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9.01.2016

Brasileiros reagem a perda de direitos constitucionais

  • Manifestantes protestaram contra o golpe de Temer em diversas capitais
  • Pelo menos em São Paulo e Porto Alegre, as manifestações foram reprimidas pela polícia com violência, bombas e prisões

por Redação site Rede Brasil Atual - Sociedade e Injustiça Social no Brasil

Gustavo Munhoz/Ninja
Fora TemerPrimeira noite do governo Temer é marcado por diversos protestos e repressão policial
São Paulo – Após o afastamento de Dilma Rousseff e a posse de Michel Temer no cargo de Presidente da República, milhares de pessoas foram às ruas na noite de 31/08//2016, em pelo menos 15 estados para protestar contra o golpe. Foram registrados atos em São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina. As mobilizações, espontâneas ou convocadas por movimentos sociais e estudantis, ocorreram nas capitais e também em cidades do interior. Em algumas cidades foram registrados choques violentos com a Polícia.
Em São Paulo, os manifestantes se reuniram em dois pontos da Avenida Paulista. Quando a passeata estava na Rua da Consolação no cruzamento com a Rua Maria Antonia, bombas da PM foram lançadas contra os manifestantes.
A ação da PM fez com que a passeata se dividisse em manifestações menores. Parte dos ativistas desviou da Rua da Consolação para a Rua Augusta e deu prosseguimento ao protesto. Outros, correram para a Praça Roosevelt, onde bombas e gás também foram lançados pela polícia. A intenção dos ativistas era encerrar a manifestação em frente ao jornal Folha de S.Paulo, na Rua Barão de Limeira.
No Rio de Janeiro, a concentração foi na Cinelândia, onde os ativistas fizeram discursos contrários ao processo que levou à saída definitiva de Dilma. manifestantes deixaram a Cinelândia e partiram pela Rua Santa Luzia, onde fica a sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Em frente ao prédio da entidade, os ativistas fizeram uma pausa e discursaram contra a posição da Firjan pelo impeachment de Dilma. Participaram centrais sindicais, entidades estudantis e grupos da sociedade civil, além de pessoas sem ligação com esses grupos.
Em Brasília, Polícia Militar reprimiu com violência manifestação para protestar contra a confirmação do golpe. Bombas de efeito moral, gás de pimenta, prisões arbitrárias e espancamentos deram a tônica da atuação policial.
Em Belo Horizonte, a manifestantes se concentraram começou na Praça Rômulo Paes, se dirigiram à Praça Raul Soares e depois seguiram para a Praça Sete. Ao logo do percurso, os presentes usavam palavras de ordem para pedir a saída do presidente Michel Temer e para classificar de golpe o processo que levou ao afastamento da petista. Também foram feitas projeções em edifícios com a frase "Fora Temer".
Em Salvador, a manifestação ocorreu, inicialmente, em frente a um shopping da cidade, local onde decidiram seguir em passeata pelas ruas da capital baiana. Com faixas e cartazes, os manifestantes disseram "Não" ao que chamaram de "golpe" e negaram se sentir representados por Michel Temer. Eles prestaram apoio a Dilma Rousseff em palavras de ordem, músicas e, também, em cartazes e faixas.
"Eu luto desde a ditadura militar. Lutei contra a tortura, lutei por um governo democrático. Continuo lutando contra um golpe, um golpe civil", disse, emocionada, a professora aposentada, Raimunda Viana, de 63 anos.
Em Porto Alegre, milhares de pessoas tomaram as ruas. A concentração começou por volta das 18h na Esquina Democrática, no Centro Histórico da capital gaúcha. Os manifestantes portavam cartazes denunciando o que chamam "golpe contra a democracia" e exigindo a saída do presidente da república, Michel Temer, empossado hoje à tarde após a confirmação do impeachmentno Senado. Bandeiras de partidos, como PT e PSOL, e de movimentos sociais também foram levadas para o ato.
Por volta das 19h, o grupo deixou a Esquina Democrática e iniciou uma caminhada em direção ao Parque Farroupilha. Na Avenida João Pessoa, diante da sede do PMDB em Porto Alegre, um grupo que carregava um caixão escrito "democracia" incendiou o objeto. Alguns manifestantes mais exaltados depredaram o portão que dava acesso à sede do partido.
Foi quando aconteceu a primeira intervenção da Brigada Militar (BM). Os policiais dispararam uma bomba de gás em frente à sede do PMDB, no meio da multidão. Foi o princípio de uma correria generalizada, mas que durou poucos minutos. Instantes depois, os manifestantes estavam novamente reunidos e seguiram em caminhada.
A tensão chegou ao clímax por volta das 20h15, na Avenida Ipiranga, quando o grupo se aproximou do prédio da RBS, empresa de comunicação afiliada da Rede Globo. Os homens da BM formaram um cordão de isolamento ao redor do edifício e dispararam mais bombas de gás na multidão. Alguns manifestantes queimaram pneus no meio da avenida e tentaram revidar com pedras arremessadas contra os policiais.
No Recife, manifestantes e representantes de diversas entidades civis ocuparam por cerca de duas horas uma das principais vias do Recife, a Avenida Agamenon Magalhães, percorrendo, em seguida, outro importante corredor viário da cidade, a Avenida Conde da Boa Vista, até a Praça do Diário.
"Esse golpe tem um recorte muito específico, machista, misógino, pelo fato da presidenta ser mulher. Mas vem também como um ataque aos direitos do povo. Esse tempo em que o governo interino tem governado só demonstrou a intenção de retirar direitos conquistados. E a partir de agora a gente vai ter um grande retrocesso nos direitos básicos, trabalhistas, por exemplo. Não é um golpe só na presidenta Dilma, mas nos direitos do povo brasileiro", disse Ingrid Farias, integrante da Frente Brasil Popular, que reúne movimentos sociais.
http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2016/09/manifestantes-protestam-contra-temer-em-diversas-capitais-7553.html

