Autor de 'Marxismo Sociológico', Burawoy
relata experiência em Zâmbia, Rússia, Hungria e EUA e diz que, pouco
antes do colapso da URSS, proletariado perdera esperança em ideologia
socialista
O britânico Michael Burawoy é considerado um dos principais sociólogos marxistasda
atualidade. Como pesquisador acadêmico, procurou entender a reprodução
de relações sociais e econômicas no contexto da produção capitalista.
Para isso, buscou uma alternativa nada convencional: trabalhar como
operário em fábricas de quatro países entre as décadas de 70, 80 e 90.
"Eu era pesquisador acadêmico, mas, ao mesmo tempo, trabalhava como
operador de máquinas dentro da linha de produção. O meu objetivo era
observar como as pessoas se relacionam entre em si, tentando entender
como é ser um trabalhador em fábricas de diferentes lugares,
participando de fato da vida desses trabalhadores", afirma o sociólogo,
atualmente professor titular da Universidade da Califórnia.
Considerada ímpar na história da sociologia, a pesquisa investigou o
cotidiano de operários dentro da linha de produção em: Zâmbia, Rússia,
Hungria e Estados Unidos. Como resultado, Burawoy lançou o livro Marxismo Sociológico (Alameda,
348 pgs. R$49), que reúne os esforços do britânico em oferecer
instrumentos conceituais para questões das relações de trabalho na
sociedade contemporânea.
Entre as análises, ele compara as experiências como operário dentro de
uma linha de produção capitalista em Chicago, EUA, e dentro da
"Siderúrgicos de Lênin", uma das principais fábricas na Hungria no fim
do período soviético, nos anos 1980.
Em entrevista a Opera Mundi, Burawoy explica que, a
partir de suas experiências nos diversos países, pôde traçar linhas de
comparação — "diferenças significativas" — entre os modos capitalista e
socialista de produção. "Enquanto em Chicago a exploração era obscura,
sendo que havia uma coordenação de interesses entre a gerência e os
trabalhadores, na Hungria tudo era transparante. Dominação, exploração:
todo mundo reconhecia o que estava acontecendo", conta.
Opera Mundi TV
Michael Burawoy é autor do livro 'Marxismo Sociológico', fruto de pesquisa em fábricas de 4 países do mundo
Sobre sua experiencia na Hungria, ele diz ainda que, como o próprio
Estado tinha representação dentro das fábricas, os operários soviéticos
passaram a questionar as contradições do socialismo — algo que já era,
segundo Burawoy, notado pelos operários na postura do Estado socialista,
já em evidente fim rumo ao colapso da URSS. "Os trabalhadores também
perderam interesse na ideologia do socialismo", diz o pensador.
Entre outras funções, Burawoy trabalhou em fábricas de champanhe e
gomas de mascar. Ele destaca, no entanto, a experiência como operador de
forno na maior fábrica de aço da Hungria na época (anos 80) como
fundamental para vivenciar a perspectiva dos trabalhadores em meio a
deterioração das instalações soviéticas.
”A experiência como operador de forno foi interessante, pois essa
posição era icônica dentro da União Soviética e representava o poder do
socialismo em transformar o mundo e a sociedade. E eu estava lá em um
momento que o Estado não era mais capaz de se reformar continuamente de
uma forma que pudesse conviver com a própria ideologia", conclui
Burawoy, sobre sua experiência como siderúrgico. http://operamundi.uol.com.br/conteudo/entrevistas/41440/burawoy+sociologo-operario+explica+como+capitalismo+e+socialismo+controlavam+o+chao+da+fabrica.shtml
Noruega: petróleo e altos impostos sustentam país com maior qualidade de vida do planeta
Noruega
Lições norueguesas
O país tem belezas, serviços
públicos e índices de desenvolvimento humano invejáveis. Graças ao uso
exemplar de suas riquezas naturais, como o petróleo, e à gestão do
Estado
Estado norueguês também se destaca por busca pela igualdade de gênero e por incentivar aumento na taxa de natalidade
A cidade de Oslo é tudo o que se pode esperar da capital do país com
maior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do mundo. O frio nórdico é
acompanhado por um transporte com eficiência cronometrada, escolas que
abrigam alunos de diferentes classes sociais e hospitais de qualidade
gratuitos. Tudo público, gerido pelo Estado norueguês.
