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7.29.2016

Tempo de Ser Criança

  • Projeto usa arte para devolver a infância a filhos de refugiados em fase de adaptação
por Liana Amaral para Carta Capital - Sociedade e Infância Injustiçada (fonte no final)

RefugiadosMisam, Meenas e Hanan. Dos 9 mil refugiados residentes no Brasil, cerca de 5% vivem na infância - Liana Amaral
São dois os tipos de viajantes, os que viajam para fugir e os que viajam para buscar, definiu o escritor Erico Verissimo. Os angolanos Afia, Jael e Celma e a síria Hanan, cujos sobrenomes as famílias preferem não divulgar, pertencem ao segundo grupo. São filhos de refugiados que depois de enfrentar uma jornada angustiante chegaram ao Brasil na esperança de um recomeço longe da guerra e da fome.
Ao lado de outras meninas e meninos entre 3 e 12 anos de diversas nacionalidades, eles formam o Coro Infantil Coração Jolie, iniciativa do recém-criado projeto Arte como Refúgio, parceria entre o Centro Universitário Belas Artes de São Paulo e a ONG brasileira I Know My Rights (IKMR, Eu Conheço Meus Direitos).
Com entusiasmo suficiente para enfrentar a chuva e o frio de uma manhã paulistana de inverno, rostos sorridentes e vozes afinadas deram significado especial aos versos de uma música dos mineiros Jota Quest a prenunciar uma caminhada ensolarada.
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Vitória e Rafael com Vivianne Reis (Liana Amaral)
A canção O Sol integra o repertório do coral e inaugurou a série de atividades semanais que a partir de agosto o programa Arte como Refúgio vai oferecer às crianças da IKMR, a incluir oficinas de arte, dança, contação de histórias e prática de esportes. A iniciativa tem a colaboração de professores e alunos do Centro Universitário Belas Artes e será realizada na instituição, na Vila Mariana.
Com quatro anos de atividades, a IKMR atende cerca de 300 crianças, de 0 a 12 anos, oriundas de países assolados por guerras, pobreza e violência. A maior parte das atividades, como o coral, cujo nome é homenagem ao trabalho da atriz Angelina Jolie, passeios mensais com as famílias e a futura programação do Arte como Refúgio ocorre em São Paulo, cidade que reúne o maior contingente de famílias nessa condição no País.
A ONG também promove ações para crianças acolhidas no Rio de Janeiro, em Porto Alegre e Manaus. Os recursos são provenientes de doações individuais e da iniciativa privada e, a partir deste ano, de apoio do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados.  
Segundo o Comitê Nacional de Refugiados, organismo ligado ao Ministério da Justiça, o Brasil tem quase 9 mil refugiados reconhecidos, de 79 nacionalidades. Entre 2010 e abril deste ano, o número de pessoas nessas condições cresceu 127% no território nacional. “As crianças representam cerca de 5% desse total e vivem em situação de grande vulnerabilidade, sem poder usufruir dos direitos da infância reconhecidos em tratados internacionais”, afirma Vivianne Reis, criadora e diretora da IKMR. 
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Aisha, Helga, Luis e Afia. (Liana Amaral)
Os sírios formam a maior comunidade de refugiados no Brasil, com cerca de 2,3 mil pessoas, a maior parte estabelecida em São Paulo. As crianças sírias também representam o maior grupo atendido pela IKMR. Embora tenham de enfrentar a barreira do idioma, aprendem rápido o português e costumam ajudar os pais na comunicação em seu novo país.
Na festa realizada no auditório do Centro Belas Artes, cheia de doces, sanduíches e pipoca, as crianças se divertiram sem inibição e demonstraram grande capacidade de adaptação. Divino e Aurelie, da República Democrática do Congo, compartilharam com Afia, Jael e Celma o encantamento pelos balões torcidos em múltiplas formas. Há um ano no Brasil, Afia mora com a mãe e dois irmãos em Ermelino Matarazzo, zona leste.
O pai permanece em Angola, situação bastante comum entre as famílias sem recursos para as despesas de viagem de todos os parentes. Ela frequenta uma escola estadual, participa do coral e declara seu amor pelo país que a acolheu, mesmo sentimento do garoto Jael e da recém-chegada Celma, para quem “aqui é bem longe, mas é melhor”.
Com um ano de Brasil, Misam, de 13 anos, fala português com fluência e pouco sotaque. Traz ainda forte na lembrança uma das muitas cenas presenciadas na Síria. “Vi uma bomba explodir perto de casa.”
A família, pai, mãe e um irmão, vive agora de um pequeno negócio de comida árabe em São Paulo e respira aliviada por ter deixado a guerra para trás. Uma das provas de adaptação completa ao País é a nova preferência gastronômica de Misam, “coxinha e pão de queijo”.
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Divino e Aurelie. (Liana Amaral)
É com português fluente e entonação enfática que Hanan, 11 anos, conta sua história. A garota síria de traços marcantes e sonho de se tornar jornalista relata o difícil percurso da família até chegar ao Brasil, em fevereiro de 2015. A jornada incluiu dois anos e meio num campo de refugiados na Jordânia, onde nasceu sua irmã mais nova. “Lá faltava tudo, água, comida, fraldas, era horrível.”
Agora, ela tem memórias bem mais alegres para guardar. No dia 3 de maio, em Brasília, Hanan foi uma das primeiras condutoras daTocha Olímpica e sua história ganhou destaque na mídia. “Você já não conhecia meu nome?”, pergunta, orgulhosa.
 http://www.cartacapital.com.br/revista/910/tempo-de-ser-crianca

