Até o futebol americano feminino tem que ser "sexy"
A pesquisa recente do IPEA sobre o estupro e
comportamento feminino, e a notícia de que ocorrem, em
Joinville, quatro estupros por mes, chamam atenção. A questão de gênero em nosso meio necessita
ser debatida, visando um equilíbrio que hoje não existe entre mulheres e homens.
Esse assunto nunca cessa, pois o cenário é perturbador. Depois do
erro na pesquisa, ficou mais claro como a mídia trata a mulher, e o
comportamento da sociedade.
Nas estradas, em viagens, se verifica outdoors espalhados pelas margens.. A
quantidade de mulheres seminuas, expostas em poses dignas dos melhores programas
pornográficos da TV, chega até a ser
constrangedor. O mesmo ocorre nos comerciais de automóveis ou nos famosos
programas de auditório, mulheres exibindo seus
corpos, produzindo nos telespectadores em geral, homens, mulheres, jovens, adolescentes e crianças, uma imagem
fetichizada sobre o que é o corpo feminino. É como se a mulher fosse um reduto de satisfação e
prazer a qualquer momento para uns, e modelo de perfeição impossível
para outros, como apresentado por manequins nas capas das revistas.
Não é à toa que estupros sejam cada vez mais denunciados. Muitos(as) culpam a mulher estuprada por “mostrar demais”. As relações de gênero acabam ficando iguais às de consumo, onde
prevalece aquele que tem o poder de consumir os melhores objetos, e os
mais apetitosos para seus fetiches. Se a mulher “mostra demais”, e é um
“bom produto” que atende “o fetiche perfeito”, a culpa é dela que fez a
“propaganda”, como nas centenas de outdoors, canais de TV, grandes jornais e revistas,
internet, facebook entre outros meios de comunicação.
Em consequência disto, a mulher vira um objeto, no inconsciente masculino e feminino. Manipulável pela
mídia, pela indústria do consumo e também pelas entrelinhas das relações
de gênero. Mesmo que o IPEA relate o erro na pesquisa, ainda é
assustador saber que 26% dos entrevistados(as) culpam as mulheres pelo
estupro. Este pensamento não é dirigido somente às
pessoas de maneira geral, mas também quem nos faz pensar assim. O corpo
da mulher é dela, e não deve se submeter à manipulação de nada e nem de
ninguém.
O fetiche que virou objeto é uma "mercadoria'', porque está
impregnada na cabeça das pessoas. As grifes que se utilizam deste
artifício usam e abusam do fetiche, demonstrado pelo pensador Karl Marx
sobre o fetiche da mercadoria ainda no século XIX, colocando a mulher
como
um objeto de consumo, não somente o produto, mas
também a idéia de conquista da mulher perfeita, fechando,
desta maneira, o ciclo.
Seu Pedro, um dos 33 agro produtores que participam da geração de biogás a frente do biodigestor da sua propriedade
Vinte cabeças de gado se espalham pela pequena propriedade do casal Pedro e Isolda Regelmeier, no município de Marechal Cândido Rondon, interior do estado do Paraná. Além
do leite retirado das 11 vacas da criação, os animais são responsáveis
por gerar a própria energia em um local onde não chega a conta de luz
nem de gás. Na casa da família tudo funciona a partir do biogás:
lâmpadas, sistema de aquecimento e refrigeração e até o fogão, adaptado
por uma empresa de eletrodomésticos para funcionar a partir do uso do
material.
A matéria prima vem dos próprios animais da propriedade. Mais
especificamente, de seus dejetos que, depois de passarem por um processo
de biodigestão (foto), transformam-se em biogás.
Como eles, outros 32 pequenos produtores da cidade se utilizam dos
excrementos gerados por seus suínos, bovinos e aves para gerar energia
em suas propriedades. Dona Isolda é vice-presidente da Cooperativa do Condomínio Ajuricaba. Na
vida dos pequenos produtores rurais, o impacto vai além da economia nas
contas de gás e luz. “Melhorou a qualidade de vida da gente, porque
ficou mais pratico, mais higiênico”, diz a agricultora. A chamada “raspagem”, processo de retirada dos dejetos das
estribarias, acontece diariamente, mas agora o material não é mais
depositado no solo. “O serviço não diminuiu, mas sem o material estar na
terra, o número de insetos diminuiu, não tem mais mosca, nem mosquito”,
diz. “Olha aqui, é uma estribaria e não tem cheiro.”
