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11.06.2013

Jogadores do Bom Senso FC Dão Novas Esperanças ao Futebol Brasileiro, mas ...


Por Giulia Afiune
Jogadores do Bom Senso FC Dão Novas Esperanças ao Futebol Brasileiro, mas Ainda Tem Muitas Pedras no Caminho Longo a Ser Percorrido ...
Bom Senso FC se reúne hoje com CBF, TV Globo e outros "chefes" do futebol, para debater situação de atletas, calendário dos jogos e exigir transparência de clubes e entidades

"Abrimos uma porta na qual nós temos que entrar”, diz Alex (Foto: Divulgação)
O zero a zero no empate entre Coritiba e Internacional, no Couto Pereira, foi muito mais importante para o futebol nacional do que o resultado sugere. Ao fim daquele jogo, no dia 1o de setembro passado, Alex, o craque do "Coxa” [Coritiba], na troca de camisas com Juan, zagueiro do Inter, seu colega de longa data, teve com ele uma conversa que deu origem a uma movimentação entre os jogadores brasileiros que não se via há muito tempo.
Os astros tinham uma reclamação em comum: a sequência extenuante de jogos imposta pelo calendário de jogos, que chamava a atenção de ambos, que estavam de volta ao Brasil há cerca de um ano depois de um longo período fora do país. Juan, por exemplo, considerava absurdo o seu time fazer quatro jogos em quatro cidades diferentes em 10 dias, estressante para qualquer atleta, pior ainda para um veterano como ele.
A partir dessa conversa, outros atletas se mostraram interessados em discutir o calendário do futebol brasileiro, como o zagueiro Paulo André, do Corinthians, que procurou Alex para falar do tema dias depois. Os boleiros formaram um grupo no Whatsapp, aplicativo de mensagens instantâneas no celular, e abriram o debate com o objetivo de organizar as ideias antes de discuti-las com o que consideram o comando do futebol brasileiro: a CBF, que organiza os jogos profissionais no Brasil, e a TV Globo, que financia os campeonatos com o pagamento do direito de transmissão.
Foi nesse momento de articulação inicial entre os atletas que Alfredo Sampaio, vice-presidente da Fenapaf (Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol), sindicato de jogadores profissionais de futebol, ligou para Alex com uma proposta que havia negociado com a CBF: a de reduzir as férias de 30 dias ao fim da temporada de 2013 para 17 dias no fim do ano e tirar os 13 restantes durante a Copa do Mundo do ano que vem. Alex recusou de pronto, falando por si, e disse que queria consultar o seu recém-formado grupo de atletas. Três dias depois, a CBF divulgou o calendário de 2014 e, em seguida, a Fenapaf declarou encerradas as negociações sobre férias.
Foi quando o "sindicato paralelo” decidiu pela dissidência e ganhou nome: Bom Senso Futebol Clube, que hoje já tem 870 adesões de jogadores profissionais. Também construiu um dossie comparando os calendários dos jogos entre o Brasil e outros países, levantando os prejuízos físicos que o excesso de jogos trazia para os atletas e lembrando a legislação que protege os trabalhadores. Baseados nesses argumentos, os atletas apresentaram cinco reivindicações: três referentes ao calendário – 30 dias corridos e irrevogáveis de férias, um período de quatro a seis semanas para pré-temporada, e um limite máximo de sete jogos por mês; e duas mais políticas, exigindo a transparência e o controle das finanças dos clubes e a inclusão de atletas, treinadores e executivos de futebol no conselho técnico das competições e entidades.
Entregue à Globo e à CBF no último dia 7 de outubro, que pediram tempo para analisá-lo, o documento será foco de uma nova reunião na sede da CBF no Rio de Janeiro, hoje, às 14h, reunindo a Globo, a CBF, o conselho de clubes, os sindicatos, árbitros e o Bom Senso FC. Confira o papo que a Pública bateu com uma das lideranças do movimento, o craque Alex (ex Palmeiras, Cruzeiro, Seleção Brasileira), atualmente no Coritiba.


Agência Pública
Alex e outros atletas do Bom Senso FC se reunem hoje com a Globo e a CBF (Foto: Divulgação)

Apesar de alta taxa de adesões ao Bom Senso FC, são os jogadores veteranos que estão à frente do movimento. É difícil engajar os jogadores mais jovens?

Na verdade, não. Os mais velhos, que têm uma experiência maior, eles se colocam. Mas tem muitos jogadores de 25, 26 anos, que estão no meio das suas carreiras [no movimento]. Mas a ideia com certeza é essa: passar para os mais jovens que eles têm condição de se fazer ouvir. Existe algum tipo de recomendação dos clubes para jogadores não se posicionarem politicamente?
Não, muito pelo contrário. Inclusive, na segunda-feira vai ter reunião com a CBF e eu vou com o presidente do meu clube [ o Coritiba Foot Ball Club ] que, por coincidência, é o presidente da associação dos clubes. Outros diretores e presidentes de clubes se colocaram à disposição para o que fosse necessário. Eu acredito que, até o momento, a aceitação está sendo boa. Até porque nossa ideia não é confrontar ninguém, é agregar valor, e criar uma situação para que nós sejamos ouvidos. Nós vamos para dentro do campo para fazer o momento final desse produto todo que é o futebol e, em momento algum, a gente foi ouvido. Então a nossa intenção, quando nos reunimos, é agregar valor.

Agencia Publica
Bom Senso FC surgiu a partir de uma conversa de fim de jogo entre Alex e o zagueiro Juan, do Inter (Foto: Divulgação)
Muitas reivindicações do Bom Senso FC são trabalhistas. Você acha que os jogadores devem ser vistos como profissionais, e não como "celebridades”?