A prosperidade da Noruega, porém, não é fruto da exploração de colônias
ou de desenvolvimento industrial pioneiro. Independente da Suécia
apenas em 1905, a Noruega era o “primo pobre” entre os países nórdicos,
tendo a situação agravada ainda mais com a Segunda Guerra Mundial,
quando o território foi ocupado por forças da Alemanha nazista. A
recuperação do país foi iniciada com o Plano Marshall, mas o atual
estágio de desenvolvimento passou a ser uma realidade alcançável a
partir da década de 1970. Andre Lion/Opera Mundi
Vista de Oslo: Noruega é país com melhor IDH do mundo, graças ao petróleo e a altos impostos
O momento da virada norueguesa é 1969, quando foi encontrado petróleo
pela primeira vez no mar do Norte. “O óleo é claramente fundamental para
o desenvolvimento da sociedade norueguesa. Não dá para entender a
situação da Noruega sem pensar na questão do óleo. Podemos pensar que a
descoberta desse recurso natural foi uma sorte, mas, por outro lado, ele
foi muito bem manejado pelo Estado”, afirma Axel West Pedersen,
pesquisador do Instituto de Pesquisa Social, que já desenvolveu
trabalhos para a União Europeia.
Como uma das características principais desse sucesso norueguês ao
administrar o dinheiro oriundo do petróleo, pode-se citar a criação de
um fundo, considerado o maior do mundo. Anualmente, o governo tem o
direito de gastar em seu orçamento apenas 4% desse montante, de pouco
menos de US$ 1 trilhão, com o objetivo de garantir que as novas gerações
também se beneficiem do recurso mineral.
Para se ter uma ideia do valor recebido pela Noruega, dez anos depois
do início da exploração de petróleo e gás, a atividade já representava
um terço do lucro do país com exportações. Além disso, até o final de
2012, a exploração de petróleo já tinha rendido à Noruega cerca de R$
1,14 trilhão, pouco mais que o dobro do PIB (Produto Interno Bruto)
local. Resistência à privatização
Nas últimas cinco décadas, durante o processo de melhoria da
infraestrutura nacional, a Noruega teve que resistir a forte pressão
pela privatização do setor. “Quando havia empresas estrangeiras
explorando a nossa reserva, asseguramos que elas fossem obrigadas a
treinar noruegueses, de forma que pudéssemos um dia consolidar uma
indústria própria de extração de petróleo. Também obrigamos as
companhias estrangeiras a pagar até 78% de impostos”, conta Heikki
Holmås, parlamentar do Partido Socialista. O alto valor dos impostos, por sinal, não é uma exclusividade desse
setor da economia. Para financiar a qualidade de vida mais elevada do
mundo, o Estado norueguês cobra 42% de Imposto de Renda.
“Nosso modelo de desenvolvimento é semelhante aos dos outros países
nórdicos. Por meio do Estado do bem-estar social, garantimos uma série
de direitos iguais para toda a população e esse modelo é acompanhado de
altos impostos. A população aceita altas taxas tributárias porque recebe
de volta do Estado um serviço de saúde gratuito, boas escolas, licença
maternidade de até um ano, entre outros benefícios sociais”, explica a
parlamentar do Partido Trabalhista Marit Nybakk.
De acordo com Marit, esse modelo é bem-sucedido quando, antes do Estado
do bem-estar social, são criados valores comuns na sociedade local. No
caso da Noruega, entre esses valores está a busca pela igualdade de
gênero, um dos motivos que garante o país no topo do IDH há cinco anos,
quando comparamos os dados dos países que lideram a lista.
“A igualdade de gênero é parte de uma consciência ideológica própria
dos noruegueses, é um ideal muito estimado aqui. Mesmo assim ainda temos
algumas diferenças importantes entre os gêneros, temos que reconhecer
isso. Se por um lado vemos alta participação de mulheres nas
universidades, chegando a representar 70% dos formados na Universidade
de Oslo em 2013, elas costumam optar por trabalhos de meio período e no
setor público, enquanto os homens predominam na iniciativa privada”,
analisa Pedersen. Taxa de natalidade e educação
Além de salários e oportunidades semelhantes para homens e mulheres, o
Estado ainda incentiva o aumento da taxa de natalidade, pagando os
salários das mães por um ano, dando bolsas para os jovens até a
maioridade e oferecendo educação gratuita de qualidade.
“Nunca me senti discriminada e acredito que sempre tive as mesmas
oportunidades dadas aos homens. Agora tive o meu primeiro filho e
pretendo ter outros. É muito bom poder ficar cuidando dele por um ano,
com a certeza de que voltarei ao meu emprego depois”, diz a
fisioterapeuta Christina Tanem, 33 anos. Andre Lion/Opera Mundi Ópera Nacional Norueguesa, em Oslo: país tem alta qualidade de vida
A busca por aumentar o número de nascimentos no país se deve ao
envelhecimento da população, fenômeno que afeta com gravidade diversos
países da Europa. Especificamente na Noruega, a porcentagem de pessoas
com mais de 67 anos era de 8% em 1950. Em 2014, esse índice chegou a
13%.
Nas últimas décadas, como parte desse processo, o país alterou o perfil
das mulheres que têm filhos. Na Noruega, as mulheres têm seus primeiros
filhos, em média, com 28,6 anos, e mais da metade delas (54,9%) o faz
sem estarem casadas.
