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1.21.2016

Zika vírus: riscos, como é transmitida, prevenção e microcefalia nas Américas

  • Jornal El País: dez perguntas sobre o zika vírus
  • No Brasil, o ministério da Saúde recomenda que as mulheres grávidas se protejam da picada de insetos, evitando horários e lugares com a presença de mosquitos

Por Jornal do Brasil - Sociedade e Saúde Pública
No Brasil, até o momento, o Ministério da Saúde confirma três mortes possivelmente relacionadas ao vírus zika
No Brasil, até o momento, o Ministério da Saúde confirma três mortes possivelmente relacionadas ao vírus zika
A doença tomou proporções internacionais. Foi preparado uma lista com dez respostas sobre o zika vírus e sua relação com a microcefalia.
1. O que é o zika vírus?
É um vírus semelhante filogeneticamente aos da dengue e da febre amarela. Foi descoberto pela primeira vez na floresta de Zika, em Uganda, em 1947, em macacos monitorados cientificamente para o controle da febre amarela. Até 2007, entretanto, ele era relativamente desconhecido, até que surgiu um grande surto na ilha de Yap e em outras ilhas próximas aos Estados Federados da Micronésia (acima da Austrália), com 8.187 afetados. Entre outubro de 2013 e fevereiro de 2014, um novo surto atingiu a Polinésia Francesa, com 8.264 casos suspeitos.
2. Como ele é transmitido?
O principal modo de transmissão é por meio do mesmo vetor da dengue, o mosquito Aedes aegypti. Mas há relatos de transmissão sexual (ele se mantêm no esperma por mais tempo), perinatal (da mãe para o feto) e sanguínea. O vírus não é transmitido pela amamentação.
3. Quais são os principais sinais e sintomas da doença?
A grande maioria das pessoas infectadas não desenvolvem manifestações clínicas, porém quando presentes são caracterizadas por manchas vermelhas pela pele, febre intermitente, manchas nos olhos, dores musculares, nas articulações e de cabeça. Com menos frequência, foram registrados edema, dor de garganta, tosse, vômitos e presença de sangue no esperma. Os sintomas geralmente desaparecem espontaneamente entre três e sete dias. As dores nas articulações, porém, podem persistir por até um mês.
4. Há tratamento para o zika vírus?
Não existe tratamento para a doença. Os sintomas, esses sim, podem ser controlados com o uso de paracetamol ou dipirona para o controle da febre e manejo da dor. No caso de erupções pruriginosas, os anti-histamínicos podem ser considerados. É desaconselhável o uso ou indicação de ácido acetilsalicílico e outros drogas anti-inflamatórias em função do risco aumentado de complicações hemorrágicas.
5. Há vacina para prevenir a doença?
Ainda não há uma vacina contra o zika vírus. Em dezembro, porém, o Instituto Butantã começou a última fase de testes de uma vacina contra a dengue.
6. Como prevenir?
Como até o momento o grande suspeito de causar o problema é o zika vírus, o ideal é evitar a propagação do Aedes aegypti, mosquito que também transmite quatro tipos de dengue e o chikungunya, uma doença que ataca as articulações e provoca dores bastante intensas. O mosquito se prolifera em água limpa parada, por isso é importante evitar que ela se acumule em pneus, vasos de plantas e qualquer outro recipiente aberto. Para evitar picadas, use repelentes e telas nas janelas e portas.
7. Quais são os países afetados pela doença?
Segundo a Organização Mundial da Saúde, somente em 2015, foram confirmados casos de zika em nove países das Américas: Brasil, Chile - na ilha de Páscoa -, Colômbia, El Salvador, Guatemala, México, Paraguai, Suriname e Venezuela. Nesta semana, as autoridades norte-americanas confirmaram o primeiro caso de zika no país: um homem que vive no Texas. Ele visitou El Salvador recentemente.
8. Qual é a relação entre o zika vírus e a microcefalia?
No Brasil, foram registrados, no ano passado, 1,6 milhão de casos prováveis de dengue. Como a zika é considerada uma dengue leve, os infectados por essa doença acabam entrando nessa contabilidade.
A Colômbia é outro país com alto número de infectados: ao menos 11.000 casos confirmados, segundo as informações mais recentes.
No final de novembro, após uma alta incidência da doença em alguns Estados no Brasil onde também há alta do número de casos de zika vírus, foi confirmada, pelo ministério da Saúde a relação entre o zika e a microcefalia. A evidência ocorreu após um estudo que detectou a presença do vírus zika em mostras de sangues coletadas de um bebê que nasceu com microcefalia no Ceará e acabou morrendo.
9. Quais são as recomendações para mulheres grávidas?
Ainda não se sabe como o vírus atua no organismo humano ou quais mecanismos levam à microcefalia, mas os casos estão sendo investigados.
No Brasil, o mais recente boletim epidemiológico contabiliza 3.530 casos de microcefalia relacionados à infecção pelo zika vírus entre outubro de 2015 e o início deste ano no país. Estão em investigação 46 óbitos de bebês com microcefalia possivelmente relacionados ao vírus zica.
Na semana passada, os Estados Unidos registraram o primeiro caso de microcefalia ligado ao zika vírus, no Havaí. Segundo informou o jornal The New York Times, a mãe do bebê teria sido infectada pela doença quando viajou ao Brasil, em maio do ano passado.
Nos Estados Unidos, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças recomenda que mulheres grávidas não viajem a 14 países da América Latina, dentre eles, Brasil, Porto Rico e Colômbia.
No Brasil, o ministério da Saúde recomenda que as mulheres grávidas se protejam da picada de insetos, evitando horários e lugares com a presença de mosquitos, usem roupas que protejam a maior parte do corpo e usem repelentes.
10. O zika já provocou mortes?
No Brasil, até o momento, o Ministério da Saúde confirma três mortes possivelmente relacionadas ao vírus zika: um bebê, um homem que também tinha lúpus e uma menina de 16 anos.
Fonte - http://www.jb.com.br/ciencia-e-tecnologia/noticias/2016/01/21/el-pais-dez-perguntas-sobre-o-zika-virus/