7.27.2016

Para os que Acreditam em Viver

  • Revoluções silenciosas: a convivialidade ou conviver

Por Leonardo Boff *, para o Jornal do Brasil (fonte no final) - Sociedade e Vida na Terra

Com a queda do muro de Berlim em 1989 e com ele o socialismo que fazia o contraponto, (independentemente de seus graves erros internos), o capitalismo terminou ocupando todos os espaços na economia e na política. Com a chegada ao poder de Margareth Thatscher na Inglaterra e de Ronald Reagan nos USA, a lógica capitalista ganhou livre curso: liberalização completa dos mercados com a ruptura de todos os controles, a introdução do estado mínimo, das privatizações e da concorrência sem fronteiras.
Essa assim chamada “mundialização feliz” não foi tão feliz assim.
O prêmio Nobel de economia Joseph Stigliz pôde escrever em 2011: ”somente o 1% dos mais ricos  fazem funcionar a economia e o inteiro planeta em função de seus interesses”(“Of  the 1% by 1% em Vanity Fair, maio 2011). Em razão disso um dos maiores bilionários, o especulador Warren Buffet se vangloriava:”sim, a luta de classes existe, mas é a minha classe, a dos ricos, que conduz a luta e a estamos ganhando”(Entrevista na CNN de 2005).
Só que todos esses endinheirados nunca colocaram em seus calculus o fator ecológico, os limites dos bens e serviços naturais, tidos como desprezíveis externalidades. Isso ocorre também nos debates econômicos em nosso país, retardatário nesta questão, à exceção de alguns poucos como L.Dowbor.
Ao lado da hegemonia mundial do sistema do capital, crescem por todas as partes revoluções silenciosas. São grupos de base, cientistas e outros com sentido ecológico que estão ensaiando alterntivas a este tipo de habitar o planeta Terra. A continuar estressando de forma impiedosa a Terra, esta poderá dar o troco e provocar um abalo, capaz de destruir grande parte de nossa civilização.
É num contexto assim dramático que surgiu um movimento chamado de “Os convivialistas” que reúne por ora mais de 3200 pessoas do mundo inteiro (veja www.lesconvivialistes.org). Procuram o viver juntos (dai convivialidade), cuidando uns dos outros e da na natureza, não negando os conflitos mas fazendo deles fatores de dinamismo e criatividade. É a politica do ganha-ganha.
Quatro princípios sustentam o projeto: o princípio da comum humanidade. Com todas as nossas diferenças, formamos uma única humanidade, a ser mantida unida.
O princípio da comum socialidade: o ser humano é social e vive em vários tipos de sociedades que devem ser respeitadas em suas diferenças.
O princípio de individuação: mesmo sendo social, cada um tem direito de afirmar sua individualidade e singualridade, sem prejudicar os outros.
O princípio da oposição ordenada e criadora: os diferentes podem se opôr legitimamente mas sempre tendo o cuidado de não fazer da diferença uma desigualdade.
Esse princípios implicam consequências éticas, políticas, econômicas e ecológicas que não cabe aqui detalhar.
O importante é começar: a partir de baixo, com o bioregionalismo, com as pequenas unidades de produção orgânica, com a geração de energia a partir dos dejetos, com um sentido de auto-limitção e justa medida, vivendo um consumo frugal e compartido entre todos. São as revoluções silenciosas que estão acumulando energia para, num momento certo da história, poder fazer a grande transformação.
É importante hoje acentuar a convivialidade porque atualmente há muitos que não querem mais viver juntos.
A convivialidade como conceito, foi posta em circulação por Ivan Illich (1926-2002) com seu livro A convivialidade (1975). Ele foi um dos grandes pensadores proféticos do século XX. Austríaco, viveu grande parte de sua vida nas duas Américas. Para ele a convivialidade consiste na capacidade de   fazer conviver as dimensões de produção e de cuidado; de efetividade e de compaixão; de  modelagem dos produtos e de criatividade; de liberdade e de fantasia; de equilíbrio multimensional e de complexidade social: tudo para  reforçar o sentido de pertença universal.
A convivialidade pretende também ser  uma  resposta adequada à crise ecológica. Ela pode evitar um real crush planetário.
Haverá um novo pacto natural coma Terra e social entre os povos. O primeiro parágrafo do novo pacto será o sagrado princípio da auto-limitação e da justa medida; em seguida, o cuidado essencial por tudo o que existe e vive, a gentileza para com  os humanos e o respeito para com a Mãe Terra.
É possível organizar uma sociedade boa, uma Terra da boa-esperança (Sachs e Dowbor) na qual as pessoas preferem cooperar e partilhar em vez de competir e acumular ilimitadamente.
Leonardo Boff articulista do JB on line escreveu com M.Hathaway, O Tao da libertação: explorando a ecologia de transformação, Vozes 2012.
http://www.jb.com.br/leonardo-boff/noticias/2016/07/25/revolucoes-silenciosas-a-convivialidade/

