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4.15.2014

Como iniciou a páscoa cristã

Israel, onde foi comemorada a primeira páscoa, estava sob o domínio do Egito. O império romano, que dominava vários países, inclusive o Egito, ordenou a morte de todos os primogênitos, indiferente da origem da pessoa que morava em Israel. Roma tinha vagas informações sobre o nascimento de um futuro poderoso rei em algum lugar do Egito. Os romanos não sabiam quem era Jesus, que naquele episódio era uma criança, somente sabiam que era primogênito de uma família egipcia.
Então para poder matar Jesus que seria o poderoso rei, se matou todos o primogênitos do Egito. 
Coincidentemente, por ordem das autoridades judias, quando ocorreu a morte dos primogênitos, deveria ser sacrificado um cordeiro e marcado com sangue todas as casas existentes em Israel, que naquele momento histórico, estava dentro do país Egito. Isto traria a proteção divina a cada família dos judeus, em Israel. Cada família tomaria um cordeiro macho, de um ano de idade, sem defeito e o sacrificaria. Famílias menores podiam repartir um único cordeiro entre si (Êx. 12.4).

 

Os israelitas deviam passar parte do sangue do cordeiro sacrificado nas duas ombreiras e na verga da porta de cada casa. Quando os romanos passaram por Israel para matar os primogênitos, eles não mataram os filhos primogênitos das casas que tinham o sangue colocado sobre elas.
Em Israel, além dos judeus, moravam habitantes de outros países, que não seguiam os costumes judaicos. Famílias não judaicas, que tinham filho primogênito, não colocaram sangue de cordeiro nas duas ombreiras e verga da porta. Desta forma, os romanos mataram os filhos primogênitos de todas as famílias que moravam no Egito, com exceção somente das famílias dos judeus.
Daí o termo Páscoa, do hebreu pesah, que significa “pular além da marca”, “passar por cima”, ou “poupar”.


Assim, pelo sangue do cordeiro morto, os israelitas foram protegidos da condenação à morte executada contra todos os primogênitos. A ordem do sinal do sangue, era para ensinar ao seu povo a importância da obediência e da redenção pelo sangue, fazendo com que as pessoas entendessem o advento do “cordeiro de Deus,” ritual utilizado pelos judeus. Jesus Cristo, que séculos mais tarde tiraria o pecado do mundo (Jo. 1.29) por ter sido matado como entendiam os cristãos, significou o sacrifício semelhante ao cordeiro de Deus, que os judeus tinham o costume de realizar na páscoa.

De acordo com a bíblia, no livro de êxodo, capítulo 12, versículo 31, naquela mesma noite que os judeus marcaram as casas com o sangue do cordeiro, o Faraó egipsio permitiu que o povo judeu ou israelita partisse, encerrando assim, séculos de escravidão e inaugurando uma viagem que duraria quarenta anos, até Canaã a terra prometida.

A partir daquele momento da história, os judeus celebrariam a Páscoa toda primavera, obedecendo as instruções das autoridades judias, que a partir daquela celebração seria “estatuto perpétuo” (Êx. 12.14). Era, porém, um sacrifício comemorativo, exceto o sacrifício inicial, quando Israel estava sob o domínio do Egito, tendo sido naquele ano um sacrifício educativo.
Libertação
Lembremos não somente nesta data, mas em todos os dias, o verdadeiro significado da páscoa. Assim como os judeus foram  libertos da escravidão no Egito, muitos católicos acreditam que a libertação da escravidão do pecado é Jesus Cristo quem dá, erro bastante comum na leitura da bíblia, os cristãos sabem que a libertação pessoal depende de cada um.
Cada pessoa conquista a sua libertação, independente se ou outro permite ou não ser livre. A vida que cada um recebe, possibilita a conquista da liberdade pelas atitudes ou ações. A forma de viver também pode conduzir a uma auto-escravidão.
A escolha depende de cada um.
Cristo, pelas suas escolhas, atitudes e ações conquistou a plena liberdade, conforme a citação da bíblia que diz: vida esta conquistada com sangue “porque Cristo, nossa Páscoa, foi sacrificado por nós.” (I Co 5.7).
Jesus Cristo é um dos maiores exemplos de como conquistar a libertação pessoal.
Fonte: http://cpad.com.br/institucional/integra.php?s=5&i=90

4.13.2014

São Paulo: estado dos jeitinhos políticos


Como explicar as seguidas vitórias de candidatos do PSDB nas últimas cinco eleições para o governo do Estado de São Paulo, entre 1994 e 2010?


