Investimentos levam super-ricos a poluir em um dia o mesmo que os 50% mais pobres poluem em um ano
por Carolina Bataier no Brasil de Fato – Sociedade e a Injustiça sócio-financeira na distribuição de
renda e patrimônio
Emissões dos super ricos têm como origem a combinação entre o estilo de
vida (exploração do petróleo, gáz, e carvão) e as práticas financeiras |
Crédito: Divulgação/Oxfam
O primeiro mês do ano não chegou nem até a metade e os super ricos já esgotaram a sua cota anual de emissões de gás carbônico (CO₂), o principal gás do efeito estufa. O alerta é de um estudo da Oxfam, uma confederação global de organizações focada em ações de combate à pobreza e à desigualdade.
Em apenas dez dias, a parcela dos 1% mais ricos do mundo consumiu todo o “orçamento” disponível para 2026, considerando o limite de emissões por pessoa de 2,1 toneladas anuais de CO₂ estabelecido a partir de dados do Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente).
A cota tem como base os indicativos do Acordo de Paris, firmado em 2015, que define um limite de emissões globais para que o aquecimento do planeta não ultrapasse 1,5ºC em relação ao período pré-industrial.
Entre os super ricos, no entanto, a média de emissões anuais, chamada de pegada de carbono, é de 75,1 toneladas por pessoa, 36 vezes o indicado pelo Pnuma.
“Para permanecer dentro do limite de 1,5°C, o 1% mais rico teria de reduzir suas emissões em 97% até 2030”, alerta o estudo. “Enquanto isso, aqueles que menos contribuíram para causar a crise climática, incluindo comunidades em países mais pobres e vulneráveis ao clima, povos indígenas, mulheres e meninas, serão os mais prejudicados”, informa a Oxfam.
O estudo aponta que uma pessoa entre os 0,1% mais ricos produz mais poluição de carbono em um dia do que os 50% mais pobres emitem em um ano. Assim, se todos emitissem como os 0,1% mais ricos, o orçamento de carbono seria esgotado em menos de três semanas.
Jatos, iates, petróleo e destruição da camada de ozônio
As emissões dos super-ricos têm como origem a combinação entre o estilo de vida e as práticas financeiras de investimentos em petróleo, gáz e carvão desse minúsculo grupo da sociedade.
Jatos particulares e iates de luxo, por exemplo, produzem enormes quantidades de CO₂. De acordo com a Oxfam, o uso desses bens em apenas uma semana pode equivaler às emissões de CO₂ de uma pessoa pobre ao longo de toda a vida.
Iates combinam luxo e altas emissões de
poluentes – Divulgação | Crédito: Divulgação
“Em
análise global, 50 super ricos emitem
mais carbono com jatos, iates e
investimentos em apenas 90 minutos do que a pessoa média faz ao longo da vida”,
aponta a Oxfam, na pesquisa “Carbon Inequality Kills”, que acompanhou
as emissões de jatos particulares, iates de luxo e investimentos em indústrias
poluentes.
No campo profissional, os super ricos
investem em indústrias dos setores mais poluentes, como a dos combustíveis fósseis.
Entre as empresas privadas líderes em emissões de gás carbônico, estão as estadunidenses ExxonMobil, uma das maiores petrolíferas do mundo; a Chevron, produtora de petróleo e gás e a europeia Shell, também do setor petrolífero.
Como caminhos para corrigir o problema, a Oxfam orienta que governos aumentem impostos sobre a renda e a riqueza dos super-ricos.
Além disso, o estudo sugere a proibição ou tributação punitiva de itens de luxo de alta intensidade de carbono, como os iates e jatos particulares. “A pegada de carbono de um europeu super-rico, acumulada em quase apenas uma semana usando super iates e jatos particulares, equivale à pegada de carbono ao longo da vida de uma pessoa entre os 1% mais pobres do mundo”, alerta a pesquisa.
Edição BdF: Luís Indriunas
Publicação BdF: 12.jan.2026
Fonte: https://www.brasildefato.com.br/2026/01/12/em-apenas-dez-dias-bilionarios-emitiram-o-limite-de-co%e2%82%82-reservado-para-o-ano-todo-alerta-oxfam/