Páginas

6.03.2024

Como Evitar as Catástrofes Ambientais na Terra?

Onde a mídia convencional falha é ao não apontar as causas mais profundas dos fenômenos climáticos violentos

...(agronegócio continua) devastando o meio ambiente com desmatamentos e queimadas, legalizando a ocupação de matas ciliares e encostas, poluindo terras e águas com agrotóxicos cada vez mais perigosos, eliminando a biodiversidade, destruindo solos, ampliando as áreas áridas e semiáridas, para citar apenas alguns dos perversos efeitos da relação entre o agronegócio e a natureza

... a aposta é impedir o aquecimento acima de 2º C até meados do século, mas a rapidez com que o índice anterior foi batido não promete sucesso nesta empreitada...

A indústria petrolífera, apesar de profetizar o “fim da era do petróleo” para breve, está se mostrando disposta a pressionar pelo uso dos combustíveis fósseis “até a última gota”, assegurando lucros polpudos com as altas previstas dos preços

Resta saber se os hábitos de vida de cada um são compreendidos como parte das causas do desastre (no Rio Grande do Sul) . E se cada um estaria disposto a mudar de vida para salvar o planeta para os nossos filhos e netos

por Jean Marc von der Weid* no A Terra é Redonda e IHU Unissinos – Sociedade e Catástrofes Ambientais Provocados pelo Homem (ecoceno)

Enchentes no RGS, foto da Nasa na revista Carta Capital

As inundações no Rio Grande do Sul não são novidade. Nos anos 40 do século passado houve uma inundação avassaladora, recorde que se manteve até essa de dias atrás. Novidade é a frequência do evento: no ano passado houve mais duas enchentes de grandes proporções, entremeadas por uma seca pesada. Foi uma espécie de pré-estreia da catástrofe atual, cujas proporções são sim, o grande fato novo.

Muito já foi dito sobre a combinação de fatores climáticos que geraram precipitações atípicas de chuvas, concentradas em poucas horas e dias, ultrapassando a capacidade de escoamento de rios, lagos e lagoas. Por outro lado, vários artigos apontaram para a ausência de manutenção nas infraestruturas de controle de enchentes montadas e incrementadas desde os anos 40 e que desabaram com a pressão das águas. E foi muito denunciada a posição do governo do Rio Grande do Sul, desfigurando a legislação ambiental e facilitando a eliminação de matas ciliares em benefício do agronegócio (entre outros absurdos).

O que falta para a opinião pública acordar? A meu ver a mídia convencional tem tratado estes eventos corretamente (até certo ponto), apontando para o aquecimento global como motor da mudança climática e das catástrofes, além das responsabilidades de diferentes níveis de governo. O negacionismo é uma raridade em jornais e televisões, mas impera nas redes sociais. Onde a mídia convencional falha é ao não apontar as causas mais profundas dos fenômenos climáticos. A culpa é do aquecimento global, e este é provocado pela queima dos combustíveis fósseis. Mas a explicação para por aí.

Por outro lado, importantes atores econômicos cuja ação está na origem das catástrofes ignoram solenemente o seu papel criminoso e isto se reflete na política, já que eleitos de todos os níveis têm, muito frequentemente, algum “rabo preso” com poderosos lobbies que financiam as suas campanhas.

O melhor exemplo deste negacionismo aberto ou disfarçado é o empresariado do agronegócio e a sua bancada ruralista no Congresso e em inúmeras Assembleias Legislativas e Câmaras de Vereadores, além de representantes em governos estaduais e prefeituras. Para estes atores da economia e da política, a gritaria na mídia convencional não tem o menor efeito.

Eles continuam, impávidos, devastando o meio ambiente com desmatamentos e queimadas, legalizando a ocupação de matas ciliares e encostas, poluindo terras e águas com agrotóxicos cada vez mais perigosos, eliminando a biodiversidade, destruindo solos, ampliando as áreas áridas e semiáridas, para citar apenas alguns dos perversos efeitos da relação entre o agronegócio e a natureza. Mais de 20 projetos de lei estão sendo aceleradamente tramitados no Congresso e cada um deles tem efeitos que favorecem o aquecimento global.

Quem pensa que este é um caso de ignorância está sonhando. Se assim fosse um esforço de informação e de educação poderia superar a falta de consciência, pelo menos para uma boa parte deste público. Infelizmente, o fator essencial é outro: chama-se ganância (greed, em inglês). Ganha-se mais dinheiro e mais rapidamente adotando o modelo destrutivo do meio ambiente e do planeta. O que importa é o lucro máximo de curto prazo.