A política no Brasil olhada pelo jornal La Times dos EUA

  • 'LA Times' diz que Congresso dos EUA repudia impeachment
  • Reportagem conta que quarenta políticos pedem cautela a kerry ao lidar com gov. interino

Da redação do Jornal do Brasil - Sociedade e Situação Política Caótica no BrasilMatéria publicada nesta quarta-feira (27) pelo Los Angels Times afirma que quarenta políticos norte-americanos enviaram uma carta ao secretário de Estado do país, John Kerry, demonstrando “grande preocupação” com a democracia brasileira e repudiando o processo de impeachment sofrido por Dilma Rousseff.
De acordo com o noticiário os políticos pediram que Kerry tome um grande cuidado lidando com as autoridades interinas do Brasil, evitando dar declarações ou tomar ações que possam ser interpretados como se os EUA apoiassem a campanha do impeachment lançada contra Dilma Rousseff.
> > Los Angels Times U.S. Congress members express 'deep concern' over threats to democracy in Brazil
Los Angels Times afirma que quarenta políticos norte-americanos enviaram uma carta ao secretário de Estado do país, John Kerry, demonstrando “grande preocupação” com a democracia brasileira 
Los Angels Times afirma que quarenta políticos norte-americanos enviaram uma carta ao secretário de Estado do país, John Kerry, demonstrando “grande preocupação” com a democracia brasileira 
O Los Angeles Times diz que além disso, os políticos afirmaram que “o governo norte-americano deve expressar preocupação sobre a ameaça às instituições democráticas em dos nossos maiores aliados políticos e econômicos da região.”
http://www.jb.com.br/pais/noticias/2016/07/27/la-times-diz-que-congresso-dos-eua-repudia-impeachment/

A Medicina no Brasil e Aspectos da Justiça Social

  • Judicialização da Medicina é tema de simpósio na Academia Nacional de Medicina
  • Participarão representantes do Governo, Poder Judiciário, Comunidade Médica e Sociedade Civil

Da redação do Jornal do Brasil - Sociedade e Saúde Pública no Brasil

A realização de um Simpósio deste porte na Academia Nacional de Medicina – instituição científico-cultural mais antiga do Brasil e que vem se posicionando em diversos temas de importância para a sociedade civil como a chamada “pílula do câncer”, Aborto, Programa mais Médicos, Cuidados Paliativos em Doentes Terminais, Poluição, Obesidade, Suicídio, Compulsão Alimentar, etc. - possui um grande valor simbólico.

A Academia Nacional de Medicina (ANM) realiza, na próxima quinta-feira (28), um simpósio com objetivo de tratar do tema Judicialização da Medicina. Dada a importância do tema, foram convidados representantes do Governo, do Poder Judiciário, da Comunidade Médica e Sociedade Civil, a fim de que sejam debatidos problemas e novas perspectivas de solução.

Apesar de não se tratar de um tema “novo”, o aumento exponencial de ações no Judiciário envolvendo questões ligadas à saúde (que pode ultrapassar a marca de 1 milhão por ano em alguns estados e a nível federal), atrelado à tramitação de proposta no Senado que impediria a concessão de liminares para a realização de procedimentos que não sejam oferecidos pelo SUS, já configurariam um cenário crítico. Somada a estes fatores, a atual crise orçamentária pela qual passa a União (com efeitos especialmente nefastos para os já desgastados sistemas estaduais e municipais) completa o panorama dentro do qual a discussão da judicialização torna-se fundamental.