Outro dado interessante é que, em 1970, 11% dos nascimentos vinham de
mães adolescentes. Hoje, esse número caiu para menos de 2%. A mudança
foi possível com a legalização do aborto, que faz parte das políticas de
igualdade de gênero do país e, anualmente, é a escolha de 2% das
mulheres entre 20 e 24 anos.
Além
das licenças maternidade e paternidade, a educação pública e gratuita
de qualidade é outro elemento central para incentivar os noruegueses a
terem filhos.
“Os alunos vão para uma ou outra escola devido à proximidade de suas
casas e o Estado faz testes anuais para acompanhar a qualidade de cada
instituição. Os diretores têm bastante autonomia, pois há apenas um
currículo básico e os métodos podem ser alterados, não existe uma regra
sobre número de alunos por sala, por exemplo. Aqui também temos projetos
em comum entre alunos de séries diferentes, pois fazemos com que os
mais velhos desenvolvam habilidades como ensinar os mais novos”, conta
Elin Brandsæter, diretora de uma escola que reúne 538 jovens de 38
nacionalidades diferentes, que cursam ensino primário e secundário.
O cientista social Pedersen concorda com a centralidade da educação no
modelo nórdico de sociedade. “Um aspecto realmente importante da
sociedade na Noruega é o modelo de educação pública, muito inclusivo.
Ele propõe a interação entre crianças de diferentes classes sociais, o
que gera inúmeras consequências positivas. Um dos nossos desafios é
manter essa característica, mesmo quando os imigrantes passam a viver em
locais mais segregados, por exemplo. De qualquer maneira, se o ensino
fosse privado aqui esse desafio seria ainda maior. O modelo deu mais
certo aqui porque os guetos são maiores na Suécia e na Dinamarca. Na
Suécia, houve inclusive um movimento de privatização das escolas, mas
acabou sendo muito malsucedido.” Monarquia
A aparência de modernização na Noruega é acompanhada de um traço
curioso: o país ainda é uma monarquia. O rei Harald V tem poderes
limitados, mas realiza reuniões semanais com o gabinete do
primeiro-ministro.
Rei Harald V: país ainda é uma monarquia; rei é bastante popular entre noruegueses
Além das formalidades, Harald V também desfruta de alta popularidade.
Segundo pesquisa divulgada em 2014, ele tinha 90% de aprovação da
população, o que lhe dava o título de monarquia mais popular do mundo.
As famílias reais de Dinamarca e Holanda apareciam na sequência do
estudo, com 80% de aceitação. http://operamundi.uol.com.br/conteudo/reportagens/40450/noruega+petroleo+e+altos+impostos+sustentam+pais+com+maior+qualidade+de+vida+do+planeta+.shtml
Para economista, com a nova
relação cambial no país, produtos importados devem ser substituídos por
nacionais, atraindo investimentos para o parque industrial brasileiro
por Redação Rede Brasil Atual - Marcio Pochmann - Sociedade e o Comércio no Brasil
Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas
Moeda norte-americana rompeu a barreira histórica dos R$ 4 ontem (22/set): expectativa para indústria
São Paulo – O dólar comercial rompeu em 22/set/2015 o
teto de R$ 4 e chegou a R$ 4,06. O economista, professor e escritor
Marcio Pochmann, em comentário hoje à Rádio Brasil Atual, analisou a situação da alta da moeda norte-americana, identificando os fatores internos e externos que influem no câmbio.
“Há uma orientação por parte do governo federal de estabelecer um
novo patamar da nossa moeda com a moeda externa, especialmente o dólar.
Isso acontece porque o Brasil vem há duas décadas tendo o real muito
valorizado em relação ao dólar. E esta valorização tem efeitos
positivos, porque permitiu combater a inflação, por exemplo, mas ao
mesmo tempo foi deprimindo e tornando mais difícil a produção interna no
Brasil”, afirmou.
O período de valorização do real fez com que parte do crescimento da
economia fosse atendida por consumo com importações. E agora, segundo
Pochmann, o governo da presidenta Dilma Rousseff promove a
desvalorização com o objetivo de melhorar as contas externas. No caso da
balança comercial, os resultados já apareceram. “O Brasil vive
atualmente uma situação de superávit nas contas comerciais – as nossas
exportações estão maiores do que as importações, revertendo um quadro
desfavorável que o país vinha registrando nos últimos anos”, disse.
Mas também há fatores que não são de controle do governo federal.
Internacionalmente, há um movimento especulativo, especialmente em torno
da possibilidade de o governo norte-americano aumentar a taxa de juros
nos Estados Unidos. “E toda vez que há uma elevação da taxa, isso acaba
provocando um deslocamento de recursos em dólar de outros países para
serem aplicados nos Estados Unidos. Isso faz com que exista um movimento
especulativo contra as moedas nacionais.”
Há ainda um terceiro fator, diz o economista, associado à situação da
China, que vinha até há pouco tempo sendo o dínamo do crescimento
mundial e registra de 2014 para cá sinais de fragilidade. “Há um certo
desânimo na possibilidade de crescer em função da China, e isso também
fomenta uma saída de recurso, de escassez de dólares, e portanto
desvaloriza a nossa moeda.”
