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12.14.2025

Estudo mostra que Brasil é um dos países mais desiguais do mundo

 No Brasil, a raiz da desigualdade não está apenas em falhas “políticas sociais”, mas assentadas no monopólio da terra e falta de verdadeiras politicas sociais para as classes mais baixas

por Redação de ANDSociedade e Exploracao das Classes mais Humildes

 Imagem desigualdade social na internet

Quando se olha os dados de desigualdade para o Brasil nos últimos 15 anos, e possível perceber que este pais e o pior em distribuição de renda no mundo. Mesmo após programas sociais, impostos e transferências, a desigualdade segue em patamar bem superior ao da média do Ocidente. Ainda que haja alguma redução em relação à renda “bruta”, o país continua no topo do ranking mundial da concentração de renda, lado a lado com os casos mais extremos do planeta. Em outras palavras, o Estado até mexe um pouco na mísera ponta da renda, mas não o suficiente para tirar o Brasil do bloco dos campeões globais da desigualdade.

Enquanto o governo presidido por Luiz Inácio (PT) comemora em cadeia nacional que o Brasil “atingiu o menor nível de desigualdade da série histórica”, dados de organismos internacionais dizem outra coisa. Relatórios recentes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e do World Inequality Lab (Laboratório da Desigualdade Mundial) mostram que o país continua entre os mais desiguais do mundo, com concentração de renda e riqueza características de um país capitalista liberal burocrático, dominado por financismo e administração publica distante das verdadeiras necessidades da população.

O estudo Government at a Glance 2025, da OCDE, avalia o impacto de impostos e transferências (como benefícios sociais, seguros-desemprego, aposentadorias) sobre pobreza e desigualdade em dezenas de países. Em média, antes de qualquer intervenção estatal, 27% da população dos países da OCDE está em situação de pobreza relativa. Depois de impostos e transferências, esse número cai para 11%. Da mesma forma, o coeficiente de Gini* médio cai de 0,46 (renda de mercado) para 0,32 (renda disponível), mostrando que a redistribuição existe, mas longe de atender as necessidades de toda a sociedade, dentro de limites bem definidos.

A própria OCDE admite que, no conjunto dos países, depois de uma década de políticas compensatórias e “inovações” em proteção social, a desigualdade, mesmo após os impostos e transferências, praticamente não se moveu. Em 2012, o Gini médio “pós-redistribuição” era de 0,32; em 2021, continuava em 0,32. A pobreza relativa cai alguns pontos, estabiliza, oscila ligeiramente, mas a estrutura da concentração de renda se mantém. Do clube dos países ricos, o recado é cristalino: com o desenho atual de Estado e de distribuição de terras, a máquina da desigualdade continua funcionando quase intacta.

No caso brasileiro, o mesmo relatório mostra que a desigualdade não só permanece entre as mais altas do planeta, como aumentou na última década. A fatia da renda nacional apropriada pelos 10% mais ricos passou de 57,9% em 2014 para 59,9% em 2021, recuando ligeiramente para 59,1% em 2024 – ainda assim, acima do patamar de dez anos antes. No mesmo período, a participação dos 50% mais pobres caiu de 10,7% para 8,2%, recuperando-se parcialmente para 9,3%. O índice que divide a fatia dos 10% do topo pela fatia dos 50% de baixo saltou de 53,7 para 63,5 entre 2014 e 2024, com pico de 73 em 2021. Ou seja, houve uma melhora mínima na vida dos mais pobres em termos absolutos, enquanto os muito ricos enriqueceram muito mais.

É exatamente a partir dessa discrepância que entra a polêmica com o estudo do Ipea, usado pelo governo conclusão de que a desigualdade estaria “no menor patamar em 30 anos”. A nota técnica usa exclusivamente dados da Pnad (pesquisa domiciliar do IBGE) para medir renda e conclui que o coeficiente de Gini caiu de 0,615 para 0,504 entre 1995 e 2024, o que indicaria uma forte redução da desigualdade. Os números foram apresentados no Palácio do Planalto pelo presidente, ao lado da presidente do Ipea e dos autores da nota técnica.