Grupos estão aproveitando sobras de comida para alimentar 1,6 milhão de brasileiros(as)

  • Como alguns grupos estão livrando comida do lixo para alimentar 1,6 milhão de brasileiros

    • Cerca de 100 projetos funcionam no Brasil, somando os administrados pela sociedade civil e pelo Estado

    Por redação do site Conexão Jornalismo - Sociedade e Combate a Fome 

Foto Diário do Centro do Mundo/DW
O trabalho deste grupo começa quando o fim da feira se aproxima: Daniel Ferratoni e Lucila Matos espalham contêineres entre as barracas para recolher frutas, verduras e legumes que iriam para o lixo. Eles são idealizadores do Banco de Alimentos de Santos, no litoral norte paulista, uma organização focada em combater o desperdício e distribuir esses alimentos em comunidades em situação vulnerável.

Todas as quartas-feiras, Daniel, engenheiro, e Lucila, formada em relações internacionais, recolhem em torno de 200 quilos de comida. "Os feirantes separam para a gente principalmente talos e folhas de alimentos, como brócolis e cenoura, que o cliente não leva na hora da compra", diz Daniel. "Mas também recolhemos caixas fechadas de frutas e vegetais mais perecíveis que eles não conseguem vender", completa.

"Gosto de ajudar, sei que essa comida mata a fome de muita gente", diz Lívia, feirante há 22 anos e uma das colaboradoras mais fiéis. Nesta quarta-feira, a barraca dela doou vagem, jiló, chuchu, pepino, brócolis e tomate.

A iniciativa em Santos, fundada em janeiro, buscou inspiração dentro e fora do Brasil. Lucila acompanhou o trabalho em Bonn e Colônia, na Alemanha - um dos países pioneiros, onde mais de 900 bancos de alimentos estão em funcionamento. "De lá, trouxemos a ideia de distribuir os alimentos diretamente nas comunidades. Aqui no Brasil, a maioria recolhe a comida e entrega em instituições", conta.

Combate a fome

O primeiro banco de alimentos do Brasil surgiu em 1994, fundado pelo Serviço Social do Comércio (Sesc), em São Paulo. O movimento, com o objetivo de combater o desperdício e a fome, se expandiu num ritmo tímido entre as outras unidades do país, e algumas ONGs, como a Banco de Alimentos SP e a Banco de Alimentos de Porto Alegre, foram criadas com o mesmo objetivo.

O primeiro banco de alimentos criado com verba do governo federal surgiu somente em 2003. Atualmente, são 78, apoiados pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). "Eles estão em funcionamento em todas as regiões do país, em 24 estados, 16 capitais, com uma cobertura de 60% dos municípios acima de 300 mil habitantes", informou o MDS à DW Brasil.