De maneira geral, os analistas dizem que há apenas efeitos negativos
derivados da elevação do dólar em relação ao real, porque produtos
importados tornam-se mais caros, e isso termina de alguma forma
repassado para preços, e torna também as viagens internacionais de
turismo mais difíceis. “Mas há um outro lado”, diz Pochmann, para quem
“é adequado que o Brasil tenha essa desvalorização frente ao dólar”.
Pochmann acredita, inclusive, que o país já deveria estar com essa
cotação há mais tempo, porque a valorização cambial tem sido muito
desfavorável para o parque produtivo brasileiro. "Hoje nós temos uma
indústria que responde por apenas 9% da produção, o país é cada vez mais
dependente da importação e, nesse sentido, a desvalorização faz com que
se estimule a produção interna.” Para o economista, a substituição de
importados por produtos nacionais vai criar empregos e impacto no
investimento das empresas. “É importante que a taxa de câmbio se
mantenha nesse patamar, para estimular a produção que anteriormente
vinha do exterior”, disse. Desta forma, temporáriamente é possível uma revalorização deste país. http://www.redebrasilatual.com.br/economia/2015/09/desvalorizacao-cambial-estimula-criacao-de-empregos-na-industria-326.html
ONU: crescimento da Internet diminui e maioria das pessoas ainda está fora da rede
Por Correio do Brasil - Sociedade e Inclusão Mundial na Internet (fonte no final do texto)
Por Redação, com Reuters – de Genebra:
O crescimento no número de pessoas com acesso à Internet está
diminuindo, e mais de metade da população do mundo ainda está fora da
rede, disse a Comissão de Banda Larga da Organização das Nações Unidas
nesta segunda-feira.
O acesso à internet em economias ricas está atingindo níveis de
saturação, mas 90 % das pessoas nos 48 países mais pobres não têm
nenhuma forma de conexão, disse o relatório. O crescimento no número de pessoas com acesso à Internet está diminuindo
A taxa de crescimento do acesso deverá ficar em 8,1% este ano, uma
queda em relação a 2014, quando ficou em 8,6 %. Até 2012, as taxas de
crescimento tinham ficado em dois dígitos por muitos anos. “Chegamos a
um ponto de transição no crescimento da Internet”, assinala o relatório.
A comissão, criada em 2010 pela União Internacional das
Telecomunicações e a Unesco, a agência científica e cultural da ONU,
disse ser improvável que a marca de 4 milhões de usuários de Internet
seja alcançada antes de 2020. O texto observa ainda que o crescimento no
aumento do número de assinantes do Facebook está ultrapassando o da Internet.
– Mais da metade da população mundial, cerca de 57 %, ou mais de 4
bilhões de pessoas, ainda não usa a Internet regular ou ativamente – diz
o relatório, que culpa o custo de estender a infraestrutura de última
geração para clientes rurais e remotos, e uma forte desaceleração no
crescimento da aquisição de celulares em nível mundial.
Até o final deste ano, 3,2 bilhões de pessoas terão alguma forma de acesso regular à Internet, em contraposição aos
2,9 bilhões de 2014. Isso representa 43,4% da população do mundo,
ainda muito aquém da meta de 60 % fixada pela ONU para 2020.
As mulheres nos países mais pobres estão particularmente em
desvantagem, disse o relatório. No mundo em desenvolvimento, 25 % menos
mulheres do que homens tinham acesso à Internet, um porcentual que sobe
para 50 % em algumas partes da África subsaariana. http://correiodobrasil.com.br/onu-crescimento-da-internet-diminui-e-maioria-das-pessoas-ainda-esta-fora-da-rede/
Postado por
Mauro Santayana - Sociedade e Disputa Geopolítica
(Blog Carta Maior|) -Tendo aberto a Caixa de
Pandora na Síria, ao tentar retirar esse país da área de influência de
Moscou, armando terroristas islâmicos para derrubar o governo - aliado
russo - de Bashar Al Assad, e depois de destruir, nessa tentativa, a
nação que tem mais refugiados hoje espalhados pelo mundo, Washington
reconhece agora que terá de negociar com Moscou por meio de "discussões
táticas práticas", para evitar "erros de cálculo" que possam colocar os
EUA e a Rússia em conflito no teatro de operações sírio.
Incapaz de colocar tropas no local - seu negócio é brincar com joysticks,
bombardeando apenas algumas posições do Estado Islâmico, um inimigo que
eles próprios criaram, no Iraque e na Síria, dois países que estavam
estáveis e em paz antes das recentes, em termos históricos, intervenções
dos EUA e de seus aliados - Washington diz que quer evitar que algum
soldado russo - existem vários deles no país, sediados na base naval
russa de Tartus e na base aérea síria de Latakia - seja inadvertidamente
ferido por ações militares "ocidentais", dirigidas contra os
terroristas do EI.