O problema é que a própria nota do Ipea admite, em letras miúdas, que pesquisas domiciliares subestimam fortemente a renda do topo – sobretudo dos 1% e 0,1% mais ricos, cuja renda vem principalmente de lucros, juros, dividendos e ganhos de capital. Economistas como Guilherme Klein, pesquisador da Universidade de Leeds e do Made/USP, lembra que, “para enxergar de fato o topo, é obrigatório combinar pesquisas domiciliares com dados da Receita Federal”. 

Foi exatamente isso que o World Inequality Lab fez. Ao juntar Pnad, IRPF e contas nacionais, o quadro se inverte de “queda histórica da desigualdade” para “desigualdade ainda maior do que se imaginava”. Não por acaso, um dos próprios autores da nota técnica do Ipea já havia mostrado, em pesquisas anteriores com dados tributários, que a desigualdade não caiu entre 2005 e 2014, ao contrário do que sugerem apenas as entrevistas domiciliares.

Enquanto a equipe econômica do governo escolhe uma série que não mostra a realidade, para anunciar ao país que “vivemos em um momento de menos desigualdade”, os dados e estudos mais completos indicam que a concentração de renda no Brasil segue entre as maiores do mundo e, em diversos itens piorou.

No plano mundial, o World Inequality Report 2026 aprofunda o diagnóstico. Segundo o estudo, divulgado pelo jornal inglês The Guardian, menos de 60 mil pessoas – cerca de 0,001% da população do planeta – concentram três vezes mais riqueza do que toda a metade mais pobre da humanidade. Já os 10% mais ricos ficam com 75% da riqueza global, enquanto a metade de baixo tem apenas 2%. Com o parâmetro da renda (ganhos de trabalho e capital), o padrão se repete: o topo dos 10% embolsa mais que os outros 90% somados. A pesquisa é fruto de um consórcio de pesquisadores, e encomendada pela ONU.

Brasil: desigualdade que assusta até seus próprios beneficiários

 

Mesmo quando se toma ao pé da letra os números usados pelos governos, o limite das chamadas “políticas compensatórias” salta aos olhos. A OCDE admite que “impostos progressivos e transferências reduzem pobreza e achatam um pouco a curva de renda” – mas, em 10 anos, isso não alterou o nível médio de desigualdade “pós-redistribuição”. O sistema corrige pequenos excessos, evita explosões imediatas das massas mais pobres, mas preserva intacta a engrenagem que produz a concentração.

O caso brasileiro ilustra bem essa contradição. O próprio Ipea mostra que a renda média por pessoa cresceu e que a pobreza extrema caiu de cerca de 25% para 5% em três décadas, impulsionada por “programas de transferência” como o Bolsa Família e períodos de expansão do emprego. Ao mesmo tempo, os dados combinados de IBGE e Receita, usados pelo World Inequality Report, revelam que a fatia da renda abocanhada pelos ricos aumentou – ou seja, os pobres melhoraram um pouco, enquanto os ricos dispararam numa velocidade muito maior. A desigualdade de renda continua brutal e a de riqueza (terras, imóveis, ações, títulos financeiros) é ainda mais obscena e praticamente intocada.

Essa incapacidade de “consertar” a desigualdade pelas bordas é reconhecida, com crescente inquietação pelos que tem o capital e patrimônio. No prefácio do relatório global, o vencedor do Nobel Joseph Stiglitz defende a criação de um “painel internacional permanente para monitorar a desigualdade”, nos moldes do IPCC do clima, e os autores sugerem taxar os milionários (patrimônio líquido de 100 milhões de dólares) para financiar educação nos países pobres. Claro que não se trata de generosidade, mas do medo de que tamanha contradição entre a concentração de renda e pobreza desestabilize as “democracias” liberais, alimentando rebeliões de massas que ameaçam o equilíbrio social.

No Brasil, a raiz da desigualdade não está apenas em falhas “políticas sociais”, mas assentadas no concentração da terra e da exploração do capital e patrimônio. O latifúndio e seu maquinário tecnológico concentram atividades voltadas unicamente para produção de produtos primários para exportação, como soja, café, cana-de-açúcar e carne animal, ao mesmo tempo sustentadas na exploração da massa camponesa. Enquanto, a produção da “cesta básica” brasileira é restrita a pequena produção familiar, de pequenos e médios proprietários, reféns dos monopólios de distribuição e circulação de suas mercadorias. Além do monopólio do financiamento por bancos que comandam a intermediação do crédito, e demais conglomerados industriais e de serviços associados ao grande capital. 