Essas regiões são estratégicas, porque concentram grandes redes varejistas, indústrias alimentícias e centrais de abastecimento - locais onde, segundo o ministério, as perdas e o desperdício de alimentos são alarmantes.

Atualmente, cerca de 100 projetos funcionam no Brasil, somando os administrados pela sociedade civil e pelo Estado. A comida recolhida é fonte de alimento para mais de 1,6 milhão de pessoas no país, calcula o governo federal.

Todos os anos, estima-se que 1,3 bilhão de toneladas de alimentos bons para o consumo sejam descartados. No Brasil, um dos maiores produtores agrícolas mundiais, esse número é de quase 27 milhões. Ao mesmo tempo, cerca de 805 milhões de pessoas passam fome no mundo, de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Fila na hora da partilha

Em Santos, o alimento recolhido na feira é transportado por uma Kombi "coletiva", usada em outro projeto social na região. A comida é distribuída entre 100 famílias da comunidade Alemoa, bairro de baixa renda, endereço de 970 famílias.

Na casa da líder comunitária, Maria Lúcia Cristina Jesus Silva, as caixas coletadas são pesadas e, na sequência, distribuídas. "Muita gente sobrevive com isso", conta Maria, moradora da comunidade desde 1974.

Uma hora antes da partilha, uma fila começa a se formar. Os moradores trazem uma sacola, recebem uma senha e podem escolher o que levar para casa. "Eu pego para mim e para minha vizinha, que está doente", conta Antônio, 63 anos, desempregado.

O projeto de Daniel e Lucila foi fundado a partir de um financiamento coletivo de internautas. Eles não têm salários e contam com oito voluntários. Maycon Henrique, de 14 anos, sempre participa às quartas-feiras, depois que sai da escola. "Eu gosto de ajudar minha comunidade. E sempre levo para casa alface, melancia e melão que iriam para o lixo. Minha mãe também gosta."
Fonte - http://www.conexaojornalismo.com.br/audiencia_na_tv/como-alguns-grupos-estao-livrando-comida-do-lixo-para-alimentar-,-milhao-de-brasileiros-86-36775

O envelhecimento é um processo pouco conhecido

  • O envelhecimento não é mais um destino: é um processo configurável

    • As mulheres são mais importantes, elas contribuem para a preservação e reprodução da espécie muito mais do que os homens

Por site Diario do Centro do Mundo/DW - Sociedade e Terceira Idade
velhice
Foto: Publicado na DW