Muitos destes ruralistas estão conscientes dos problemas que causam, mas esperam que outros façam o esforço de evitar que eles se agravem, enquanto embolsam lucros polpudos com suas práticas destrutivas. Se os impactos ambientais dificultarem a produção, o agronegócio primeiro passará a conta das perdas para o governo de plantão que a abonará, como todos têm feito nos últimos 50 anos, senão desde a chegada de Pedro Álvares Cabral. Quando as coisas piorarem, abandonarão a devastação que provocaram e irão viver de gordas rendas em algum lugar do planeta que não esteja em grande risco.

A má notícia é que não vai dar mais para ir para Miami, já que esta meca dos rentistas brasileiros está a caminho de ser alagada pelo aumento do nível do mar em meados deste século. Os oásis dos ricos serão cada vez mais diminutos, à medida que a temperatura média do planeta vai subindo, mas o dinheiro permitirá que eles prolonguem seu bem viver por mais tempo que os 90 a 99% da população. Mais da metade destes menos aquinhoados em todo o mundo já tem uma vida repleta de carências básicas, que a fazem mais curta. Mesmo no cataclismo, as diferenças de classe permanecem.

Se convencer agentes econômicos dos impactos catastróficos de seus negócios é uma quimera, como conseguir que eles deixem de agir como agem? É papel do Estado garantir o presente e o futuro dos cidadãos e a história mostra que avanços no controle dos impactos do capitalismo, quando ocorrem, são resultado de medidas públicas restritivas com punições severas para os infratores. Mas o capitalismo não é dominante por acaso e estes controles (pontuais, localizados e temporários) nunca foram capazes de deter a catástrofe que já nos atinge em todo o mundo. Eles sequer foram capazes de limitar a aceleração do tsunami ambiental em curso.

Mais uma vez, não se trata de pura ignorância ou negacionismo entre os políticos de todo o planeta, embora existam muitos Bolsonaros, Trumps e Mileis por aí. Presidentes dos Estados Unidos já foram iluminados por estudos científicos e até de think thanks militares apontando para muitos dos riscos crescentes, pelo menos desde a presidência de Jimmy Carter. Mas as pressões dos lobbies interessados na manutenção do status quo prevaleceram, junto com a reação dos eleitores a cada ameaça ao destrutivo “american way of life”. Obama foi mais longe do que todos seus antecessores e sucessores, pelo menos nos seus discursos nos seus últimos anos de governo, 2015 e 2016. Barack Obama apostou em jogar suas últimas fichas políticas na COP de Paris que comemorou um aparente sucesso ao arrancar um acordo para conter o aquecimento global em 1,5º C até 2050.

Infelizmente, o relatório do IPCC que serviu de base aos debates em Paris, lançado em 2013, já estava defasado em relação aos últimos desdobramentos da crise climática e este aquecimento limite já podia ser considerado ultrapassado. Os primeiros meses de 2024 viram este índice, previsto para meados do século, ser batido várias vezes, embora ainda não na média anual. Este recorde, anualizado, deve ser batido e ultrapassado ainda neste ano ou no próximo. Agora a aposta é impedir o aquecimento acima de 2º C até meados do século, mas a rapidez com que o índice anterior foi batido não promete sucesso nesta empreitada.

Barack Obama foi imediatamente desautorizado por seu sucessor, o nefando Donald Trump, que se retirou do acordo de Paris (Joe Biden voltou a ele na sequência). Outros presidentes tentaram aplicar algumas medidas de restrição ao uso de combustíveis fósseis, como foi o caso de Emmanuel Macron, na França, submetido a fortes pressões de motoristas (os famosos coletes amarelos), profissionais ou não, e que foi obrigado a recuar.

A indústria petrolífera, apesar de profetizar o “fim da era do petróleo” para breve, está se mostrando disposta a pressionar pelo uso dos combustíveis fósseis “até a última gota”, assegurando lucros polpudos com as altas previstas dos preços. E as petroleiras contam com o suporte de todos os governos dos países mais importantes que gastaram a bagatela de sete trilhões de dólares anualmente em subsídios e isenções de impostos para manter os preços acessíveis aos usuários de todo tipo. Todos os gastos voltados para a chamada economia verde são uma fração mínima deste valor.

Ou seja, entre “responsáveis” (ou irresponsáveis) políticos e agentes econômicos poderosos, estamos em pleno “business as usual” (mais do mesmo) em termos de contenção (mais bem ampliação) das emissões de gases de efeito estufa.

