana e Quênia.
"Por causa do sucesso do Bolsa Família, o
Brasil se tornou referência em programas de transferência de renda", diz a
ex-ministra de Desenvolvimento Social, Tereza Campello, que participou da
criação e de todas as etapas de evolução do BF entre 2003 e 2010, antes de
assumir o ministério ao qual o benefício está vinculado. Tereza teme, com
razão, que o atual governo, com ajuda do Congresso Nacional, desfigure o Bolsa
Família.
Para quem sofre do complexo de vira-lata, uma
informação: a cidade de Nova York criou, em 2007, programa de transferência
condicional de renda _ o "Opportunity NYC" _, inspirado no Bolsa
Família e no equivalente mexicano. Ao anunciar o lançamento da iniciativa, o
então prefeito da cidade mais populosa dos Estados Unidos, Michael Bloomberg,
afirmou que o benefício foi inspirado por experiências "ao redor do
mundo". O que ele não contou foi que, pouco antes, enviara equipe de
técnicos a Brasília para conhecer o BF. A vice-prefeita de Bloomberg, Linda
Gibbs, pouco depois revelou que, sim, a experiência brasilleira, especialmente
o que diz respeito a condicionalidades, foi a que inspirou o "Opportunity
NYC".
Mais de 60 países, incluídos os mencionados,
procuraram o governo brasileiro para saber do BF. Em 2007, o Banco Mundial
afirmou, em documento, que o Bolsa Família e os programas inspirados nele são
uma "revolução silenciosa muda a vida de milhões no Brasil e no mundo”. Na
época, o então presidente do Banco Mundial, Robert Zoelick, disse que o modelo
brasileiro “mostra que se pode fazer verdadeira diferença com programas
modestos”.
Em 2013, o Bolsa Família recebeu da Associação
Internacional de Seguridade Social (ISSA) o "Award For Outstanding
Achievement In Social Security" (em tradução livre, prêmio por ter
alcançado resultado excepcional na área de seguridade social). Ao anunciar a
premiação, a entidade declarou que o programa brasileiro é uma “experiência
excepcional e pioneira na redução da pobreza e promoção da seguridade social”.
O programa americano beneficia cinco mil famílias
da cidade de Nova York. Não se trata de comparar com o Bolsa Família, afinal, é
uma cidade diante de um país e os Estados Unidos são a nação mais rica do
mundo. A referência aqui visa mostrar o universo do BF e, portanto, sua
complexidade. No fim de 2019, o Bolsa Família atendia a 13,17 milhões de
famílias, pouco menos de 50 milhões de pessoas.
Fonte: https://gilvanmelo.blogspot.com/2020/08/cristiano-romero-em-defesa-do-bolsa.html