Começo da resistência social no Brasil

  • 'Forças econômicas que patrocinaram golpe querem ofensiva neoliberal', diz especialista
  • “A história com certeza não vai demorar muito, e mais rápido do que imaginaram, ficará claro que foi um golpe”, afirmou o coordenador da Consulta Popular, Ricardo Gebrim

por Sarah Fernandes, para site Rede Brasil Atual - Sociedade e Movimentos Sociais Brasileiros (fonte no final)

Foto Sindicato dos Químicos/SP

São Paulo – O coordenador do movimento Consulta Popular, o advogado Ricardo Gebrim, defendeu hoje (31) que o impeachment de Dilma Rousseff é uma estratégia de grupos econômicos e sociais para implementar uma agenda neoliberal, com privatizações e reduções de direitos sociais. Gebrim acredita que o resultado da votação, considerado por ele como a “a consumação de um golpe”, encontrará grande resistência social.
“As forças econômicas e sociais que patrocinaram o golpe querem uma nova ofensiva neoliberal para mudar o marco regulatório do petróleo, reduzir direitos trabalhistas e privatizar o setor elétrico”, defendeu Gebrim. “A farsa jurídica que tentaram construir foi desconstruída pelo depoimento firme e corajoso da presidenta Dilma. A história com certeza não vai demorar muito e mais rápido do que imaginaram ficará claro que foi um golpe. Isso vai possibilitar que essa página da história seja enfrentada com muito mais rigor.”
Para Gebrim, a articulação do impeachment da presidenta Dilma passa por grupos econômicos internacionais, principalmente ligados aos Estados Unidos, que estão incomodados com a articulação econômica dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). “Há o interesse também em mudar o marco regulatório da partilha do pré-sal. Já começaram a retirar a Petrobras como principal empresa e já acabaram com o fundo soberano do pré-sal”, diz.
O coordenador da Consulta Popular lembrou que 46% do setor elétrico brasileiro pode ser privatizado, incluindo as usinas hidrelétricas. “São valores monstruosos. Nada oferece um lucro tão rápido neste momento para as corporações de capital estrangeiro internacional”, disse. “Além disso, setores da burguesia brasileira foram atraídos pela retirada de direitos trabalhistas. A base foi a classe média alta, mas que já começa a gradativamente a perceber o que fez.”
Neste cenário, a resistência dos movimentos sociais deve ser intensa, acredita Gebrim. “Temos pontos a nosso favor: a sociedade brasileira já vivenciou uma ofensiva neoliberal, já sabe o engodo das privatizações”, disse. “Há também uma memória coletiva positiva desses anos de governo petista com as conquistas de direitos sociais. Esse quadro todo é outro elemento favorável, porque foram poucos governos da América Latina capazes de responder à maioria com políticas sociais. Toda vez que isso aconteceu ficaram marcas profundas.”
“Para aplicar uma agenda neoliberal, Temer vai precisar reduzir direitos democráticos porque não será possível aplicá-la com determinados espaços democráticos já funcionando. Será preciso esvaziá-los”, afirma. “Essa ofensiva não será fácil para eles. Existirão luta e mobilizações.”
http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2016/08/forcas-economicas-que-patrocinaram-golpe-querem-ofensiva-neoliberal-diz-especialista-4353.html

8.30.2016

Concentração de Renda Pune População Trabalhadora no Brasil

  • Brasil, o paraíso dos ricos

  • A aplicação de várias políticas atuais garante ao Brasil a medalha de ouro em concentração de renda e injustiça
por Carlos Drummond para revista Carta Capital - Sociedade e Concentração Renda no Brasil (fonte no final)

