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1.25.2026

Super Ricos emitiram o limite de CO₂ (exploração do petróleo, gáz, e carvão) reservado para o ano todo, alerta Oxfam

Investimentos levam super-ricos a poluir em um dia o mesmo que os 50% mais pobres poluem em um ano

por Carolina Bataier no Brasil de Fato – Sociedade e a Injustiça sócio-financeira na distribuição de

renda e patrimônio

Emissões dos super ricos têm como origem a combinação entre o estilo de vida (exploração do petróleo, gáz, e carvão) e as práticas financeiras | Crédito: Divulgação/Oxfam

O primeiro mês do ano não chegou nem até a metade e os super ricos já esgotaram a sua cota anual de emissões de gás carbônico (CO), o principal gás do efeito estufa. O alerta é de um estudo da Oxfam, uma confederação global de organizações focada em ações de combate à pobreza e à desigualdade.

Em apenas dez dias, a parcela dos 1% mais ricos do mundo consumiu todo o “orçamento” disponível para 2026, considerando o limite de emissões por pessoa de 2,1 toneladas anuais de CO estabelecido a partir de dados do Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente).

A cota tem como base os indicativos do Acordo de Paris, firmado em 2015, que define um limite de emissões globais para que o aquecimento do planeta não ultrapasse 1,5ºC em relação ao período pré-industrial.

Entre os super ricos, no entanto, a média de emissões anuais, chamada de pegada de carbono, é de 75,1 toneladas por pessoa, 36 vezes o indicado pelo Pnuma.

Para permanecer dentro do limite de 1,5°C, o 1% mais rico teria de reduzir suas emissões em 97% até 2030”, alerta o estudo. “Enquanto isso, aqueles que menos contribuíram para causar a crise climática, incluindo comunidades em países mais pobres e vulneráveis ao clima, povos indígenas, mulheres e meninas, serão os mais prejudicados”, informa a Oxfam.

O estudo aponta que uma pessoa entre os 0,1% mais ricos produz mais poluição de carbono em um dia do que os 50% mais pobres emitem em um ano. Assim, se todos emitissem como os 0,1% mais ricos, o orçamento de carbono seria esgotado em menos de três semanas.

Jatos, iates, petróleo e destruição da camada de ozônio

As emissões dos super-ricos têm como origem a combinação entre o estilo de vida e as práticas financeiras de investimentos em petróleo, gáz e carvão desse minúsculo grupo da sociedade.

Jatos particulares e iates de luxo, por exemplo, produzem enormes quantidades de CO. De acordo com a Oxfam, o uso desses bens em apenas uma semana pode equivaler às emissões de CO de uma pessoa pobre ao longo de toda a vida.

Iates combinam luxo e altas emissões de poluentes – Divulgação | Crédito: Divulgação

“Em análise global, 50 super ricos emitem mais carbono com jatos, iates e investimentos em apenas 90 minutos do que a pessoa média faz ao longo da vida”, aponta a Oxfam, na pesquisa “Carbon Inequality Kills”, que acompanhou as emissões de jatos particulares, iates de luxo e investimentos em indústrias poluentes.
No campo profissional, os super ricos investem em indústrias dos setores mais poluentes, como a dos combustíveis fósseis.

Entre as empresas privadas líderes em emissões de gás carbônico, estão as estadunidenses ExxonMobil, uma das maiores petrolíferas do mundo; a Chevron, produtora de petróleo e gás e a europeia Shell, também do setor petrolífero.

Como caminhos para corrigir o problema, a Oxfam orienta que governos aumentem impostos sobre a renda e a riqueza dos super-ricos.

Além disso, o estudo sugere a proibição ou tributação punitiva de itens de luxo de alta intensidade de carbono, como os iates e jatos particulares. “A pegada de carbono de um europeu super-rico, acumulada em quase apenas uma semana usando super iates e jatos particulares, equivale à pegada de carbono ao longo da vida de uma pessoa entre os 1% mais pobres do mundo”, alerta a pesquisa.