No processo de raspagem das instalações, a solução se transforma em
ganho ambiental: a limpeza é feita com água da chuva, captada por um
sistema de calhas no telhado das unidades.
O processo é simples: o material segue para uma caixa que torna todo o material homogêneo. De lá, segue para o biodigestor. No
caso de propriedades como a de seu Pedro e dona Isolda, a propriedade
gera 350 litros de dejetos por dia. O biodigestor tem capacidade para
armazenar o material de 32 dias. O sistema funciona com composição em
camadas: o material mais novo entra na parte debaixo do biodigestor e o
material mais velho vai subindo com o passar do tempo.
A produção de biogás, nesses moldes, pode ser levada a outras
cidades, explica o engenheiro João Carlos Zank, do Parque Tecnológico
Itaipu (PTI), e já começa a ser replicado na cidade de Entre Rios do
Oeste, também no interior do Paraná, e também no Uruguai. “Em cada bacia
hidrográfica que se tenha pecuária de corte de ave, bovinos ou suínos
ou tenha produção de leite, é possível replicar esse modelo”, diz. “Cada
caso precisa de um estudo de viabilidade para que se saiba a quantidade
de gás possível ser gerada e o fim que ele terá, que pode ser a energia
elétrica, térmica ou veicular, vai depender da escala de produção do
local.” O material degradado segue pela tubulação para alimentar a
propriedade e o restante segue pelo gasoduto até chegar a central. O
engenheiro explica que se o fosse depositado no solo ou em rios - como
antes acontecia em todas as propriedades -, o material também se
converteria em gás, mas não poderia ser captado para o uso.
Cada unidade, retém uma diferente porcentagem de energia para sua
autossuficiência – em média de 10 a 15% do total da energia gerada,
segundo Zank. O restante vai para a Central de Energia do condomínio,
que produz energia térmica e elétrica e pode produzir combustível para
veículos. “O filtro instalado na nossa unidade já permite o uso veicular
desse combustível. Estamos desenvolvendo uma cadeia de uso de biogás de
qualidade e segurança”, afirma o engenheiro.
“Esse é o agricultor do futuro, o que produz sua própria energia”,
acredita Jorge Samek, diretor da usina Itaipu, a maior apoiadora e
idealizadora do projeto. A Itaipu Binacional administra a maior usina da
América Latina, responsável por quase um quinto da produção de energia
elétrica do Brasil. Samek afirma que a empresa viu um novo polo gerador
de energia a partir de um problema enfrentado na administração da usina:
a contaminação das bacias hidrográficas e dos lençóis freáticos que
abasteciam os reservatórios de Itaipu.
A contaminação era fruto dos excrementos dos animais, dispostos
diretamente sobre o solo das propriedades dos pequenos agricultores.
Agora, eles recolhem os desejos dos animais e os armazenam no
biodigestor, que gerará o gás.
“O Paraná é o maior estado produtor de agropecuária no Brasil”,
afirma Samek, “e Itaipu fica justamente em uma de suas regiões de maior
produção. Temos propriedades aqui com 240 mil suínos. Agora, isso está
virando energia.”
“Esse agricultor contamina menos seu solo, pode ter seu próprio carro
elétrico e o abastecer com a energia que ele mesmo gerou, sem nenhuma
emissão de poluentes e com uma economia absurda”, completa.
Durante a última semana, representantes de dez países membros da
Agência Internacional de Energia (IEA) visitaram o Parque Tecnológico e
discutiram, entre outros assuntos, iniciativas de seus países para a
produção do biogás. Ajuricaba, apostam os especialistas, pode ser o
carro chefe das energias alternativas do Brasil. "As cidades que se
abastecem com o gasoduto estão próximas do litoral, onde estão as
maiores capitais. Essa é a maneira que temos de descentralizar a
geração de energia: em vez de você trazer o gasoduto até o estado, ele
está saindo do interior e encontrando a capital", diz Zank. "Dessa
forma, o biogás pode gerar independência e descentralização da geração
de energia."