Segundo o economista Rodrigo Octávio Orair, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do International Policy Center for Inclusive Growth, da Organização das Nações Unidas, três condições tornam o Brasil o paraíso dos ricos e super-ricos. A primeira é a taxa de juros sem paralelo no resto do mundo, garantia de alta rentabilidade para o capital. A segunda condição é a isenção tributária de lucros e dividendos, instituída em 1995 no governo FHC. A terceira são as alíquotas de impostos muito baixas para as aplicações financeiras, de 15% a 20%, quando os assalariados pagam até 27,5%.
 “A concentração de renda no Brasil não tem rival no mundo”, apontou Orair. Na pesquisa realizada com Sérgio Wulff Gobetti, também pesquisador do Ipea, utilizou a base de dados sobre os 20 países mais ricos criada pelo economista francês Thomas Piketti, autor do livro O Capital no Século XXI. O meio milésimo mais rico do País, composto de 71 mil pessoas, “uma população que cabe num estádio de futebol”, apropria-se de 8,5% de toda a renda nacional das famílias. Na Colômbia, a proporção é 5,4% e nas economias desenvolvidas fica abaixo de 2%.  
Há um movimento mundial para reduzir a desigualdade econômica. De 2008 para cá, 21 dos 34 países da OCDE tomaram medidas de aumento da tributação dos mais ricos. Os Estados Unidos elevaram as alíquotas máximas do Imposto de Renda daquela camada e o Chile tomou medida semelhante em 2013, para financiar a educação. “O Brasil é um dos poucos lugares onde não se toca no tema. A discussão está bloqueada”, descatou o pesquisador do Ipea.
Os super-ricos do Brasil têm renda média de 4 milhões de reais, dois terços dos seus ganhos, compostos de lucros e dividendos, são isentos e um quarto está aplicado no mercado financeiro com alíquotas, em média, entre 16% e 17%. 
O argumento de que não cabe taxar dividendos porque a empresa já recolhe impostos e haveria uma bitributação não procede. Segundo Orair, “quase todos os países possuem esse sistema clássico de tributação, do lucro na empresa e dos dividendos distribuídos às pessoas físicas”. O único integrante da OCDE com isenção de dividendos é a Estônia. 
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O sistema todo é regressivo, mas os mais ricos, isentos de tributação na maior parte da sua renda, costumam dizer que todos pagam o pato. “Com isso, canalizam a raiva de quem paga de fato para defender o seu próprio status quo”, criticou o pesquisador. 
Para Grazielle Custódio David, especialista em orçamento público e assessora do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), o problema está na receita, mas o discurso é muito focado na despesa. A partir de 1995, não houve aumento descontrolado de despesas. A receita, no entanto, caiu 50% entre o último governo Lula e o primeiro mandato de Dilma.
Prejudicada pelas desonerações, a receita do governo cai também por causa da sonegação e da elisão fiscal, realizada com um planejamento tributário “extremamente agressivo e caro”, só acessível às grandes empresas, na maior parte multinacionais, destacou Grazielle. O fim da elisão fiscal representaria um potencial de aumento da arrecadação entre 0,8% e 2% do PIB, no cálculo de Orair. 
Os principais tributos sonegados são o IPI, incidente sobre a indústria, e o Imposto de Renda. Um estudo do Sindicato dos Procuradores da Fazenda Nacional concluiu que 22,3% da arrecadação é sonegada, o equivalente, em 2015, a 454 bilhões de reais, ou 7,7% do PIB. Um valor quatro vezes superior ao déficit fiscal da União em 2015, de 111 bilhões. “O País sofreu no ano passado com um déficit fiscal apontado como a ruína das contas nacionais, quando havia um valor quatro vezes maior em tributos sonegados”, sublinhou a assessora do Inesc. 
Os débitos de impostos não pagos no prazo são inscritos na dívida ativa da União, hoje em “incrível 1 trilhão e meio de reais, acima da arrecadação total brasileira em 2015, de 1,2 trilhão”. Segundo a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, somente 1% da dívida ativa é resgatada a cada ano. 
Além disso, há 252 bilhões que já transitaram em julgado, valor muito maior que o déficit fiscal do ano passado e o deste ano também. “Não tem mais como recorrer, é só ir lá e recolher.   Com tanto dinheiro a receber pelo governo, fica claro que a intenção não é fazer um concerto fiscal, mas mudar a sociedade e a Constituição, destruir as políticas públicas e o princípio de solidariedade e fraternidade”, concluiu Grazielle.
Segundo o economista Bruno de Conti, da Unicamp, “a alegação é de que a taxa Selic e a sua elevação servem para combater a inflação, mas é evidente que se prestam também para garantir a remuneração dos detentores de títulos públicos”, um mecanismo de transferência assegurado pela política monetária. “Dizem que o Bolsa Família e as cotas nas universidades não são meritocráticas. Não há nada mais antimeritocrático, porém, do que uma política monetária que garante aos detentores de patrimônio o seu crescimento ao infinito. Isso é ignorado de forma intencional e estratégica.” 
A política cambial é uma das âncoras do fluxo constante de renda para os ricos. Há uma relação “muito grande” entre a taxa de juros e o dólar”, diagnosticou Laura Carvalho, professora de economia da USP. Antes de pensar em reduzir os juros, disse, é preciso tornar a taxa de câmbio menos suscetível aos fluxos voláteis internacionais, a começar pela regulação do mercado enorme de derivativos cambiais.
A transferência de renda e seus mecanismos quase sempre são camuflados por justificativas técnicas, supostamente neutras. A primeira ata do Conselho de Política Monetária do Banco Central sob a presidência de Ilan Goldfajn, sobre a decisão de manter os juros em 14,25%, põe em xeque, no entanto, a isenção do órgão, analisa a economista: “Nunca antes na história deste país ficou tão óbvio o caráter político da decisão do BC”. 
A ata anterior, a última do período de Alexandre Tombini na presidência do BC, registrou que não era possível baixar a Selic por causa do déficit fiscal muito elevado e do momento expansionista da economia. “Agora, o Copom não fala mais no déficit de curto prazo nem na situação fiscal expansionista, apesar do déficit muito maior anunciado pelo governo, de 170 bilhões de reais para 2016 e de 139 bilhões no próximo ano. Afirma apenas que aguarda a aprovação das reformas estruturais de longo prazo.” A Emenda Constitucional 241, que limita o crescimento dos gastos sociais e investimentos públicos aos valores do ano anterior corrigidos pela inflação, e a reforma da Previdência “melhorariam a percepção dos agentes e aí, sim, se pensaria em reduzir os juros”. 
Na verdade, o BC não manteve a taxa, pois, “com a inflação em queda, manter os juros significa elevá-los. E vamos combinar: mesmo se as reformas forem aprovadas, não garantem a melhora da situação fiscal, pois têm a ver com aumento de despesas, não com receitas, e não indicam nada sobre o que vai acontecer com o crescimento. Portanto, de nenhuma maneira garantem uma estabilidade da dívida pública ao longo do tempo, que depende de muitas coisas, inclusive da taxa de juros”, chama a atenção a economista. 
*Reportagem publicada originalmente na edição 915 de CartaCapital, com o título "Paraíso dos ricos"
http://www.cartacapital.com.br/revista/915/brasil-o-paraiso-dos-ricos

O Petróleo do Brasil e a Ação da Cia dos EUA em Janeiro de 2015

  • Vazou reunião da CIA no Brasil: petróleo é "nosso"

  • Primeiro, quebrar a Petrobras!
Por Paulo Metri, conselheiro do Clube de Engenharia, para site Conversa Afiada - Sociedade, Petróleo e Golpe Político no Brasil (fonte no final do texto)Chico.jpg


Reunião na CIA em janeiro de 2015 no Brasil sobre o Petróleo

Em uma sala de reuniões ampla, com cortinas fechadas em um de seus lados, vê-se no centro da sala, uma mesa retangular em torno da qual estão umas vinte pessoas acomodadas em cadeiras confortáveis. Cada pessoa tem à sua frente um mesmo dossiê. O cidadão da cabeceira começa a falar.