Edição BdF: Luís Indriunas

Publicação BdF: 12.jan.2026

Fonte: https://www.brasildefato.com.br/2026/01/12/em-apenas-dez-dias-bilionarios-emitiram-o-limite-de-co%e2%82%82-reservado-para-o-ano-todo-alerta-oxfam/

 

1.22.2026

Brasil: mais de 365 mil pessoas em situação de rua

... existe muita fome no Brasil. Existem pessoas que não conseguem se alimentar porque tem que pagar o aluguel ou porque tem que comprar remédio

O Brasil como 8º. país no ranking do PIB, não é admissível haverem pessoas em situação de rua, principalmente em São Paulo, Rio de Janeiro e nas grandes cidades

por Elaine Patricia Cruz na Agência Brasil e BdF – Sociedade e Pessoas s/ Direitos Civis e Humanos

   Levantamento foi feito com base nos dados do Cadastro Único de Programas Sociais (CadÚnico), que reúne os beneficiários de políticas sociais, como o Bolsa Família, e serve como indicativo das populações em vulnerabilidade | Crédito: © Tânia Rêgo/Agência Brasil/Arquivo

O Brasil como 8º. país no ranking do PIB, não é admissível haverem pessoas em situação de rua, principalmente em São Paulo, Rio de Janeiro e nas grandes cidades. Faltam políticas públicas mais assertivas, para que a população que vive sem os direitos civis e humanos atendidos possam ter uma vida mais digna. A falta de distribuição renda, onde a concentração de dinheiro e patrimônio é vergonhosa, exige que as entidades que perfazem os movimentos sociais , os políticos que se consideram de esquerda e os órgãos públicos mais atuantes se conscientizem que somente com união de forças será possível pressionar os que detém o poder, para que haja inicio de uma verdadeira reação popular para solucionar este problema que tanto envergonha nosso país.

O número de pessoas que vivem em situação de rua continua crescendo no país. Em dezembro de 2024 havia 327.925 pessoas vivendo nas ruas do Brasil. No final do ano passado esse número chegava a 365.822 pessoas. Os dados são de levantamento do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, da Universidade Federal de Minas Gerais (OBPopRua/Polos-UFMG), divulgado nesta quarta-feira (14).

O levantamento foi feito com base nos dados do Cadastro Único de Programas Sociais (CadÚnico), que reúne os beneficiários de políticas sociais, como o Bolsa Família, e serve como indicativo das populações em vulnerabilidade para quantificar os repasses do governo federal aos municípios.

De 2020 a 2021, quando teve início a pandemia da Covid-19, o número de pessoas em situação de rua havia caído, passando de 194.824 para 158.191 pessoas. Mas em 2022, voltou a subir e vem crescendo de forma contínua desde então.

A maioria dessa população que vive nas ruas se encontra na Região Sudeste do país, somando 222.311 de pessoas, o que representa 61% do total no país. Em seguida aparece a Região Nordeste, com uma população de 54.801 pessoas em situação de rua.

Só no estado de São Paulo estão concentradas 150.958 pessoas em situação de rua, seguida pelos estados do Rio de Janeiro (33.656) e Minas Gerais (33.139). O Amapá é o estado com o menor número de pessoas nessa condição, somando 292.

O Problema não Está nas Pessoas em Situação de Rua, mas no Governo

Para os pesquisadores do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, quatro situações podem explicar esse aumento:

  • o fortalecimento do Cadastro Único de Programas Sociais (CadÚnico) como principal registro da população em situação de rua e de acesso às políticas públicas sociais do país;
  • a ausência ou insuficiência de políticas públicas estruturantes voltadas para essa população, tais como moradia, trabalho e educação;
  • a precarização das condições de vida principalmente após a pandemia; e
  • as emergências climáticas e deslocamentos forçados na América Latina.

Em entrevista à Agência Brasil, Robson César Correia de Mendonça, do Movimento Estadual da População em Situação de Rua de São Paulo, disse que apesar das políticas públicas que fizeram a insegurança alimentar grave diminuir no país, ainda há muita gente passando fome no país.