As “políticas compensatórias” funcionam como amortecedores, aliviam a miséria extrema, garantem algum consumo básico, reduzem a pressão imediata sobre o sistema de exploração e opressão, mas não mexem na concentração da terra, nem nos monopólios dos que controlam o capital. Enquanto se distribuem cartões de benefício, seguem intocados os mecanismos que permitem a 0,001% do planeta acumular mais do que metade da humanidade e, no caso brasileiro, que 10% abocanham quase 60% da renda nacional.

A partir dos estudos da OCDE e do World Inequality Report, a conclusão é, portanto, oposta à propaganda oficial. A desigualdade brasileira não está “em queda histórica”, permanece entre as mais altas do mundo e integra um quadro global em que até os organismos do próprio sistema capitalista admitem não conseguir reverter, apenas administrar.

Publicado na AND 12 de dezembro de 2025

Fonte  https://anovademocracia.com.br/desmentindo-governo-brasil-desigualdade/

 


 

10.28.2025

Usas a Internet: Cuidado, Ladroes se Divertem Conosco e Ganham Dinheiro

Estamos na mão de hackers bandidos, que vazam. No ultimo grande vazamento,  roubaram 183 milhões de senhas do Gmail e outros provedores

As grandes plataformas fazem “cara de paisagem”, estão nem ai para nos

Especialista em ciber-segurança alerta para risco de ataques em cadeia e recomenda trocar senhas e ativar autenticação de dois fatores

por Paulo Emilio no Brasil 247 – Sociedade e Ladroes Divertem-se as Nossas Custas nas Plataformas Corruptas

Computador (Foto: Kacper Pempel / Reuters )

Um dos maiores vazamentos de dados da história expôs mais de 183 milhões de senhas e endereços de e-mail de usuários de provedores como Gmail, Yahoo e Outlook entre outros. O caso foi revelado nesta segunda-feira (27-out-2025) pelo especialista australiano em ciber-segurança Troy Hunt, criador da plataforma Have I Been Pwned, que detalhou a magnitude da violação.

Ao todo, 3,5 terabytes de dados foram comprometidos, abrangendo contas de diversos serviços online. “Todos os principais provedores têm endereços de e-mail lá. Eles vêm de todos os lugares que você possa imaginar, mas o Gmail sempre aparece em grande destaque”, declarou Hunt ao Daily Mail,de acordo com o jornal O Globo.

Minha senha foi vazada, não sei: confira neste site Have I Been Pwned

Os usuários podem verificar se suas contas foram afetadas acessando o site Have I Been Pwned, ferramenta que permite consultar se um e-mail foi envolvido em algum vazamento nos últimos dez anos. Caso o endereço apareça entre os comprometidos, a recomendação é alterar imediatamente a senha e ativar a autenticação de dois fatores (2FA), uma medida que reforça a segurança contra acessos não autorizados.

Hunt também alertou que senhas reaproveitadas em outros serviços — como Amazon, Netflix e eBay — podem ter sido igualmente expostas. “Os registros dos ladrões expõem as credenciais que você insere nos sites que visita e depois faz login”, afirmou o especialista, destacando que o uso da mesma senha em múltiplas plataformas amplia o risco de ataques em cadeia.

Origem e impacto do vazamento

As investigações indicam que a violação ocorreu em abril de 2025, mas só foi identificada recentemente, após cruzamento de informações com bases de dados e fóruns da dark web. Esse tipo de atraso é comum em mega-vazamentos, já que hackers geralmente compartilham ou vendem os dados em camadas ocultas da internet antes que especialistas consigam rastrear a origem.

O episódio reacende o debate sobre a fragilidade das senhas tradicionais e a necessidade de estratégias mais robustas de proteção digital. Especialistas recomendam o uso de gerenciadores de senhas, autenticação biométrica e 2FA para reduzir os riscos de novas exposições.

