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6.23.2023

O Surgimento de um Mundo Global mais Justo é Real e Irreversível

O colunista Vijay Prashad destaca que governos de países do Hemisfério Sul não aceitam a visão norte-americana sobre a guerra na Ucrânia

por Vijay Prashad* no Brasil 24/7 – Sociedade e Ruptura Socio-Econômica Global

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 Sahej Rahal (Índia), Juggernaut, 2019.

 Um novo clima de contestação no Sul Global gerou perplexidade nas capitais da Tríade (Estados Unidos, Europa e Japão), onde as autoridades estão se esforçando para responder por que os governos do Sul Global não aceitaram a visão ocidental do conflito na Ucrânia ou apoiaram universalmente a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em seus esforços para “enfraquecer a Rússia”. Os governos que há muito vinham sendo complacentes com os desejos da Tríade, como as administrações de Narendra Modi, na Índia, e de Recep Tayyip Erdoğan, na Turquia, (apesar da toxicidade de seus próprios regimes), não são mais tão confiáveis.

Desde o início da guerra na Ucrânia, o ministro das Relações Exteriores da Índia, S. Jaishankar, tem defendido com veemência a recusa de seu governo em ceder à pressão de Washington. Em abril de 2022, em uma coletiva de imprensa conjunta em Washington, com o Secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, Jaishankar foi instado a explicar a compra contínua de petróleo da Rússia pela Índia. Sua resposta foi direta: “Vejo que você se refere à compra de petróleo. Se você estiver analisando as compras de energia da Rússia, eu sugeriria que sua atenção se concentrasse na Europa (…) Nós compramos alguma energia que é necessária para nossa segurança energética. Mas suspeito que, olhando os números, provavelmente nosso total de compras para o mês seria menor do que o que a Europa faz em uma tarde”.

 Kandi Narsimlu (Índia), Waiting at the Bus Stand [Esperando no ponto de ônibus], 2023.

Entretanto, esses comentários não impediram os esforços de Washington para trazer a Índia para sua agenda. Em 24 de maio, o Comitê Seleto do Congresso dos EUA sobre o Partido Comunista Chinês divulgou uma declaração sobre Taiwan que afirmava que “os Estados Unidos deveriam fortalecer o acordo Otan Plus para incluir a Índia”. Essa declaração sobre essa política foi divulgada logo após a cúpula do G7 em Hiroshima, Japão, onde o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, se reuniu com vários líderes do G7, incluindo o presidente dos EUA, Joe Biden, e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy.

A resposta do governo indiano a essa formulação da “Otan Plus” encontrou eco no sentimento de suas observações anteriores sobre a compra de petróleo russo. “Muitos americanos ainda têm na cabeça a construção do tratado da Otan”, disse Jaishankar em uma coletiva de imprensa em 9 de junho. “Parece que esse é o único modelo ou ponto de vista com o qual eles olham para o mundo (…) Esse não é um modelo que se aplica à Índia”. A Índia, segundo ele, não está interessada em fazer parte da Otan Plus, pois deseja manter um grau maior de flexibilidade geopolítica. “Um dos desafios de um mundo em transformação”, disse Jaishankar, “é como fazer com que as pessoas aceitem e se adaptem a essas mudanças”.

 Katsura Yuki (Japão), An Ass in a Lion’s Skin [Um asno em pele de leão], 1956

Há duas conclusões importantes tiradas das declarações de Jaishankar. Em primeiro lugar, o governo indiano, que não se opõe aos Estados Unidos, nem em termos programáticos como de temperamento, não tem interesse em ser arrastado para um sistema de blocos liderado pelos EUA (a “construção do tratado da Otan”, como disse Jaishankar). Em segundo lugar, como muitos governos do Sul Global, ele reconhece que vivemos em um “mundo em transformação” e que as grandes potências tradicionais, especialmente os Estados Unidos, precisam “se ajustar a essas mudanças”.

Em seu relatório Investment Outlook 2023, o Credit Suisse apontou para as “fraturas profundas e persistentes” que se abriram na ordem internacional – outra forma de se referir ao que Jaishankar chamou de “mundo em transformação”. O Credit Suisse descreve essas “fraturas” de forma precisa: “O Ocidente global (países desenvolvidos ocidentais e aliados) se afastou do Oriente global (China, Rússia e aliados) em termos de interesses estratégicos fundamentais, enquanto o Sul Global (Brasil, Rússia, Índia, China e a maioria dos países em desenvolvimento) está se reorganizando para buscar seus próprios interesses”. Vale a pena repetir as palavras finais: “o Sul Global (…) está se reorganizando para buscar seus próprios interesses”.