Acerca dos prejuízos para o orçamento federal, é importante notar que, para 2016, a estimativa é que os gastos do Ministério da Saúde forçados por decisões judiciais cheguem a R$ 1,6 bilhão. A maior preocupação da maioria dos gestores públicos é decorrente do desequilíbrio que gastos desta natureza podem gerar para as contas públicas. É pertinente considerar que um problema desta grandeza é originado a partir de questões estruturais do Sistema de Saúde brasileiro. A judicialização está ligada a questões como a alta burocracia e a fragilidade do sistema, que não possui regras e diretrizes normativas claras e funcionais. Há, ainda, um agravante a ser considerado: para além das campanhas de marketing inescrupulosas, existem verdadeiras quadrilhas especializadas em usar o Poder Judiciário e a desesperadora situação dos pacientes em benefício próprio, deteriorando todo o quadro. Por fim, trata-se também de uma questão de má gestão dos recursos, aliada a uma falta de interação entre as entidades envolvidas - a judicialização é, portanto, o efeito colateral de um sistema que funciona mal.

Todavia, é importante notar que, para além de discussões orçamentárias, a discussão sobre judicialização da medicina passa invariavelmente por uma discussão sobre a qualidade do atendimento que a população tem acesso. Isso porque a maioria dos casos em que o paciente recorre à Justiça, trata-se da única forma de garantir o acesso a um tratamento – em geral, são tratamentos raros e medicamentos de acesso dificultado (importados, por exemplo).

A solução, assim como o problema em si, é multifacetada. É necessário o estabelecimento de diálogo entre todas as partes, envolvendo representantes que possam adequadamente estabelecer normas e propostas que visem o estabelecimento de um sistema que seja eficiente e organizado. Desta forma, será possível evitar que medidas “paliativas” se tornem um sistema paralelo, diminuindo a credibilidade no funcionamento dos sistemas tanto públicos quanto privados. Atender às necessidades da população sem que sejam sacrificados os já debilitados orçamentos só será possível por meio de planejamento e estratégias adequadas. Por fim, é necessário que a classe médica esteja envolvida principalmente no fornecimento de informações e para garantir que quaisquer medidas que sejam tomadas sejam pautadas por evidências científicas, evitando o corporativismo.
http://www.jb.com.br/ciencia-e-tecnologia/noticias/2016/07/26/judicializacao-da-medicina-e-tema-de-simposio-na-academia-nacional-de-medicina/

Jornal dos EUA aconselha atletas manterem a boca fechada para não ficarem doentes

  • 'NYT' alerta para fechar a boca na Rio 2016
  • Matéria fala sobre poluição da Baía de Guanabara

Da redação do Jornal do Brasil - Sociedade e Políticas Públicas no Rio de Janeiro, Brasil (fonte

no final do texto)Matéria publicada no jornal norte-americano The New York Times nesta terça-feira (26) conta que os especialistas em saúde no Brasil têm um conselho para os nadadores, velejadores e praticantes de windsurf que participarão dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro: Manter a boca fechada.
"Atletas estrangeiros vão nadar literalmente em excremento humano, e correm o risco de ficar doente", disse o Dr. Daniel Becker, um pediatra local, que trabalha em bairros pobres. "É triste, mas também preocupante."
A reportagem do NYT diz que apesar das promessas do governo ha sete anos atrás em combater a poluição da Baía de Guanabara no Rio, com fabulosas praias, as autoridades reconhecem que os seus esforços para tratar o esgoto e o lixo têm deixado muito a desejar. Na verdade, os ambientalistas e os cientistas dizem que as águas do Rio estão muito mais contaminadas do que se pensava anteriormente.
http://www.jb.com.br/rio/noticias/2016/07/26/nyt-alerta-para-fechar-a-boca-na-rio-2016/

7.25.2016

Jogos Olímpicos 2016: surge guerra fria entre Rússia e Países Ocidentais

Por Andrey Fomin para Oriental Review, traduzido pelo Coletivo Vila Vudu

 Sociedade e Disputa Geopolítica entre Rússia e Países Ocidentais (fonte no final do texto)

                                    

O 6º Princípio Fundamental do Olimpismo (nenhuma discriminação de qualquer tipo, incluídas por nacionalidade ou opinião política) parece já ter sido esquecido há muito tempo. Na Grécia Antiga a competição entre os melhores atletas fazia parar guerras e servia como ponte de compreensão até entre inimigos recentes. Mas no século 20, os Jogos Olímpicos foram convertidos em arma política. 