Marcel Gomes-carta capital - política Arquivo

Como explicar as seguidas vitórias de candidatos do PSDB nas últimas cinco eleições para o governo do Estado de São Paulo, entre 1994 e 2010? Quais as razões de fundo que levaram a essa inédita hegemonia político-partidária, não alcançada por nenhum outro partido em pleitos estaduais na história democrática brasileira recente? O que esperar da disputa em 2014?

Essas são algumas das questões levantadas pelo pesquisador Danilo Cesar Fiore, cujo trabalho de investigação foi apresentado no IV Seminário Discente da Pós-Graduação em Ciência Política da Universidade de São Paulo (USP), realizado ao longo desta semana.

Com a série histórica dos resultados das votações eleitorais em mãos, Fiore foi capaz de refletir sobre algumas hipóteses que explicariam a força tucana no Estado. A primeira delas passa pela paulatina decadência de siglas que protagonizaram as disputas da década de 80 e início da de 90: o PMDB (ex-MDB) e o PDS/PP (ex-Arena).

Na avaliação do pesquisador, baseada em literatura especializada na questão, isso teria ocorrido não apenas pela dissidência do PMDB que criaria o PSDB, enfraquecendo o partido original a partir de 1988. Aliado a esse fato, a liderança que permaneceu – Orestes Quércia – teria direcionado a sigla a um caminho de oligarquização e insulamento de lideranças, que dificultou a renovação de quadros. História semelhante teria ocorrido com o PDS/PP, dominado por Paulo Maluf.

“Em todos os pleitos até 2002 houve segundo turno [em São Paulo], e a votação somada dos dois primeiros colocados chegou, no máximo, a 70% do total de votos válidos. Não causa surpresa, assim, que nos dois últimos pleitos, quando a votação somada de ambos os candidatos atingiu quase 90% do total de votos, não tenha havido a segunda rodada eleitoral”, explica o pesquisador da USP. “A hipótese, portanto, é de que o PSDB teria absorvido o “espólio” destes partidos decadentes”.

Absorver o espólio significa, entre outros aspectos, receber apoio de eleitores identificados com o campo da centro-direita, e que ficaram “órfãos” com a decadência de PMDB e PDS/PP. Com propostas que respondem ao campo conservador, como por exemplo em relação à segurança pública, obtiveram apoio daqueles que antes optavam pelo malufismo.

Um outro aspecto que explicaria a força peessedebista no Estado teria fundo sociopolítico. Para Fiore,  São Paulo “possui características específicas em relação ao resto do Brasil, como por exemplo o menor número de eleitores de estratos mais pobres e nível de desenvolvimento econômico mais elevado – ressalvadas regiões de carência significativa, como o Pontal do Paranapanema, o Sudoeste Paulista, o Vale do Ribeira e as franjas periféricas das grandes metrópoles”.

Com isso, a defesa dos interesses dessa parcela mais abastada da população brasileira, representada mais pelo ideal da “estabilidade econômica tucana” do que pelo projeto de “combate à pobreza do PT”, teria mais repercussão entre os eleitores paulistas.

“É curioso notar como o cenário estadual se configura na chave inversa do nível nacional em termos partidários, com PT e PSDB buscando resguardar seus respectivos territórios e, paralelamente, alcançar a tão aguardada vitória no campo adversário”, avalia o pesquisador.

Os tucanos, assim, para “resguardar seu território”, optaram por escalar caciques nacionais para enfrentar as disputas: Mario Covas, Geraldo Alckmin e José Serra se revezaram nas eleições. Os três também foram candidatos à presidência da República, o que, na visão de Fiore e da bibliografia especializada, faz parte de uma “estratégia coerente de ocupação de campo político-eleitoral”.