Um dos objetivos futuros da Força Tarefa 37 é regulamentar a produção do biogás, para que ela seja uniforme em todo o País. Um dos benefícios da regularização seria a produção de gás combustível para veículos, como já acontece com o gás GNV. *A repórter viajou a convite da Itaipu Binacional http://www.cartacapital.com.br/sociedade/o-biogas-pode-tornar-pequenos-agricultores-autossuficientes-em-energia-8481.html
A maioria do
Supremo Tribunal Federal (STF) considerou inconstitucionais as doações de
empresas privadas a partidos e candidatos no processo eleitoral. Com a
antecipação de voto dos ministros Marco Aurélio e Ricardo Lewandowski, o placar
no julgamento da ação direta de inconstitucionalidade (ADI) n° 4.650, ajuizada
pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, chegou a seis votos
contra um, garantindo maioria para a proibição do financiamento das pessoas
jurídicas. A decisão,
para os movimentos sociais, é considerada uma vitória importante da sociedade
civil, que luta por um sistema político mais democrático e livre das influências
do poder econômico. "Foi uma surpresa para nós que lutamos por uma reforma
política há tanto tempo. Não se imaginava que conquistaríamos tão cedo essa
proibição do financiamento empresarial privado, já que, até agora, as campanhas
são fundamentalmente financiadas pelas empresas”, afirma Ivo Lesbaupin, diretor
executivo da Abong (Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais) e
representante da entidade na coalizão pela reforma política democrática e eleições limpas, articulação que reúne parcela significativa das organizações e
movimentos sociais brasileiros na luta por mudanças no sistema política. A proposta da coalizão prevê o fim do financiamento por empresas, o fortalecimento do
financiamento público e a possibilidade de financiamento privado individual
(por pessoas físicas) até o valor de um salário mínimo. "O problema se
encontra no financiamento empresarial, em que os financiadores determinam as políticas
que serão seguidas, seja pelos governantes ou pelos parlamentares. Se permitir
o financiamento privado, o poder econômico determina o resultado das
eleições e depois controla os votos no congresso, como hoje ocorre. Em primeiro lugar, os financiadores e só depois os eleitores",
analisa Lesbaupin, que considera que o fim desse modelo de financiamento
implicará também em campanhas políticas mais baratas e em uma distribuição de
gastos mais equilibrada entre os candidatos. Jovita
José Rosa, diretora do movimento de combate à corrupção (MCCE), também avaliou
a conquista em entrevista à Adital. Ela lembra que a sociedade brasileira já
vinha reclamando dessa aberração, que é o
financiamento de campanhas políticas por parte de empresários. "Mesmo
que a votação no superior tribunal federal (STF) ainda não tenha terminado, já consideramos isso como uma
vitória. Fica como exemplo para que o congresso cumpra seu papel e não espere
pelo STF. Eles tiveram a oportunidade de discutir o assunto, de colocar em
pauta, e não o fizeram. A sociedade sai vitoriosa. Nossa expectativa é que, talvez a
partir de agora, a política seja desenvolvida em torno de ideias e propostas e
não sob o domínio do poder econômico. Essa decisão permite privilegiar pessoas vocacionadas à
política”, manifestou Jovita. Julgaram até
agora a ação procedente o relator Luiz Fux, além dos ministros Luís Roberto
Barroso, Joaquim Barbosa, Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio e Dias Toffoli. O
voto contrário foi de Teori Zavascki. Ainda faltam
os votos de quatro magistrados. O julgamento foi suspenso porque o ministro
Gilmar Mendes pediu vistas do processo, possivelmente com o intuito de atrasar o final do julgamento. Quando for retomado, o que não tem data
para ocorrer, o STF definirá se a regra vale para 2014 ou só nas eleições
posteriores. A demora na volta do julgamento
ao plenário pode impedir sua aplicação nas eleições de outubro. Os movimentos ressaltam que os ministros do STF, que já
votaram, podem mudar o voto enquanto não terminar o julgamento, por isso é
preciso ter cautela e aguardar o fim da votação para confirmar qual o resultado
final. Na prática, dificilmente alguém muda o voto. "Acredito que,
dificilmente, valerá para este ano por causa da regulamentação no congresso nacional. As campanhas e
o processo de financiamento já estão em andamento. Acho que valera a partir de
2016, mas só o fato de proibir já é uma revolução do sistema político brasileiro. Depois
do ficha limpa, é a maior conquista em relação a reforma política", afirma
Lesbaupin. A
diretora do MCCE destacou outras pautas que fazem parte da reforma política e
que ainda precisam conquistar vitória, entre elas a paridade entre homens e
mulheres, questões ligadas à transparência, resgate dos partidos políticos e um
referendo que possibilite a participação popular em uma possível reforma na constituição. Dentro
do mesmo tema, a comissão de constituição e justiça do senado (CCJ) aprovou, em
primeiro turno, um projeto de lei que também proíbe a doação de recursos de
empresas e pessoas jurídicas para o financiamento de campanhas eleitorais,
sejam as doações em dinheiro ou em forma de publicidade. O projeto segue
direito para a câmara dos deputados e só volta ao senado se algum senador
entrar com recursos pedindo votação da matéria em plenário.