A cada ano que passa, as pessoas estão vivendo mais. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a expectativa média de vida hoje é de 71 anos, levando em conta a média global e ambos os sexos – em 1990, ela era de apenas 64 anos. No Brasil, esse índice melhora: os brasileiros vivem, em média, 75 anos.
Em entrevista à DW, o ginecologista Bernd Kleine-Gunk, presidente da Sociedade Alemã de Prevenção e Medicina Antienvelhecimento (GSAAM, na sigla em alemão), enumera os diversos fatores favoráveis a essa maior longevidade. Mas garante não haver uma fórmula secreta de rejuvenescimento: “Existem, porém, muito bons conselhos.”
DW: Por que as pessoas estão vivendo mais – pelo menos no Ocidente?
Bernd Kleine-Gunk: Existem diversos fatores favoráveis. Os cuidados médicos, por exemplo, estão em constante progresso. Mas sabemos que isso não é o mais importante. O fator decisivo é que hoje temos melhores condições de vida, como melhor alimentação e melhor higiene. Esses aspectos influenciam mais na expectativa de vida da população do que a medicina propriamente dita.
O que podemos aprender com as chamadas “zonas azuis”, onde as pessoas vivem mais do que a média mundial?
Não existe um denominador comum em todas elas. Em cada região, a população leva um estilo de vida diferente. Na Sardenha, por exemplo, eles afirmam que o vinho tinto é o segredo de sua longevidade. Já na ilha japonesa de Okinawa, o segredo seria a alimentação à base de algas. No entanto existem alguns fatores comuns: ninguém que chegou aos 100 anos, em qualquer dessas regiões, estava acima do peso. Pelo contrário, eles são adeptos da restrição calórica há décadas, como recomendam os especialistas em rejuvenescimento. Mas não como medida dietética consciente, e sim porque não tiveram alimento suficiente por muitos anos.
Além disso, a base de sua dieta são frutas e verduras. Muitos deles são agricultores e continuam trabalhando enquanto a idade – e o físico – permita. Por isso, passam muito tempo respirando ar fresco e adquirindo bons níveis de vitamina D. E, por último, o mais importante: eles estão bem arraigados em suas famílias e comunidades. Nenhum deles vive num lar de idosos. Esse sentimento de “Eu sou útil e tenho um papel a desempenhar na vida” é crucial e lhes dá forças para que continuem vivendo.
Qual é a importância da atitude pessoal para se viver mais?
Gente otimista e afetuosa tem mais amigos durante a velhice. Quem é amável também é digno de ser amado. É bom se sentar junto com essas pessoas – com os rabugentos, nem tanto assim. Descobrimos que essa é também uma fantástica profilaxia da demência. O cérebro é um órgão social: precisamos do intercâmbio com os outros, e ele é muito mais fácil com os que têm uma estrutura básica amigável do que com os que vivem como lobos solitários.
Existe alguma fórmula para permanecer jovem por mais tempo?
Uma fórmula única, seguramente não. Mas existem conselhos muito bons. Um deles é: não deixe de fazer as coisas de que gosta. Nenhum artista deixa de pintar aos 65 anos, ou de escrever, ou de tocar música. Outro conselho: evite tudo aquilo o que faz envelhecer e morrer prematuramente, sobretudo fumar. Mais uma dica: cuide de seu peso, siga uma dieta equilibrada. E nunca perca a curiosidade pela vida. Se estou sempre descobrindo coisas novas e belas, tenho uma boa motivação para seguir vivendo.
Por que envelhecemos?
Estamos na Terra porque temos um objetivo biológico básico, que consiste em transmitir nossos genes às gerações seguintes. Feito isso, nos tornamos prescindíveis. Então passamos a envelhecer de maneira significativa e mensurável. Até os 30 anos, quando a missão de reproduzir normalmente foi cumprida, permanecemos jovens. A partir daí, não somos mais interessantes para a Mãe Natureza. Quem, então, ainda quiser se manter jovem e saudável, precisa se cuidar muito.
As mulheres se tornam inférteis antes dos homens, mas a expectativa de vida delas ainda é maior. Como isso se explica?
Há duas teorias. A primeira é que as mulheres são mais importantes. Elas contribuem para a preservação e reprodução da espécie muito mais do que os homens, por meio da gravidez, da amamentação e da criação dos filhos. Dessa forma, estão mais protegidas biologicamente.
A outra versão é a assim chamada “hipótese da avó”. Ela postula que as mulheres de idade avançada, mesmo que inférteis, ainda mantêm um papel importante na educação e criação dos netos, o que também ajuda a preservar a espécie. Por isso as mulheres vivem mais. Homens idosos, por sua vez, são só uma boca inútil para alimentar.
O que ocorre com o corpo quando envelhecemos?
Várias coisas, muito diversas. Basicamente, podemos distinguir sete pilares do envelhecimento. Um deles é a oxidação, um processo pelo qual são gerados os chamados radicais livres, que passam a nos contaminar. Há também o processo de glicosilação, em que o açúcar se associa à proteína, impedindo que os tecidos do corpo funcionem corretamente.
Outro pilar do envelhecimento são as inflamações crônicas – aquelas que ocorrem em pequena escala. A morte das células-tronco, responsáveis por nos regenerar, é outro processo que nos leva a envelhecer. Danos genéticos e epigenéticos ao DNA aumentam com a idade e causam doenças relacionadas à velhice.
Outro pilar é a falta de hormônios e, por fim, o encurtamento dos telômeros, as extremidades dos cromossomos. A cada divisão celular, eles se encurtam um pouco, até alcançar um limite crítico, quando as células não são mais capazes de se dividir e morrem. Hoje já é possível medir o comprimento dos telômeros, o que é um possível parâmetro para avaliar a longevidade.
Medindo os telômeros é possível prever quando morreremos?
Não, isso seria um excesso de interpretação e só serviria para assustar as pessoas. Mas a medição dos telômeros nos permite descobrir se somos biologicamente mais velhos ou mais jovens do que indica nossa idade cronológica. E a boa notícia é: podemos influenciar o resultado desse exame através de nosso estilo de vida. O envelhecimento não é mais um destino: é um processo configurável.
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-envelhecimento-nao-e-mais-um-destino-e-um-processo-configuravel/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=o-envelhecimento-nao-e-mais-um-destino-e-um-processo-configuravel

1.19.2016

Organizações em todo o mundo lançam carta contra Facebook que quer dominar informações

  • Uma internet limitada a uma plataforma, que terá o poder de controlar o que os brasileiros acessam e não acessam, pode significar um entrave insuperável para a recente democracia brasileira
 
Por Marina Cardoso, na revista CartaCapital - Sociedade e Contrôle de Informações

Organizações de todo o mundo estão divulgando uma carta aberta ao dono do Facebook, Mark Zuckerberg. O motivo: a preocupação com o futuro da World Wide Web, que pode ser catastrófico em termos de diversidade e liberdade de expressão.