“Acho que está crescendo o número de pessoas em situação de rua em todo o Brasil e em São Paulo por uma série de fatores. Mesmo com a questão da queda acentuada das pessoas em alta vulnerabilidade social, ou seja, de combate à fome, ainda existe muita fome no Brasil. Existem pessoas que não conseguem se alimentar porque tem que pagar o aluguel ou porque tem que comprar remédio”, avalia.

Ele mesmo disse que tem dificuldades para pagar por todos os remédios que precisa tomar por seus problemas de saúde. “Se eu tivesse que comprar o que eu tenho que comprar para as doenças que eu tenho, eu precisaria receber dez salários desses para poder comprá-los. Só a máscara que eu preciso usar custa R$ 6 mil. Tem outros remédios que custam entre R$ 700 ou R$ 800. Como é que uma pessoa vai conseguir pagar aluguel, água, luz, alimentação e medicamentos com um ou dois salários mínimos? Ela não tem condições”, ressaltou.

Na opinião de Mendonça, outro fator que tem contribuído para esse aumento é o avanço tecnológico, que tem trazido ainda mais dificuldades para quem busca um emprego. “As pessoas não passam por uma reciclagem para se aperfeiçoarem na questão do trabalho”.

Para ele, a solução para esse problema passa pela capacitação, pelo enfrentamento ao preconceito contra essas pessoas e também por políticas voltadas à moradia e ao emprego.

“É preciso tratar de uma maneira para que não se veja a população de rua como um ser de outro planeta, mas como um cidadão desempregado, que precisa de uma chance para reingressar ao mercado de trabalho. Quando o Brasil tomar conhecimento e quando o governo se conscientizar de que ele não tem que tratar a população em situação de rua criando guetos, mas tratar como cidadão desempregado, criando capacitação e, principalmente, sensibilizando os empresários para que deem empregos para essas pessoas, aí sim isso começa a mudar”, defendeu.

“O problema não está na população de rua, mas no governo que não encara a temática da população em situação de rua como tem que ser encarada, com seriedade, com dignidade e respeito”, acrescentou.

Programas Públicos de Habitação e Combate a Fome

A Secretaria de Desenvolvimento Social do estado de São Paulo informou que “tem trabalhado de forma integrada com os municípios para a redução da população de rua em todo o estado”.

Segundo a secretaria, a pasta já repassou R$ 633 milhões para as prefeituras paulistas desde o início desta gestão, sendo que R$ 145,6 milhões desse valor seriam exclusivos para ações voltadas à população em situação de rua.

Além disso, informa a pasta, foram ampliados os serviços que são ofertados para essa população, tais como a criação de 24 novas unidades do Bom Prato, programa que oferece alimentação de qualidade a um custo acessível. Outro programa que foi ampliado foi o Serviço de Acolhimento Terapêutico Residencial e que permite, segundo a secretaria, “a conquista da autonomia, com renda e moradia às pessoas em situação de rua afetadas pelo uso de substâncias psicoativas”.

Procurado, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania ainda não se pronunciou sobre o levantamento. A Agência Brasil ficou aberta à manifestações.

Edição BdF: Fernando Fraga

Publicação BdF: 14.jan.2026

Fontes: - dados foram coletados pela Universidade Federal de Minas Gerais e repassados a Agencia Pública

- https://www.brasildefato.com.br/2026/01/14/estudo-aponta-mais-de-365-mil-pessoas-em-situacao-de-rua-no-brasil/

1.06.2026

EUA, o Estado Fora da Lei

A destruição do Estado de Direito, tanto em âmbito nacional quanto internacional, consolida os Estados Unidos como um Estado pária

por Chris Hedges* no Brasil 24/7 – Sociedade e EUA Passa por Cima do Estado de Direito Destruindo-se                            

         Assassinato Brutal, arte de Mr. Fish (Foto: Mr. Fish) no Brasil 24/7

A classe dominante dos Estados Unidos, alheia a um universo baseado em fatos e cegada pela idiotice, ganância e arrogância, incinerou os mecanismos internos que previnem a ditadura, bem como os mecanismos externos concebidos para proteger contra um mundo sem lei, dominado pelo colonialismo e pela diplomacia das canhoneiras.