- Não serão feitas apresentações e não precisam se identificar ao falar. Todos sabem do que iremos tratar. Por favor, comece.

Esta última frase é dita enquanto olha para o cidadão ao seu lado. Este toma a palavra.

- Hoje, o Brasil não é somente um mercado para o consumo dos bens e serviços das nossas empresas, além de um grande fornecedor de grãos e minérios de baixo valor no mercado internacional. Com a descoberta por parte deles da enorme jazida do Pré-Sal, mais as novas províncias petrolíferas, que ainda irão ser descobertas, na área que os nacionalistas brasileiros chamam de território marítimo brasileiro, que vai além do seu mar territorial, o Brasil poderá se tornar o maior exportador mundial de petróleo, acima da Arábia Saudita e da Venezuela.

- Os nativos sabem disso?

- Não. A grande massa não sabe de nada. Pouquíssimos brasileiros nacionalistas sabem. Alguns dos nossos aliados no país sabem da possível extensão das províncias petrolíferas que o país possui, porque os informamos. Mas só demos estas informações aos confiáveis. Neste ponto, o coordenador interrompe a apresentação para dizer:

- Seria melhor se as perguntas fossem anotadas e feitas no final. Continue, por favor.

- Creio que todos aqui sabem que o petróleo ainda será vital para as economias mundiais por no mínimo uns 50 anos, os desenvolvimentos tecnológicos para fornecimento de calor e movimento para as sociedades não encontrarão competidores em custo com os derivados de petróleo, a menos que restrições ambientais sejam impostas. Sumariamente, o petróleo continuará sendo um insumo essencial para as economias mundiais. Além disso, o petróleo do Brasil terá papel primordial no futuro do mercado internacional de petróleo, porque no resto do globo só ocorrerão descobertas de petróleo caro e, quando for de petróleo acessível, elas serão em regiões conflituosas.

O coordenador da reunião agradece a exposição do último interlocutor e passa a palavra a outro presente, dizendo:

- Assim, chegamos ao objetivo principal da nossa reunião. Tenha a palavra.

- Ocorreu recentemente, no final de 2014, a eleição para presidente do Brasil e, apesar de todos os esforços por nós despendidos, que não foram poucos, a presidente Dilma foi reeleita. Não vou fazer uma análise profunda do que ocorreu, para não roubar tempo do que é principal para este reunião. Mas, faço questão de frisar, até porque será útil para qualquer ação futura nossa, que existe no Brasil hoje um fator que nos desestabiliza.

Trata-se do ex-presidente Lula. Ele é um fenômeno na capacidade de comunicação com as massas e, hoje, é muito mais perigoso que no passado. Nós erramos em 2002, quando dissemos que não importaria, se ele ganhasse a Presidência naquele ano. Não imaginávamos que o Lula de 2002 evoluiria para um político que valoriza o nacionalismo. Possivelmente, o contato com lideres da China, Rússia, Índia e de outros países, a interferência do seu chanceler Celso Amorim e o entendimento da riqueza que representa o Pré-Sal o levaram a ser mais consciente da questão geopolítica.

- Encaminhe a nossa proposta de reversão desta perda eleitoral. É preciso deixar claro que para nós é inconcebível o Pré-Sal não ficar aberto a nossas empresas.

- Obviamente, temos que recuperar o poder para as nossas mãos. Um golpe através dos militares não é mais viável porque, primeiro, eles saíram muito marcados do período recente em que estiveram no poder, pois a população guarda lembrança de torturas e assassinatos de lideranças neste período e, em segundo lugar, não sabemos ao certo como pensa, atualmente, o militar brasileiro. Temos a nosso dispor para ajudar em qualquer projeto que decidirmos a mídia comercial local, que é nossa, o empresariado brasileiro, com raríssimas exceções, a grande maioria dos políticos do país, que são sem escrúpulos e corruptíveis. Temos também parcela do judiciário local, que é uma casta complexa em que residem egos avantajados. Temos uma arma secreta que é o treinamento de pessoal da Justiça e de ocupantes do Ministério da Justiça aqui, conosco. O mote para nossas ações a ser transmitido para todos os brasileiros será a luta contra a corrupção.

A verdade é que a corrupção vem acontecendo no Brasil há anos. Por exemplo, somos conhecedores da corrupção dentro da Petrobras desde o governo de Fernando Henrique Cardoso, mas, se tivermos que entregar a nossos aliados no Brasil, divulgaremos só os fatos dos períodos Lula e Dilma. Aliás, um ponto que precisa ser providenciado urgentemente é quebrar esta empresa, por tudo que ela representa. Ela é o próprio “vírus” nacionalista. Não podemos deixar no Brasil uma concorrente das nossas empresas querendo roubar o Pré-Sal de nós. O pior que pode nos acontecer é nosso plano ser identificado como contrário aos interesses brasileiros. Não se pode deixar o sentimento nacionalista brotar. Por isso, é recomendável não se aliar a ninguém que tenha algum compromisso nacionalista por mínimo que seja, a menos de torcer pela seleção de futebol do Brasil. Devemos reconhecer que o período neoliberal globalizante, cujo auge foi durante o governo de Fernando Henrique, alijou quase por completo qualquer sentimento nacionalista.

Trabalhamos bem, então. A partir daí, o nacionalismo foi vinculado ao atraso, ao passado distante e ao autoritarismo. Depois desta época, candidatos têm procurado reabilitar as teses nacionalistas, mas têm sido massacrados nas eleições. Naquela época, o brasileiro “foi conquistado”, em grande parte graças à nossa mídia “brasileira”, que nos ajuda muito.