Carlos
Alberto Libânio Christo, conhecido como o Frei Betto , (Belo Horizonte, 25 de
agosto de 1944) é um escritor e religioso dominicano brasileiro. Adepto da
Teologia da Libertação, foi militante engajado em movimentos pastorais e
sociais, tendo ocupado a função de assessor especial do presidente da República
Luiz Inácio Lula da Silva entre 2003 e 2004. Foi coordenador de Mobilização
Social do Programa Fome Zero. Frei
Betto esteve preso por duas vezes sob a ditadura militar: em 1964, por 15 dias;
e entre 1969-1973. Após cumprir quatro anos de prisão, teve sua sentença
reduzida pelo STF para dois anos. Sua experiência na prisão está relatada nos
livros "Cartas da Prisão" (Agir), "Dário de Fernando - nos
cárceres da ditadura militar brasileira" (Rocco) e Batismo de Sangue
(Rocco). Premiado com o Jabuti de 1983, traduzido na França e na Itália, Batismo de Sangue descreve os bastidores
do regime militar, a participação dos frades dominicanos na resistência à
ditadura, a morte de Carlos Marighella e as torturas sofridas por Frei Tito.
Baseado no livro, o diretor mineiro Helvécio Ratton produziu o filme Batismo de
Sangue, lançado em 2007. Frei
Betto recebeu vários prêmios por sua atuação em prol dos direitos humanos e a
favor dos movimentos populares. Frei Betto, você
que foi preso, torturado durante a ditadura, como analisa esta data de 50 anos
de golpe militar? Frei Betto: É preciso
comemorar, no sentido etimológico de fazer memória, os 50 anos da implantação
da ditadura no Brasil. Como diria Marx, para que a história, uma tragédia, não
se repita como farsa. As novas gerações precisam saber como foi, o que foi e o
que fez a ditadura ao longo de 21 anos governando o Brasil. Ainda temos, em
nosso país, "viúvas" da ditadura e quem apregoa que a volta dos
militares haverá de melhorar o país... Como você analisa
hoje o processo de redemocratização do Brasil? Quais os maiores avanços desta
conquista? FB: A ditadura
foi derrubada pelo acúmulo político provocado pelas mobilizações dos movimentos
sociais: CEBs, associações de bairros, luta pela terra, sindicatos, grupos de
arte e cultura etc. Conseguimos eleger um metalúrgico - Lula - presidente da
República, consolidando processo democrático. Grandes avanços ocorreram ao
longo dos 11 anos de governo do PT: controle da inflação, elevação do salário
mínimo, inclusão econômica de 55 milhões de pessoas etc. Porém, os arquivos da
ditadura de posse das Forças Armadas não foram abertos até hoje e a Comissão da
verdade, que apura os crimes do regime militar, não tem poder de punir. Além
disso, nenhuma reforma de estrutura foi implementada nesses 11 anos de governo,
nem a agrária, nem a política, nem a tributária etc O processo de
democratização no Brasil forjou ao longo desses anos um Estado de direito? FB: Sim, mas
falta muito para aperfeiçoá-lo. Precisamos de uma nova carta constitucional, e
esperamos que o povo brasileiro vote a favor disso no plebiscito que ocorrerá a
7 de setembro. Precisamos, após a inclusão econômica de inclusão política, pela
qual os jovens se mobilizam nas ruas. Nossa democracia ainda é meramente
"delegativa” e não participativa. Há muito a fazer e lutar!
por Antonio Hermosín, da Efepublicado
31/03/2014 11:11,
última modificação
31/03/2014 11:42
MARTIN GERTEN/efe
No caso da Europa, as mudanças climáticas vão provocar um aumento das restrições de água
São Paulo – A
mudança climática já afetou a disponibilidade de alimentos e de água
em diversas partes do planeta, segundo um relatório apresentado nesta
segunda-feira em Tóquio por analistas da Organização das Nações Unidas
(ONU), que preveem um aumento dos fluxos migratórios e um maior risco
de conflitos devido a estes fenômenos.