Em meados de abril, o Ministério das Relações Exteriores do Japão divulgou seu Manual Diplomático 2023 no qual observou que estamos agora no “fim da era pós-Guerra Fria”. Após o colapso da União Soviética, em 1991, os Estados Unidos afirmaram sua primazia sobre a ordem internacional e, juntamente com seus vassalos da Tríade, estabeleceram o que chamaram de “ordem internacional baseada em regras”. Esse projeto de 30 anos liderado pelos Estados Unidos está agora fracassando, em parte devido às fraquezas internas dos países da Tríade (incluindo sua posição enfraquecida na economia global) e em parte devido à ascensão das “locomotivas do Sul” (lideradas pela China, mas incluindo Brasil, Índia, Indonésia, México e Nigéria). Nossos cálculos, baseados no FMI datamappermostram deste ano, apontou que pela primeira vez em séculos o Produto Interno Bruto dos países do Sul Global ultrapassou o dos países do Norte Global. A ascensão desses países em desenvolvimento – apesar da grande desigualdade social que existe neles – produziu uma nova atitude entre suas classes médias que se reflete na maior confiança de seus governos: eles não aceitam mais as visões paroquiais dos países da Tríade como verdades universais e têm um desejo maior de exercer seus próprios interesses nacionais e regionais.

 Nelson Makamo (África do Sul), The Announcement [O anúncio], 2016.

Foi essa reafirmação dos interesses nacionais e regionais no Sul Global que reavivou um conjunto de processos regionais, incluindo a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e o processo BRICS (Brasil-Rússia-Índia-China-África do Sul). Em 1º de junho, os ministros das Relações Exteriores do BRICS se reuniram na Cidade do Cabo (África do Sul), antes da cúpula entre seus chefes de Estado, que será realizada em agosto em Joanesburgo. A declaração conjunta que eles emitiram é instrutiva: em dois momentos alertaram sobre o impacto negativo de “medidas econômicas coercitivas unilaterais, como sanções, boicotes, embargos e bloqueios” que “produziram efeitos negativos, principalmente no mundo em desenvolvimento”. A linguagem dessa declaração representa um sentimento que é compartilhado por todo o Sul Global. Da Bolívia ao Sri Lanka, esses países, que constituem a maior parte do mundo, estão fartos do ciclo de dívida-austeridade impulsionado pelo FMI e das intimidações da Tríade. Eles estão começando a afirmar suas próprias agendas soberanas.

É interessante notar que esse renascimento da política soberana não está sendo impulsionado por um nacionalismo voltado para dentro, mas por um internacionalismo não alinhado. A declaração dos ministros do BRICS se concentra no “fortalecimento do multilateralismo e na defesa do direito internacional, incluindo os propósitos e princípios consagrados na Carta das Nações Unidas como sua pedra angular indispensável” (aliás, tanto a China quanto a Rússia fazem parte do Grupo de Amigos em Defesa da Carta das Nações Unidas). O argumento implícito que está sendo apresentado aqui é que os Estados da Tríade, liderados pelos EUA, impuseram unilateralmente sua estreita visão de mundo, baseada nos interesses de suas elites, aos países do Sul sob o pretexto da “ordem internacional baseada em regras”. Agora, argumentam os Estados do Sul Global, é hora de voltar à fonte – a Carta da ONU – e construir uma ordem internacional genuinamente democrática.

 Líderes do Terceiro Mundo na primeira conferência do Movimento dos Não Alinhados, em Belgrado, 1961.

A palavra “não alinhado” tem sido cada vez mais usada para se referir a essa nova tendência na política internacional. O termo tem sua origem na Conferência dos Não Alinhados realizada em Belgrado (Iugoslávia) em 1961, que foi construída sobre as bases estabelecidas na Conferência Asiático-Africana realizada em Bandung (Indonésia), em 1955. Naquela época, o não alinhamento se referia a países liderados por movimentos enraizados no projeto profundamente anticolonial do Terceiro Mundo, que buscavam estabelecer a soberania dos novos Estados e a dignidade de seus povos. Esse momento de não alinhamento foi aniquilado pela crise da dívida da década de 1980, que começou com a inadimplência do México em 1982. O que temos agora não é o retorno do antigo não-alinhamento, mas o surgimento de uma nova atmosfera política e de uma nova constelação política que exige um estudo cuidadoso. Por enquanto, podemos dizer que esse novo não alinhamento está sendo exigido pelos Estados maiores do Sul Global que não estão interessados em ser subordinados pela agenda da Tríade, mas que ainda não estabeleceram um projeto próprio – um Projeto do Sul Global, por exemplo.

 Una Marson (1905-1965) poeta e jornalista jamaicana  escreveu There Will Come a Time [Chegará um momento]

Em 1931, a poeta e jornalista jamaicana Una Marson (1905-1965) escreveu There Will Come a Time [Chegará um momento], um poema de esperança em um futuro “onde o amor e a fraternidade devem ter pleno domínio”. As pessoas no mundo colonizado, escreveu ela, teriam que travar uma batalha contínua para alcançar sua liberdade. Não estamos nem perto do fim dessa luta, mas ainda não estamos na posição de subordinação quase total em que estávamos durante o auge da primazia da Tríade, que durou de 1991 até agora. Vale a pena voltar a Marson, que sabia com certeza que um mundo mais justo viria, mesmo que ela não estivesse viva para testemunhá-lo:

O que importa se somos como pássaros engaiolados
Que batem seus peitos contra as barras de ferro
Até que gotas de sangue caiam, e em canções de partir o coração
Nossas almas passam para Deus? Essas mesmas palavras,
Na angústia cantada, prevalecerá poderosamente.
Não estaremos entre os felizes herdeiros
Dessa grande herança – mas para nós
A gratidão e o elogio deles virão,
E as crianças ainda não nascidas colherão com alegria
O que semeamos em lágrimas. 
Una Marson (1905-1965), poeta e jornalista jamaicana

*Vijay Prashad historiador, editor e jornalista indiano. Escritor e correspondente-chefe da Globetrotter. Editor da LeftWord Books e diretor do Tricontinental: Institute for Social Research.