Eu vou falar por mim. Eu não me sinto celebridade em momento algum. Nunca me senti, nem quando fui campeão da Libertadores com o Palmeiras. Eu sempre fui pra treinamento e pra jogo encarando aquilo como a minha profissão. Sabendo que é diferente, que tem uma exposição grande na mídia, que todo mundo está comentando, que você é julgado diariamente… Mas nunca me senti celebridade em momento algum. Fora isso, existe uma realidade que é bem maior do que essa, que é a dos jogadores que jogam em equipes menores, sem essa situação de ser toda hora noticiado na mídia. E o pessoal muitas vezes chega ao fim de suas carreiras com muitas dificuldades. Então essa situação trabalhista é e tem que ser sempre [ pensada ] porque o futebol não é diferente de outras profissões. Tem a sua regulamentação. E o que a gente busca é o que toda classe, independente de qual seja, sempre buscou.
No dossiê do Bom Senso vocês denunciam o atraso ou a falta de pagamentos de salários, até mesmo o desemprego de jogadores de clubes de menor porte. Por que se preocupar com a saúde financeira desses times?
Porque, na verdade, o futebol gira muito, mas a gente só olha para os grandes centros. E o Brasil é enorme, tem várias equipes, vários níveis de jogadores de futebol. E isso varia muito. Tem jogadores que assinam contrato de 2, 3 anos e eles têm a garantia de estar 2, 3 anos em um clube que tem uma situação melhor no sentido geral. Agora, tem jogadores que assinam contrato por três meses. E muitas vezes ele acaba nem recebendo esses três meses. Então, quando a gente começou a discutir, a gente tinha várias preocupações, mas a maior delas sempre foi que essas equipes menores tenham um calendário melhor. Se isso acontecer, os seus empregados, não só os jogadores, vão ter emprego por mais tempo. E aí vai ter uma tranquilidade, maior para tocar o seu dia a dia com a família. Então nesse sentido, também é importante que a gente olhe com melhores olhos para quem não tem essa exposição tão grande quanto os membros de outras equipes que a gente conhece.
Em entrevista à ESPN, você falou que o Bom Senso FC não quer choques desnecessários entre os jogadores e os responsáveis pela organização do futebol brasileiro. É possível mudar o futebol só costurando acordos? Não seria necessária uma dose maior de enfrentamento por parte de vocês?
Depende. Porque, na verdade, a repercussão foi boa, a gente tem sido bem recebido, a CBF e a Rede Globo nos receberam. Na próxima semana [ hoje ] vai ter uma reunião grande com as duas e com outros setores do futebol. Então nesse momento não existe situação nenhuma para criar um confronto. Realmente não passa isso pela nossa cabeça porque até o momento a recepção tem sido positiva.
O advogado do Bom Senso, João Chiminazzo, disse em uma entrevista que, caso as reivindicações dos atletas não sejam ouvidas, "eles irão ao extremo se for necessário”. O que vocês pensam em fazer? Vocês cogitam, por exemplo, fazer uma greve nos campeonatos estaduais?
Não, a gente não chegou nesse ponto de discutir ainda porque a repercussão tem sido boa. Então as nossas conversas giram todas em cima das situações que estão acontecendo. Nós nos encontramos, tivemos várias ideias, depois disso a Globo e a CBF nos atenderam. A gente vai passo a passo, agindo em cima daquilo que eles colocam na mesa. A única coisa que temos em mente é o seguinte: abrimos uma porta na qual nós temos que entrar. Não podemos ficar titubeando, esperando pra ver o que vai acontecer. Mas o princípio do que a gente pensou está acontecendo, que é o comando maior do futebol brasileiro nos receber e poder conversar na boa.
Qual a sua expectativa acerca dessa nova reunião (de hoje)?
Nenhuma. Vou para lá ouvir, ver o que vai acontecer, mas eu não crio expectativa positiva nem negativa. Sei lá o que a CBF vai dizer, o que a Globo vai falar, como os clubes vão se posicionar. Eu não fico pensando muito nessas coisas. Eles já receberam o dossiê no nosso último encontro. Vamos lá ouvir, discutir se for necessário, colocar o nossos pontos. Um encontro saudável em torno do bem do futebol brasileiro.
Na nota mais recente do Bom Senso FC, está escrito que "os integrantes do Bom Senso FC não reconhecem a legitimidade da Fenapaf [sindicato que representa os atletas profissionais de futebol], ou de qualquer outro sindicato convocado para a reunião, para representá-los nesse âmbito”. Por quê?
Porque em setembro eles lavaram as mãos de todas as negociações. Então a partir do momento que eles lavaram as mãos, não tem porque a gente reconhecer, né? Foram eles que abriram mão de estar nas negociações, não fomos nós.
O que você acha do vice-presidente da CBF, Marco Polo Del Nero ter se reunido com os sindicatos e uma comissão de clubes para discutir o calendário na semana passada, uma das reivindicações centrais do Bom Senso FC? Você vê nisso algum sinal de que a CBF quer deixar o movimento de escanteio?
Não, eu não acredito que tenham nos deixado de lado. Tanto que na segunda-feira (hoje) vai acontecer a reunião e nós fomos convidados. Não me senti deixado de lado em momento algum. Eles têm o direito de se encontrar com quem eles quiserem, com quem acharem que têm que se encontrar.
Além do calendário, quais são, na sua opinião, os grandes problemas estruturais do futebol brasileiro?
As pessoas falam muito no calendário, mas não é só isso. A gente tem discutido o fair-play financeiro, temos preocupação com os jogadores e com os profissionais que trabalham em equipes menores, que não têm o ano todo para ser trabalhado. Os focos principais são esses, para que comece a haver uma reestruturação e fique bom para todo mundo. Quando a gente fala em calendário não é só questão de jogar quarta e domingo, mas é uma questão mais complexa que está sendo discutida.
Em entrevista ao Lance, você afirmou que a Globo manda no futebol brasileiro. Por que?
A Globo comanda porque a Globo paga a conta. As cotas televisivas são todas da Globo, a emissora detém os direitos do Campeonato Brasileiro e a CBF administra isso. Esse é um fato que todos nós conhecemos. As pessoas levaram como crítica, mas em nenhum momento eu critiquei. A dona dos direitos é a Globo e a CBF é a coordenadora de tudo isso. Uma coordena e a outra paga o valor que sempre pagou. E comanda o futebol brasileiro nesse sentido do pagamento das cotas já há muito tempo. Mas eu não vejo problema nenhum.