Nossas instituições democráticas (EUA) estão moribundas. São incapazes ou relutantes em conter nossa classe dominante mafiosa. O Congresso, infestado por lobistas, é um apêndice inútil. Há muito tempo abdicou de sua autoridade constitucional, incluindo o direito de declarar guerra e aprovar leis. Enviou apenas 38 projetos de lei para a mesa de Donald Trump para serem sancionados no ano passado (2025). A maioria eram resoluções de "desaprovação" que revogavam regulamentações promulgadas durante o governo Biden. Trump governa por decreto imperial por meio de ordens executivas. A mídia, controlada por corporações e oligarcas, de Jeff Bezos a Larry Ellison, é uma câmara de eco para os crimes de Estado, incluindo o genocídio contínuo de palestinos, os ataques ao Irã, Iêmen e Venezuela, e a pilhagem pela classe bilionária. Nossas eleições, saturadas de dinheiro, são uma farsa. O corpo diplomático, encarregado de negociar tratados e acordos, prevenir guerras e construir alianças, foi desmantelado. Os tribunais, apesar de algumas decisões de juízes corajosos, incluindo o bloqueio do envio da Guarda Nacional para Los Angeles, Portland e Chicago, são sub-servientes ao poder corporativo e supervisionados por um Departamento de Justiça cuja principal função é silenciar os inimigos políticos de Trump.

O Partido Democrata, subserviente às corporações e nossa suposta oposição, bloqueia o único mecanismo que pode nos salvar — movimentos populares de massa e greves — sabendo que sua liderança corrupta e desprezada será varrida do poder. Os líderes do Partido Democrata tratam o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani — um raio de luz na escuridão — como se ele tivesse lepra. Melhor deixar o navio afundar do que abrir mão de seu status e privilégio.

Ditaduras Corroem a Democracia

As ditaduras são uni-dimensionais. Reduzem a política à sua forma mais simples: Faça o que eu digo ou eu o destruirei .

Nuances, complexidade, compromisso e, claro, empatia e compreensão, estão além da pequena capacidade emocional dos gangsters, incluindo o Chefe Gangster (Trump).

As ditaduras são um paraíso para bandidos. Os gângsteres, sejam de Wall Street, do Vale do Silício ou da Casa Branca, canibalizam o próprio país e saqueiam os recursos naturais de outros países.

As ditaduras invertem a ordem social. Honestidade , trabalho árduo, compaixão, solidariedade e abnegação tornam-se qualidades negativas. Aqueles que incorporam essas qualidades são marginalizados e perseguidos. Os insensíveis, corruptos, mentirosos, cruéis e medíocres prosperam.

Ditaduras dão poder a capangas para manter suas vítimas — em casa e no exterior — imobilizadas. Capangas do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE). Capangas da Força Delta, dos SEALs da Marinha e das equipes de operações especiais da CIA, que, como qualquer iraquiano ou afegão pode confirmar, são os esquadrões da morte mais letais do planeta. Capangas do FBI e da DEA — vistos escoltando o presidente Nicolás Maduro algemado em Nova York —, do Departamento de Segurança Interna (DHS) e dos departamentos de polícia.

Alguém pode argumentar seriamente que os EUA são uma democracia? Existem instituições democráticas que funcionam? Existe algum mecanismo de controle sobre o poder do Estado? Existe algum mecanismo que possa garantir o estado de direito em um país onde residentes legais são sequestrados por bandidos mascarados nas ruas, onde uma fantasmagórica "esquerda radical" serve de pretexto para criminalizar a dissidência, onde a Suprema Corte concede poder e imunidade quase reais a Trump? Alguém pode fingir que, com a destruição de agências e leis ambientais — que deveriam nos ajudar a enfrentar o iminente ecocídio, a maior ameaça à existência humana —, existe alguma preocupação com o bem comum? Alguém pode argumentar que os EUA são defensores dos direitos humanos, da democracia, de uma ordem baseada em regras e das "virtudes" da civilização ocidental?