Publicado no Brasil 24/7: 18 de junho de 2023

Fonte:  https://www.brasil247.com/blog/o-surgimento-de-um-novo-nao-alinhamento

 

 

6.21.2023

Governo Federal 2023: Articulações com Câmara Federal, Pontos Bons e Fracos

Rui Costa não tem jogo de cintura, é muito limitado nas articulações com a Câmara Federal e Senado. Por exemplo, não recebe políticos, movimentos sociais, ou pessoas sábias e habeis da sociedade brasileira, tornando-se isolado dentro do Governo e Casa Civil 

por Chico Alves no Uol e Mangue do Cachoeira – Sociedade e Governo Federal Desarticulado

  Foto no Ateliê de Humanidades_internet

Lemos, assistimos e ouvimos informações através da mídia e rede digital, como está atuando o novo Governo Federal em 2023, sob vários aspectos da administração federal.

Acompanhamos em 2002 a administração petista, que na época, com Lula a frente, era o partido de centro esquerda mais atuante e que mais aproximava-se da população historicamente excluída na sociedade brasileira. São os que levam o “fardo nas costas”, como vemos ao longo da civilização no Brasil e em diversos países, suportando as explorações das classes alta e média alta.

Também vimos que o PT e coligados procuram fazer várias articulações para se manterem como força politica a frente da administração pública federal. Por exemplo, na primeira administração petista (2003) alguns membros do PT não aceitaram a aproximação com a elite e mantiveram distanciamento da população mais vulnerável, praticamente fazendo com que surgisse o PSOL em 2004, através de alguns parlamentares mais ativos junto a classe mais oprimida. Fato marcante na existência petista que conhecemos.

A segunda administração federal petista, a partir de 2006, teve que “ceder por demais seus anéis, para não perder os dedos”. Naquele momento o tal do “mensalão” no Congresso fez estragos, ameaçando com o impeachment o presidente. E o partido petista, para se manter no poder, teve que se aproximar mais ao centro e coligando-se com partidos de direita, deixando os ideais de esquerda a distancia, que tanto o fortaleceu para que pudesse chegar ao poder . Foi uma decepção para as pessoas que querem o bem das populações mais vulneráveis e obviamente do país.

Com a Dilma (também conhecida como madame de ferro), a situação foi complicando-se, pois a ex-presidenta não sabe fazer articulação como Lula que veio da pobreza e teve sua formação política-social no movimento sindical , principalmente. A difícil vida de Lula, sua sobrevivência como ser vivo, o moldou acostumando-se a superações difíceis, que muito poucas pessoas talvez consigam algo semelhante. Por não terem passado por “esses caminhos das pedras”, a natureza os privilegiou o presidente atual. Aqui vale lembrar o lendário Pepe Mujica, que confessou ter a personalidade e sabedoria que acompanhamos a distancia, moldada depois que passou 13 anos preso na ditadura uruguaia, ou após atuação na luta armada.

No desempenho atual de Lula e seus seguidores, a articulação política está a cargo de Alexandre Padilha, que aparentemente está se saindo bem. Já Rui Costa, chefe da casa civil complica-se, dificultando a vida do Governo.

Aí é que está “o calo no sapato de Lula e seguidores”.

Esta pessoa é a versão masculinizada de Dilma ex-chefe da Casa Civil de Lula, no segundo governo (2006).

Rui Costa não tem jogo de cintura, é muito limitado nas articulações com a Câmara Federal e Senado. Por exemplo, não recebe políticos, movimentos sociais, ou pessoas sábias e habilitadas na sociedade brasileira que eventualmente poderiam auxiliar o Governo, tornando-se isolado dentro da Casa Civil. Esse tipo de ação lembra a Dilma, tanto como ex- Chefe da Casa Civil de Lula, como ex-presidenta. E deu no que deu. Levou impechment pelas costas.

Na entrevista abaixo do deputado federal Whashington Quaquá (RJ), ele descreve o Rui Costa e sua atuação fraca. Claro que nem tudo o que Quaquá diz na entrevista tem fundamento ou é a melhor sugestão para as ações do Governo Federal, mas ele tem sua parcela de razão. Para articular com uma Câmara Federal, que já foi descrita por alguns do centro esquerda como a pior Câmara na história brasileira republicana (pós-monarquia). E com razão, tem que haver “muito jogo de cintura”, esperteza e sabedoria, para poder avançar os projetos populares ou do interesse da sociedade brasileira, que venham a beneficiar a população mais vulnerável, assim como as melhores práticas governamentais. A constante luta está sendo contra os capitalistas poderosos, tanto na área pública, quanto privada. Neste quesito, a Câmara Federal e o Banco Central, aparentemente, são os que dão as maiores dores de cabeça ao Governo.