A rede social, cada dia mais influente nos países em desenvolvimento, insiste em lançar o Free Basics, antes denominado Internet.org. O projeto pretende, por meio de acordo com prestadoras de serviço de internet móvel, oferecer alguns conteúdos sem cobrança dos dados trafegados – o que fere a neutralidade de rede.

Para isso, o Facebook tem usado sua rede para divulgar informações equivocadas e sem embasamento e colocar usuários contra os defensores de uma internet aberta e universal.

A construção da carta partiu da iniciativa da organização indiana Access Now. Naquele país, o Facebook criou e divulgou uma petição contra os defensores da neutralidade de rede e inflamou seus usuários contra eles.

No entanto, organizações de todo o mundo assinaram a carta aberta ao dono do Facebook, porque os problemas enfrentados naquele país são os mesmos que já enfrentamos na América Latina, no continente africano e em outras partes do planeta.

No sul global, o Facebook tem a oportunidade de travestir os interesses de seus acionistas – que precisam de mais dados de cada vez mais pessoas – em ações que são propagandeadas como coisas que beneficiam uma população, o que eleva a sua capacidade de influência política, social e econômica.

No Brasil, apesar da aprovação do Marco Civil da Internet – que garante a neutralidade de rede como princípio – a falta de uma regulação e o próprio Governo Federal abrem espaço para o Facebook avançar com seus planos em relação ao Free Basics.

Do lado do poder público, essa abertura revela o descaso não só com o Marco Civil, como também com a construção de políticas públicas que garantam que todos os cidadãos e cidadãs tenham acesso à internet. É uma terceirização de um compromisso do Estado brasileiro.

No caso do Free Basics, vale destacar que o aplicativo ainda não tem acesso liberado pelas operadoras. No entanto, o mesmo não pode se dizer do aplicativo tradicional, que é liberado da cobrança de dados por ao menos duas operadoras no País.

As organizações que defendem uma internet plural e aberta não podem aceitar que apenas um aplicativo tenha seu acesso liberado. Isto significa dar poder extremo a uma única empresa, limitar a capacidade das pessoas de acessar o conhecimento e fere de morte a capacidade de inovação da web. A ação do Facebook de usar seu poder na web para incitar usuários contra as regras de neutralidade aprovadas na Índia é um exemplo prático.

Para alguns, a popularidade de um programa que libere redes sociais justificaria o acordo com o governo brasileiro. Infelizmente, há os que ainda não aprenderam que os fins não justificam os meios.

Uma internet limitada a uma plataforma, que terá o poder de controlar o que os brasileiros acessam e não acessam, pode significar um entrave insuperável para a recente democracia brasileira. Apenas a universalização do acesso à web responde à necessidade de ampliação de vozes do Brasil atual.

Confira a carta na íntegra em http://intervozes.org.br/carta-aberta-a-mark-zuckerberg-em-defesa-da-neutralidade-de-rede-na-india/ .

* Marina Cardoso é jornalista e integrante do Conselho Diretor do Intervozes.
http://altamiroborges.blogspot.com.br/2016/01/organizacoes-lancam-carta-contra.html