O novo documento
elaborado pelo II Painel Intergovernamental da ONU sobre Mudança
Climática (IPCC) é o mais extenso e contundente até o momento sobre
este processo climatológico.
O relatório analisar seus efeitos
sobre o homem e sobre a natureza em todas as regiões do planeta da
atualidade até o ano 2100.
O relatório foi redigido durante uma
semana em Yokohama (Japão) por cerca de 500 especialistas
internacionais e responsáveis políticos de 70 países a partir dos
últimos estudos científicos.
Trata-se de "um dos mais amplos
relatórios científicos da história", que inclui "sólidas evidências de
todas as disciplinas", segundo disse ao apresentar o documento em
entrevista coletiva o secretário da Organização Mundial de Meteorologia
(OMM), Michel Jarraud.
O analista afirmou que já não há
nenhuma dúvida de que o clima está mudando, e acrescentou que "95%
desta mudança se deve à atividade humana".
"A mudança climática
já teve impactos observados e documentados em todo o planeta",
ressaltou o vice-presidente do painel da ONU, o argentino Vicente
Barros.
Em particular, o documento cita 120 impactos nos seis
continentes com atribuição total ou parcial à mudança climática,
segundo explicou em entrevista à Agência EFE o professor de Climatologia da Universidade de Buenos Aires.
Entre os exemplos há quedas do rendimento dos cultivos em diversas
partes do mundo, "eventos climáticos extremos" como ondas de calor,
tufões, fortes chuvas, inundações, secas e mudanças nos padrões
migratórios de diversas espécies animais.
A queda do rendimento
agrícola se observa em regiões como o Sul da Europa ou da América do
Sul, e sobretudo em cultivos como o do milho ou do trigo, segundo
Barros.
Mas as maiores consequências da mudança climática sobre
a segurança alimentar se observarão em zonas como a África e o Sudeste
asiático, "onde a população rural faz em sua maior parte uma economia
de subsistência", disse Barros.
"Isto afetará centenas de
milhões de pessoas se não fizermos nada. O mundo deve tomar este
relatório muito a sério", alertou o presidente do IPCC, Rajendra
Pachauri.
A falta de alimentos e os eventos climáticos extremos
"provocarão com toda segurança um aumento dos fluxos migratórios e dos
conflitos entre povoações, e terão implicações na integridade
territorial, sobretudo nas zonas menos desenvolvidas", ressaltou o
analista.
"Onde irão as pessoas quando virem que não têm o
básico para viver? Isto já está ocorrendo e se intensificará com a
mudança climática", advertiu Pachauri, destacando a necessidade de
atenuar estes fenômenos "tomando medidas urgentes", particularmente
reduzir as emissões de gases do efeito estufa.
O documento
apresentado hoje é a segunda das três partes do extenso relatório que o
IPCC está elaborando por etapas e cujas conclusões finais se
apresentarão em outubro em Berlim. O texto recebeu o apoio de distintas
organizações por meio de um comunicado conjunto da rede Climate Action
Network (CAN).
"O relatório é claro: o impacto da mudança
climática sobre a alimentação é pior do que se tinha estimado", afirmou
o analista da Oxfam International Tim Gore, que convocou os governos
para adotarem ações urgentes.
O Greenpeace, além disso, exigiu
que os líderes políticos acelerem a transição para energias limpas e
seguras para evitar ameaças maiores sobre a segurança humana e para
proteger florestas, oceanos e espécies naturais de importância vital.
Por último, a organização conservacionista World Wildlife Fund (WWF)
assinalou que embora o relatório fale "dos custos econômicos" da mudança
climática, as verdadeiras consequências deste processo sobre a vida
humana e sobre a natureza "não podem ser representadas em termos
econômicos". http://www.redebrasilatual.com.br/ambiente/2014/03/onu-alerta-para-mais-secas-inundacoes-e-incendios-florestais-na-europa-7244.html
A partir dos anos 70 do século passado ficou claro
para grande parte da comunidade científica que a Terra não é apenas um planeta
sobre o qual existe vida. A Terra se apresenta com tal dosagem de elementos, de
temperatura, de composição química da atmosfera e do mar que somente um
organismo vivo pode fazer o que ela faz.