  *Paulo Emilio

Publicado no Brasil 247: 27 de outubro de 2025

Fonte: https://www.brasil247.com/mundo/megavazamento-expoe-183-milhoes-de-senhas-do-gmail-e-outros-provedores

10.24.2025

Brasil: A Mentira Sobre o Comunismo

por Mauro Santayana, jornalista do Jornal JB

 
A ascensão irracional do anticomunismo mais obtuso e retrógrado, em todo o mundo — no Brasil, particularmente, está ficando moda ser de extrema direita — baseia-se em manipulação, com que se tenta, por todos os meios, inverter e distorcer a história, a ponto de se estar criando uma absurda realidade paralela.
Estabelecem-se, financiados com dinheiro da direita fundamentalista, surgem por todo mundo, como nos piores tempos da guerra fria, redes de organizações anticomunistas, com a desculpa de se defender a democracia; atribuem-se, alucinadamente, de forma absolutamente fantasiosa, 100 milhões de mortos ao comunismo na Rússia (ou União Soviética) socialista.

 
Busca-se associar, o marxismo ao nacional-socialismo, quando, se não fossem a Batalha de Stalingrado na Segunda Guerra Mundial, em que os alemães e seus aliados perderam 850 mil homens, e a Batalha de Berlim, vencidas pelas tropas do Exército Vermelho — que cercaram e ocuparam a capital alemã e obrigaram Hitler a se matar — a Alemanha nazista teria tido tempo de desenvolver sua própria bomba atômica e não teria sido derrotada.

 
Quando houve o Golpe Militar no Brasil, o povo preparava-se para reeleger novamente Juscelino Kubtchek, presidente da República em 1965 Quem compara o socialismo ao nazismo, se esquece de que, sem a heróica resistência da Rússia, o complexo industrial-militar, e o sacrifício dos povos da União Soviética (Rússia) — que perdeu na Segunda Guerra Mundial 30 milhões de habitantes — boa parte dos anticomunistas de hoje, incluídos católicos não arianos e sionistas, teriam sido mortos nas câmaras de gás e nos fornos crematórios de Auschwitz, Birkenau e outros campos de extermínio.Espalha-se, na internet — vários autores que não conhecem a história, uns por ingenuidade, outros por falta de caráter mesmo, ajudam a divulgar isso — que o Golpe Militar de 1964 — apoiado e financiado pelos Estados Unidos — foi uma contrarrevolução preventiva. O país era governado por um rico proprietário rural, João Goulart, que nunca foi comunista. Vivia-se em plena democracia, com imprensa livre e todas as garantias do Estado de Direito, e o povo preparava-se para reeleger Juscelino Kubitscheck presidente da República em 1965.

 
1964 foi uma aliança de oportunistas, desde empresários, imprensa, clero políticos,etc. Civis que há anos almejavam chegar à Presidência da República e não tinham votos para isso, segmentos conservadores que estavam alijados dos negócios do governo e oficiais — não todos — golpistas que odiavam a democracia e não admitiam viver em um país livre.


Em um mundo em que há nações, como o Brasil, em que padres fascistas pregam abertamente, na internet e fora dela, o culto ao ódio, e a mentira da excomunhão automática de comunistas, as declarações do papa Francisco, lembrando que os marxistas são pessoas normais, como quaisquer outras — e não são os monstros apresentados pela extrema-direita, sob a farsa do “marxismo cultural” — representam um apelo à razão e um alento.


Depois de anos dominada pelo conservadorismo, podemos dizer, pelo menos até agora, que Habemus Papam, com a clareza da fumaça branca saindo, na Praça de São Pedro, em dia de conclave, das  chaminés do Vaticano.


http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2013/12/17/habemus-papam-2/

 

Brasil: Pobres São Proibidos de Entrar nos Estádios de Futebol

A sensação de fazer o ritual dominical, de acordar cedo, prosear sobre a rodada do campeonato no boteco já com a camisa da sorte, abrir um refrigerante ou cerveja, brincar com a(o) amiga(o) sobre o jogo passado, comer um frango assado, pegar um ônibus ou trem lotado rumo ao estádio, encontrar o amigo ou amiga da arquibancada duas estações ou pontos depois, chegar e comprar uma bandeira do ambulante e entrar para empurrar e jogar junto com as(os) 11 jogadoras(es) do clube de coração, é a felicidade da(o) torcedora(or)...