Nem a questão dos horários dos jogos?
Aí é uma questão da grade da televisão. Eu particularmente não gosto, mas eu não posso interferir nisso.
E o Bom Senso pretende criticar isso também?
Não, em momento algum nós colocamos isso em discussão.
Você acha que o futebol brasileiro é pouco profissional?
Eu acho o futebol brasileiro um produto mal aproveitado que pode ainda melhorar bastante. É o que todo mundo quer, é o que a Globo quer, o que os jogadores e treinadores querem, o torcedor quer e o que vocês da imprensa querem também. Essa discussão toda é salutar nesse sentido.
Mas dá um exemplo desse anti-profissionalismo.
Vamos dar um exemplo. Vamos supor que eu assine um contrato com você, você vai trabalhar para mim e eu não te pago. Isso é profissional? Esse é um fato que acontece no futebol brasileiro. Você assina um contrato, joga e não recebe. Isso já acontecendo, já não é futebol profissional.
Em uma entrevista recente, você disse que o futebol brasileiro na sua volta, em 2013, estava tecnicamente muito abaixo do que quando você saiu, em 2004. E do ponto de vista de organização, como você avalia?
Acho que evoluímos um pouco. Não dá para generalizarmos, mas evoluímos sim. Ainda podemos evoluir muito mais. Mas comparando com aquela época, acredito que tenhamos evoluído sim. Vejo, por exemplo, o que o Corinthians está conseguindo fazer. O Corinthians com o retorno do Ronaldo teve um ganho absurdo, coisa que a gente não conseguia ter lá atrás. O próprio Coritiba também passava por dificuldades absurdas e foi evoluindo, melhorando. É um contexto que, no geral, mostra uma evolução.
E a questão do fair-play financeiro que vocês defendem entra nesse sentido…
Sim, entra nesse sentido. Porque todo trabalhador contratado tem direito a receber. E se o empregador por alguma razão não está fazendo, temos que buscar para que ele faça, né? E isso não é um pedido nosso, é um pedido dos próprios clubes. Conversando com o presidente da associação dos clubes ele me disse que o pedido dos clubes foi algo parecido com relação a isso. Eles também querem o fair-play financeiro.
E como envolver o torcedor nas reivindicações do Bom Senso FC?
O torcedor tem o papel mais importante porque ele está super envolvido no negócio. Aliás, essa discussão toda começou a surgir porque a gente achava que o produto do futebol a ser oferecido para o torcedor poderia ser melhor. Estamos fazendo isso principalmente para ele, o torcedor. O que eu costumo dizer sempre é que, por exemplo, a minha carreira está chegando ao fim. A única coisa que eu tenho certeza agora é que eu vou continuar sendo um espectador e um torcedor de futebol. Então eu acredito muito que o que a gente vê hoje pode ser melhor. O torcedor também tem que acreditar que esse movimento de hoje é um movimento para que as coisas melhorem, principalmente naquilo que ele gosta, que é ver o time dele sempre bem em campo.
O dossiê do Bom Senso FC também aborda a questão do esvaziamento dos estádios. Você acha que a questão é a baixa atratividade dos jogos?
Não. É um contexto bem amplo. Tem a qualidade das equipes, tem o valor dos ingressos, tem a dificuldade de se chegar aos locais dos jogos, pois nós sabemos das dificuldades que os torcedores enfrentam com o transporte público principalmente para se voltar dos estádios. Existe também o problema social da violência. É um fator mais amplo, não acho que seja por conta de um fator apenas, mas um conjunto de situações que faz com que o número de torcedores nos estádios seja menor. Quando a gente começou a levantar as nossas reivindicações, muita gente achou que a gente só estivesse focado no fator calendário. "Ah, os jogadores estão reclamando porque estão jogando quarta e domingo”. E não é isso. Lembra aquela história que existia nas passeatas, de que não era só por vinte centavos? Nós também temos outras propostas de calendário. Por exemplo, para ajudar o pessoal das equipes menores, para que eles tenham um calendário melhor também e possam jogar o ano todo, ao invés de três meses. Melhorando esse produto, você pode também fazer com que mais pessoas venham aos estádios. Então é um contexto grande que a discussão estáaberta e eu só espero que o futebol brasileiro ganhe.
Você acha que os estádios que estão sendo construídos para Copa em Cuiabá, Manaus e Brasília, por exemplo, pode ajudar a desenvolver o futebol nesses lugares?
Eu acredito que sim, mas não só construindo estádios. É preciso também que se organize as federações, os campeonatos estaduais. Agora, a questão da Copa do Mundo ter ido para locais onde praticamente não há futebol é uma questão mais do país em si. Ela já sai um pouco do futebol. Ela entra em outras áreas e aí a discussão tem que ser longa. Agora, eu acredito que ter um estádio num lugar sem uma boa atuação da federação o futebol não se fortalece em nada. Agora, ter um estádio onde tem uma federação tentando se organizar melhor já é um ponto a favor.
E em relação à Copa ser quase que inteiramente bancada com dinheiro público. Qual a sua opinião a respeito?
Quando eu penso na Copa do Mundo, penso o seguinte: a Copa do Mundo tem que deixar algo para depois. É claro que nós poderíamos entrar aqui numa discussão e dizer que o dinheiro que foi posto na Copa poderia ter sido colocado em saúde, em educação, em segurança pública, em outras vertentes e necessidades da sociedade. E não adianta que nós vamos ficar dando murro em ponta de faca. A Copa é aqui, o dinheiro já foi colocado, agora a gente tem que ter a expectativa de que as coisas corram bem e que, com a Copa do Mundo, as coisas possam ficar mais interessantes, com um legado que a própria sociedade possa usar. Agora, é inegável que o nosso país tem problemas sociais enormes e esse dinheiro todo que foi posto na Copa do Mundo poderia ter sido utilizado em outras áreas.
http://site.adital.com.br/site/noticia.php?boletim=1&lang=PT&cod=78444