Nos anos 1980, os EUA e aliados boicotaram os jogos de Moscou como protesto contra tropas soviéticas que entraram no Afeganistão a pedido do governo legítimo daquele país (bem diferente disso, os Jogos Olímpicos de 1936 na Alemanha Nazista, com Hitler no palanque, foram realizados sem qualquer percalço, sob os aplausos do mundo 'civilizado').

Dia 8/5/2016 o programa 60 Minutes da rede CBS levou ao ar uma matéria sobre dopagem na Rússia. As entrevistas eram conversações gravadas entre um ex-funcionário da Russian Anti-Doping Agency (RUSADA) [Agência Russa Antidopagem], Vitaly Stepanov, e o ex-diretor do laboratório antidopagem da Rússia em Moscou, Grigory Rodchenkov. Aquele programa foi o 4º do que seria uma longa série sobre a alegada existência de um sistema de apoio 'estatal' à dopagem, nos esportes russos.

Poucos dias depois, o New York Times publicou uma entrevista com Rodchenkov. Na entrevista aquele ex-funcionário disse que teria havido, ativo nos Jogos Olímpicos de Sochi, um programa de dopagem apoiado pelo estado, que seria orientado quase diretamente pelo presidente da Rússia.

Fato importante, mas que não chamou a atenção da grande maioria dos 'analistas' internacionais foi que aquela campanha 'jornalística', que começara pouco depois do extra-congelamento nas relações russo-'ocidentais' de 2014, foi integralmente construída em torno de 'depoimentos' de apenas três cidadãos russos, interconectados e cúmplices numa cadeia de escândalos de dopagem – e que pouco depois deixaram a Rússia para recomeçar a vida no 'ocidente'.

Uma corredora de meia-distância, de 29 anos, Yulia Stepanova, pode ser considerada a instigadora de todo esse escândalo. O melhor resultado pessoal dessa atleta em competições globais fora uma medalha de bronze no Campeonato de Atletismo Europeu Indoor em 2011. No Campeonato Mundial daquele mesmo ano, obteve a 8ª colocação. A carreira de Stepanova saiu completamente dos trilhos em 2013, quando a Comissão Antidopagem da Federação Russa de Atletismo desqualificou-a por dois anos, por haver constatado "flutuações no sangue, no Passaporte Atlético Biológico da corredora". Essas flutuações são consideradas prova de dopagem. Todos os resultados de Stepanova desde 2011 foram invalidados. E ela teve de devolver o dinheiro dos prêmios que recebera como corredora profissional nos anos 2011-2012. 

Stepanova, que sofrera suspensão por dopagem, foi a informante primária do jornalista da ARD[1] Hajo Seppelt, que começara a filmar um documentário sobre conduta desviante e crime nos esportes russos. Depois de divulgado o primeiro documentário da ARD, em dezembro de 2014, Stepanova deixou a Rússia com o marido e o filho. Em 2015, solicitou asilo político no Canadá. Mesmo depois de sua suspensão já ter acabado em 2015, Stepanova disse à Comissão daWorld Anti-Doping Agency (WADA) (p.142 do relatório Nov. 2015 WADA Report) que testara positivo para dopagem durante o Russian Track and Field Championships em Saransk em julho de 2010, e pagara 30 mil rublos (aproximadamente $1.000 USD à época) ao diretor do laboratório russo antidopagem em Moscou, Gregory Rodchenkov, em troca de ele ocultar aqueles resultados de testes.

Yulia Stepanova é casada com Vitaly Stepanov ex-funcionário da agência russa antidopagem, RUSADA. Stepanov viveu e estudou nos EUA desde os 15 anos, mas mais tarde decidiu retornar à Rússia. Em 2008, Vitaly Stepanov começou a trabalhar para a RUSADA como controlador de dopagem. Vitaly conheceu Yulia Rusanova em 2009 no campeonato nacional russo em Cheboksary. Stepanov diz agora que enviou uma carta à WADA detalhando suas revelações em 2010, mas jamais recebeu resposta. Em 2011, Stepanov deixou o cargo que tinha na agência RUSADA. Fato que merece atenção é que Vitaly confessou que sabia que a esposa ingeria substâncias proibidas, tanto enquanto ele ainda trabalhava para a RUSADA como depois que deixara aquela organização. Vale lembrar que os testes de sangue de Stepanova passaram a ter resultados positivos a partir de 2011 – i.e., depois que o marido, funcionário especialista em antidopagem, deixou a RUSADA. Sem preocupações, os Stepanovs, então já casados, aceitaram prêmios em dinheiro, em competições profissionais, até que Yulia foi desqualificada. Daí em diante, sem qualquer outra fonte de renda, Vitaly Stepanov optou por procurar jornalistas estrangeiros para revelar "a verdade sobre os esportes russos". No início de junho, admitiu que a WADA não só ajudara sua família a mudar-se para os EUA, como também lhe pagara $30 mil, como ajuda financeira.