E o público em geral? Podemos classificá-lo em vários tipos: (i) Negacionistas religiosos: os que acreditam que as catástrofes climáticas acontecem como punição divina por pecados cometidos. (ii) Negacionistas liberais: os que acreditam que a “narrativa” do aquecimento global é um engodo comunista para impedir o livre funcionamento do mercado. (iii) Negacionistas nacionalistas de esquerda: os que acreditam que o aquecimento global é uma criação do imperialismo para impedir o progresso dos países em desenvolvimento. (iv) Defensores do controle relativo das emissões dos GEE (uma variante da categoria anterior): são os que reivindicam a liberdade de seguir emitindo GEE pelos países em desenvolvimento e cobrando dos países capitalistas avançados o esforço necessário para limitar o aquecimento global. Algo como: “vocês já poluíram e aqueceram o mundo para se desenvolverem de modo que agora o peso das medidas de controle das emissões deve recair sobre vocês”. Em outras palavras, este é o time que defende o direito “histórico” de aquecer o planeta. (v) Defensores de políticas de controle das emissões de GEE, desde que não afetem o modo de vida que adotaram.

Esta última categoria é muito numerosa e politicamente influente. São os que não aceitam deixar de usar seus carros particulares como meio de transporte, comerem picanha até regurgitar e consumirem sem restrições todos os confortos, necessários ou não, oferecidos pelo mercado. São os que estrebucham cada vez que os preços dos combustíveis sobem, uma medida essencial para fortalecer o caminho para sua substituição.

No Brasil temos uma combinação muito negativa destas categorias, começando pelos responsáveis políticos.

Lula elegeu-se com um discurso forte contra os desmatamentos e colocou-se como um campeão ambientalista na COP de Sharm-el Sheik, no Egito, em 2022, pouco depois de sua eleição esfregando o focinho de Jair Bolsonaro no fotochart. Lula prometeu zerar os desmatamentos em todos os biomas do Brasil durante o seu governo. Não disse, porém, uma palavra sobre a redução do uso de combustíveis fósseis. Uma vez no governo, Lula passou a lutar pela ampliação da exploração do petróleo, pelo controle dos preços dos combustíveis e pelos investimentos da Petrobras em refino. Com essa postura Lula se colocou na categoria (iv) da nossa tipologia.

Já a promessa de “eliminar os desmatamentos em todos os biomas do Brasil” ficou restrita à Amazônia, em 2023. Mas mesmo neste bioma temos que constatar que o patamar de desmatamentos do governo de Jair Bolsonaro era tão elevado que a queda de 60% no índice ainda o manteve mais alto do que nos anos de Dilma. E, por outro lado, os índices no Cerrado dobraram e aumentaram (em porcentagens menores) em todos os outros biomas. Finalmente, mesmo na Amazônia as queimadas foram recorde em 2023, elevando muito a nossa contribuição para o aquecimento do planeta.

É verdade que contribuímos pouco para as emissões oriundas do uso de combustíveis fósseis, mas as emissões por desmatamento e queimadas nos levam para o quinto lugar entre os maiores emissores de GEE. Estamos atrás apenas dos Estados Unidos, China, Rússia e União Europeia (como conjunto).

Em relação ao desmatamento/queimadas o governo mantém uma atitude ambígua, com um discurso contrário às práticas destrutivas do agronegócio, mas sem medidas robustas, necessárias para contê-las. Pior ainda, o governo mandou uma mensagem simpática aos des-matadores ao repelir uma carta da União Europeia anunciando a decisão de não importar qualquer produto agropecuário oriundo de áreas desmatadas.

O curioso é que esta discussão ocorreu no quadro das negociações do acordo União Europeia/Mercosul, embora a decisão europeia não esteja subordinada a este entendimento e faça parte de uma votação do parlamento europeu que está ratificada por quase todos os parlamentos nacionais. Mais curioso ainda é o fato de que o acordo contém cláusulas extremamente negativas para nós e nossos vizinhos (que mereciam ser repudiadas), mas a reação se deu sobre a carta ameaçando os des-matadores, de interesse do agronegócio exportador de carne bovina.

O público brasileiro tem sido solidário com as vítimas da catástrofe gaúcha, mais do que em eventos anteriores. Resta saber se os hábitos de vida de cada um são compreendidos como parte das causas do desastre. E se cada um estaria disposto a mudar de vida para salvar o planeta para os nossos filhos e netos.

É claro que há uma importantíssima responsabilidade do governo na redução das emissões de GEE por uso de combustíveis. As pessoas só abandonarão o transporte privado individual (carros) para usar o transporte público quando as adequadas políticas de Estado criar um transporte público de qualidade (metrôs, ônibus, trens, barcas) e inibirem o uso de carros privados a não ser para atividades essenciais. Não é isso que estamos vendo. Ao contrário, investe-se ou subsidia-se a indústria automotora e ignora-se o transporte coletivo. O modal de transporte de cargas continua sendo baseado em caminhões, não só muito poluente e gerador de GEE, mas também caro, em comparação com outras formas, predominantes nos países desenvolvidos (ferroviário e aquático).