Em que pese todos esses elementos estarem presentes neste pleito de 2014 – Alckmin disputará a reeleição –, o pesquisador avalia que é possível haver surpresas. E por quê? Em primeiro lugar, ele destaca a queda relativa de votos do PSDB nas eleições de 2010 em relação a 2006, bem como o crescimento constante do percentual de votos no PT em todo o Estado. Alexandre Padilha, ex-ministro da Saúde, será o candidato petista.

Em segundo lugar, o PT parece ter voltado sua atenção – e recursos – para as eleições estaduais, após um longo período priorizando o pleito presidencial. É o caso não só de São Paulo, mas também do Rio de Janeiro, onde o senador Lindbergh Farias tentará se eleger.

Por fim, uma última razão seria a presença de outros candidatos competitivos. Após anos, o PMDB finalmente apresenta um nome forte – Paulo Skaf, ao menos segundo as últimas pesquisas –, assim como campo conservador deve ter um representante de peso – Gilberto Kassab, do PSD, ex-prefeito de São Paulo.

Comentário
 
Lais Borges - 12/04/2014
Acho que o povo de São Paulo ainda não está farto o suficiente do "modelão" PSDB, Alstom - Siemens , Privataria.... O lema aqui é " nóis capota mais num breca"..... trem que quebra todo dia, combate feroz às faixas exclusivas de ônibus, gente que tem 5 carros só para driblar o rodízio, gente que paga 50,00 um prato de macarrão mal feito (e nem pisca).... essa gente tem exatamente o que merece... Geraldinho, Serra, Kassab, Maluf, Skaf, máfias de fiscais . O PT não deveria querer pegar esse trem ( sem trocadilhos, nem referências) que está quase descarrilhando... Será uma burrice histórica - mas disso o PT entende bem - entrar só pra ser o culpado de "tudoissoqueestáaí".... porque é o que vai acontecer SE o PT ganhar essa eleição....Imediatamente 20 anos de desgoverno serão esquecidos e se cobrarão soluções IMEDIATAS..... ao PT. Acho que chega de ser tão burro. O povo, ora o povo , como diria o Tio Rey - esse não apita nada, e acredita em tudo que o Datena diz....


http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/PSDB-governa-Sao-Paulo-ha-20-anos-Chegou-a-hora-da-derrota-/4/30717

4.10.2014

Mulher: a mídia transformou-a em fetiche, objeto e mercadoria

POR CHARLES HENRIQUE VOOS

Até o futebol americano feminino tem que ser "sexy"
A pesquisa recente do IPEA sobre o estupro e comportamento feminino, e a notícia de que ocorrem, em Joinville, quatro estupros por mes, chamam atenção.
A questão de gênero em nosso meio necessita ser debatida, visando um equilíbrio que hoje não existe entre mulheres e homens.
 
Esse assunto nunca cessa, pois o cenário é perturbador. Depois do erro na pesquisa, ficou mais claro como  a mídia trata a mulher, e o comportamento da sociedade.
Nas estradas, em viagens, se verifica outdoors espalhados pelas margens.. A quantidade de mulheres seminuas, expostas em poses dignas dos melhores programas pornográficos da TV, chega até a ser constrangedor. O mesmo ocorre nos comerciais de automóveis ou nos famosos programas de auditório, mulheres exibindo seus corpos, produzindo nos telespectadores em geral, homens, mulheres, jovens, adolescentes e crianças, uma imagem fetichizada sobre o que é o corpo feminino. É como se a mulher fosse um reduto de satisfação e prazer a qualquer momento para uns, e modelo de perfeição impossível para outros, como apresentado por manequins nas capas das revistas.



Não é à toa que estupros sejam cada vez mais denunciados.
Muitos(as) culpam a mulher estuprada por “mostrar demais”. As relações de gênero acabam ficando iguais às de consumo, onde prevalece aquele que tem o poder de consumir os melhores objetos, e os mais apetitosos para seus fetiches. Se a mulher “mostra demais”, e é um “bom produto” que atende “o fetiche perfeito”, a culpa é dela que fez a “propaganda”, como nas centenas de outdoors, canais de TV, grandes jornais e revistas, internet, facebook entre outros meios de comunicação.