Na verdade, por trás das declarações
norte-americanas - "queremos evitar problemas", afirmou o porta-voz do
Pentágono, Peter Cook - está o reconhecimento tardio dos EUA, de três
situações óbvias;
Primeiro, a da tremenda imbecilidade
estratégica que os Estados Unidos cometeram, ao incentivar e armar
terroristas "islâmicos" para derrubar um governo leigo e estável,
propiciando a destruição de todo um povo e o surgimento de um exército
de psicopatas, assassinos e estupradores, que dificilmente será
controlado nos próximos anos.
Em segundo lugar, a de que, sem o
auxílio dos russos, combatendo ao lado de Bashar Al Assad, será
impossível tentar ao menos enfraquecer o ISIS, ou EI, na frente síria,
ou manter ali, ocupados, parte de seus combatentes, aliviando a pressão
sobre outras frentes nas quais os Estados Unidos e a OTAN estão mais
diretamente envolvidos, como a do Iraque.
E, em terceiro lugar, o reconhecimento
do poder russo na Síria, como país sob influência direta de Moscou, que
era justamente o que os EUA tentaram desafiar desde o início.
Não teria sido mais fácil ter feito isso
há três anos, antes de arrebentar com toda a região, e de provocar a
morte de centenas de milhares de homens, mulheres e crianças e o exílio
forçado, na maior parte para campos de refugiados no meio do deserto, de
- até agora - um terço da população síria?
Por outro lado, para não dar o braço a
torcer, os EUA e a União Europeia anunciaram também, nesta semana, que
estão pensando em "prorrogar" as sanções contra Moscou, para além de
2015.
Eles têm é que pesar as consequências,
para, também por ali, não continuar atirando contra si mesmos,
transformando o pé em uma peneira. O agravamento da situação na Rússia
tem direta influência sobre a economia e as condições de vida na
Ucrânia, que depende de Moscou, entre outras coisas, para não congelar
no inverno como um imenso picolé, até a medula.
Como já lembramos antes, se houver um
conflito de maior escala entre a Rússia e a Ucrânia, a União Europeia
será invadida por nova onda de refugiados, ao Leste, diante da qual as
"invasões bárbaras" de pobres emigrantes, vindos do Mediterrâneo, vão
parecer - com o perdão da palavra - uma brincadeira.
Faltou combinar antes
com os russos: os EUA e a situação na Síria
Depois de tentar retirar a Síria da área de influência de Moscou,
armando terroristas, Washington reconhece agora que terá de negociar com
a Rússia
A A+
Mauro Santayana
UNRWA
Tendo aberto a Caixa de Pandora na Síria, ao tentar retirar esse país da
área de influência de Moscou, armando terroristas islâmicos para
derrubar o governo - aliado russo - de Bashar Al Assad, e depois de
destruir, nessa tentativa, a nação que tem mais refugiados hoje
espalhados pelo mundo, Washington reconhece agora que terá de negociar
com Moscou por meio de "discussões táticas práticas", para evitar "erros
de cálculo" que possam colocar os EUA e a Rússia em conflito no teatro
de operações sírio.
Incapaz de colocar tropas no local - seu negócio é brincar com
joysticks, bombardeando apenas algumas posições do Estado Islâmico, um
inimigo que eles próprios criaram, no Iraque e na Síria, dois países que
estavam estáveis e em paz antes das recentes, em termos históricos,
intervenções dos EUA e de seus aliados - Washington diz que quer evitar
que algum soldado russo, existem vários deles no país, sediados na base
naval russa de Tartus e na base aérea síria de Latakia - seja
inadvertidamente ferido por ações militares "ocidentais", dirigidas
contra os terroristas.
Na verdade, por trás das declarações norte-americanas - "queremos evitar
problemas", afirmou o porta-voz do Pentágono, Peter Cook - está o
reconhecimento tardio dos EUA, de três situações óbvias;
Primeiro, a da tremenda imbecilidade estratégica que os Estados Unidos
cometeram, ao incentivar e armar terroristas "islâmicos" para derrubar
um governo leigo e estável, propiciando a destruição de todo um povo e o
surgimento de um exército de psicopatas, assassinos e estupradores, que
dificilmente será controlado nos próximos anos.
Em segundo lugar, a de que, sem o auxílio dos russos, combatendo ao lado
de Bashar Al Assad, será impossível tentar ao menos enfraquecer o ISIS,
ou EI, na frente síria, ou manter ali, ocupados, parte de seus
combatentes, aliviando a pressão sobre outras frentes nas quais os
Estados Unidos e a OTAN estão mais diretamente envolvidos, como a do
Iraque.
E, em terceiro lugar, o reconhecimento do poder russo na Síria, como
país sob influência direta de Moscou, que era justamente o que os EUA
tentaram desafiar desde o início.