E pelo “andor da carruagem”, o Lula volta a cometer os mesmo erros de ter na articulação política alguém que mais atrapalha do que ajuda nessa penosa função.

Segue a entrevista que Quaquá com algumas perguntas e resposta que deu para o UOL. A entrevista completa poderá ser vista no endereço eletrônico citada na fonte** abaixo.

Vice-presidente do PT: 'Relação do (Ministro) Rui Costa com Congresso é uma tragédia'

Se você pega um pedaço do orçamento, digamos R$ 20 bilhões, que é 20% do investimento que o governo federal tem, e determina os locais em que podem ser investidos, estabelece as políticas que podem ser feitas em educação, saúde, etc... Ao deixar isso transparente, eu não vejo nenhum problema

 Washington Quaquá (PT-RJ), vice-presidente nacional do PTImagem: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

Não faltam reclamações quanto aos métodos que o governo Lula (PT) usa (sem sucesso) para tentar formar base de apoio no Congresso. Entre os críticos mais ferozes está alguém que faz parte da cúpula do próprio Partido dos Trabalhadores: o deputado Washington Quaquá (RJ), vice-presidente da legenda.

De saída, Quaquá tem uma avaliação sobre o trabalho de um dos principais articuladores do governo, o ministro da Casa Civil. "A relação de Rui Costa com o Congresso é uma tragédia", disse ele à Uol.

Além de lamentar que o titular da Casa Civil não recebe os deputados que procuram no Executivo, o vice-presidente do PT refuta o discurso feito por Costa na Bahia, menos-prezando a atividade parlamentar que ocorre em Brasília.

Quaquá sugere ao governo que estabeleça uma cota de emendas e as libere aos deputados e senadores. Isso, acredita ele, resolveria encrencas como a discussão sobre a saída de Daniela Carneiro do Ministério do Turismo, a pedido do União Brasil. Comenta-se que 50 deputados da legenda iriam para a oposição se isso não acontecesse. "Conversa fiada", diz o deputado petista. "Se o governo der R$ 50 milhões para cada deputado do União Brasil, 90% deles vão votar com a gente". (Há lideres políticos que acham que por menos compra-se esses parlamentares).

Outra orientação ao governo: tratar o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) não como um chantagista. Quaquá descreve Lira como um "fenômeno político brasileiro", uma espécie de "presidente do sindicato dos parlamentares". "Tem sido muito justo com o Brasil", afirma o vice-presidente do PT. (sic)

UOL - O sr. acha que o governo deveria aceitar o pleito do União Brasil, que exige a saída da ministra do Turismo, Daniela Carneiro?

Washington Quaquá - Eu acho que a Daniela contempla o Rio de Janeiro, é uma mulher evangélica, é da Baixada Fluminense. Ela e o Waguinho (marido de Daniela, que é prefeito da cidade fluminense de Belford Roxo) foram muito leais ao presidente Lula na campanha, ele apoiou o Lula a vida inteira.

Outra coisa: não é isso que vai resolver os problemas da base do governo. O que vai resolver é emenda parlamentar. Deputado quer fazer parte do orçamento, manejar uma parte do orçamento para a base dele, para o município dele, para o estado dele. Isso é justo. Eu não acho injusto, porque o Brasil dá muito poder ao Parlamento. O Parlamento quer compartilhar (esse) poder.

Se você pega um pedaço do orçamento, digamos R$ 20 bilhões, que é 20% do investimento que o governo federal tem, e determina os locais em que podem ser investidos, estabelece as políticas que podem ser feitas em educação, saúde, etc... Ao deixar isso transparente, eu não vejo nenhum problema. É isso que vai resolver a base do governo, não quer ministério.

Por que acha que isso não está sendo colocado em prática?

Não sei. Acho um erro do governo.

Os caciques do União Brasil dizem que querem o Ministério do Turismo e ameaçaram levar 50 deputados para a oposição?

Mentira. Eles não controlam ninguém ali. Isso é conversa fiada (talvez chantagem). Se o governo der R$ 50 milhões para cada deputado do União Brasil, 90% deles vão votar com a gente.

O sr. já deu essa sugestão à equipe do governo, ao presidente Lula?

Já falei com o [ministro Alexandre] Padilha, já falei com o líder [deputado José Guimarães], não estive com o Lula ainda, mas já mandei recado.

Falou para o Rui Costa?

Não. Não ando falando com o Rui. Eu acho a relação do Rui Costa com o Congresso uma tragédia.

O que ele deveria fazer e não faz?

Primeiro, receber os deputados. Tratar os deputados como parte do poder da República. E aquele discurso que ele fez lá na Bahia foi uma tragédia. Falou sobre Brasília e sobre os deputados, falando que aquilo lá é um circo, uma Disneylândia. Até parece que na Bahia nós [do PT] não fazermos aliança com a Assembleia de lá, inclusive de maneira correta. Ministro de Estado não pode fazer graça, tem que medir o que fala.