11.03.2013

O Brasil Vive uma Pequena Guerra Civil, Muito Pequena ...

3 de Novembro de 2013 - 8h29

Por Rafael Zanvettor*, na Caros Amigos


Boaventura de Sousa Santos/ Foto: Isabela Sanginés Franco

Estudioso da sociedade brasileira, o cientista português Boaventura Santos falou à revista Caros Amigos sobre a democracia. Confira abaixo:

Caros Amigos: Como o senhor avalia as manivestações de junho e o processo que elas abriram no Brasil?
Boaventura de Sousa Santos: Para mim os protestos não foram propriamente uma surpresa, assistimos desde 2011 protestos caracterizados pela ocupação de ruas e praças de forma pacífica como a Primavera Árabe, os Indignados na Espanha e o movimento Occupy nos Estados Unidos. Para quem acompanha a situação brasileira como eu, era possível ver um certo mal-estar na sociedade civil brasileira, o que eu não podia prever e ninguém poderia prover, é que iria começar desta forma.

O mal-estar tem a ver com dois fatores, o primeiro é que a a presidenta Dilma ter se afastado de uma maneira forte do estilo do governo do presidente Lula, que era muito mais próximo dos movimentos sociais. Não que isso oferecesse uma resposta aos anseios desses movimento. A presidenta Dilma demostrou uma atitude de hostilidade em relação aos movimentos sociais e aos povos indígenas, uma mudança drástica em relação ao seu antecessor.

Mas Dilma, por outro lado, manteve uma política de distribuição de riqueza baseada em uma política econômica neoliberal. Portanto este mal-estar, resulta do fato de que essas políticas de inclusão social, compensatórias, não permitiram uma inclusão política, que fizesse com que as pessoas pudessem se sentir cidadãos ativos parar propor uma segunda geração de reivindicações, no sentido dos direitos universais, como na educação, na saúde, na previdência e no transportes público. Havia uma expectativa de uma sociedade mais inclusiva. O que houve foi uma inclusão social sem inclusão política. Eu tenho notado o envelhecimento dos participantes de políticas partipativas, os jovens não entraram nessa democracia participativa.

Estas duas razões foram as que estiveram na origem desse mal-estar, que foi como uma centelha que se incendiou no caso o aumento dos transportes. Como na Tunísia, que tudo começou com autoimolação de um trabalhador que lutava pelo direito do comérico de rua e acabou se transformando em uma manifestação contra a ditadura de Ben Ali. Os movimentos hoje se distinguem pela sua negatividade, sabem bem o que não querem, mas não sabem o que querem, e são movimentos que eu não considero movimentos sociais; eu chamo-lhes de presenças coletivas. O que há no mundo atualmente é uma guerra civil de baixa intensitade.

No que se distinguem as manifestações que aconteceram na Primavera Árabe, que não viviam sob regimes democráticos e os que aconteceram no Brasil, uma das maiores democracias do mundo?
A Primavera Árabe tem uma genealogia diferente. Ela nasce na degeneração dos governos nacionais populares. O Occupy foi nos países mais neoliberais do mundo, onde já há poucos direitos políticos e econômicos, pouca democracia. O caso do Brasil é o caso das jovens democracias, que saíram recentemente da ditadura, como Portugal, Espanha e Grécia, e que tiveram incrementos recentes nos direitos ao trabalho, ao transporte, à educação. No Brasil tudo isso aconteceu depois da ascenção do governo Lula. Esses jovens ainda têm uma esperança que uma democracia real possa ceder às suas reivindicações. Mas acham que a democracia atual não é real, porque a democracia atual está sendo derrotada pelo capitalismo. O dinheiro tomou conta das câmaras. E cada vez mais parece que a democracia, ao invés de limitar o capitalismo, está sendo limitada pelo capitalismo. No meu trabalho eu vejo que o que eles querem é que a democracia representativa seja apenas uma parte da democracia. Mas que além disso haja mais níveis de democracia participativa.