E finalmente, a terceira figura na campanha para 'revelar' o escândalo da dopagem nos esportes russos – o ex-chefe do laboratório russo antidopagem em Moscou, Gregory Rodchenkov. Segundo Vitaly Stepanov, seria ele o homem que vendia drogas para melhorar o desempenho, ajudava a ocultar os sinais dessas mesmas drogas, e foi quem surgira com a ideia conhecida como "doped Chivas mouth swishing" (pg. 50) [aprox. "bochechar com (uísque) Chivas dopado, sem engolir"], técnica que transforma homens em campeões olímpicos. Esse moscovita de 57 anos é conhecido como o melhor no que faz. Formou-se na Moscow State University com um Ph.D. em química e passou a trabalhar no laboratório antidopagem em Moscou nos idos de 1985. Adiante trabalhou no Canadá e em empresas petroquímicas russas, e em 2005 foi nomeado diretor do laboratório nacional russo antidopagem. 

Em 2013, Marina Rodchenkova – irmã de Gregory Rodchenkov – foi considerada culpada e condenada por vender esteroides anabólicos a atletas. O irmão também estava sob investigação, acusado de fornecer drogas proibidas. Ameaçado de processo, Gregory Rodchenkov começou a agir de modo estranho e foi várias vezes hospitalizado e submetido "a exames por psiquiatra forense". Adiante a corte recebeu comunicado médico segundo o qual Rodchenkov sofreria de "desordem esquizotípica de personalidade" exacerbada por estresse. Resultado disso, todas as acusações contra Rodchenkov foram retiradas. Mas, muito surpreendentemente, esse homem diagnosticado como portador de desordem esquizotípica de personalidade, cuja irmã fora condenada por tráfico de drogas para turbinar o desempenho atlético, continuou no cargo de diretor do único laboratório credenciado para operar na pela Associação Mundial Anti-Dopagem [ing. WADA]! 

Na verdade, Rodchenkov manteve o emprego até os Jogos Olímpicos de 2014. Só foi demitido no outono de 2015, depois que eclodiu o escândalo insuflado pela rede alemã ARD e os Stepanovs. Em setembro de 2015, a ComissãoWADA acusou Rodchenkov de destruir intencionalmente mais de mil amostras, para esconder a dopagem em atletas russos. Pessoalmente, ele negou todas as acusações, mas renunciou e mudou-se para os EUA, onde foi recebido calorosamente pelo documentarista Bryan Fogel, que então filmava mais um documentário 'sob medida' sobre dopagem na Rússia.

No momento em que escrevo esse artigo, o Comitê Olímpico Internacional [ing. International Olympic Committee (IOC)] examina um relatório  assinado por "Fonte Independente", o professor canadense Richard H. McLaren, que acusou toda a Federação Russa, não apenas atletas individuais, de cumplicidade no uso de drogas para otimizar o desempenho. McLaren foi rapidamente convocado para conversar com a WADA, depois que o NYT publicou entrevista com Rodchenkov. 

O objetivo desses movimentos é bem claro: armar um 'relatório científico' a ser distribuído em meados de julho, que dará 'provas', ao IOC para banir a equipe russa dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. 

Em conferência de imprensa dia 18/7, o próprio McLaren teve de reconhecer que no prazo de apenas 57 dias, não conseguiria "identificar todos os atletas que possam ter-se beneficiado da manipulação para esconder resultados positivos em testes de dopagem". A lógica da Associação Mundial Antidopagem [ing. WADA] é aqui bem clara: é indispensável que a Associação afaste dela qualquer acusação de viés, antiprofissionalismo, mascaramento de fatos, manipulação de resultados e/ou viés político antiesportivo e antiolímpico. Não importa quantas distorções ou mentiras haja no 'relatório': sempre será relatório assinado por "especialista independente". Ponto final. Mas McLaren nem tenta ocultar que todo o 'relatório' é baseado no testemunho de uma única pessoa – o próprio Rodchenkov, repetidas vezes apresentado como fonte "confiável, com total credibilidade". 