O caminho a percorrer – se quisermos fazer a nossa parte na defesa do futuro do planeta – vai ser árduo e talvez demasiado tardio.

 *Jean Marc von der Weid, ex-presidente da UNE (1969-71). Fundador da organização não governamental Agricultura Familiar e Agroecologia (ASTA)

Publicado no IHU Unissinos: 25 mai 2024

 

Fonte: https://www.ihu.unisinos.br/categorias/639735-agua-vai-agua-vem-artigo-de-jean-marc-von-der-weid

5.16.2024

Universidade Federal do RS monta Mapa com Cozinhas Solidárias

 RS: cientistas auxiliam no trabalho de equipes e pesquisadores voluntários na enchente

Mapa colaborativo reúne dados sobre abrigos, cozinhas solidárias e pontos de coleta no RS

por Marcelo Ferreira no Brasil de Fato – Sociedade e Pessoas Aprendem o Coletivo na Desgraça

Pesquisadores de universidades federais somam esforços para reunir dados que possam ajudar o poder público e a população em meio à tragédia climática do Rio Grande do Sul. Uma das materializações desse empenho é a plataforma Cheias no Rio Grande do Sul, desenvolvida em caráter emergencial e voluntário por diversos setores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

A plataforma traz modelos de previsão de elevação do nível de água, mapeamento de áreas afetadas pelas inundações e outras informações críticas para o enfrentamento da crise das cheias no estado. Desse esforço nasceu um mapa interativo da inundação em Porto Alegre, que nos últimos dias foi atualizado com informações de abrigos, cozinhas solidárias, pontos de coleta de doações e outros dados, não só da capital, mas também da região metropolitana, da Serra e de outras cidades gaúchas.

A iniciativa é liderada pela equipe do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Ufrgs (IPH/UFRGS). Autor do mapa, o engenheiro ambiental e hidrólogo Iporã Possantti, doutorando do instituto, conta que a ideia inicial partiu de seus colegas, que pensaram em criar um mapa que fosse útil para jornalistas. "Mas a gente descobriu que o mapa era muito mais útil para as pessoas", assinala.

Ele destaca que o esforço reúne diversos setores da universidade e pesquisadores externos colaborando de forma voluntária. Entre eles, a Faculdade de Arquitetura, o Instituto de Geociências e os programas de pós-graduação em Políticas Públicas e em Sociologia. Há também contribuição de pesquisadores das federais de Rio Grande (Furg) e de Pelotas (UFPel), além de empresas de consultoria em nas áreas de urbanismo e de hidrologia.

"Foi uma iniciativa emergencial que nasceu de forma orgânica e mostra o papel que a universidade federal, que é uma universidade pública, tem na sociedade", afirma Iporã. Ele recorda que o mapa vem sendo ampliado. Foi divulgado pela primeira vez alertando para a população se preparar para uma evacuação caso o sistema de proteção contra cheias falhasse, o que acabou se confirmando.

Agora, o mapa já está numa terceira fase de trabalho, que é de sistematização de bancos de dados. Conforme o pesquisador, traz informações técnicas para instituições de governo usarem para para tomar decisões, "mas também a outros atores sociais, como o Judiciário, Ministério Público, e outros grupos de pesquisa que agora vão se debruçar sobre os dados para fazer análise".

Durante o trabalho, prossegue Iporã, o mapa serviu de apoio para ajudar as pessoas na busca de abrigos. Ao longo da sua construção, destaca, "surgiu um grupo de trabalho incrível chamado GT Abrigos, e muitos voluntários nesse grupo apuraram e estão apurando ainda os pontos onde tem abrigos, não só em Porto Alegre, mas depois na região metropolitana inteira".

A base dados é alimentada pelas seguintes fontes: SOS RS (antigo Ajuda RS), Fórum Social das Periferias de Porto Alegre (FSPPA), SOS RS | Zona Sul, AbrigaRS, Curicaca/Uergs, Prefeitura de Eldorado, Prefeitura de São Leopoldo, SAS - Prefeitura de São Leopoldo, Prefeitura de Novo Hamburgo e Coletivo Meio de Caxias do Sul.

Foram identificados um total de 738 pontos de abrigos, doações e cozinhas solidárias, dos quais 599 foram verificados e geo-localizados. Dos pontos já classificados, três grupos destacaram-se neste processo: 27% dos pontos na base de dados são organizados por entidades religiosas, 20% são organizados por empresas privadas e 20% por grupos ligados ao estado. O restante dos pontos, 33%, é dividido entre outros tipos de organizações da sociedade civil e empresas.