Não teria sido mais fácil ter feito isso há três anos, antes de
arrebentar com toda a região, e de provocar a morte de centenas de
milhares de homens, mulheres e crianças e o exílio forçado, na maior
parte para campos de refugiados no meio do deserto, de - até agora - um
terço da população síria?
Por outro lado, para não dar o braço a torcer, os EUA e a União Europeia
anunciaram também, nesta semana, que estão pensando em "prorrogar" as
sanções contra Moscou, para além de 2015.
Eles têm é que pesar as consequências, para, também por ali, não
continuar atirando contra si mesmos, transformando o pé em uma peneira. O
agravamento da situação na Rússia tem direta influência sobre a
economia e as condições de vida na Ucrânia, que depende de Moscou, entre
outras coisas, para não congelar no inverno como um imenso picolé, até a
medula.
Como já lembramos antes, se houver um conflito de maior escala entre a
Rússia e a Ucrânia, a União Europeia será invadida por nova onda de
refugiados, ao Leste, diante da qual as "invasões bárbaras" de pobre
emigrantes, vindos do Mediterrâneo, vão parecer - com o perdão da
palavra - uma brincadeira.
Postado por BLOG DE UM SEM-MÍDIA
Faltou combinar antes
com os russos: os EUA e a situação na Síria
Depois de tentar retirar a Síria da área de influência de Moscou,
armando terroristas, Washington reconhece agora que terá de negociar com
a Rússia
A A+
Mauro Santayana
UNRWA
Tendo aberto a Caixa de Pandora na Síria, ao tentar retirar esse país da
área de influência de Moscou, armando terroristas islâmicos para
derrubar o governo - aliado russo - de Bashar Al Assad, e depois de
destruir, nessa tentativa, a nação que tem mais refugiados hoje
espalhados pelo mundo, Washington reconhece agora que terá de negociar
com Moscou por meio de "discussões táticas práticas", para evitar "erros
de cálculo" que possam colocar os EUA e a Rússia em conflito no teatro
de operações sírio.
Incapaz de colocar tropas no local - seu negócio é brincar com
joysticks, bombardeando apenas algumas posições do Estado Islâmico, um
inimigo que eles próprios criaram, no Iraque e na Síria, dois países que
estavam estáveis e em paz antes das recentes, em termos históricos,
intervenções dos EUA e de seus aliados - Washington diz que quer evitar
que algum soldado russo, existem vários deles no país, sediados na base
naval russa de Tartus e na base aérea síria de Latakia - seja
inadvertidamente ferido por ações militares "ocidentais", dirigidas
contra os terroristas.
Na verdade, por trás das declarações norte-americanas - "queremos evitar
problemas", afirmou o porta-voz do Pentágono, Peter Cook - está o
reconhecimento tardio dos EUA, de três situações óbvias;
Primeiro, a da tremenda imbecilidade estratégica que os Estados Unidos
cometeram, ao incentivar e armar terroristas "islâmicos" para derrubar
um governo leigo e estável, propiciando a destruição de todo um povo e o
surgimento de um exército de psicopatas, assassinos e estupradores, que
dificilmente será controlado nos próximos anos.
Em segundo lugar, a de que, sem o auxílio dos russos, combatendo ao lado
de Bashar Al Assad, será impossível tentar ao menos enfraquecer o ISIS,
ou EI, na frente síria, ou manter ali, ocupados, parte de seus
combatentes, aliviando a pressão sobre outras frentes nas quais os
Estados Unidos e a OTAN estão mais diretamente envolvidos, como a do
Iraque.
E, em terceiro lugar, o reconhecimento do poder russo na Síria, como
país sob influência direta de Moscou, que era justamente o que os EUA
tentaram desafiar desde o início.
Não teria sido mais fácil ter feito isso há três anos, antes de
arrebentar com toda a região, e de provocar a morte de centenas de
milhares de homens, mulheres e crianças e o exílio forçado, na maior
parte para campos de refugiados no meio do deserto, de - até agora - um
terço da população síria?
Por outro lado, para não dar o braço a torcer, os EUA e a União Europeia
anunciaram também, nesta semana, que estão pensando em "prorrogar" as
sanções contra Moscou, para além de 2015.
Eles têm é que pesar as consequências, para, também por ali, não
continuar atirando contra si mesmos, transformando o pé em uma peneira. O
agravamento da situação na Rússia tem direta influência sobre a
economia e as condições de vida na Ucrânia, que depende de Moscou, entre
outras coisas, para não congelar no inverno como um imenso picolé, até a
medula.
Como já lembramos antes, se houver um conflito de maior escala entre a
Rússia e a Ucrânia, a União Europeia será invadida por nova onda de
refugiados, ao Leste, diante da qual as "invasões bárbaras" de pobre
emigrantes, vindos do Mediterrâneo, vão parecer - com o perdão da
palavra - uma brincadeira.