Parar de tagarelar nas redes é símbolo de status — e um sinal de sabedoria

Por :  - Sociedade e Qualidade de Vida
internet idiot
Autor Gaby Hinsliff. Publicado no jornal Guardian.
Simplesmente parar de falar: talvez essa tenha sido a única coisa realmente radical que restou para se fazer em uma era por demais saturada de informação. Fugir do centro das atenções parece ser o que todos estão compulsivamente buscando: desaparecer, desengajar. Não há maior símbolo de status hoje que não ter símbolo de status algum –pelo menos no sentido Facebook do “olhe pra mim”.
“Durante o Natal, em uma área sem conexão para celular e apenas um instável sinal de banda larga, finalmente consegui terminar a adiada leitura dos livros que vinham se acumulando ao longo do ano sobre meu bagunçado criado-mudo”, conta Jonathan Franzen, autor do livro Purity, cuja heroína é criada sem as facilidades da vida moderna, em uma cabana nas montanhas e com uma mãe estilo hippie que aparentemente busca uma existência simples e imaculada. Mas a vida ali acaba sendo tudo, menos leve e pura, já que praticamente todos os personagens tentam manter um catastrófico segredo.
Sem revelar nada, não é talvez por acaso que Franzen coloca sua cabana perto da cidade de São Francisco (EUA), um dos lugares mais conectados e tecnologicamente avançados do planeta, mas sujeito ao ocasional ardente desejo por uma vida mais pura e simples. Steve Hilton, tech guru e ex-diretor de estratégia do Primeiro Ministro da Grã Bretanha, David Cameron, explicou ao jornal The Guardian esta semana por que não usou celular por três anos. Apesar de dirigir uma startup do Vale do Silício e ser casado com Rachel Whetstone, vice-presidente de comunicações e políticas públicas da Uber, Hilton ainda fala por que não quer voltar a algo que associa com “estresse, tensão e ansiedade”.
No livro, Mais Humano (More Human), Hilton também admite que não deixa seus filhos possuírem celulares ou tablets – eles usam computadores só na escola. Aconselha, ainda, a proibição de dispositivos que habilitam filmes na internet para menores de 16 anos, para protegê-los da pornografia.
O autor Eddie Redmayne, também admitiu que durante boa parte do ano passado recorreu à velha escola do “telefone mudo”, que só recebe e faz chamadas ou textos e, assim, largar o vício de ficar obsessivamente checando emails.
Depois da onda do decluttering (se livrar de tudo que é desnecessário), do Janeiro Sem Álcool e do eating clean(uma forma de revigorar hábitos alimentares, dando mais peso à ingestão de grupos de alimentos mais saudáveis), o próximo movimento purgativo parece ser o detox Wi-Fi, que funcionará como uma lavagem intestinal para a mente, expulsando toda a sujeira desnecessária. E talvez seja por isso que o ato de carregar algo que tenha toda a funcionalidade de uma casa de tijolos dos anos 90 começou a ser visto muito positivamente em alguns círculos.
David Bowie, cremado na semana passada em Nova York, sem espalhafato ou fanfarra, após uma doença que conseguiu esconder do mundo, disse não ao circo de olhares sinistros e agourentos de paparazzi perseguindo o choro de rostos famosos sobre sepulturas. Bowie virou as costas para tudo isso anos atrás, optando por expor minimamente sua vida – com exceção de sua música, disponível para consumo.
Qual é a melhor prova de que você é simplesmente muito descolado e criativo para estar conectado todo o tempo; de que você precisa estar livre para “pensar grandes pensamentos”?
Assim como uma dieta sugere que, para começo de conversa, você está comendo demais, e se desapegar das coisas desnecessárias é para quem as adquiriu inutilmente e além da conta, entrar em abstinência da conectividade é realmente apenas para privilegiados e populares, que tenham se excedido além da conta.