Segundo Iporã, o trabalho segue em construção. Porém chama a atenção para o futuro incerto da iniciativa. "Sem dúvida alguma esse esforço vai se dispersar, porque é impossível manter esse esforço voluntário por tanto tempo", disse. Mas enquanto ainda houver a enchente (crise climática), afirma que o trabalho tem andamento garantido, com versões novas e atualizadas do site.

Publicado no BdF: 16 de maio de 2024

Fonte: https://www.brasildefato.com.br/2024/05/16/mapa-colaborativo-reune-dados-sobre-abrigos-cozinhas-solidarias-e-pontos-de-coleta-no-rs

Edição: Rodrigo Chagas

 

Redes Digitais Gigantes (big tech’s) tem Algoritimos que Criam Dependência no Ser Humano

UE investiga como facebook e instagram provocam comportamentos de dependência em menores de idade

A Comissão Europeia já havia iniciado uma investigação contra o facebook e o instagram no final de abril/2024, por suspeitas de não cumprirem suas obrigações no combate à desinformação e dependência do ser humano nas redes digitais

por AFP – Sociedade e Comunicação Digital Dominada pelas Gigantes de Comunicação (Big Tech’s)

      Esta é a 6ª. investigação formal das Gigantes de Comunicação, iniciada pela Comissão Europeia, o braço Executivo da UE, com base nesta legislação, e a 2ª. contra a Meta     Foto: Lionel Bonaventure / AFP

A União Europeia anunciou nesta quinta-feira (16/mai/2024) a abertura de uma investigação para apurar se as redes digitais facebook e instagram, do grupo Meta, provocam comportamentos de dependência em menores de idade e jovens.

"Não estamos convencidos de que a Meta tenha feito o suficiente para mitigar os riscos de efeitos negativos na saúde física e mental dos jovens europeus em suas plataformas facebook e instagram", afirmou o comissário europeu de mercado interno da Meta, Thierry Breton.

A investigação tem como base a lei dos serviços digitais (LSD), um dos marcos regulatório das plataformas digitais no bloco europeu. Esta é a 6ª. investigação formal iniciada pela Comissão Europeia, o braço executivo da União Européia, com base nesta legislação, e a 2ª. contra a Meta.

Neste caso específico, a investigação apura se as 2 redes sociais cumprem suas obrigações em matéria de proteção de menores, incluindo uma efetiva verificação da idade dos usuários.

O grupo de tecnologia americano Meta (facebook e instagran) defendeu sua boa-fé. "Queremos que as crianças e os jovens tenham experiências on-line seguras e adaptadas à sua idade, e passamos uma década desenvolvendo mais de 50 ferramentas e políticas para protegê-los. É um desafio que todo o setor enfrenta e estamos ansiosos para compartilhar os detalhes do nosso trabalho com a Comissão Europeia", disse um porta-voz da Meta (sic).

No comunicado, a comissão manifestou preocupação com a possibilidade de os algoritmos utilizados pela Meta (facebook e instagram) estimularem o vício ou o chamado efeito 'toca do coelho'.

Isso ocorre quando um usuário é incitado por um algoritmo a usar determinado tema na rede digital, em um ciclo que leva a conteúdos manipulados ou perigosos. Além disso, a Comissão Européia mantém a preocupação com os métodos de verificação de idade aplicados pela Meta, indica a nota da comissão investigativa.

Na investigação, a Comissão procura também determinar se as plataformas cumprem a obrigação de "implementar medidas adequadas e proporcionais para garantir elevado nível de privacidade e segurança aos menores de idade”.

A Comissão Europeia já havia iniciado uma investigação contra o facebook e o instagram no final de abril/2024, por suspeitas de não cumprirem suas obrigações no combate à desinformação e utilização de algoritimos que criam dependência em menores de idade.

A lei europeia sobre serviços digitais (LSD), em vigor desde agosto do ano passado (2023), define regras rigorosas para as plataformas consideradas gigantes (big tech’s) por seu número de usuários, como as redes X, TikTok e Meta.

No total, cerca de 23 empresas e sites (incluindo três dedicados à pornografia: Pornhub, Stripchat e Xvideos) estão sob vigilância e contrôle da União Europeia.

Publicado no Correio do Povo RS: 16/05/2024

Fonte: https://www.correiodopovo.com.br/jornal-com-tecnologia/ue-investiga-se-facebook-e-instagram-provocam-comportamentos-de-depend%C3%AAncia-em-menores-1.1495080