O sr. acha que o ministro Padilha está se conduzindo bem. O problema é o ministro Rui Costa?

Sou amigo do Padilha e gosto muito dele. Mas precisa primeiro entender o presidente [Arthur] Lira como um fenômeno político brasileiro. Hoje, o presidente da Câmara é o presidente do sindicato dos parlamentares, ele representa os interesses dos parlamentares. Não tem mais um Ulysses Guimarães, que defendia teses. Hoje você tem um cara que defende o mandato dos deputados. Lira faz isso muito bem.

Então, ele tem hoje maioria na Câmara e tem sido um cara muito justo com o Brasil. Eu digo isso porque ele deu estabilidade ao Bolsonaro, e ele quer dar estabilidade ao Lula, ele quer entregar a estabilidade ao país. Precisa tratar o Lira como parceiro da estabilidade, não como um adversário, entendeu?

Eu acho que o erro do governo hoje é tratar o Lira não como um parceiro da estabilidade, mas como um chantagista. Tem que entender o momento que a gente vive no país, o momento institucional do país. Entender que a Constituição de 1988 permitiu que os parlamentos municipais, estaduais e o nacional tenham um poder grande e que é preciso compartilhar poder com esse parlamento.

 *Chico Alvescolunista do UOL

Publicado no Uol: 13/06/2023

**Fonte https://noticias.uol.com.br/colunas/chico-alves/2023/06/13/vice-presidente-do-pt-relacao-de-rui-costa-com-congresso-e-uma-tragedia.htm

 

 

 

6.15.2023

Quem são os reais invasores de terras no Brasil?

Observatório de Olho nos Ruralistas identifica 42 políticos brasileiros com fazendas em terras indígenas

Mato Grosso do Sul com 17 casos lidera lista de áreas invadidas, em seguida aparecem Mato Grosso e Maranhão, com sete, cada

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 Família Apurinã navega pelo rio Seruiní (Foto: Acervo Pessoal (no Brasil de Fato))

  Alguns Políticos que Atuam Contra o Brasil em Invasões de Terras Indígenas

Entre os nomes que aparecem em destaque com a divulgação do relatório estão o senador Jaime Bagattoli (PL-RO) e o deputado federal Dilceu Sperafico (PP-PR). Bagattoli integra, atualmente, a Comissão de Meio Ambiente, a Comissão de Agricultura e Reforma Agrária e a Comissão Parlamentar de Inquérito das Organizações Não Governamentais - ONGs.

Sperafico é membro da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, na Câmara dos Deputados, e publicou um vídeo, em sua conta no Instagram, comemorando a aprovação do Projeto de Lei 490/2007 na Câmara, que contou com seu voto favorável.

No vídeo, ele justificou o voto, dizendo que proprietários rurais têm tido suas fazendas ameaçadas por processos de demarcação "indevida" de terras indígenas, em Mato Grosso do Sul e no Paraná.

E é justamente em Mato Grosso do Sul - estado com fama de violência no campo e assassinatos de indígenas, documentados por entidades como a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) - onde Sperafico tem uma fazenda, a Maracay, no município de Amambai. A propriedade de que é dono tem mais de quatro mil hectares, de acordo com o observatório De Olho nos Ruralistas, e fica sobre a Terra Indígena Iguatemipeguá, dos guarani kaiowá.

No caso de Bagattoli, a fazenda em situação irregular é a São José, que fica no município de Corumbiara, em Rondônia. A porção que está sobreposta é de 2,5 mil hectares em relação à Terra Indígena Rio Omerê, local habitado pelos povos akuntsu e kanoê, que vivem em isolamento voluntário. 

O patrimônio declarado por Jaime Bagattoli ao Tribunal Superior Eleitoral, que inclui diversos lotes rurais, ultrapassa R$ 55 milhões. O de Sperafico supera R$ 46 milhões.

Invasores de territórios de povos originários também foram os responsáveis por bancar 29 campanhas de candidatos à eleição ou reeleição à Presidência da República, ao Congresso Nacional, a governos estaduais e assembleias legislativas. O montante de doações ultrapassou R$ 5,3 milhões.

Considerando somente pessoas ligadas à Frente Parlamentar da Agropecuária, o que se observa é que 18 integrantes receberam R$ 3,6 milhões em doações de campanha, desembolsados por fazendeiros ligados a sobreposições. 

A Agência Brasil tentou contato com o deputado federal Dilceu Sperafico e o senador Jaime Bagattoli, mas nenhum deles respondeu os questionamentos da reportagem.

Observatório Identifica 42 Políticos com Fazendas em Terras Indígenas

No Brasil, 42 políticos e seus familiares de primeiro grau são titulares de fazendas que ficam dentro de terras indígenas, o que constitui uma irregularidade do ponto de vista legal, e ameaça os direitos constitucionais de povos originários que ali vivem.