Nossos mafiosos no poder acelerarão a decadência. Eles roubarão o máximo que puderem o mais rápido que puderem, durante todo o processo. A família Trump embolsou mais de US$ 1,8 bilhão em dinheiro e presentes desde a re-eleição de 2024. Eles fazem isso enquanto zombam do Estado de Direito e apertam ainda mais seu controle implacável. O cerco está se fechando. A liberdade de expressão está sendo abolida nos campi universitários e nas ondas de rádio e televisão. Aqueles que denunciam o genocídio perdem seus empregos ou são deportados. Jornalistas são caluniados e censurados. O ICE, controlado pela Palantir — com um orçamento de US$ 170 bilhões ao longo de quatro anos — está lançando as bases para um estado policial. Aumentou o número de seus agentes em 120%. Está construindo um complexo nacional de centros de detenção. Não apenas para imigrantes indocumentados, mas para nós. Aqueles que estão fora dos portões do império não terão melhor sorte com um orçamento de US$ 1 trilhão para a máquina de guerra.

Congresso dos EUA não aprovou o ataque a Venezuela

E isso me leva à Venezuela, onde um chefe de Estado e sua esposa, Cilia Flores, foram sequestrados e levados para Nova York em flagrante violação do direito internacional e da Carta da ONU .

Não declaramos guerra à Venezuela, mas também não houve guerra declarada quando bombardeamos o Irã e o Iêmen. O Congresso não aprovou o sequestro e o bombardeio de instalações militares em Caracas porque não foi informado.

O governo Trump disfarçou o crime — que tirou a vida de 80 pessoas — como uma operação anti-drogas e, o mais bizarro, como uma violação das leis americanas sobre armas de fogo: “posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos; e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos”.

Essas acusações são tão absurdas quanto tentar legitimar o genocídio em Gaza como o “direito de Israel de se defender”.

Se o assunto fosse drogas, o ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández não teria sido perdoado por Trump no mês passado, após ser condenado a 45 anos de prisão por conspiração para distribuir mais de 400 toneladas de cocaína nos EUA, uma condenação justificada por provas muito mais robustas do que as que sustentam as acusações contra Maduro.

Ataque aos países que tem reservas de petróleo e terras raras

Mas as drogas são o pretexto.

Embalado pelo sucesso, Trump e seus assessores já falam sobre Irã , Cuba , Groenlândia e talvez Colômbia , México e Canadá .

O poder absoluto, tanto interno quanto externo, se expande. Ele se alimenta de cada ato ilegal. Transforma-se em totalitarismo e em desastrosas aventuras militares. Quando as pessoas se dão conta do que aconteceu, já é tarde demais.

Quem governará a Venezuela? Quem governará Gaza? Isso importa?

Se nações e povos não se curvarem perante o grande Moloch em Washington, serão bombardeados. Não se trata de estabelecer um governo legítimo. Não se trata de eleições justas. Trata-se de usar a ameaça de morte e destruição para obter submissão total.

Trump deixou isso claro quando alertou a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, que "se ela não fizer o que é certo, vai pagar um preço muito alto, provavelmente maior do que Maduro".

O sequestro de Maduro não foi motivado por tráfico de drogas ou posse de metralhadoras. Trata-se de petróleo. É, como disse Trump, para que os EUA possam "controlar" a Venezuela.

“Vamos fazer com que nossas gigantescas companhias petrolíferas dos Estados Unidos, as maiores do mundo, entrem em cena, gastem bilhões de dólares, consertem a infra-estrutura petrolífera, que está em péssimo estado, e comecem a gerar lucro para o país”, disse Trump durante uma coletiva de imprensa no sábado.