- Acabou, Greg? Porque creio que chegou a hora de falarmos dos suportes financeiros para as ações que desenvolveremos. Antes, é preciso deixar claro que todas as ações de inteligência e o suporte das embaixadas serão dados sem custo algum. Mesmo o custo para corromper será rateado entre as nossas empresas beneficiadas e o nosso governo. Falará, agora, nosso especialista em compor estruturas de financiamento de projetos.

- Obrigado. Representantes de todas as grandes empresas com interesses econômicos no Brasil foram chamadas. Trata-se de investir neste projeto, agora, para podermos usufruir principalmente de recursos minerais a preços baixos por horizonte confortável, alem de usufruir com a venda de nossos produtos no mercado brasileiro.

Obviamente, não há certeza absoluta do sucesso do projeto, mas se trabalharmos de forma inteligente sem nos atrapalharmos, a grande probabilidade é que, logo, logo, fecharemos contratos de 30 a 40 anos que serão usados para garantir o processo de dominação. A qualquer época, eles serão acenados como contratos juridicamente perfeitos que precisam ser honrados. As petrolíferas, por serem grandes beneficiárias, serão as que contribuirão com maiores parcelas. Não vamos entrar em detalhes agora. Mas este material está à disposição das empresas. A boa notícia é que os deputados e senadores brasileiros eleitos junto com a presidente Dilma, na sua maioria, são nossos e não foram baratos para nós. Inclusive esta “compra” já foi feita e os senhores não precisam mais contribuir. A partir de agora, sabemos que, para cada projeto específico, eles serão favoráveis, bastando acertar algum valor adicional.

O grande projeto de retirada do poder das mãos de Dilma e entrega a pessoa de nossa confiança ainda está sendo planejado. Tudo leva a crer que será uma obra intrincada envolvendo o Judiciário, Ministérios do governo, a mídia comercial, políticos das duas Casas do Congresso do Brasil e movimentos sociais financiados por nós. Contudo, a mídia terá o papel principal, pois irá gerar a novela da deposição da presidente, consistente e compreensível pelo grande público.

- Muito bem. Acho que chegamos ao fim da reunião. Comunicaremos sempre fatos relevantes. Quaisquer informações que tenham, por favor, nos passem. Este processo será um pouco demorado. Leiam os jornais e tudo que inocentemente acontecer podem ter certeza que foi providenciado.
http://www.conversaafiada.com.br/economia/bomba-vazou-reuniao-da-cia-o-pre-sal-e-nosso

8.28.2016

Paro de tomar a pílula?

  • Em meio à divulgação de graves reações adversas ao anticoncepcional, mulheres questionam os riscos e a falta de informação sobre o contraceptivo

por Tory Oliveira para revista Carta Capital - Sociedade, Pílula e Saúde da Mulher