E Rodchenkov, claro, acusado pela própria Associação Mundial Antidopagem de ter destruído 1.417 testes, e que está ameaçado de ser deportado para a Rússia para ser julgado por crimes associados à dopagem de atletas, viu ali uma oportunidade para se converter em "testemunha valiosa" e "prisioneiro de consciência", mais um infeliz perseguido pelo "regime totalitário de Putin na Rússia".

O privilégio de que goza essa "comissão independente" – sobre cujo relatório o Comitê Olímpico Internacional está decidindo o destino dos atletas russos aspirantes ao título olímpico nos Jogos Rio-2016 – está em que as acusações que ali se veem não serão examinadas pela justiça, nem as 'provas' podem ser contestadas por advogados de defesa. Sequer se assegura ali a tradicional centenária presunção de inocência até a conclusão do processo.

Pelo que já se conhece das declarações do professor McLaren, não haverá acusação formal contra nenhum atleta russo específico. Importante: os atletas podem competir, desde que se declarem 'independentes', vale dizer, como não representantes da Rússia nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Tudo aí é facilmente explicável, até a 'seletividade'. 

Professor de Direito e há muito tempo membro da Corte de Arbitragem Esportiva, o professor McClaren sabe bem que qualquer acusação direta a indivíduos, feita publicamente e que resulte em "ato significativo perante a lei" (como o impedimento de participar de Jogos Olímpicos) pode ser e com certeza será contestada nos tribunais, nos termos da lei internacional e considerada a presunção de inocência. Todas as provas que a acusação use serão contestadas legalmente e, se houver nas acusações qualquer fato que possa ser interpretado a favor do acusado, a Corte tem de excluir o tal fato e os Procuradores de Justiça ficam impedidos de considerá-lo.

McLaren é advogado e compreende tudo isso muito bem. Centenas de processos iniciados por atletas e que certamente resultarão em condenação dos 'especialistas' não apenas destruiriam sua reputação e o arruinariam profissionalmente, como, além disso, serviriam de base para uma investigação criminal mais do que bem servida de provas que levaria a acusação contra o próprio McLaren de ter intencionalmente distorcido alguns fatos. 

A seguir, a versão que McLaren está expondo.

Durante os Jogos Olímpicos de Sochi, um agente do Serviço Federal de Segurança da Federação Russa [ru. FSB] de nome Evgeny Blokhin teria trocado a urina de atletas russos que teriam tido resultado positivo para dopagem, por amostras de urina "limpa". Esse agente portaria um crachá de uma empresa de manutenção de encanamentos, que lhe permitiria entrar no laboratório. Além disso, há relatos de que Evgeny Kurdyatsev – chefe do Departamento de Registro e Controle de Amostras Biológicas – trocaria as amostras durante a noite, através de um "buraco de rato" na parede (!). No prédio ao lado, estavam o homem que agora dá "testemunho confiável" – Gregory Rodchenkov – e outros não identificados, que passavam para Blokhin novas amostras 'limpas' a serem usadas para substituir as amostras originais. Se a gravidade específica da urina limpa não coincidisse com o perfil original, era "adaptada" com sal de mesa ou água destilada. Claro que em todos os casos, o DNA era incompatível. E tudo isso acontecia no único laboratório credenciado pela WADA para fazer testes de antidopagem em toda a Rússia!

Como uma trama desse tipo seria apresentada em qualquer tribunal do mundo? Temos testemunhas, mas a defesa não pode interrogá-las? Não podemos provar que Blokhin é agente secreto, mas temos fé de que sim, é? Não temos nenhum documento original – uma foto, uma declaração assinada de interrogatório oficial de testemunhas – mas o homem nos confessou seu crime? Nada garante que não seja criminoso ele também, mas...?! Nenhum perito jamais examinou os e-mails que Rodchenkov nos trouxe, mas temos fé que, sim, eram genuínos, que todos os fatos estão ali corretamente narrados e que os nomes dos que teriam enviado as mensagens, sim, estão corretos e perfeitos?! Em outras palavras: Sim. Não há como acusar atletas limpos... Então acusamos e condenamos o governo do país cujo nome apareça escrito nas camisetas de atletas limpos?! Simples assim?

Falando bem sinceramente, ainda não estamos convencidos de que o movimento Olímpico teria caído tanto. Seria como dar adeus à reputação da Associação Mundial de Antidopagem, WADA, do Comitê Olímpico Internacional e a todo o sistema global de esportes. É possível que o colossal problema da dopagem de atletas já tenha ultrapassado todos os limites razoáveis e exija solução drástica e imediata. Mas de onde tiraram que essa solução tenha de ser encontrada num único país, mesmo que seja um grande país, como a Rússia? 