A Terra não contém simplesmente vida.
Ela é viva, um superorganismo vivente, denominado pelos andinos de Pacha Mama e
pelos modernos de Gaia, o nome grego para a Terra viva.
A espécie humana representa a capacidade de
Gaia ter um pensamento reflexo e uma consciência sintetizadora e amorosa. Nós, humanos, homens e mulheres,
possibilitamos à Terra apreciar a sua luxuriante beleza, contemplar a sua
intrincada complexidade e descobrir espiritualmente o Mistério que a
penetra.
O que os seres humanos são em relação à Terra é a
Terra em relação ao cosmos por nós conhecido.
O cosmos não é um objeto sobre o qual descobrimos a vida. O cosmos é,
segundo muitos cosmólogos contemporâneos (Goswami, Swimme e outros), um sujeito
vivente que se encontra num processo permanente de gênese. Caminhou 13,7 bilhões
de anos, se enovelou sobre si mesmo e madurou de tal forma que num canto dele,
na Via Láctea, no sistema solar, no planeta Terra, emergiu a consciência reflexa de si mesmo, de donde veio, para onde
vai e qual é a Energia poderosa que tudo sustenta.
Quando um
ecoagrônomo estuda a composição química de um solo, é a própria Terra que estuda
a si mesma. Quando um astrônomo dirige o telescópio para as estrelas, é o próprio universo que olha para si
mesmo.
A mudança que esta leitura deve produzir nas
mentalidades e nas instituições só é comparável com aquela que se realizou no
século 16 ao se comprovar que a Terra era redonda e girava ao redor do sol.
Especialmente, a transformação de que as coisas ainda não estão prontas, estão
continuamente nascendo, abertas a novas formas de autorrealização.
Consequentemente, a verdade se dá numa referência aberta e não num código
fechado e estabelecido. Só está na verdade quem caminha com o processo de
manifestação da verdade.
Importa, antes de mais nada, importa reintegrar o tempo. Nós não temos a idade que se
conta a partir do dia do nosso nascimento.
Nós temos a idade do cosmos. Começamos a nascer há 13,7 bilhões de anos,
quando principiaram a se organizar todas
aquelas energias e materiais que entram na constituição de nosso corpo e de
nossa psique. Quando isso madurou, então nascemos de verdade, e sempre abertos a outros aperfeiçoamentos
futuros.
Se sintetizarmos o relógio cósmico de 13,7 bilhões
de anos no espaço de um ano solar, como o fez Carl Sagan no seu livro Os dragões do Eden (N.York, 1977,
14-16), e querendo apenas realçar algumas datas que nos interessam, teríamos o
seguinte quadro:
A primeiro de janeiro ocorreu o Big Bang. A
primeiro de maio o surgimento da Via Láctea. A nove de setembro, a origem do
sistema solar. A 14 de setembro, a formação da Terra. A 25 de setembro, a origem
da vida. A 30 de dezembro, o aparecimento dos primeiro hominídeos, avós
ancestrais dos humanos. A 31 de dezembro, os primeiros homens e mulheres. Nos
últimos 10 segundos de 31 de dezembro foi inaugurada a história do homo sapiens/demens, do qual descendemos
diretamente. O nascimento de Cristo ter-se-ia dado precisamente às 23 horas 59 minutos e 56
segundos. O mundo moderno teria surgido no 58º segundo do último minuto do ano.
E nós, individualmente? Na última fracção de segundo antes de completar
meia-noite.
Em outras palavras, somente há 24 horas o
universo e a Terra têm consciência reflexa de si mesmos. Se Deus dissesse a um anjo "procure no espaço
e identifique no tempo a Denise ou o
Edson ou a Silvia", certamente não o conseguiria porque eles são menos que um pó
de areia vagando no vácuo interstelar e começaram a existir há menos de um
segundo. Mas Deus, sim, porque Ele
escuta o pulsar do coração de cada filho e filha seus, porque neles o universo
converge em autoconsciência, em amorização e em celebração.
Uma pedagogia adequada à nova cosmologia nos
deveria introduzir nestas dimensões que nos evocam o sagrado do universo e o
milagre de nossa própria existência. Isso em todo o processo educativo, da
escola primária à universidade.