Para não dizer que, talvez, seja muito mais fácil para alguém com secretárias e lacaios, dispostos a lidar com todos aqueles emails tóxicos no seu lugar. Como a Rainha que se recusa a carregar dinheiro, se desplugar pode ser, em certos círculos, um sinal que você, francamente, tem pessoas para lidar com tudo isso.
Aderir à desconectividade tem tudo a ver com a ideia de que a demanda por sua pessoa é tão ardente que você precisa se afastar da loucura. Mas também que você pode se dar ao luxo de fazê-lo. E mesmo que você tenha que jogar duro para conseguir, mesmo assim as pessoas virão correndo atrás de você. Caso Redmayne fosse ainda um desconhecido ator desempregado, desesperado por qualquer fungadela de contratação, e não um ganhador do Oscar, teria, sem dúvida, despendido o ano passado checando freneticamente seus emails.
Por que qualquer mortal não pode se desconectar? Claro que parte é por conta de um hábito viciante, por causa de empresas ansiosas por lucro e para aliviar o tédio. Mas milhões checam seus emails compulsivamente porque talvez haja ali uma proposta de trabalho – e é isso que a oportunidade espera que você faça.
Não são mais apenas os freelances nervosos e empreendedores individuais que se preocupam se um dia ousarão tirar férias ou perder uma chamada: do contrário, o trabalho irá para outra pessoa. Checar mensagens e atender ligações fora do horário do trabalho tornou-se rotina para muitas vidas de escritório ou qualquer outra atividade.
Dois terços das pessoas pesquisadas recentemente pelo Centro do Trabalho Futuro (Future Work Centre) mantinham ativas 24 horas as notificações em seus celulares – que te avisam quando há uma nova mensagem. Um toque de recolher da tecnologia seria muito mais saudável para o bem de todos nós. Mas cada vez mais são apenas os imprudentes e os extremamente confiantes que se sentem capazes de desligar-se.
Antes de mais nada, não ser fácil de contatar está, muitas vezes, intimamente relacionado com não ser dócil.  Nos tempos dos pagers (lembra dos pagers, aqueles aparelhos pequenos antes do celular?), que eram orgulhosamente carregados pelos membros do Parlamento em na Inglaterra, em Westminster, Ken Clarke era o único político proeminente que conheci e consistentemente se recusou a usar um celular. Mas tem muitas outras pessoas que optaram em não usar celular.
O político inglês tinha o raciocínio que parecia ser: se tivesse um telefone móvel, algum tipo indesejável iria ligar para ele. Clarke preferia assistir ao noticiário e decidir quando teria algo a dizer. Logo cedo Kate Moss percebeu, em sua carreira de modelo, o poder de não dar entrevistas. Silenciar era mais “classudo”.
Mas poder não é, necessariamente, o único pré-requisito para se desconectar, fechando-se e movendo-se no caminho de uma existência mais simples e limpa. O outro, penso, é qualidade de vida – ou, pelo menos, estar suficientemente confortável em sua própria pele para não precisar do constante contato de outras pessoas. O quão criativamente realizado e o quão pessoalmente feliz você tem que estar para se deixar perder de vista tão quietamente como fazem várias pessoas, negando a si mesmo uma última abertura de cortinas para dizer ao mundo que esta vivo?
Desconectar-se é estritamente para os bravos, não para os necessitados, os inseguros ou qualquer um cuja vida talvez seja preocupantemente vazia quando reduzida ao seu desnudado essencial. E é por isso que a maioria de nós considera uma dieta radical da tecnologia assustadoramente difícil de seguir – porque uma vida mais simples continua sendo uma fantasia ou um sonho. Esconder-se do mundo é muito mais prazeiroso quando você sabe que ele virá te procurar se for preciso.
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/parar-de-tagarelar-nas-redes-e-o-novo-simbolo-de-status-e-um-velho-sinal-de-sabedoria/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=parar-de-tagarelar-nas-redes-e-o-novo-simbolo-de-status-e-um-velho-sinal-de-sabedoria