Em consequência disto, a mulher vira um objeto, no inconsciente masculino e feminino.
Manipulável pela mídia, pela indústria do consumo e também pelas entrelinhas das relações de gênero. Mesmo que o IPEA relate o erro na pesquisa, ainda é assustador saber que 26% dos entrevistados(as) culpam as mulheres pelo estupro. Este pensamento não é dirigido somente às pessoas de maneira geral, mas também quem nos faz pensar assim.
O corpo da mulher é dela, e não deve se submeter à manipulação de nada e nem de ninguém.

O fetiche que virou objeto é uma "mercadoria'', porque está impregnada na cabeça das pessoas. As grifes que se utilizam deste artifício usam e abusam do fetiche, demonstrado pelo pensador Karl Marx sobre o fetiche da mercadoria ainda no século XIX, colocando a mulher como um objeto de consumo, não somente o produto, mas também a idéia de conquista da mulher perfeita, fechando, desta maneira, o ciclo.

http://www.chuvaacida.info/2014/04/fetiche-objeto-e-mercadoria.html

Biogás leva autossuficiência energética a produtores no Paraná

No interior do estado, um projeto para transformar excrementos agropecuários em combustível une 33 famílias de agricultores
por Paloma Rodrigues - Energia - Sociedade  
Alexandre Marchetti / Itaipu
Ajuricaba
Seu Pedro, um dos 33 agro produtores que participam da geração de biogás a frente do biodigestor da sua propriedade
Vinte cabeças de gado se espalham pela pequena propriedade do casal Pedro e Isolda Regelmeier, no município de Marechal Cândido Rondon, interior do estado do Paraná. Além do leite retirado das 11 vacas da criação, os animais são responsáveis por gerar a própria energia em um local onde não chega a conta de luz nem de gás. Na casa da família tudo funciona a partir do biogás: lâmpadas, sistema de aquecimento e refrigeração e até o fogão, adaptado por uma empresa de eletrodomésticos para funcionar a partir do uso do material.
A matéria prima vem dos próprios animais da propriedade. Mais especificamente, de seus dejetos que, depois de passarem por um processo de biodigestão (foto), transformam-se em biogás.
Como eles, outros 32 pequenos produtores da cidade se utilizam dos excrementos gerados por seus suínos, bovinos e aves para gerar energia em suas propriedades.
Dona Isolda é vice-presidente da Cooperativa do Condomínio Ajuricaba. Na vida dos pequenos produtores rurais, o impacto vai além da economia nas contas de gás e luz. “Melhorou a qualidade de vida da gente, porque ficou mais pratico, mais higiênico”, diz a agricultora.
A chamada “raspagem”, processo de retirada dos dejetos das estribarias, acontece diariamente, mas agora o material não é mais depositado no solo. “O serviço não diminuiu, mas sem o material estar na terra, o número de insetos diminuiu, não tem mais mosca, nem mosquito”, diz. “Olha aqui, é uma estribaria e não tem cheiro.”
No processo de raspagem das instalações, a solução se transforma em ganho ambiental: a limpeza é feita com água da chuva, captada por um sistema de calhas no telhado das unidades.
O processo é simples: o material segue para uma caixa que torna todo o material homogêneo. De lá, segue para o biodigestor. No caso de propriedades como a de seu Pedro e dona Isolda, a propriedade gera 350 litros de dejetos por dia. O biodigestor tem capacidade para armazenar o material de 32 dias. O sistema funciona com composição em camadas: o material mais novo entra na parte debaixo do biodigestor e o material mais velho vai subindo com o passar do tempo.