É possível viver em uma sociedade onde o capitalismo e a democracia possam coexistir de forma equilibrada?
Não acredito que haja equilíbrio entre democracia e capitalismo. Não haverá sociedade democrática enquanto houver capitalismo. O que se pode tentar é limitar o poder do capitalismo, com uma democracia mais robusta, que possa segurar o avanço do capitalismo até que o socialismo volte à agenda política, pois foi colocado pra fora da agenda desde 1989, e os partidos de esquerda foram isolados. No Rio Grande do Sul , o governo de Tarso Genro está a tentar uma democracia participatica no governo, que funcione a nível estadual, não só nos níveis municipais e federais, como acontece hoje. Temos de tentar criar uma democracia mais robusta.

As novas configurações politicas, como por exemplo o surgimento de uma esquerda forte na Grécia marcam um periodo fértil para a esquerda?
Sim, mas os partidos que crescem mais na Europa nesse momento são os de extrema-direita, portanto há aqui uma dinâmica nova, por isso digo que estamos entrando em uma guerra civil de baixa intensidade. Estamos entrando em um período que eu chamo de pós-institucional, as instituições estão aí, mas não funcionam direito. Como podemos ver ao que temos em relação às polítcas dos direitos dos povos indígenas e camponeses.

Estamos no momento da bifurcação, que pode tanto ir para um lado, quanto ir para o outro. E os cidadãos devem pressionar o governo para que tenham seus direitos respeitados. E para isso temos que ir para a rua. Daqui pra frente acredito que vamos ter democracias mais instáveis. E acho que cabe à classe política encontrar as soluções. Obviamente as populações nas ruas não fazem formulação política, mas a classe política, que o faz, tem o dever de escutar as revindicações das ruas e fazer formulações política sobre elas.

A presidenta Dilma viu isso e anunciou uma reforma política para a população, mas obviamente isso não acontenceu. Os setores conservadores da classe política barraram esse projeto. E, como estamos em um momento pré-eleitoral e os partidos voltaram a fazer a velha política, a dstribuir recursos para obras pelo País, e assim continuam a não atender às necessidades de inclusão política da população.

*é jornalista.

Fonte: http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=228325&id_secao=7 

10.31.2013

Um Viciado em Facebook

"Um viciado em facebook me confessou - não confessou, mas de fato gabou-se - que havia feito 500 amigos em um dia. Minha resposta foi: eu tenho 86 anos, mas não tenho 500 amigos. Eu não consegui isso!
Então, provavelmente, quando ele diz "amigo", e eu digo "amigo", não queremos dizer a mesma coisa, são coisas diferentes. Quando eu era jovem, eu não tinha o conceito de redes, eu tinha o conceito de laços humanos, comunidades... esse tipo de coisa, mas não de redes.

Qual a diferença entre comunidades e rede?
A comunidade precede você. Você nasce em uma comunidade. De outro lado temos a rede, o que é uma rede? Ao contrário da comunidade, a rede é feita e mantida viva por duas atividades diferentes: conectar e desconectar.
o-ZYGMUNT-BAUMAN-facebook.jpg                                                                               Zygmunt Bauman
Eu penso que a atratividade desse novo tipo de amizade, o tipo de amizade de facebook, como eu a chamo, está exatamente aí: que é tão fácil de desconectar. É fácil conectar e fazer amigos, mas o maior atrativo é a facilidade de se desconectar.
Imagine que o que você tem não são amigos online, conexões online, compartilhamento online, mas conexões off-line, conexões reais, frente a frente, corpo a corpo, olho no olho. Assim, romper relações é sempre um evento muito traumático, você tem que encontrar desculpas, tem que se explicar, tem que mentir com frequência, e, mesmo assim, você não se sente seguro, porque seu parceiro diz que você não têm direitos, que você é sujo etc., é difícil.
Na internet é tão fácil, você só pressiona "delete" e pronto, em vez de 500 amigos, você terá 499, mas isso será apenas temporário, porque amanhã você terá outros 500, e isso mina os laços humanos."
Sociólogo polonês Zygmunt Bauman preocupado em compreender a sociedade pós-moderna, Zygmunt Bauman, 87 anos, autor de livros em que explica as relações sociais na atualidade, comenta em 3 minutos, em uma de suas conferências, porquê nossas relações de amizade no facebook são tão atrativas, fáceis e superficiais.
Fonte: lounge.obviusmag.or  