Os iraquianos, um milhão dos quais foram mortos durante a guerra e a ocupação americana, sabem o que vem a seguir. A infraestrutura, moderna e eficiente sob Saddam Hussein — eu fiz reportagens no Iraque durante o regime de Hussein, então posso atestar essa verdade — foi destruída. Os fantoches iraquianos instados pelos EUA não tinham interesse em governar e, segundo relatos, desviaram cerca de 150 bilhões de dólares em receitas do petróleo.

Os EUA, no fim das contas, foram expulsos do Iraque, embora controlem as receitas do petróleo iraquiano, que são canalizadas para o Banco da Reserva Federal de Nova York. O governo em Bagdá é aliado do Irã. Suas forças armadas incluem milícias apoiadas pelo Irã nas Forças de Mobilização Popular do Iraque. Os maiores parceiros comerciais do Iraque são a China, os Emirados Árabes Unidos, a Índia e a Turquia.

Os desastres no Afeganistão e no Iraque, que custaram aos cofres públicos americanos entre 4 e 6 trilhões de dólares, foram os mais dispendiosos da história dos EUA. Nenhum dos responsáveis por esses fracassos foi responsabilizado.

Países escolhidos para “mudança de regime” entram em colapso, como no Haiti, onde os EUA, o Canadá e a França derrubaram Jean-Bertrand Aristide em 1991 e 2004. A derrubada levou ao colapso da sociedade e do governo, à guerra entre gangues e ao agravamento da pobreza. O mesmo aconteceu em Honduras, quando um golpe de Estado apoiado pelos EUA em 2009 depôs Manuel Zelaya. Hernández, recentemente perdoado, tornou-se presidente em 2014 e transformou Honduras em um narco-estado, assim como Hamid Karzai, fantoche dos EUA, no Afeganistão, que supervisionou a produção de 90% da heroína mundial. E há também a Líbia, outro país com vastas reservas de petróleo. Quando Muammar Gaddafi foi deposto pela OTAN durante o governo Obama em 2011, a Líbia se fragmentou em enclaves liderados por senhores da guerra e milícias rivais.

EUA ataca países para mudança de regime

A lista de tentativas desastrosas dos EUA de "mudança de regime" é extensa, incluindo as do Kosovo, Síria, Ucrânia e Iêmen. Todas são exemplos da insensatez do excesso de ambição imperial. Todas prenunciam para onde estamos caminhando.

Os EUA têm como alvo a Venezuela desde a eleição de Hugo Chávez em 1998. Estiveram por trás de uma tentativa fracassada de golpe em 2002. Impuseram sanções punitivas por mais de duas décadas. Tentaram nomear o político da oposição Juan Guaidó como "presidente interino", embora ele nunca tenha sido eleito para a presidência. Quando isso não funcionou, Guaidó foi descartado com a mesma frieza com que Trump abandonou a figura da oposição e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado . Em 2020, orquestramos uma tentativa desastrosa, com mercenários mal treinados, de desencadear uma revolta popular. Nada disso funcionou.

O império decadente

O sequestro de Maduro dá início a mais um desastre. Trump e seus asseclas não são mais competentes, e provavelmente menos, do que os funcionários de governos anteriores, que tentaram dobrar o mundo à sua vontade.

Nosso império decadente avança aos tropeços como uma fera ferida, incapaz de aprender com seus desastres, paralisado pela arrogância e incompetência, desrespeitando o Estado de Direito e fantasiando que a violência industrial indiscriminada recuperará a hegemonia perdida. Capaz de projetar uma força militar devastadora, seu sucesso inicial leva inevitavelmente a atoleiros auto-destrutivos e custosos.

A tragédia não é que o império estadunidense esteja morrendo, mas sim que está levando consigo tantos inocentes.

Publicado originalmente no substack do autor

*Chris Hedges - Jornalista vencedor do Pulitzer Prize (maior prêmio do jornalismo nos EUA), foi correspondente estrangeiro do New York Times, trabalhou para o The Dallas Morning News, The Christian Science Monitor e NPR.

Publicado no Brasil 24/7: 06 de janeiro de 2026

Fonte: https://www.brasil247.com/blog/eua-o-estado-fora-da-lei