A produção de biogás, nesses moldes, pode ser levada a outras cidades, explica o engenheiro João Carlos Zank, do Parque Tecnológico Itaipu (PTI), e já começa a ser replicado na cidade de Entre Rios do Oeste, também no interior do Paraná, e também no Uruguai. “Em cada bacia hidrográfica que se tenha pecuária de corte de ave, bovinos ou suínos ou tenha produção de leite, é possível replicar esse modelo”, diz. “Cada caso precisa de um estudo de viabilidade para que se saiba a quantidade de gás possível ser gerada e o fim que ele terá, que pode ser a energia elétrica, térmica ou veicular, vai depender da escala de produção do local.”
O material degradado segue pela tubulação para alimentar a propriedade e o restante segue pelo gasoduto até chegar a central. O engenheiro explica que se o fosse depositado no solo ou em rios - como antes acontecia em todas as propriedades -, o material também se converteria em gás, mas não poderia ser captado para o uso.
Cada unidade, retém uma diferente porcentagem de energia para sua autossuficiência – em média de 10 a 15% do total da energia gerada, segundo Zank. O restante vai para a Central de Energia do condomínio, que produz energia térmica e elétrica e pode produzir combustível para veículos. “O filtro instalado na nossa unidade já permite o uso veicular desse combustível. Estamos desenvolvendo uma cadeia de uso de biogás de qualidade e segurança”, afirma o engenheiro.
“Esse é o agricultor do futuro, o que produz sua própria energia”, acredita Jorge Samek, diretor da usina Itaipu, a maior apoiadora e idealizadora do projeto. A Itaipu Binacional administra a maior usina da América Latina, responsável por quase um quinto da produção de energia elétrica do Brasil. Samek afirma que a empresa viu um novo polo gerador de energia a partir de um problema enfrentado na administração da usina: a contaminação das bacias hidrográficas e dos lençóis freáticos que abasteciam os reservatórios de Itaipu.
A contaminação era fruto dos excrementos dos animais, dispostos diretamente sobre o solo das propriedades dos pequenos agricultores. Agora, eles recolhem os desejos dos animais e os armazenam no biodigestor, que gerará o gás.
“O Paraná é o maior estado produtor de agropecuária no Brasil”, afirma Samek, “e Itaipu fica justamente em uma de suas regiões de maior produção. Temos propriedades aqui com 240 mil suínos. Agora, isso está virando energia.”
“Esse agricultor contamina menos seu solo, pode ter seu próprio carro elétrico e o abastecer com a energia que ele mesmo gerou, sem nenhuma emissão de poluentes e com uma economia absurda”, completa.
Durante a última semana, representantes de dez países membros da Agência Internacional de Energia (IEA) visitaram o Parque Tecnológico e discutiram, entre outros assuntos, iniciativas de seus países para a produção do biogás. Ajuricaba, apostam os especialistas, pode ser o carro chefe das energias alternativas do Brasil. "As cidades que se abastecem com o gasoduto estão próximas do litoral, onde estão as maiores capitais. Essa é a maneira que temos de descentralizar a geração de energia: em vez de você trazer o gasoduto até o estado, ele está saindo do interior e encontrando a capital", diz Zank. "Dessa forma, o biogás pode gerar independência e descentralização da geração de energia."
Um dos objetivos futuros da Força Tarefa 37 é regulamentar a produção do biogás, para que ela seja uniforme em todo o País. Um dos benefícios da regularização seria a produção de gás combustível para veículos, como já acontece com o gás GNV.
 *A repórter viajou a convite da Itaipu Binacional
http://www.cartacapital.com.br/sociedade/o-biogas-pode-tornar-pequenos-agricultores-autossuficientes-em-energia-8481.html

Movimentos sociais brasileiros comemoram proibição de doações de empresas para campanhas