10.27.2013

Terras indígenas guaranis na mira da elite brasileira

Em carta, pesquisadores e antropólogos consideram que povo guarani está no epicentro das violações devido à localização de suas aldeias no Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país.
guarani kayowa ms marcelo casal jr abr 1.JPGMarcelo Casal Jr./ABr
Guarani enfrentam interesse de ruralistas, madeireiros, autoridades federais, estaduais e municipais  nas regiões produtoras do país.
São Paulo – Antropólogos e pesquisadores ligados à Universidade de São Paulo (USP), à Universidade de Campinas (Unicamp) e a outras instituições de ensino superior do país publicaram hoje (24) uma carta aberta em defesa do povo guarani em que alertam: os ataques aos direitos indígenas são uma ameaça para toda a sociedade. Os estudiosos consideram que as garantias dos povos tradicionais, estabelecidas pela Constituição de 1988, estão em risco devido ao avanço dos interesses econômicos, sobretudo no campo. E afirmam que os guarani, até pela sua localização geográfica, são uma das etnias mais ameaçadas pela ofensiva.
“Com suas aldeias distribuídas em um vasto território, que abrange as regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste, e também algumas localidades na região Norte do Brasil, os guarani constituem hoje o maior povo indígena no país, com cerca de 65 mil pessoas. Entretanto, por ocuparem regiões com antigo histórico de colonização, e de grande interesse para exploração econômica, têm hoje apenas uma fração insignificante e fragmentada de seu território reconhecida pelo poder público”, diz o texto. “A falta de terras é causa fundamental do quadro de marginalização a que foram submetidos em todas essas regiões, onde sofrem com a violência, o preconceito e a falta de efetivação de direitos fundamentais de cidadania.”
A afirmação dos antropólogos faz referência à “má distribuição” das terras indígenas demarcadas no espaço territorial brasileiro. Os ruralistas, maiores inimigos dos índios em sua luta por demarcações, costumam argumentar que os povos tradicionais possuem 13% de todo o território nacional. Enquanto isso, ponderam, a área plantada se resume a 7% da superfície. Pesquisadores lembram, porém, que 98% das terras regularizadas pela União se encontram no Norte e no Mato Grosso – regiões que abrigam cerca de metade da população indígena brasileira. A outra metade está no Nordeste, Sudeste, Sul e na porção sul do Centro-Oeste. E está espremida em apenas 2% das aldeias demarcadas.
“Hoje, como ao longo dos últimos cinco séculos, grupos oligárquicos se esforçam em negar aos Guarani os seus direitos territoriais, com intuito de perpetuar as injustiças acumuladas ao longo de todo o processo de colonização do Brasil, evitando a construção de uma sociedade justa e solidária, que respeite seus povos indígenas”, argumentam os antropólogos. “Enquanto os ruralistas desenvolvem uma campanha para convencer a população brasileira de que são ameaçados pelas demarcações de terras, o país segue com um dos mais altos índices de concentração fundiária do mundo, cenário que se reverte no acúmulo de poder nas mãos de oligarquias agrárias e nas grandes desigualdades que assolam a sociedade nacional.”
Os antropólogos consideram que os ataques aos direitos indígenas são uma ameaça para toda a sociedade, pois respondem aos interesses de um grupo minoritário – os latifundiários – que busca apropriar-se privadamente das riquezas nacionais para seu próprio enriquecimento. “O drama humanitário pelo qual atravessam as comunidades nas quais realizamos nossas pesquisas não é tolerável em um Estado Democrático de Direito, e não cessará enquanto o poder público se recusar a enfrentá-lo com a seriedade e respeito que requer, preterindo a sua solução em proveito de interesses eleitorais.”
Confira a íntegra da carta:
Carta pública em defesa aos direitos do Povo Guarani
Nós, estudiosos do povo guarani e outros pesquisadores, especialistas e professores, reunidos em São Paulo/SP entre os dias 16 e 18 de outubro, durante o Simpósio CEstA nas Redes Guarani, realizado pelo Centro de Estudos Ameríndios da Universidade de São Paulo, vimos a público nos manifestar a respeito do grave contexto de ataque aos direitos indígenas que está hoje em curso, e em cujo epicentro encontra-se o impasse relacionado ao não reconhecimento dos direitos territoriais do povo Guarani.
Com suas aldeias distribuídas em um vasto território, que abrange as regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste, e também algumas localidades na região norte do Brasil, os Guarani constituem hoje o maior povo indígena no país, com cerca de sessenta e cinco mil pessoas. Entretanto, por ocuparem regiões com antigo histórico de colonização, e de grande interesse para exploração econômica, têm hoje apenas uma fração insignificante e fragmentada de seu território reconhecida pelo poder público. A falta de terras é causa fundamental do quadro de marginalização a que foram submetidos em todas essas regiões, onde sofrem com a violência, o preconceito e a falta de efetivação de direitos fundamentais de cidadania.
A história mostra como a mão-de-obra de milhares de Guarani foi utilizada para a construção do país, deixando contribuições que hoje consideramos como elementos fundantes da cultura brasileira. Hoje, como ao longo dos últimos cinco séculos, grupos oligárquicos se esforçam em negar aos Guarani os seus direitos territoriais, com intuito de perpetuar as injustiças acumuladas ao longo de todo o processo de colonização do Brasil, evitando a construção de uma sociedade justa e solidária, que respeite seus Povos Indígenas.
Enquanto os ruralistas desenvolvem uma campanha para convencer a população brasileira de que são ameaçados pelas demarcações de Terras Indígenas, o país segue com um dos mais altos índices de concentração fundiária do mundo, cenário que se reverte no acúmulo de poder nas mãos de oligarquias agrárias e nas grandes desigualdades que assolam a sociedade nacional.
Como pesquisadores que atuamos junto a algumas das mais respeitadas universidades brasileiras, temos a percepção clara de que os ataques aos direitos indígenas ora em curso são uma ameaça para toda a sociedade, pois respondem aos interesses de um grupo minoritário que busca apropriar-se privadamente das riquezas nacionais para seu próprio enriquecimento, e tornam nosso país palco dos mais graves desrespeitos aos direitos à vida, à dignidade, à diferença, envergonhando-nos a todos.
O drama humanitário pelo qual atravessam as comunidades nas quais realizamos nossas pesquisas não é tolerável em um Estado Democrático de Direito, e não cessará enquanto o poder público se recusar a enfrentá-lo com a seriedade e respeito que requer, preterindo a sua solução em proveito de interesses eleitorais. Nesse sentido, chamamos a todos os brasileiros para que nos empenhemos junto ao povo guarani e aos demais povos indígenas na defesa de seus direitos, para a construção de uma sociedade igualitária, multicultural e pluriétnica.
Dominique Tilkin Gallois – Professora-doutora em Antropologia Social na USP
Valéria Macedo – Professora-doutora em Antropologia Social na UNIFESP
Beatriz Perrone Moisés – Professora-doutora em Antropologia Social na USP
Marta Rosa Amoroso – Professora-doutora em Antropologia Social na USP
Sylvia Caiuby Novaes – Professora-doutora em Antropologia Social na USP
Renato Sztutman – Professor-doutor em Antropologia Social na USP
Fábio Mura – Professor-doutor em Antropologia Social na UFPB
Levi Marques Pereira – Professor-doutor em Antropologia Social na UFGD
Elizabeth Pissolato – Professora-doutora em Antropologia Social na UFJF.
Donatella Schmidt – Professora em Antropologia Social na Università degli Studi di Padova.
Marina Vanzolini – Professora-doutora em Antropologia Social na USP
Vanessa Lea – Professora-doutora em Antropologia Social na UNICAMP
Maria Inês Ladeira – Centro de Trabalho Indigenista, Mestre em Antropologia (PUCSP) e Doutora em Geografia Social (USP)
Daniel Calazans Pierri – Centro de Trabalho Indigenista, Mestre em Antropologia Social (USP)
Fabio Nogueira da Silva – Mestre e Doutorando em Antropologia Social pela USP
Spensy Pimentel – Doutor em Antropologia Social – USP
Diogo Oliveira – FUNAI – Doutorando em Antropologia Social – UFSC
Rafael Fernandes Mendes Júnior – Mestre e Doutorando em Antropologia Social pela USP
Lígia R. Almeida – Mestranda em Antropologia Social - USP
Amanda Danaga – Doutoranda em Antropologia Social -UFSCar)
Camila Mainardi – Doutoranda em Antropologia Social - USP
Adriana Testa – Doutoranda em Antropologia Social - USP
Alice Haibara – Mestranda em Antropologia Social - USP
Ana María Ramo y Affonso – Mestranda em Antropologia Social -UFF
Tatiane Klein – Mestranda em Antropologia Social - USP
Marcos dos Santos Tupã – liderança guarani e Coordenador Tenondé da Comissão Yvyrupa
Giselda Pires de Lima Jera - professora e liderança guarani
Algemiro da Silva Karai Mirim – professor e liderança guarani
Ariel Ortega – liderança e cineasta guarani
Carlos Papa Mirï Poty – liderança e cineasta guarani
Prof. Dr. Stelio Marras – Professor Doutor em Antropologia Social no IEB-USP
Aline Aranha – FFLCH-USP/ CEstA-USP
Jefferson dos Santos Ferreira – FFLCH-USP/ CEstA-USP
João Pedro Turri – ECA-USP/ CEstA-USP
André L. Lopes Neves – PPGAS/USP - CEstA-USP
Jan Eckart – PPGAS/ UFSCar
Guilherme Meneses – PPGAS-USP
Diógenes E. Cariaga – FUNAI
Lucas Keese dos Santos
Centro de Trabalho Indigenista, Mestrando em Antropologia Social-USP