Foto Pixabay
Pílula anticoncepcionalAtualmente, a pílula anticoncepcional é utilizada por 100 milhões de mulheres no mundo todo. No Brasil, são 11 milhões de consumidoras
Ayubi nunca teve problemas até que, após interromper brevemente o uso por conta própria, foi ao ginecologista e voltou para casa com uma amostra grátis e com a recomendação de continuar tomando a pílula por conta dos benefícios para a pele.
Daniela tinha hipertensão e sobrepeso, mas relata que ouviu do médico que o risco de um problema mais grave era mínimo. "Hoje sei que eu tinha fatores de risco e que ele não poderia ter receitado a pílula", conta.
Em fevereiro deste ano, Ayubi teve alguns episódios de falta de ar. "Um belo dia, deitei para dormir e não conseguia respirar", conta a bacharel em Direito. Foi direto para o hospital. Na mesma noite, recebeu o diagnóstico de embolia pulmonar. Na sequência, descobriu que estava também com trombose. Ficou 10 dias internada.
"Fiquei no oxigênio, mal conseguia falar ou me mexer e, por cinco dias, não conseguia dormir direito", relata ela, que credita seus problemas de saúde ao uso da pílula anticoncepcional.
Daniela não é a única. No Facebook, a página "Vítimas dos Anticoncepcionais", que reúne relatos e promove a troca de informações sobre os possíveis efeitos adversos da pílula, tem cerca de 126 mil seguidores. Muitos dos casos viralizaram nas redes, aumentando a desconfiança de muitas mulheres com relação a um medicamento visto até então como um dos pilares da revolução sexual feminina.
A polêmica não se restringe ao Brasil. Vendida em mais de 100 países, o medicamento Diane 35 foi suspenso por três meses pela agência francesa de segurança de medicamentos em 2013, após o uso do contraceptivo ser relacionado com 125 casos e quatro mortes por trombose venosa no país desde 1987. Cerca de 315 mil mulheres consumiam o medicamento na França.
Ponta do iceberg 
Oficialmente, a correlação estatística entre o uso da pílula e a trombose é considerada pequena. Considerando uma população de 10 mil mulheres que não tomam pílula, duas ou três desenvolvem a doença por ano. Entre 10 mil mulheres que tomam a pílula, o risco aumenta em 100%, isto é, a chance passa para de quatro a seis casos.
Atualmente, a pílula anticoncepcional é utilizada por 100 milhões de mulheres no mundo todo. No Brasil, são 11 milhões de consumidoras: trata-se do método contraceptivo de preferência de 23% das mulheres em idade fértil.
Apesar de raros, os casos de reações adversas relacionadas ao anticoncepcional, quando acontecem, costumam provocar consequências graves. “A trombose pode estar localizada onde o trombo acontece, em geral nos membros inferiores", diz César Eduardo Fernandes, presidente da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), se referindo aos coágulos (trombos), que podem obstruir a circulação do sangue.
"Esses trombos podem ficar no local ou migrar, levados pela corrente sanguínea. Quando eles migram, denominamos tromboembolismo - um trombo que caminha pelas veias e vai se alojar à distância. A trombose pode levar a um tromboembolismo pulmonar ou cerebral. São eventos potencialmente muito sérios, que podem levar a óbito ou deixar sequelas importantes”, diz.
Quando acontecem, os efeitos adversos da pílula atingem como um raio a vida de mulheres como a da técnica de enfermagem e gestora hospitalar Janine Cavalcante, hoje com 28 anos.
Após cinco anos de uso da pílula, Janine teve uma trombose venal cerebral aos 24 anos. “Eu achava a pílula libertadora, pois era possível controlar com ela o nosso ciclo. Não deixa de ser, mas o risco não compensa o benefício que temos com ela. É um veneno”, critica.
Portadora sem saber da condição genética trombofilia, que aumenta ainda mais as chances de complicações sérias, Janine passou a sentir fortes dores de cabeça. Levada ao hospital, ficou sete dias internada. Não toma mais anticoncepcionais orais hormonais desde 2012. “Quando você vai no ginecologista ele diz que é raro (o risco de trombose), mas no pronto-socorro a primeira pergunta foi se eu usava anticoncepcional”, critica.
De maneira geral, a pílula não é recomendada para mulheres com doenças cardio-vasculares pré-existentes, cuja família tenha tendência à formação de coágulos no sangue, obesas, com alto nível de colesterol e em fumantes acima dos 35 anos.
Ainda assim, há casos de pessoas sem predisposição que sofrem com o problema, inclusive com sequelas ainda mais graves.
Após tomar o medicamento Yasmin por cinco anos, a paulista Alessandra Fernandes Costa começou a sentir dores de cabeça fortíssimas, iniciadas em janeiro de 2011. Nas três idas ao pronto-socorro, voltou para casa com o diagnóstico de enxaqueca. Em uma madrugada, deitada ao lado do marido, começou a convulsionar. Entrou em coma imediatamente.
Com o diagnóstico de AVC hemorrágico em decorrência de uma trombose, Alessandra ficou 24 dias na UTI, 12 deles em coma. Aos 36 anos, vegetariana, não-fumante e praticante de atividades físicas regulares, Alessandra não tinha antecedentes de trombose na família. Estaria, em tese, liberada para tomar o anticoncepcional.
As lembranças deixadas pelo remédio são, porém, amargas. "Eu não posso nem ver (a pílula). Todos falam que eu nasci de novo, pois a minha lesão foi muito grande, quase morri. Hoje sou aposentada por invalidez, ando com bengala e não mexo quase meu braço esquerdo", conta ela, que resistiu durante anos à recomendação de usar a pílula, mas acabou convencida por um ginecologista a adotar a medicação por conta das cólicas fortes que sentia a cada ciclo menstrual.
"Eu me senti bem a princípio. Li a bula e lá constam os efeitos adversos, mas você nunca imagina que vai acontecer com você", diz a ex-analista acadêmica, que também relata ainda arcar com outros problemas como depressão, epilepsia e obesidade.
Assim como outras mulheres que passaram por problemas associados à pílula, Alessandra desconfia das estatísticas apresentadas pelos médicos. "Cada dia a gente vê uma reportagem nova ou um post novo de uma pessoa que faleceu, que está internada. Os médicos falam que é raro. É raro mas acontece, né?"
Subnotificação
No Brasil, entre janeiro de 2011 e junho de 2016, a Anvisa recebeu 267 notificações envolvendo anticoncepcionais orais combinados com os princípios ativos drosperinona e etinilestradiol (comercializados pelas marcas Yaz, Iumi, Yasmin, Moliere e Elani) e a combinação de gestodeno e etinilestradiol. Dentro deste universo, o número de reações graves notificadas foi de 133 no primeiro caso e 44 no segundo (veja na tabela abaixo). Também registrou-se quatro mortes.
Há subnotificação de casos, no entanto, uma vez que médicos não são obrigados a registrá-los. De acordo com dados da Organização Pan-Americana de Saúde, apenas 10% das reações adversas ao anticoncepcional são notificadas às autoridades competentes e só 5% dos médicos notificam.
“Com certeza existe a subnotificação. Só vemos mesmo a ponta do iceberg, mas por uma amostra já podemos realizar ações regulatórias”, explica Lívia Ramalho, gerente substituta da área de Farmacovigilância da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Tabela da Anvisa sobre anticoncepcionaisMotivada, entre outros fatores, pela viralização dos casos nas redes sociais e pela cobertura realizada pela imprensa, a Anvisa recomendou, no início de agosto, o uso de pílulas anticoncepcional só após prescrição médica.
“Essa recomendação não é nova. Os contraceptivos orais são medicamentos de tarja vermelha, isto é, devem ser vendidos só com prescrição”, explica Ramalho. Ela admite, porém, que apesar dessa recomendação é comum a compra de anticoncepcionais sem qualquer receita em farmácias. “Mas isso é outro problema”.
A agência adverte que, antes do início do uso de qualquer contraceptivo, deve ser realizada minuciosa análise individual da mulher, seu histórico familiar e um exame físico, incluindo determinação da pressão arterial.
Além disso, exames das mamas, fígado, extremidades e órgãos pélvicos, além do Papanicolau, devem ser conduzidos. Tais exames clínicos devem ser repetidos pelo menos uma vez ao ano durante o uso de medicamentos contraceptivos.
Ainda que os médicos não sejam obrigados a fazê-lo, a comunicação de casos graves e de óbitos à Anvisa é obrigatória, desde 2013, para detentores do registro de medicamentos e para hospitais e serviços de saúde. Por meio de canais de atendimento e do sistema eletrônico de notificações de eventos adversos (Notivisa), qualquer pessoa pode comunicar o problema à agência de vigilância brasileira.
“Se você sentir uma dor de cabeça muito forte, vá ao médico”
O médico César Eduardo Fernandes, da Febrasgo, explica que é sabido que os anticoncepcionais hormonais orais, que contêm estrogênio e progesterona, aumentam o risco de tromboembolismo.
“As primeiras pílulas tinham um risco inicial 20 vezes maior do que os de hoje. De lá para cá, houve um progresso brutal com a síntese de novos compostos. As pílulas de hoje não são inócuas, mas melhoraram ao longo de três décadas”, afirma.
Nas primeiras versões da pílula, a dose de hormônios, em comparação com os medicamentos disponíveis hoje, era muito maior: 150 microgramas de etinilestradiol, o estrogênio sintético. Atualmente, a quantidade de hormônio nas pílulas de alta dosagem é 50 microgramas. A maioria dos contraceptivos de baixa dosagem contêm de 15 a 35 microgramas do hormônio.
Para as agências reguladoras, mesmo com esses riscos, os medicamentos anticoncepcionais atuais possuem um "perfil de segurança aceitável". Fernandes explica que todos os remédios carregam, em princípio, algum risco ou efeito colateral. O que é preciso saber, diz o médico, é se a incidência desses eventos adversos é aceitável.
A título de comparação, Fernandes faz uma analogia com o risco de viajar de avião: a chance de morrer em um acidente aéreo é estatisticamente baixa, mas, quando ele acontece, é um tragédia.
“Do mesmo modo, quando o tromboembolismo acontece com uma usuária da pílula, jovem e saudável, é muito preocupante”, afirma. Fernandes também diz que a própria gravidez aumenta mais o risco de desenvolver trombose do que a pílula: passa para 30 casos em 10 mil mulheres. “O anticoncepcional é eficaz para evitar filhos, porém, traz um risco e isso precisa ser dito para as mulheres”.