Postado por BLOG DE UM SEM-MÍDIA
Miúda reflexão sobre impeachment, democracia e Estado de Direito no país da casa-grande
por Mino Carta - Sociedade, Brasil e seus Golpes
Dida Sampaio/Estadão Conteúdo
Collor foi contemplado, não era tucano
Na esteira do Cruzado 1, em outubro de 1986 José Sarney
cometeu estelionato eleitoral logo após a vitória peemedebista nas
eleições para os governos estaduais, Congresso e Assembleias, ao lançar o
Cruzado 2 e arrastar o País para uma crise econômica de grande porte. A
situação, complicada pelo fracasso da moratória do começo de 87,
perdurou até o fim do mandato de Sarney.
Nem por isso se cogitou, em momento algum, do impeachment
do ex-vice-presidente tornado presidente pela morte de Tancredo Neves,
em claro desrespeito a qualquer regra do jogo pretensamente democrático.
Ao lançar o olhar além-fronteiras, temos o exemplo recente de Barack Obama,
atingido em cheio pela explosão da bolha financeira de 2008, a
mergulhar os Estados Unidos em uma crise de imponentes proporções.
Obrigado a enfrentar a queda progressiva do valor do dólar, assoberbado
pelas habituais pressões e ameaças das agências de rating, vítima
de índices de aprovação cada vez mais rasos, Obama acabou sem o apoio
da maioria parlamentar. Nem por isso sofreu o mais pálido risco de impeachment, mesmo porque hipóteses a respeito seriam simplesmente impensáveis aos olhos dos parlamentares americanos, mesmo republicanos.
FHC o mereceu, mas goza da impunidade automática / Crédito: Fernando Donasci/Ag. O Globo
Se a ideia já teve no Brasil razão de vingar, ao menos de ser aventada, foi em relação a Fernando Henrique Cardoso:
comprou votos para se reeleger e comandou privatizações que assumem as
feições inequívocas das maiores bandalheiras-roubalheiras da história
pátria, realizadas às escâncaras na certeza da impunidade. Praticante
emérito do estelionato eleitoral, fez campanha para a reeleição à sombra
da bandeira da estabilidade para desvalorizar o real 12 dias depois da
posse para o segundo mandato.
FHC é recordista, conseguiu quebrar o
Brasil três vezes. Ao cabo, entregou a Lula um país endividado até a
raiz dos cabelos e de burras vazias. Ao longo da sua trajetória
presidencial, jamais se imaginou a possibilidade do seu impeachment.
O príncipedos sociólogos,
outrora encarado como elemento perigoso por quantos hoje o veneram,
tornou-se xodó da mídia nativa e dos senhores da casa-grande. Favor
irrestrito e justificado: nunca houve alguém tão capacitado para a
defesa dos interesses do reacionarismo na sua acepção mais primitiva.
Hoje em dia, FHC
arca com o papel de oráculo da política brasileira com invulgar
destemor. Tudo dentro dos conformes, a desfaçatez, a hipocrisia e o
oportunismo tucanos não têm limites. O enredo é típico, assim como já é
clássico o caso de Fernando Collor, que se retirou antes de sofrer impeachment. Exemplar entrecho, de todos os pontos de vista, que vivi de perto por mais de dois anos, quando dirigia a redação de IstoÉ.
Para mim a história começa 25 anos atrás. O então repórter da IstoÉ
Bob Fernandes tocaia por dois meses o operador do presidente, PC
Farias. Chega a hospedar-se por algum tempo no apart-hotel, onde em São
Paulo vive o tocaiado. Enfim a revista publica uma reportagem de capa
sobre as façanhas do PC, em que se relata tudo aquilo que o irmão de
Collor diria a Veja um ano e meio depois, com exceção dos supositórios de cocaína.
Eis aí, neste roteiro, um aspecto ineludivelmente
brasileiro. Quando da reportagem, a mídia cuidou de não lhe dar eco e
seguimento, ao contrário do que se daria em qualquer país democrático e
civilizado.
Até então, a casa-grande suportava que o
presidente cobrasse pedágios elevadíssimos em relação a obras feitas e
ainda assim o imaginava adequado ao cargo de propiciador de benesses.
Fora a Veja, aliás, que popularizara a definição de Collor como “caçador de marajás”.
Com o tempo, a cobrança collorida passou a
ser considerada insuportável e se entendeu que valeria submeter o
cobrador a um aperto sério, embora comedido. Foi a hora da entrevista do
irmão, esta sim imediatamente repercutida.
A CPI convocada para cuidar do caso moeu meses de sessões inúteis à falta de provas. Não fosse IstoÉ,
daria em nada. A sucursal de Brasília da revista, dirigida por João
Santana, foi capaz de demonstrar a ligação entre a Casa da Dindae o Palácio do Planalto, e o encaminhamento do impeachment foi inevitável.
A Globo prontificou-se a chamar para as
praças manifestações bastantes parecidas àquelas que pipocam de dois
anos para cá, frequentadas, sobretudo, por burguesotes festeiros,
enquanto a Veja ganhava o Prêmio Esso de Jornalismo, remota
invenção alienígena destinada a consagrar o jogo corporativo, festival
do compadrio da mídia nativa.