O populismo judicial e policialesco brasileiro

Como o intelectual desvendou o populismo judicial

sergiomoro2Juiz Moro

Por Luís Nassif, no site GGN  - Sociedade e Injustiça Social
Desde os anos 90, com o fim da ditadura, criou-se no país uma visão primária e maniqueísta de direitos civis. Como há diferenças óbvias entre o excesso de direitos dos influentes e a falta de direitos dos despossuídos, ambos precisam ter o mesmo tratamento. Como é impossível, no quadro processual, e do próprio modelo jurídico das democracias de mercado, dar ao pobre o mesmo tratamento do rico, que sejam igualados na falta de direitos.
Trata-se de um primarismo acachapante, uma ignorância ampla em relação a princípios básicos de direito. É desconhecimento de conceitos que, desde o Iluminismo, passaram a diferenciar sociedades civilizadas das comunidades bárbaras.
Lembro-me da comemoração dos 80 anos da Folha, no Teatro Folha do Shopping Higienópolis. Fiz parte de uma mesa com outros colunistas do jornal. Foi um festival de loas ao papel da imprensa.
Na mesa, uma colunista do senso comum comemorava o fato de que no dia anterior a Polícia Federal algemou o senador Jader Barbalho para conduzi-lo em um avião. E tudo isso graças ao trabalho exemplar da mídia.
Falei depois dela, lamentando a celebração da barbárie, da Lei de Talião, e ponderando que, quando a imprensa endossa um ato desses contra um senador da República, na prática está avalizando o pau-de-arara em qualquer delegacia de periferia.
Na saída do teatro, cruzei com Otávio Frias Filho e o advogado Luiz Francisco Carvalho, criminalista. Ambos me cumprimentaram pela defesa de princípios fundamentais, por ter investido contra a onda punitiva. Ficou só no cumprimento. Na prática, a história da mídia de massa mostra que a maneira mais fácil de conseguir leitores (quantidade, não qualidade) são os chamamentos ao fígado.
Não é por outro motivo que o maior massacre da história moderna do país, os 650 assassinatos de maio de 2006 pela Polícia Militar de São  Paulo, tenha sido varrido da história do estado.
Hoje, na Folha, o neo-colunista Mário Sergio Conti – intelectualmente melhor aparelhado que a ex-colunista – recorre a esse populismo judicial e policial. Por quê os advogados que criticaram a Lava Jato não se posicionam contra a prisão preventiva de milhares de prisioneiros anônimos? Chama a carta de “hipocrisia seletiva dos homens de bens”.
Conti incorre em três pecados contra a originalidade.
O primeiro, de enveredar por esse populismo de araque, de pretender que a maneira de igualar ricos e pobres é na falta de direitos. É de uma pobreza intelectual que depõe contra o autor.
O segundo, recorrendo a um recurso primário de retórica, mais propício a comentários detrolls do que a jornalistas experientes. É o sofisma das afirmações infinitas. Tipo “porque você escreveu isso e deixou de escrever aquilo?”. Ao que se sucede: “Porque você escreveu aquilo é deixou de escrever aquilo outro”, em uma progressão que tende ao infinito.
Segundo ele, a carta revela a “hipocrisia da defesa seletiva dos homens de bens”, porque se refere especificamente aos presos da Lava Jato. Ora, muitos daqueles advogados são defensores de direitos humanos e as próprias OABs têm movido campanhas contra os abusos contra a população carcerária. A carta fala só sobre os tais "homens de bens" da Lava Jato porque se refere à Lava Jato, ora.
Se falasse também da população carcerária brasileira, o brilhante Conti cobraria uma crítica a Guantánamo, ou às prisões de Cuba, ou à população carcerária dos Estados Unidos. E o Iraque? E o África? É o padrão Facebook na mídia.
O terceiro é a tal imagem dos “homens de bens”. O uso da ironia exige, ao menos, a companhia da originalidade.
Há uma crítica consistente a ser feita contra a infinidade dos recursos judiciais que impede a punição dos que podem recorrer aos grandes advogados. Daí a se pretender igualar a todos na exposição abusiva às prisões preventivas vai uma distância enorme, a mesma que separa a civilização da barbárie, ou a discussão séria dos vícios processuais brasileiros do uso primário do populismo judicial.
http://www.ocafezinho.com/2016/01/19/o-populismo-judicial-de-mario-sergio-conti/

Grandes sonegadores dão prejuízo ao país até 250 vezes maior do que o roubo na Petrobras

  •  No ano passado foram sonegados perto de 500 bilhões de reais, segundo fiscais da receita

 Postado pelo site youPode - Sociedade Domínio da Informação
No momento em que a Operação Zelotes da Polícia Federal pilha alguma das maiores empresas nacionais em processo de sonegação de impostos (pagando propina a agentes públicos), a indignação do cidadão brasileiro deve-se voltar para o placar criado por  fiscais zelosos da Receita Federal e atualizado segundo a segundo sobre a gigantesca sangria a que é submetido o estado brasileiro por maus pagadores. Alguns deles capazes até de ir para as ruas e bater panelas contra a corrupção. Veja em http://www.quantocustaobrasil.com.br/ . É dinheiro mais do que suficiente, se fosse devidamente pago, para diminuir a carga tributária de imensa maioria da população. Ou mesmo para evitar o ajuste fiscal em que se empenha o ministro Joaquim Levy, como analisa o jornalista Ricardo Kotscho (ver em http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/175619/Kotscho-maior-esc%C3%A2ndalo-%C3%A9-a-%E2%80%9Cind%C3%BAstria-da-sonega%C3%A7%C3%A3o%E2%80%9D.htm). Poderia ainda melhorar sobremaneira a qualidade de vida de todos. O que seria possível fazer com o que deixa de ser arrecadado está detalhado no site http://www.quantocustaobrasil.com.br/artigos/o-sonegometro-e-a-justica-fiscal. Para se ter uma ideia mais real, a estimativa é que no ano passado tenham sido sonegados perto de 500 bilhões de reais. Isso, por si só, seria 250 vezes maior do que o prejuízo causado à Petrobras pela quadrilha encarcerada por conta da Lava-Jato.
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