Por Redação RBA publicado 24/10/2013 12:10, última modificação 24/10/2013 17:18
Fonte: http://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2013/10/antropologos-alertam-para-ataques-aos-direitos-indigenas-toda-sociedade-esta-em-risco-1500.html

10.22.2013

Alimentação saudável é destaque do Dia Mundial da Alimentação 2013

No dia 16 de outubro de cada ano é comemorado mundialmente o Dia da Alimentação. A data, além de chamar atenção para temas relacionados à nutrição e alimentação, também toca em assuntos como enfrentamento da fome, desperdício de alimentos, segurança alimentar, alimentos saudáveis (livres de agrotóxicos), fortalecimento da agricultura familiar e melhorias para pequenos produtores.
O slogan escolhido pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) para este ano foi "Pessoas saudáveis dependem de sistema alimentares saudáveis” e o tema "Sistema alimentares saudáveis para segurança alimentar e nutrição”.
Ao falar em sistema alimentares a Organização está se referindo ao entorno, às pessoas, às instituições e processos mediante os quais se produz, elabora e leva até o consumidor os produtos agrícolas. Todos esses aspectos influenciam na disponibilidade e acessibilidade final de alimentos variados e nutritivos. Assim, a FAO pede sistemas alimentares saldáveis que possam garantir a saúde da população.
A Organização vem promovendo diversos eventos durante esta semana. Nesta quarta-feira, 16, a comemoração aconteceu em Roma (Itália), na sede da FAO, com um almoço preparado com produtos que iam para o lixo. O objetivo foi chamar a atenção para mudanças de comportamento que possam diminuir o desperdício de comida. Atualmente, um terço de todos os alimentos produzidos é desperdiçado todos os anos ao longo da cadeia alimentar. Nos países em desenvolvimento, de 5% a 15% das perdas de alimentos acontecem no nível de consumidor e nos países desenvolvidos esta percentagem pode chegar a 30% e até 40%.
Raúl Benítez, representante regional da FAO, aproveitou a data para tocar na problemática da fome e assegurar que sua erradicação na América Latina e Caribe demandará esforços de todos os países da região, mas está "cada vez mais ao alcance das mãos”. Isso porque a região foi a que mais avançou na redução da fome nos últimos 20 anos. De 2008 a 2010, o número de pessoas subalimentadas caiu em 3 milhões. Contudo, as cifras ainda são altas. Os números mais recentes apontam que 842 milhões de pessoas estão cronicamente famintas, 47 milhões apenas na América Latina e Caribe. A fim de continuar a evoluir nesse processo Benítez chamou os governos a seguir ampliando os programas, políticas e estratégias de educação alimentar.
Na outra ponta está a obesidade e o sobrepeso, problemas cada vez mais comuns em pessoas de todas as idades e classes sociais. Atualmente, 23% dos adultos e mais de 7% das crianças em idade escolar na América Latina e Caribe estão acima do peso. Na tentativa de formar adultos saldáveis a FAO promoveu uma campanha especial para as crianças com a exibição de um vídeo em escolas (veja o video no site em azul) http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=iuEgunhNJ5Q . No desenho animado as crianças acompanham as aventuras de Rosita e aprendem como alimento chega a sua mesa, porque devemos optar por uma alimentação saudável, como evitar o desperdício e porque algumas pessoas inda passam fome.