Não seria mais racional parar e examinar a história de muitos e muitos volumes impressos de escândalos de dopagem em todos os países do mundo? E, diante dos fatos que agora estão vindo à luz, não seria mais racional começar por investigar a própria Associação Mundial de Antidopagem, WADA e seus laboratórios credenciados em todo o mundo?

Para concluir, citamos abaixo a íntegra da tradução [ao ing., aqui retraduzida ao português] da declaração do Comitê Olímpico Russo, em resposta ao relatório da WADA:

"As acusações contra esportistas russos que se leem no relatório assinado por Richard McLaren são tão graves, que exigem investigação completa, com a participação de todos os citados e envolvidos e referidos. 
O Comitê Olímpico Russo tem política de tolerância zero e apoia a luta contra todos os tipos de dopagem. Estamos preparados para oferecer total colaboração e para trabalhar juntos, se necessário, com qualquer organização internacional.
Discordamos total e completamente da ideia introduzida pelo Sr. McLaren, para quem banir centenas de atletas russos limpos, impedindo-os de participar dos Jogos Olímpicos Rio-2016, seria "consequência desagradável" aceitável das acusações reunidas no relatório daquele professor.
As acusações vêm baseadas exclusivamente no que disse Grigory Rodchenkov. Vêm baseadas no testemunho de alguém que está no epicentro do mesmo esquema criminoso – o que atinge não só a carreira e o destino de muitos atletas limpos, mas também a integridade de todo o movimento Olímpico internacional.
A Rússia sempre lutou contra a dopagem e continuará a lutar com todo o empenho no plano do Estado, endurecendo as penas por qualquer atividade ilegal desse tipo, sob a prescrição de punição inevitável.
O Comitê Olímpico Russo apoia integralmente que se imponham as penas mais duras contra qualquer pessoa que use ou estimule ou facilite o uso de substâncias proibidas. 
Ao mesmo tempo, o Comitê Olímpico Russo – agindo em plena observância da Carta Olímpica – defenderá e protegerá os direitos de atletas limpos. Atletas que ao longo das suas carreiras – graças a treino incansável, talento e força de vontade – lutam para realizar seus sonhos olímpicos não podem ter o futuro determinado por acusações insubstanciais e infundadas e por atos criminosos de vários indivíduos. Para nós, essa é uma questão de princípio." *****


[1] ARD, al., Arbeitsgemeinschaft der Rundfunkanstalten Deutschlands, uma associação de emissoras de radiodifusão pública na Alemanha, conhecida como Canal 1 [NTs].


http://blogdoalok.blogspot.com.br/2016/07/jogos-olimpicos-2016-ferramenta-da-nova.html

Eutanásia, solução para os pobres sugerido pelas elites e poderosos?

  •  Rimantė Šalaševičiūtė, ministra lituana da Saúde, propôs esta solução para evitar problemas econômicos para famílias sem recursos, foi demitida!

 Rimantė Šalaševičiūtė (foto), ex-ministra lituana da Saúde, do PSD, partido de direita, afirmou que a “Eutanásia pode ser uma boa opção para os pobres” e disse claramente que era uma solução para quem não quiser sobrecarregar a sua família com custos ou com a visão do espectáculo do seu sofrimento, pois na Lituânia não existe estado social.
 
Como se o sofrimento fosse um espetáculo. Como se um pobre sofredor devesse ser morto para evitar que os outros o vejam.
 
Este é um dos objetivos de muitos defensores da eutanásia: reduzir custos com despesas de saúde com aqueles que não podem pagar os elevados preços dos cuidados de saúde, encurtando-lhes a vida prematura e deliberadamente.
 
E não se trata só de pobres com doenças terminais. Na mesma ocasião a ministra lituana também considerou a eutanásia como adequada para crianças com doenças graves, que podem representar custos elevados quando as suas doenças se tornam crônicas ou incapacitantes como as deficiências físicas ou mentais.
 
As declarações da então ministra foram reproduzidas em diversas revistas da especialidade, nomeadamente na BioEdge especializada em bio-ética. 
 
Este é o tipo de solução neoliberal para legalizar a eutanásia Uma vez a porta aberta, a vida do pobre não valerá nada em face do potencial de redução de custos que o seu assassinato representará.
 
Provavelmente será até o FMI e a União Europeia a exigir a implementação de tais leis para melhorar o deficit orçamental.
 

Rimantė Šalaševičiūtė teve de se demitir, de seu cargo em fevereiro de 2016, depois de confessar ter tentado subornar um médico.

Fontes: http://www.jornaltornado.pt/
            http://www.vermelho.org.br/noticia/284051-1