Natasha Pitts - Adital
Foto: Reprodução

A maioria do Supremo Tribunal Federal (STF) considerou inconstitucionais as doações de empresas privadas a partidos e candidatos no processo eleitoral. Com a antecipação de voto dos ministros Marco Aurélio e Ricardo Lewandowski, o placar no julgamento da ação direta de inconstitucionalidade (ADI) n° 4.650, ajuizada pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, chegou a seis votos contra um, garantindo maioria para a proibição do financiamento das pessoas jurídicas.
A decisão, para os movimentos sociais, é considerada uma vitória importante da sociedade civil, que luta por um sistema político mais democrático e livre das influências do poder econômico. "Foi uma surpresa para nós que lutamos por uma reforma política há tanto tempo. Não se imaginava que conquistaríamos tão cedo essa proibição do financiamento empresarial privado, já que, até agora, as campanhas são fundamentalmente financiadas pelas empresas”, afirma Ivo Lesbaupin, diretor executivo da Abong (Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais) e representante da entidade na coalizão pela reforma política democrática e eleições limpas, articulação que reúne parcela significativa das organizações e movimentos sociais brasileiros na luta por mudanças no sistema política.
A proposta da coalizão prevê o fim do financiamento por empresas, o fortalecimento do financiamento público e a possibilidade de financiamento privado individual (por pessoas físicas) até o valor de um salário mínimo.
"O problema se encontra no financiamento empresarial, em que os financiadores determinam as políticas que serão seguidas, seja pelos governantes ou pelos parlamentares. Se permitir o financiamento privado, o poder econômico determina o resultado das eleições e depois controla os votos no congresso, como hoje ocorre. Em primeiro lugar, os financiadores e só depois os eleitores", analisa Lesbaupin, que considera que o fim desse modelo de financiamento implicará também em campanhas políticas mais baratas e em uma distribuição de gastos mais equilibrada entre os candidatos.
Jovita José Rosa, diretora do movimento de combate à corrupção (MCCE), também avaliou a conquista em entrevista à Adital. Ela lembra que a sociedade brasileira já vinha reclamando dessa aberração, que é o financiamento de campanhas políticas por parte de empresários.
"Mesmo que a votação no superior tribunal federal (STF) ainda não tenha terminado, já consideramos isso como uma vitória. Fica como exemplo para que o congresso cumpra seu papel e não espere pelo STF. Eles tiveram a oportunidade de discutir o assunto, de colocar em pauta, e não o fizeram. A sociedade sai vitoriosa. Nossa expectativa é que, talvez a partir de agora, a política seja desenvolvida em torno de ideias e propostas e não sob o domínio do poder econômico. Essa decisão permite privilegiar pessoas vocacionadas à política”, manifestou Jovita.
Julgaram até agora a ação procedente o relator Luiz Fux, além dos ministros Luís Roberto Barroso, Joaquim Barbosa, Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio e Dias Toffoli. O voto contrário foi de Teori Zavascki.
Ainda faltam os votos de quatro magistrados. O julgamento foi suspenso porque o ministro Gilmar Mendes pediu vistas do processo, possivelmente com o intuito de atrasar o final do julgamento. Quando for retomado, o que não tem data para ocorrer, o STF definirá se a regra vale para 2014 ou só nas eleições posteriores. A demora na volta do julgamento ao plenário pode impedir sua aplicação nas eleições de outubro.
Os movimentos ressaltam que os ministros do STF, que já votaram, podem mudar o voto enquanto não terminar o julgamento, por isso é preciso ter cautela e aguardar o fim da votação para confirmar qual o resultado final. Na prática, dificilmente alguém muda o voto.
"Acredito que, dificilmente, valerá para este ano por causa da regulamentação no congresso nacional. As campanhas e o processo de financiamento já estão em andamento. Acho que valera a partir de 2016, mas só o fato de proibir já é uma revolução do sistema político brasileiro. Depois do ficha limpa, é a maior conquista em relação a reforma política", afirma Lesbaupin.
A diretora do MCCE destacou outras pautas que fazem parte da reforma política e que ainda precisam conquistar vitória, entre elas a paridade entre homens e mulheres, questões ligadas à transparência, resgate dos partidos políticos e um referendo que possibilite a participação popular em uma possível reforma na constituição.
Dentro do mesmo tema, a comissão de constituição e justiça do senado (CCJ) aprovou, em primeiro turno, um projeto de lei que também proíbe a doação de recursos de empresas e pessoas jurídicas para o financiamento de campanhas eleitorais, sejam as doações em dinheiro ou em forma de publicidade. O projeto segue direito para a câmara dos deputados e só volta ao senado se algum senador entrar com recursos pedindo votação da matéria em plenário.