Há quem diga que estamos a transitar por uma conjuntura
similar àquela, e se engana, está claro, por hipocrisia ou ignorância. O
impeachment de Dilma
Rousseff é totalmente impossível à luz da Constituição. Se quiserem
mandar as aparências às favas, seria golpe mesmo, conforme conhecimento
até do mundo mineral. Mas golpismo é inerente ao país da casa-grande.
Editoriais, colunas, artigos e reportagens dos jornalões recordam, cada
vez mais, os textos de 51 anos atrás.
As
práticas de censura adotadas pelo Facebook podem ter assumido caráter
aberto de controle político. Na madrugada de 18/set/2015, a plataforma facebook excluiu
um texto publicado por Outras Palavrassobre
um dos temas centrais da conjuntura global: a crise dos refugiados que
se espalha pela Europa. Redigido pelo jornalista irlandês Patrick
Cockburn, considerado em todo o mundo1 um dos principais especialistas em questões do Oriente Médio (vale conhecer seu livro magistral
sobre o ISIS), o texto tem uma marca especial. Amparado em farta
pesquisa e análise, ele aponta a responsabilidade dos Estados Unidos e
seus aliados no deslocamento em massa das populações árabe – que compõem
o grosso da maré humana em movimento. Ao intervir militarmente sobre
países árabes, ou desestabilizar de modo consciente seus Estados,
argumenta Cockburn, Washington engendrou guerras que estão desabrigando
milhões.
Estampado em 18/set como manchete, em nosso site,
o texto teve seu título, subtítulo e imagens publicados no Facebook à
tarde. Foi compartilhado e curtido por algumas centenas de pessoas, e
alcançou algumas dezenas de milhares. Porém, pela madrugada, foi
excluído sumariamente e sem aviso prévio - todas as pessoas que
compartilharam também tiveram o texto excluído. Como “aviso”, a rede
registrou, de modo lacônico: “Esta mensagem contém conteúdo que foi
bloqueado pelos nossos sistemas de segurança”. Nossa contestação à
censura, enviada por volta das 10h, não recebeu resposta até o momento.
Diversas tentativas de repostar o conteúdo foram igualmente bloqueadas,
com idêntico aviso. O declínio da democracia nas nações ocidentais que por séculos juraram defendê-la é uma ameaça crescente e assustador.Outras Palavras tem tratado do tema com insistência. Procuramos demonstrar que a ameaça já não se expressa apenas no sequestro da política
por uma elite (a “casta”, diriam os espanhóis) que evita a qualquer
custo o debate dos temas cruciais para a definição do futuro coletivo.
Manifesta-se também em ataques mais diretos às próprias liberdades
civis: perseguição de dissidentes, vigilância, violação constante da privacidade na brutalidade das polícias
contra os que divergem. A censura praticada costumeiramente pelo
Facebook é parte deste retrocesso. Mas ela parecia ter, até o momento,
um caráter mais sutil.
Por um lado, era “justificada” pelo suposta opção de não ferir
sensibilidades dos leitores. Corpos nus, por exemplo, são banidos –
mesmo quando retratam povos que optam por não se vestir ou estão
presentes em obras de arte com as quais a própria Inquisição era mais
tolerante... Por outro lado, o Facebook parece optar, na maior parte do
tempo, por um controle mais difuso e pervasivo. Ao invés de excluir, escolhe os
conteúdos que chegarão a seus leitores. Afirma fazê-lo por meio de
algoritmos “neutros”, mas se recusa a revelar que critérios orientam
tais instruções – evidentemente construídas por seres humanos. Outras Palavras tem publicado, aliás, textos (1 e 2) que apontam os gravíssimos riscos de manipulação política presentes nesta prática.
Se a esta forma mais dissimulada de manipulação veio somar-se, agora,
a censura política primária, é porque podemos estar diante de algo
grave. Como diz John Pilger - um autor que nos orgulhamos de traduzir e publicar –; e como mostram, por exemplo, o encarceramento de Chelsea Manning e a perseguição a Julian Assange e Edward Snowden, podemos estar à beira de algo como “um 1984 high-tech”. Outras Palavras continuará usando o Facebook. Vê as redes
sociais como bens comum da humanidade, por reunirem conhecimento,
diálogo e experiência imensamente superiores às pretensões de seus
“proprietários”. Mas atitudes como a censura de hoje levam a lançar ao
menos duas perguntas. Não é hora de incluir em nossas agendas políticas a
democratização das redes sociais? Enquanto este objetivo permanecer
distante, não será preciso multiplicar esforços para a criação de
alternativas aos gigantes que ameaçam controlar a internet?
1.
Patrick Cockburn foi considerado melhor jornalista no Oriente Médio
pela British Journalism Awards e melhor repórter do ano pela The Press
Awards em 2015.