É o que denuncia a segunda parte do dossiê Os invasores, elaborado pelo observatório De Olho nos Ruralistas. O documento lançado em 14.jun.2023, no Cine Petra Belas Artes, em São Paulo, acompanhado de debate sobre a temática e de exibição do premiado documentário Vento na fronteira, que retrata um conflito entre fazendeiros e indígenas guarani kaiowá na fronteira entre Brasil e Paraguai.

A primeira parte do relatório foi divulgada durante o Abril Indígena deste ano, mês em que se procura dar maior projeção para as inúmeras lutas da causa indígena em todo o país. No documento já se havia informado a identificação de 1.692 sobreposições, das quais se destaca agora a porção pelas quais respondem clãs políticos. 

O observatório detectou terras com sobreposição a partir da análise de dados fundiários do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), mais especificamente, das bases do Sistema de Gestão Fundiária (Sigef), do Sistema Nacional de Cadastro Rural (SNCR) e do Sistema Nacional de Certificação de Imóveis (SNCI). Os políticos e sua rede têm em suas mãos 96 mil hectares, o equivalente à soma das áreas urbanas de Rio de Janeiro e Belo Horizonte. 

Com 17 casos, Mato Grosso do Sul lidera a lista. Em seguida, aparecem Mato Grosso e Maranhão, com sete, cada.

Pessoas com Poder Aquisitivo Alto Invadiram Terras Indígenas e Áreas Públicas no Brasil 

De acordo com o coordenador de projetos do observatório, pesquisador Bruno Bassi, os atores que protagonizam a prática ilegal e que ameaçam os povos indígenas são tanto políticos como pessoas com poder aquisitivo, que financiam tais ações e se mantêm em determinada teia de relações.

"Apesar de a gente ter um número relativamente reduzido de políticos identificados com sobreposição direta, é interessante observar que, na verdade, não é um número tão pequeno quando a gente pensa que é, um [total] que corresponde a uma porcentagem relativamente alta desse número, pensando que se esperaria que a imagem que se tem, normalmente, dos fazendeiros que disputam áreas em terras indígenas, e isso é um discurso bastante reforçado pela mídia corporativa, é que são pessoas desconhecidas, que o promotor desses conflitos é o pequeno grileiro, um cara que ninguém conhece, que está lá no interior do Brasil, promovendo esse tipo de ação", diz Bruno.

"O avanço do território, sobretudo do agronegócio, sobre territórios indígenas ou reivindicados pelos povos indígenas é promovido, de um lado, pelo capital, pelas grandes empresas e corporações, por multinacionais, grandes empresários, e tem uma interface política, que abarca desde a posse direta por pessoas que se envolvem nesse universo político. A gente tem governador, deputados federais, um senador, cinco prefeitos e vice-prefeitos com mandato atual e 23 ex-prefeitos, o que demonstra o tamanho dessa esfera municipal, do poder local, na posse de terras. A gente tem deputados estaduais", acrescenta. 

O coordenador faz outra observação sobre as sobreposições: "A gente tem desde casos declarados de invasão, ou seja, são em áreas [indígenas] homologadas, que são tentativas de grilagem, como o caso do senador Jaime Bagattoli, feita pelo antigo proprietário da área e que foi mantida nos registros fundiários do SNCI, e há casos em que essa sobreposição impede, muitas vezes, a própria demarcação do território", acentua Bruno.

O Congresso, a Mídia , Redes Digitais Mentem e Escondem a Verdade Sobre Invasões de Terras Públicas

Ele diz que "vários dos processos de Mato Grosso do Sul se desenrolam por mais de uma década até que se chegue a uma decisão. E esses prazos têm sido ainda maiores em função do avanço político, na Câmara [dos Deputados], especialmente, em se aprovar o marco temporal para a demarcação de terras indígenas, que é a base de contestação de vários desses processos, uma tese que ignora que esses indígenas foram expulsos continuamente dessas áreas, principalmente durante os anos 40, 50 e 60, atrás das frentes de colonização, em que o próprio Estado brasileiro, através do Serviço de Proteção aos Índios (SPI), expulsava essas comunidades e realocava em áreas extremamente diminutas, em relação ao território anteriormente ocupado pelos indígenas".

"Quem são os reais invasores de terras no Brasil? Os movimentos populares que lutam pela reforma agrária e pela demarcação de terras indígenas, direitos consagrados na Constituição de 1988? Ou os grileiros que invadem milhões de hectares na Amazônia, no cerrado e nos demais biomas?" Essas são algumas das pontuações que constam do relatório.

Nessa linha, que critica a criminalização dos movimentos sociais, Bruno Biassi finaliza dizendo que o que o observatório propõe, com o documento, é a inversão da lógica sempre disseminada. "Vamos também pautar a invasão de terras pelo agronegócio", argumenta. 