Fonte: http://site.adital.com.br/site/noticia.php?lang=PT&cod=78241

10.13.2013

Alternativas para Superar o Consumismo Infantil

feiraJosé Cruz/ABr
'Infância Livre de Consumismo': feiras de trocas de brinquedos são a melhor alternativa para o Dia das Crianças
São Paulo – A cofundadora do movimento Infância Livre de Consumismo, Ana Cláudia Bessa, aproveita o Dia das Crianças para alertar que as pesquisas de mercado são estratégias para aumentar os níveis de consumo. Pesquisa do Ibope divulgada esta semana mostrou que os gastos dos brasileiros com brinquedos aumentarão 14% com relação a 2011. Segundo o estudo, os gastos chegarão a R$ 6,02 bilhões até o final do ano.
“Através da publicidade, as empresas se aproveitam do pouco tempo de convívio familiar para tentar compensar a culpa que os pais sentem e a carência dos filhos com presentes”, afirma Ana Cláudia Bessa. O movimento reforça a importância de incentivar pais e filhos a não pautarem a felicidade pelo consumo, principalmente em datas como esta. Uma alternativa à compra seria a promoção de feiras de troca de brinquedos.
Além de não incentivarem o consumismo, as feiras de troca também incentivam a sociabilidade em espaços públicos. Bessa explica, em entrevista à Rádio Brasil Atual, que as crianças conhecerão outros colegas e também serão incentivadas a se desapegarem dos produtos que já têm. “A criança vai passar o brinquedo que não usa mais para frente e vai receber um outro brinquedo de outra criança que teve o mesmo sentimento que ela. Elas irão reutilizar, e não comprar.”
Bessa acredita que as crianças se espelhem no comportamento de pais e adultos com quem convivem. “Nós vemos hoje os adultos pautando sua vida pelo que possuem. Quando não possuem algo, se sentem mais fracassados e inferiores. Nós estamos passando isso para as crianças.”
O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) é o órgão responsável por fiscalizar a publicidade infantil, uma das principais estratégias para aumentar o consumismo entre crianças. “O mercado da publicidade é regulado pelo Conar, só que ele é um órgão formado por publicitários. O governo precisa se responsabilizar por isso”, reforça a cofundadora do movimento.

http://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2013/10/para-ativista-criancas-sao-influenciadas-negativamente-por-pesquisas-de-consumo-7377.html

10.01.2013

Qual é o preço da liberdade?

Casal de canadenses abandona tecnologias lançadas após 1986 (gadgets), para fortalecer laços familiares.
por Thomaz Wood Jr. publicado 01/10/2013 03:04
Reprodução / The Atlantic
McMillan
A família McMillan assiste televisão em um modelo típico da década de 80
Blair e Morgan McMillan formam um casal canadense típico, exceto pelo fato de terem eliminado de suas vidas todas as tecnologias introduzidas após 1986. Por que 1986? Porque foi o ano em que ambos nasceram. A dupla decidiu experimentar uma vida livre de internet, iPhone, Xbox, iPad, GPS, Facebook, Instagram, Twitter e qualquer outra “maravilha” moderna.
Tudo começou quando o casal percebeu que as tais maravilhas roubavam a infância de seus filhos, dois pimpolhos de 5 e 2 anos de idade. O mais velho já se recusava a abandonar seu iPad para brincar fora de casa. Foi nesse momento que o casal, conforme descrito por um jornal de Toronto, decidiu aposentar seus telefones celulares, cortar a tevê a cabo e apagar as contas no Facebook.
Recentemente, o casal se recusou a ver a foto digital de uma sobrinha recém-nascida. Foi conhecê-la pessoalmente. Suas fotos são tiradas em máquinas analógicas e reveladas. Nada de Instagram! Em lugar do Google ou da Wikipedia, Blair e Morgan agora usam uma enciclopédia impressa! Os videogames deram lugar a livros e jogos. Seus visitantes passaram a ser instruídos a deixar seus aparelhos em uma caixa de madeira, sobre um armário, na sala da casa.
A adaptação não foi simples. Blair confessou ter sentido uma “dor fantasma” após se livrar de seu telefone celular. Às vezes tem a sensação de vibração em seu bolso, como se o aparelho ainda estivesse ali. Morgan, no início da nova vida, não se conformava de precisar apagar seu perfil no Facebook, mas declarou ter lido 15 livros desde então.

Para viabilizar a sobrevivência durante o ano que o experimento está previsto para durar, o casal faz algumas concessões. A esposa continua a usar computadores, mas somente no trabalho. O carro do casal é de 2010, mas as viagens são feitas com apoio de mapas impressos. Nada de GPS! Os resultados são, segundo o casal, notáveis: enquanto as crianças das outras famílias mergulham nos tablets dos pais, seus filhos inventam formas criativas para se entreter e apreciam as paisagens e os lugares visitados.

http://www.cartacapital.com.br/revista/768/como-se-fosse-1986-2691.html/view