http://site.adital.com.br/site/noticia.php?boletim=1&lang=PT&cod=80090

Frei Betto analisa em entrevista, a democracia brasileira após 50 anos do golpe militar

Adital - Direitos Humanos 
Carlos Alberto Libânio Christo, conhecido como o Frei Betto , (Belo Horizonte, 25 de agosto de 1944) é um escritor e religioso dominicano brasileiro. Adepto da Teologia da Libertação, foi militante engajado em movimentos pastorais e sociais, tendo ocupado a função de assessor especial do presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva entre 2003 e 2004. Foi coordenador de Mobilização Social do Programa Fome Zero.
Reprodução
Frei Betto esteve preso por duas vezes sob a ditadura militar: em 1964, por 15 dias; e entre 1969-1973. Após cumprir quatro anos de prisão, teve sua sentença reduzida pelo STF para dois anos. Sua experiência na prisão está relatada nos livros "Cartas da Prisão" (Agir), "Dário de Fernando - nos cárceres da ditadura militar brasileira" (Rocco) e Batismo de Sangue (Rocco). Premiado com o Jabuti de 1983, traduzido na França e na Itália, Batismo de Sangue descreve os bastidores do regime militar, a participação dos frades dominicanos na resistência à ditadura, a morte de Carlos Marighella e as torturas sofridas por Frei Tito. Baseado no livro, o diretor mineiro Helvécio Ratton produziu o filme Batismo de Sangue, lançado em 2007.

Frei Betto recebeu vários prêmios por sua atuação em prol dos direitos humanos e a favor dos movimentos populares.

Frei Betto, você que foi preso, torturado durante a ditadura, como analisa esta data de 50 anos de golpe militar?
Frei Betto: É preciso comemorar, no sentido etimológico de fazer memória, os 50 anos da implantação da ditadura no Brasil. Como diria Marx, para que a história, uma tragédia, não se repita como farsa. As novas gerações precisam saber como foi, o que foi e o que fez a ditadura ao longo de 21 anos governando o Brasil. Ainda temos, em nosso país, "viúvas" da ditadura e quem apregoa que a volta dos militares haverá de melhorar o país...

Como você analisa hoje o processo de redemocratização do Brasil? Quais os maiores avanços desta conquista?
FB: A ditadura foi derrubada pelo acúmulo político provocado pelas mobilizações dos movimentos sociais: CEBs, associações de bairros, luta pela terra, sindicatos, grupos de arte e cultura etc. Conseguimos eleger um metalúrgico - Lula - presidente da República, consolidando processo democrático. Grandes avanços ocorreram ao longo dos 11 anos de governo do PT: controle da inflação, elevação do salário mínimo, inclusão econômica de 55 milhões de pessoas etc. Porém, os arquivos da ditadura de posse das Forças Armadas não foram abertos até hoje e a Comissão da verdade, que apura os crimes do regime militar, não tem poder de punir. Além disso, nenhuma reforma de estrutura foi implementada nesses 11 anos de governo, nem a agrária, nem a política, nem a tributária etc

O processo de democratização no Brasil forjou ao longo desses anos um Estado de direito?
FB: Sim, mas falta muito para aperfeiçoá-lo. Precisamos de uma nova carta constitucional, e esperamos que o povo brasileiro vote a favor disso no plebiscito que ocorrerá a 7 de setembro. Precisamos, após a inclusão econômica de inclusão política, pela qual os jovens se mobilizam nas ruas. Nossa democracia ainda é meramente "delegativa” e não participativa. Há muito a fazer e lutar!

http://site.adital.com.br/site/noticia.php?boletim=1&lang=PT&cod=80097

4.01.2014

ONU adverte para um maior risco de conflitos devido à mudança climática

por Antonio Hermosín, da Efe publicado 31/03/2014 11:11, última modificação 31/03/2014 11:42
MARTIN GERTEN/efe
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No caso da Europa, as mudanças climáticas vão provocar um aumento das restrições de água
São Paulo – A mudança climática já afetou a disponibilidade de alimentos e de água em diversas partes do planeta, segundo um relatório apresentado nesta segunda-feira em Tóquio por analistas da Organização das Nações Unidas (ONU), que preveem um aumento dos fluxos migratórios e um maior risco de conflitos devido a estes fenômenos.