Em seguida faz-se mister reintegrar o espaço
dentro do qual nos encontramos. Vendo a Terra de fora da Terra, nos descobrimos
um elo de uma imensa cadeia de seres celestes. Estamos numa dos 100 bilhões de
galáxias, a Via Láctea. Numa distância
de 28 mil anos-luz de seu centro;
pertencemos ao sistema solar, que é um entre bilhões e bilhões de outras
estrelas, num planeta pequeno mas extremamente aquinhoado de fatores favoráveis
à evolução de formas cada vez mais
complexas e conscientizadas de vida: a Terra.
Na Terra nos encontramos num Continente que se
independizou há cerca de 210 milhões de anos, quando a Pangea (o continente
único da Terra) se fraturou e ganhou a configuração atual. Estamos nesta cidade,
nesta rua, nesta casa, neste quarto, e
nesta mesa, diante do computador, a
partir de onde me relaciono e me sinto ligado à totalidade de todos os
espaços do universo.
Reintegrados no espaço e no tempo, nos sentimos
como Pascal diria: um nada diante do Todo e um Todo diante do nada. E nossa
grandeza reside em saber e celebrar tudo isso. *Leonardo Boff,
teólogo
e filósofo, é também escritor. É dele o livro ‘Proteger
a Terra e cuidar da vida: Como escapar do fim do mundo'
(Record, 2010). - leonardo
Boff http://www.jb.com.br/leonardo-boff/noticias/2014/03/31/reintegrar-se-no-espaco-e-no-tempo/
Por Redação, com agências internacionais - de Moscou
Peskov falou sobre a formação de um mercado financeiro independente
As sanções anunciadas pela União Europeia e EUA contra a Rússia
também voltaram a mexer com o mercado investidor, nesta terça-feira,
após uma entrevista com o porta-voz do Kremllin, Dmitry Peskov. A Rússia
voltou a cogitar a formação de um mercado financeiro paralelo ao de
Wall Street, com negociações realizadas em moedas como o rublo, o yuan e
o real, em resposta às pressões do Ocidente contra a anexação do Estado
independente da Crimeia.
Segundo Peskov, as sanções contra a Rússia foram “o último
gatilho” para a criação de um sistema financeiro independente, baseado
na economia real. Segundo afirmou, “o mundo está mudando rapidamente”.
– Quantas civilizações cresceram e se extinguiram no curso da
História? Quem está apto a resistir à pressão de um sistema perto da
falência e indicar ao seu povo o caminho para o futuro? A possibilidade
de um novo sistema financeiro independente do dólar,
que segue perto de um colapso após a crise de 2008 será uma
consequência das sanções contra a Rússia que, doravante, passará a
reforçar seus laços econômicos com o países do BRICS, em particular com a
China, que é dona de grande parte da dívida externa norte-americana –
afirmou.
O mundo, hoje em dia, segundo análise do porta-voz do governo russo,
“deixou de ser bipolar” e países como Brasil, Índia, China e África do
Sul, que integram o BRICS, juntos com a Rússia, representam 42% da
população mundial e cerca de um quarto da economia, o que coloca este
bloco como um importante ator global. As sanções determinadas pelo
Ocidente “podem significar uma grande catástrofe para os EUA e os
europeus, no futuro”, acrescentou Peskov.
A discussão sobre um novo sistema financeiro, no entanto, não começou
agora. Desde a formação do BRICS, há mais de uma década, estuda-se a
possibilidade de se formar um novo mercado, que aceite outras moedas, e
não apenas o dólar norte-americano, na liquidação dos negócios. Os
países que integram este bloco estão todos de acordo com os princípios
legais, em nível mundial, e o volume de negócios entre estas nações tem
batido novos recordes a cada ano, nas mais diferentes áreas. Com o objetivo de modernizar o sistema econômico global, que tem no
centro dele os EUA e a UE, os líderes do Brasil, Rússia, Índia, China e
África do Sul criaram o BRICS Stock Alliance, um embrião deste novo
mercado sem o dólar, e têm desenvolvido mecanismos bancários capazes de
financiar seus grandes projetos de infraestrutura. Apesar do ceticismo
dos mercados formais, “estes países têm mostrado bons resultados em suas
balanças comerciais”, concluiu.