Publicado no Brasil 24/7: 15 de junho de 2023

 

Fonte: https://www.brasil247.com/meioambiente/observatorio-identifica-42-politicos-com-fazendas-em-terras-indigenas-1ty16e39

6.09.2023

Vivemos tempos de mudança, não de conciliação: Stédile* critica ‘nova esquerda’

 “Precisamos de um longo período de luta de classes que vá além do período de um governo. Às vezes, as massas demoram a entender o que está acontecendo”, disse em entrevista ao Fórum de Comunicação para a Integração da Nossa América (FCINA)

por Mariano Vásquez no Descrição: Diálogos do Sul Diálogos do SulSociedade, crise política e ambiental global

  Fernando Frazão/Agência Brasil, Manifestantes lotam a praça da Cinelândia em defesa da democracia após atos golpistas em Brasília

Crise do capitalismo e da democracia global

Estamos em um quadrante da história de uma crise estrutural do modo de produção capitalista que afeta todo o Ocidente. O capitalismo está em uma grave crise econômica porque não consegue mais produzir os bens necessários para a população, embora os capitalistas estejam ficando bilionários. 

Há uma crise política porque o Estado burguês não está interessado na democracia, o capital financeiro trans-nacionalizado não está interessado na democracia, por isso financiou golpes de Estado, promoveu grupos fascistas, financiou a extrema-direita. 

Há também uma crise ambiental muito grave em todos os países e o capital tem operado como uma ofensiva sobre os bens da natureza que deveriam pertencer a todos, mas eles tentam se apropriar da natureza de forma privada. No Brasil, tivemos quatro golpes antidemocráticos nos últimos seis anos. Nesse período, chegamos a 70 milhões de trabalhadores fora da estrutura produtiva.

O governo Lula o papel da extrema-direita e as massas

Sabemos que este é um governo de coalizão, uma frente ampla, mas ainda estamos tentando pressioná-lo para que cumpra o programa mínimo, o plano emergencial com o qual se comprometeu na campanha: combater a fome distribuindo alimentos; construir as moradias necessárias e adotar um plano econômico que nos leve à re-industrialização e à produção de alimentos com base na agricultura familiar camponesa. 

Mas a direita fascista, que perdeu as eleições, se instalou no Parlamento, que é uma trincheira da direita. A esquerda tem apenas 130 deputados garantidos em um total de 513. Por isso, dessa tribuna, a direita impôs uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para acusar o MST de crimes pela ocupação de terras, mas a ocupação de terras não é um crime, é um direito do povo. É por isso que Lula terá dificuldades em levar adiante suas políticas e será muito difícil promover mudanças estruturais sem o apoio das massas.

200 anos da Doutrina Monroe e o papel de exploração dos EUA

Há 200 anos eles [Estados Unidos] nos tratam como colônia, só querem matérias-primas, commodities, nossos mercados e nos explorar com o dólar. 

Com esses papéis verdes, compram governos, fábricas. Eles compram tudo na nossa América Latina, saqueando nossas riquezas e nosso trabalho. 

Lula está conscientemente fazendo relações bilaterais, levantando sua voz contra o dólar, que é o centro de exploração de nossos povos, para começar a usar nossas moedas. 

Lula pede para construir a paz, mas os Estados Unidos querem guerras para vender sua principal mercadoria, que é a indústria bélica. 

Os problemas de nossos países latino-americanos não podem ser resolvidos isoladamente, mas recuperando os pensamentos dos clássicos, como José Martí, Hugo Chávez, Fidel Castro, que enfrentaram a teoria de Monroe. Lula enfatiza que os problemas da América Latina só serão resolvidos se construirmos a integração regional.

Situação dos movimentos sociais e a solidariedade internacional

O internacionalismo é nosso princípio, é uma necessidade. Ou nos unimos como classe trabalhadora ou não venceremos. 

O MST é herdeiro daquela vontade política que aprendemos com a Revolução Cubana, aprendemos que a solidariedade é um princípio, não é caridade, é uma forma política fundamental de agir. Não há como construir uma civilização humana mais desenvolvida, não conseguiremos a mudança sem derrotar o capitalismo financeiro, sem derrotar o império. 

Para isso, precisamos de um longo período de luta de classes que vá além do período de um governo. A maioria das forças de esquerda que chegaram aos governos não entende os tempos em que vivemos. São tempos de mudança, não são tempos de conciliação e, às vezes, as massas demoram a perceber o que está acontecendo.     

Iniciativa de Pepe Mujica em palestra, sobre o trabalho

Na área de integração popular, que envolve os Movimentos da ALBA, CLOC-Via Campesina, coletivos de esquerda, Movimiento de Participación Popular (MPP) e a CSA (Confederação Sindical das Américas), planejamos com Pepe Mujica uma espécie de aula magna 'Pensando o futuro', aproveitando seu pensamento e suas ideias.

Estamos convocando vocês para participarem, no dia 23 de junho, na forma de uma rede continental para que o velho Mujica possa nos dizer quais são os dilemas da humanidade nesse quadrante que é a luta da classe trabalhadora.

*João Pedro Stédile, líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra do Brasil (MST), concedeu uma extensa entrevista colaborativa nesta quarta-feira (7/jun/2023) ao Fórum de Comunicação para a Integração da Nossa América (FCINA), na qual discutiu a situação dos movimentos populares no Brasil; o terceiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva; o avanço da extrema-direita no continente e no mundo; as iniciativas de integração; a aliança da classe trabalhadora no campo e na cidade; a crise do capitalismo e o papel dos Estados Unidos na região no marco dos 200 anos da quando a Doutrina Monroe, que definiu a América Latina como quintal de exploração dos Estados Unidos.