O novo documento elaborado pelo II Painel Intergovernamental da ONU sobre Mudança Climática (IPCC) é o mais extenso e contundente até o momento sobre este processo climatológico.

O relatório analisar seus efeitos sobre o homem e sobre a natureza em todas as regiões do planeta da atualidade até o ano 2100.

O relatório foi redigido durante uma semana em Yokohama (Japão) por cerca de 500 especialistas internacionais e responsáveis políticos de 70 países a partir dos últimos estudos científicos.

Trata-se de "um dos mais amplos relatórios científicos da história", que inclui "sólidas evidências de todas as disciplinas", segundo disse ao apresentar o documento em entrevista coletiva o secretário da Organização Mundial de Meteorologia (OMM), Michel Jarraud.

O analista afirmou que já não há nenhuma dúvida de que o clima está mudando, e acrescentou que "95% desta mudança se deve à atividade humana".

"A mudança climática já teve impactos observados e documentados em todo o planeta", ressaltou o vice-presidente do painel da ONU, o argentino Vicente Barros.

Em particular, o documento cita 120 impactos nos seis continentes com atribuição total ou parcial à mudança climática, segundo explicou em entrevista à Agência EFE o professor de Climatologia da Universidade de Buenos Aires.

Entre os exemplos há quedas do rendimento dos cultivos em diversas partes do mundo, "eventos climáticos extremos" como ondas de calor, tufões, fortes chuvas, inundações, secas e mudanças nos padrões migratórios de diversas espécies animais.

A queda do rendimento agrícola se observa em regiões como o Sul da Europa ou da América do Sul, e sobretudo em cultivos como o do milho ou do trigo, segundo Barros.

Mas as maiores consequências da mudança climática sobre a segurança alimentar se observarão em zonas como a África e o Sudeste asiático, "onde a população rural faz em sua maior parte uma economia de subsistência", disse Barros.

"Isto afetará centenas de milhões de pessoas se não fizermos nada. O mundo deve tomar este relatório muito a sério", alertou o presidente do IPCC, Rajendra Pachauri.

A falta de alimentos e os eventos climáticos extremos "provocarão com toda segurança um aumento dos fluxos migratórios e dos conflitos entre povoações, e terão implicações na integridade territorial, sobretudo nas zonas menos desenvolvidas", ressaltou o analista.

"Onde irão as pessoas quando virem que não têm o básico para viver? Isto já está ocorrendo e se intensificará com a mudança climática", advertiu Pachauri, destacando a necessidade de atenuar estes fenômenos "tomando medidas urgentes", particularmente reduzir as emissões de gases do efeito estufa.

O documento apresentado hoje é a segunda das três partes do extenso relatório que o IPCC está elaborando por etapas e cujas conclusões finais se apresentarão em outubro em Berlim. O texto recebeu o apoio de distintas organizações por meio de um comunicado conjunto da rede Climate Action Network (CAN).

"O relatório é claro: o impacto da mudança climática sobre a alimentação é pior do que se tinha estimado", afirmou o analista da Oxfam International Tim Gore, que convocou os governos para adotarem ações urgentes.

O Greenpeace, além disso, exigiu que os líderes políticos acelerem a transição para energias limpas e seguras para evitar ameaças maiores sobre a segurança humana e para proteger florestas, oceanos e espécies naturais de importância vital.

Por último, a organização conservacionista World Wildlife Fund (WWF) assinalou que embora o relatório fale "dos custos econômicos" da mudança climática, as verdadeiras consequências deste processo sobre a vida humana e sobre a natureza "não podem ser representadas em termos econômicos".

http://www.redebrasilatual.com.br/ambiente/2014/03/onu-alerta-para-mais-secas-inundacoes-e-incendios-florestais-na-europa-7244.html