 

por Walmyr Jr* no jornal JB – Sociedade e Invisibilidade dos Pobres no Esporte Brasileiro

 

Foto futebol na várzea em Santos SP, na internet

 

Um samba que embalou carnavais de diversos foliões por todo o Brasil, “Domingo, eu vou ao Maracanã.” de Neguinho da Beija-Flor, que tem sua letra original uma alusão ao time flamengo, virou um canto dos demais cariocas, botafoguenses, tricolores e vascaínos, assim como torcedores ou torcedoras de outros estados, vão ao delírio ao cantar essa melodia sagrada.  O grito entoado com muito orgulho pelos torcedoras(es) em estádios de todo o Brasil, se adaptando a cada realidade cultural e local, a alegria expressa se assemelha a um fenômeno religioso ou um mantra nepalense.


A música traz uma reverencia a(o) torcedora(or) brasileira(o), ao povo brasileiro, e cultura do futebol em nosso país. Essa cultura ligada diretamente a(o) trabalhadora(or) e as classes mais populares, que se matam de trabalhar durante a semana e aos domingos, vão ver o seu clube do coração no estádio de futebol. Essa classe social é onde estão Marias, Julianas, Pedros, Joãos, Claudias, Josés, Franciscos entre ouras(os), tem no futebol uma das poucas oportunidade de lazer e diversão.


A sensação de fazer o ritual dominical, de acordar cedo, prosear sobre a rodada do campeonato no boteco já com a camisa da sorte, abrir um refrigerante ou cerveja, brincar com a(o) amiga(o) sobre o jogo passado, comer um frango assado, pegar um ônibus ou trem lotado rumo ao estádio, encontrar o amigo ou amiga da arquibancada duas estações ou pontos depois, chegar e comprar uma bandeira do ambulante e entrar para empurrar e jogar junto com as(os) 11 jogadoras(es) do clube de coração, é a felicidade da(o) torcedora(or).


Durante muito tempo, essa era uma rotina de muitas(os) trabalhadoras(es) e operárias(os) das comunidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e de outros estados do Brasil. Porém nos últimos anos, o fantasma da "elitização dos estádios e varzeas" vem acabando com essa cultura. Grandes investidores estão começando a tomar conta. Vem sendo construído nos estádios brasileiros uma verdadeira política de em-branquecimento e higienização, centralizado na cultura européia como padrão de espetáculo. As inúmeras proibições como à venda de bebidas, o uso de instrumentos musicais, fim das gerais (ou coloninha) ( e a implantação do mito das cadeiras numeradas, são alguns dos exemplos daquilo que vem sendo chamado de “novas arenas nos mais recondutos recantos ex-tupy’s guarany’sn.


Para Wescrey Pereira, Diretor da União Estadual dos Estudantes (UEE-RJ), “o grande aumento do preço do ingresso tem criado um futebol cada vez mais sem povo. O alto custo para assistir um jogo de futebol, assim como a exploração extrema dos salários está selecionando o consumidor,  e o futebol está sendo padronizado por abaixo”. Fica a seguinte indagação: “O que será dos estádios de futebol sem a irreverência do povo humilde brasileiro e com uma diversidade impressionante ?  A população humilde terá que achar outro lazer no domingo? Estão tirando das mãos da população seu patrimônio histórico”.
Hoje o futebol em que o povo humilde participava está agonizando, é preciso repensar o que nós brasileiras(os) somos e a importância do futebol assistido de pé sem a cadeira numerada. Pelo caminho que se tem traçado, precisaremos fazer um re-leitura do samba do Neguinho da Beija-Flor e cantar “Domingo, NÃO vou ao Maracanã.”


* Walmyr Júnior é graduado em História pela PUC-RJ e representou a sociedade civil em encontro com o Papa Francisco no Theatro Municipal, durante a JMJ.

 
Fonte: http://www.jb.com.br/juventude-de-fe/noticias/2013/12/30/domingo-nao-vou-ao-maracana/

 

10.17.2025

Brasil : onde este país poderá chegar ?