  Reprodução Youtube Diálogos do Sul, Entrevista exibida na Tv Diálogos do Sul

Stédile é o líder do maior movimento de trabalhadores camponeses do mundo. O MST, cujos embriões remontam à luta pela terra na década de 1970, foi fundado em 1984, durante o 1º Encontro Nacional em Cascavel, no estado do Paraná, com o objetivo de lutar pela terra, pela reforma agrária e por mudanças sociais no Brasil. "Queremos ser produtores de alimentos, cultura e conhecimento. Queremos ser construtores de um país socialmente justo, democrático, com igualdade e em harmonia com a natureza", proclamaram à época. Hoje, o movimento está organizado em 24 estados das cinco regiões do país. Mais de meio milhão de pessoas já conquistaram seu território por meio da organização.

Tradução: Diálogos do Sul

Publicado no Diálogos do Sul: 7 de jun de 2023

Fontehttps://dialogosdosul.operamundi.uol.com.br/america-latina/81106/vivemos-tempos-de-mudanca-nao-de-conciliacao-stedile-critica-nova-esquerda

 

 

6.07.2023

Como surgiu a maior favela do Brasil, Sol Nascente no Distrito Federal

Segundo o censo 2023/IBGE, região a 35 km do centro do DF superou a Rocinha em número de residências

por  redação 24/7, Isabella Wandermuren*/Terra e EBC  - Sociedade e Concentração de Renda no Brasil

 Comunidade Sol Nascente DF, na rede social

O Censo 2023 divulgados pelo Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que a comunidade do Sol Nascente, localizada no Distrito Federal, tornou-se a maior favela do Brasil em termos de número de residências, ultrapassando a Rocinha, no Rio de Janeiro.

De acordo com a pesquisa, atualmente, o Sol Nascente tem 32.081 domicílios e mais de 87 mil pessoas, cresceu 31% em comparação com 2010. A Rocinha tem 30.955 domicílios e em comparação com 2010, na região do Rio de Janeiro e aumentou 20%.

Segundo o IBGE, a principal diferença entre o Sol Nascente e a Rocinha é o relevo, sendo que a primeira é uma área plana e a segunda apresenta um terreno mais acidentado.

Na década de 1990, os terrenos do Setor Habitacional do Sol Nascente foram divididos e ocupados de maneira irregular, dando início à região comunitária desordenada. Em 2019, a localidade foi elevada à categoria de região administrativa. Antes disso, o local fazia parte da cidade satélite de Brasilia, Ceilândia, região administrativa que abriga cerca de 500 mil habitantes e é considerado a maior do Distrito Federal.

 Favela Sol Nascente agora é a maior do Brasil, nas redes digitais

O Sol Nascente

Nos anos 1990, a ocupação de terras no Sol Nascente se intensificou. N época, a região era composta predominantemente por chácaras e nascentes de água. De acordo com a explicação mais popular sobre sua origem, o nome da favela teria sido inspirado em uma dessas propriedades rurais.

População

Segundo um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal, 53,9% dos residentes de Sol Nascente se identificam como pardos, 30,3% dos moradores se declaram brancos e 14% como negros.

Lazer

O Sol Nascente conta com um Centro Olímpico e Paralímpico (COP) desde 2020, onde são oferecidas aulas de 26 modalidades esportivas gratuitamente à população local.

Comunidade

A líder comunitária Ivete Bandeira criou uma das primeiras creches comunitárias do local. Hoje, ela coordena o Instituto Pingo de Ouro, que realiza ações sociais, oferece aulas de esporte e distribui cestas básicas.

Saúde

Atualmente, há uma Unidade Básica de Saúde e uma Unidade de Pronto Atendimento que atende cerca de 91 mil habitantes da Sol Nascente, de acordo com a Codeplan (Companhia de Planejamento do Distrito Federal), tendo também o Hospital da Cidade do Sol.

Favela Sounds

Em 2019, o Favela Sounds (Festival Internacional de Cultura de Periferia) promoveu uma residência artística no Sol Nascente com o muralista inglês Dreph, conhecido por desenhar grandes retratos.

Uma imersão que falava sobre a ancestralidade negra, incentivando jovens a trocar experiências e aprimorar técnicas de pintura.

 *Isabella Wandermurem, do Visão do Corre/Terra

Publicação no 24/7 e Terra: 17março2023 e 12maio2023

Fontes: https://www.brasil247.com/regionais/brasilia/sol-nascente-no-df-se-torna-a-maior-favela-do-brasil  ,   Visão do Corre/Terra ,  https://www.terra.com.br/comunidade/visao-do-corre/saiba-mais-sobre-a-sol-nascente-a-maior-favela-do-brasil,93d4bdad50561786d1d64e1e506ef766it29589a.html  e https://tvbrasil.ebc.com.br/reporter-df/2023/03/comunidade-do-sol-nascente-no-df-se-torna-maior-favela-do-brasil