Médica e professora associada do Departamento de Tocoginecologia do Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (CAISM)/Unicamp, Ilza Maria Urbano Monteiro reafirma que a probabilidade estatística é pequena, mas admite que a orientação médica sobre os riscos não é frequente.
“A orientação deveria ser: se você notar que a sua perna ou a sua panturrilha começam a inchar, vá ao médico para ver. Se você sentir uma dor de cabeça muito forte, vá ao médico. Essas orientações o médico deve reforçar”, afirma.
Além disso, Monteiro explica que a pílula não deve mais ser a primeira opção de contraceptivo, especialmente para as mulheres jovens, já que a taxa de gravidez mesmo tomando a pílula é considerada alta (8% dos casos). Segundo ela, o método mais recomendado atualmente é o DIU de cobre ou hormonal.
"Não posso prescrever uma pílula para uma adolescente que não adere ao método e toma completamente errado o medicamento. Tenho que pensar em outras alternativas, como implante ou o anel vaginal. A gravidez na adolescência é um problema mais real e com impacto enorme na sociedade. E, atualmente, é muito mais comum do que o risco para a trombose", explica Monteiro.
Ao mesmo tempo, de acordo com os médicos ouvidos pela reportagem, não há ainda exames eficazes para determinar se é seguro receitar o medicamento anticoncepcional. De maneira geral, é possível detectar apenas metade dos casos. O custo (em torno de R$ 2.500 por paciente) é outro entrave. “Não dá para o sistema de saúde absorver esse gasto”, explica a ginecologista.
Ana Luiza Antunes Faria, médica com especialização em Ginecologia e Obstetrícia pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e pelo Hospital Pérola Byington, não acha que os casos devem motivar uma condenação da pílula. Especialmente em um país em que a gravidez de 55% das mulheres não é planejada e que 12% das adolescentes entre 12 e 19 anos já tiveram pelo menos um filho.
O ideal, segundo ela, é que os médicos avaliem caso a caso: "Pesar os riscos e os benefícios e sempre valorizar as queixas das pacientes", diz a médica. "Se pensarmos em quantas mulheres tomam a pílula e quantas desenvolvem esses quadros, veremos que a proporção total é muito pequena. Mas para aquela família que foi afetada, os números não importam", diz.
http://www.cartacapital.com.br/sociedade/paro-de-tomar-a-pilula

Brasileiros foram feitos de palhaço, diz escritor Veríssimo no Brasil

Publicado no site Brasil 247 - Sociedade e Disputa Política Brasileira e o Olhar da Mídia (fonte no final)

Verissimo: brasileiros foram feitos de palhaços

"Depois da provável cassação da Dilma pelo Senado, ainda falta um ato para que se possa dizer que la commedia è finita: a absolvição do Eduardo Cunha", diz o escritor Luis Fernando Verissimo, um dos maiores intelectuais brasileiros; "Pela lógica destes dias, depois da cassação da Dilma, o passo seguinte óbvio seria condecorarem o Eduardo Cunha. Manifestantes: às ruas para pedir justiça para Eduardo Cunha!"; neste fim se semana, Le Monde e New York Times ridicularizam o Brasil; no jornal francês, o impeachment foi chamado de golpe ou farsa; no NYT, Dilma é devorada por ratos; Verissimo faz ainda um lembrete: "evite olhar-se no espelho e descobrir que, nesta ópera, o palhaço somos nós"