Só assim os brados de soberania farão sentido. E só então poderemos comemorar de forma plena nossa independência 

por Jamil Chade no Uol – Sociedade e A Verdadeira Soberania Popular

Imagem na internet

Confrontado por um ataque deliberado por parte do governo dos EUA, ou seja, pela extrema direita internacional, pelas big techs (Google, WhatsApp, Meta, Apple, Instagran, Microsoft, Amazon, Tweet)  e por traidores criados em nossas entranhas (Jair Bolsonaro, Hugo Motta, Eduardo Bolsonaro, Sergio Moro, Tarcísio Freitas entre outros) o Brasil está diante de um desafio histórico. A encruzilhada no conceito de soberania está dada.

Na busca por restabelecer sua hegemonia, o presidente dos EUA atropela o direito internacional, as regras comerciais e pilares da ordem mundial que construíram os últimos 200 anos. Não atuará pelas regras da diplomacia.

De outro lado, a China anuncia, com pompas e um desfile militar sem precedentes, que não está disposta a ceder. Pequim quer que este seja o seu século (e surja com um novo imperialismo).

Neste contexto, a pergunta que deve percorrer todos os ministérios, entidades empresariais, ativistas e acadêmicos é uma só: quem seremos neste novo mundo?

Diante do espelho, a pergunta é tão simples quanto desconcertante: temos um projeto de país?

Quando os ataques ocorreram, descobrimos sem surpresa que os problemas que enfrentaríamos nas exportações estavam relacionados, em grande parte, ao setor primário ou de baixo valor agregado (commodities). Fundamentais? Sem dúvida. Mas incapazes de garantir a inserção internacional do Brasil numa condição de força. Insuficiente para designar o país como uma peça crítica na revolução tecnológica.

Diante dos ataques de Trump, os americanos terão de pagar mais pelo café ou suco de laranja? Provável. Mas não será por conta de uma crise diplomática com o Brasil que faltarão os últimos modelos de celulares, laptops ou máquinas de tecnologia. Um sintoma de quem somos no mundo.

É esse o papel internacional que queremos ter?

Soberania, bradada a partir de palanques, é necessária. Mas insuficiente.

Não falo aqui dos "patriotas" que se submetem à subserviência de uma potência estrangeira. Daqueles que clamam de forma tão obscena por uma intervenção americana, em cenas que mais se parecem com chanchadas das piores qualidades.

Minhas preocupações são estruturais. Que soberania é essa que, em cada aldeia indígena, conta com uma antena da empresa de Elon Musk?

Onde estão armazenados os dados de servidores do Estado brasileiro?

Onde estamos no desenvolvimento da inteligência artificial, a nova energia nuclear no mundo?

Que soberania é essa que, no setor farmacêutico, pena para garantir autonomia do abastecimento de remédios e convive com um déficit bilionário?

Que soberania é essa que depende da moeda nacional de um outro país?

Se o nacionalismo não é a resposta, se o isolacionismo apenas aprofunda a ineficiência de um sistema, se o protecionismo apenas transfere ao consumidor a conta, o abalo sísmico causado por Trump exige que o Brasil elabore um plano estratégico.

Ela terá de passar por dois eixos:

O primeiro é uma inserção internacional independente, inteligente, capaz de catapultar a economia nacional, de fazer a transição energética e posicionar o país na disputa pelas novas tecnologias.

A segunda é a radicalização da democracia como instrumento para, finalmente, superar a desigualdade (será que a geração Z ajudara o Brasil nesta direção).

Radicalização pode soar como algo assustador

Mas ela é simplesmente a promoção de um aumento sem precedentes do orçamento para saúde, educação, saneamento, segurança, direitos fundamentais. Essa é a radicalização: garantir que os mais pobres estejam no orçamento e que os ricos estejam em seu financiamento.

O historiador Luiz Antonio Simas é contundente quando insiste que o Brasil é um "projeto bem-sucedido de país". Mas pondera: "Um projeto colonial, fundado na ideia de exploração da terra, na exploração dos corpos, no genocídio do indígena, na escravização do negro".

Ele tem razão. O projeto de país sempre existiu. O que precisamos agora é desfazê-lo, garantir que ele dê errado.

Só assim os brados de soberania farão sentido. E só então poderemos comemorar de forma plena nossa independência.

Publicado no Uol: 07/09/2025

Fonte: https://noticias.uol.com.br/colunas/jamil-chade/2025/09/07/trump-coloca-soberania-brasileira-em-encruzilhada-temos-projeto-de-pais.htm