247 – A tragicomédia brasileira de 2016, em que a presidente honesta é afastada por políticos corruptos, por meio de um golpe parlamentar, foi retratada na coluna escritor Luis Fernando Verissimo, no artigo Ri, palhaço, publicado no jornal O Globo.
"Depois da provável cassação da Dilma pelo Senado, ainda falta um ato para que se possa dizer que la commedia è finita: a absolvição do Eduardo Cunha. Nossa situação é como a ópera “Pagliacci”, uma tragicomédia, burlesca e triste ao mesmo tempo. E acaba mal", diz ele.
"O Eduardo Cunha pode ganhar mais tempo antes de ser julgado, tempo para o corporativismo aflorar, e os parlamentares se darem conta do que estão fazendo, punindo o homem que, afinal, é o herói do impeachment. Foi dele que partiu o processo que está chegando ao seu fim previsível agora. Pela lógica destes dias, depois da cassação da Dilma, o passo seguinte óbvio seria condecorarem o Eduardo Cunha. Manifestantes: às ruas para pedir justiça para Eduardo Cunha!"
Verissimo faz ainda um lembrete: "evite olhar-se no espelho e descobrir que, nesta ópera, o palhaço somos nós."
Nesta semana, os jornais Le Monde e New York Times ridicularizam o Brasil. No jornal francês, o impeachment foi chamado de golpe ou farsa (ler no endereço eltrônico -  http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/252017/Le-Monde-impeachment-de-Dilma-%C3%A9-ou-golpe-ou-farsa.htm). No NYT  dos EUA, Dilma é devorada por ratos (ler no endereço eletrônico - http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/252056/Jornal-The-New-York-Times-desmoraliza-o-golpe.htm).
http://www.brasil247.com/pt/247/cultura/252088/Verissimo-brasileiros-foram-feitos-de-palha%C3%A7os.htm









Lava Jato ofende quem preza o respeito à Constituição, e envolve pessoas inocentes

  • O procurador-geral Rodrigo Janot tem uma curiosidade. Bom sinal, nestes tempos em que temos sabido de inquisidores sem curiosidade, só receptivos a determinadas respostas

por Janio de Freitas para blog Amigos do Presidente Lula - Sociedade e Geopolítica Brasileira (fonte no final)

A crítica do ministro Gilmar Mendes aos "vazamentos" de delação na Lava Jato suscitou a reação de Rodrigo Janot registrada por Bernardo Mello Franco: "A Lava Jato está incomodando tanto? A quem e por quê?".

É uma honra, e quase um prazer, aplacar um pouco a curiosidade que a esta altura acomete ainda o procurador-geral, talvez forçando-o a alguma passividade ou omissão.

Não escapa à sua percepção o quanto a Lava Jato incomoda aos que envolve com sua malha, tenha ou não motivo real para tanto.

Mas existe outra classe de incomodados, muito mais numerosos do que os anteriores e atingidos por inquietação diferente. O procurador-geral não terá dificuldade em reconhecê-los.

É uma gente teimosa e inconformada. São os que prezam o respeito à Constituição, mesmo que não a admirem toda, e às leis, mesmo que imperfeitas.

E entendem, entre outras coisas, que isso depende não só dos governos e políticos em geral, mas, sobretudo, dos que integram o sistema dito de Justiça. Ou seja, o Judiciário, o Ministério Público, as polícias.

Perseguições escancaradamente políticas, prisões desnecessárias ou injustificáveis, permanências excessivas em cadeias, "vazamentos" seletivos —tudo isso, de que se tem hoje em dia inúmeros casos, incomoda muita gente.

Porque, além de covardes, são práticas que implicam abuso de autoridade e múltipla ilegalidade. E sua prepotência é tipicamente fascistoide.

Mas os incomodados com isso não se mudam e não mudam. Querem o fim da corrupção e de todas as outras bandalheiras, sem, no entanto, o uso de resquícios do passado repugnante.

2) Mais uma vez, às vésperas de uma decisão em procedimentos destinados ao impeachment, a Lava Jato cria uma pretensa evidência, na linha do escandaloso, que atinja Dilma Rousseff ainda que indiretamente.

Desta vez, estando os seus procuradores sob suspeita do crime de "vazamento" de matéria sigilosa, a Lava Jato passou a tarefa ao seu braço policial: o já conhecido delegado Márcio Anselmo, da Polícia Federal, indicia Lula, Marisa e Paulo Okamotto.

Os procuradores da Lava Jato pediram 90 dias para fazer a denúncia dos indiciados. Três meses? Um inquérito com as peças que justifiquem o indiciamento não precisa de tanto prazo para a denúncia.

A dedução é inevitável: o indiciamento foi precipitado, com o mesmo propósito político dos anteriores atos gritantes, e os longos três meses são para tentar obter o que até agora não foi encontrado.
3) O governo da China ofereceu ao Brasil, em junho de 2015, crédito em torno de US$ 50 bilhões para obras de infra-estrutura.

A Secretaria de Assuntos Internacionais do Ministério do Planejamento, no governo Dilma, e os chineses formaram uma comissão que, por sua vez, decidiu pela criação de um fundo de investimento de US$ 20 bilhões, composto por US$ 15 bilhões da China e completado pelo Brasil. Um outro fundo elevará o financiamento ao montante proposto no ano passado.

O governo de Michel Temer reteve a formalização do acordo, e o início do primeiro fundo, para apresentá-lo como realização sua. No dia 2 de setembro, data escolhida em princípio.

4) A crítica de Gilmar Mendes aos procuradores da Lava Jato foi atribuída por muitos, nos últimos dias, ao corporativismo sensibilizado pelo "vazamento" injustificado contra o ministro Dias Toffoli.

O que houve, porém, foi a repetição, em parte até com as mesmas palavras, das críticas feitas por Gilmar Mendes em pelo menos duas ocasiões. Inclusive tratando como crimes os "vazamentos" de delações sigilosas. Os quais, na verdade, não são vazamentos, ou informações passadas a jornalistas: são jogadas com fins políticos.

A definição como crime, aliás, é motivo bastante para que a tal investigação do "vazamento" contra Toffoli, ou nem comece, ou termine em nada a declarar.

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