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8.10.2014

Gostos e sabores de uma feliz recordação familiar.

Divagações em forma de crônica do imaginário.

por Mazinho



Família formada a 34 anos, em que 2 jovens idealistas sonharam, como muitos da classe média alta brasileira, em deixar a individualidade para trás, e seguir cada um com o seu jeitinho apaixonado de ser, a moça e o moço. Cada qual com suas ideias e maneiras. Algumas ótimas, outras nem tanto, mas 2 individualidades próprias. Uma masculina e outra feminina.
Com o passar do tempo, parecido com um diamante bruto, que se lapidando, e fica mais fácil de ser apreciado pelas pessoas ao seu redor. Bem devagarinho as coisas foram mudando. Umas para melhor, outras para pior, cada qual do seu jeito.
O sonho do namoro ligeirinho foi ficando para trás, o noivado para cumprir o ritual familiar também teve. E assim, chegaram ao casamento. Simples, de cidade pequenininha, com as famílias dos noivos na expectativa de mais um casório, e torcendo pra que tudo desse certo.
Foi o que aconteceu. Bem rapidinho, já que os noivos moravam distantes um do outro, uns 300 quilômetros. Lá pela década de 80, tudo era mais difícil que hoje. Mas deixa o saudosismo para ser escrito em outro hora.
Em um salto próximo a 30 anos no tempo, do jeito como as coisas andam nesta vida atribulada, esta união do feminino e masculino deu certo. Se pode brincar que foi um femilino, igual a feminino+masculino=femilino.
Com este mundo moderno, algumas vezes, isso se torna quase impossível, onde vamos parar. Chega de sair do assunto...
Aqui o papo é femilino e pronto.
E, neste rítmo, para os dois jovens, a vida seguiu a 2, que, dando um salto no tempo de 14 anos, tinham sob sua responsabilidade o filho mais velho de 13 anos, o menino do meio com 11 anos e uma meninha de 3 anos. Uma família de 5 pessoas.
E a vida foi seguindo, cada um do seu jeito foi se virando, indo e vindo...
Trabalhando em uma grande empresa estatal, o pai conseguiu juntar um patrimônio razoável, pois era um tanto quanto, vamos dizer, casquinha.
A mãe decidindo o que era melhor para cada filho, ajudou-os a enfrentarem o dia-a-dia. E assim, de ano em ano passando, tendo já se ido uns 34 aninhos, como se diz, talvez bem vividos, quem sabe, só o futuro dirá ...
Depois de todo este tempo, com um mundaréu de quinquilharias e coisinhas acumuladas, esta turma está se reorganizando. Como?
Querem até promover um brechó familiar, isto mesmo, essas coisas que organizam, dizem que é bem moderno fazer isto.
Se pega aquilo que está bom, funcionando, ou se arruma para voltar a funcionar, se organiza em um espaço, para outras pessoas poderem ver ou se interessar.
Se gostarem, compram por um preço razoável. Se não gostarem, deixam lá mesmo. Outro jeito de se livrar de tudo o que não se precisa, é doar para quem não pode ter e quer. Pelo menos se consegue fazer algo de bom, mesmo que alguns em sua isoladissima individualidade, jamais aceitarão.
E assim a vida segue, para aquela turma que começou uma nova vida a 34 anos, e hoje, estão mirando o futuro para mais uns, quem sabe, tempinho de vida, se a natureza assim o permitir...
Ah, antes que se esqueça, as melhores coisas, aquelas do emocional, que estão no consciente ou in-consciente não ficarão expostas naquele espaço que foi comentado antes, o brechó. 
Bem rapidinho, era isso que se divagou e imaginou por ora, nesta sopa de letrinha em preto e branco.

8.09.2014

O embargo Russo de alimentos e o Brasil

Mauro Santayana - Comércio Exterior
Moscou anunciou, nesta quarta-feira, como consequência da imposição, pela Europa e os Estados Unidos, de três grupos de sanções contra a Rússia, a proibição, a partir do dia 8 de julho de 2014, e pelo período inicial de um ano, da importação de alimentos oriundos da União Europeia e dos EUA. A medida, que abarca carne bovina, peixes, mariscos, frutas, legumes, verduras, carne de frango,  leite e derivados, atinge também as exportações da Austrália, do Canadá e da Noruega, e poderá ser estendida, como afirmou o Presidente Vladimir Putin, a "todos os países que decidiram impor sanções econômicas a entidades e/ou indivíduos russos, ou que se tenham associado a elas".
Se essa decisão é má notícia para os agricultores europeus, que vendem 11 bilhões de euros, ou 10% de suas exportações, para o mercado russo, e, em menor medida, também para os norte-americanos, ela pode ser excelente para outros países, e, principalmente, para o Brasil.
Quando veio ao Brasil em julho, o Putin já havia anunciado - assim como fez também a China - a retomada das importações brasileiras de carne bovina. Agora, o Ministro da  Agricultura da Rússia, Nikolai Fiorodov, acaba de anunciar que as importações de carne passarão a ser da Nova Zelândia e do Brasil - que deverá exportar também 150 mil toneladas de frango a mais.
O Diretor do Serviço de Inspeção Sanitária e Agrícola russo, Serguei Dankvert, se reuniu com diplomatas brasileiros (carnes) , chilenos (frutas e peixes) e equatorianos (peixes e carne) para detalhar as oportunidades de exportação.  
Mais uma vez, é preciso tomar cuidado com os cantos de sereia do “ocidente”.
O produtor brasileiro de alimentos conhece, há anos, as múltiplas facetas do protecionismo europeu na área de alimentos, que vai da mera taxação da mercadoria, à restrição de cotas, barreiras sanitárias de todo tipo, e fartos subsídios para a sua agricultura e suas exportações, que subtraem e sabotam a competitividade de nossos produtos em várias regiões do mundo.
Por um lado, os europeus falam de “livre comércio”, mas atrasam o fechamento de sua proposta ao MERCOSUL no contexto das negociações comerciais em curso; diversos países predominantemente agrícolas recentemente incorporados ao euro colocam obstáculos ao acordo; e diversos  setores da agricultura europeia, reunidos em organizações como a COPA e a COGECA, lançam manifestos contra qualquer acordo com os nossos países.
Para o produtor brasileiro, é fácil  raciocinar: é melhor aproximar-se de um dos maiores importadores de alimentos do mundo, que é a Rússia, e da China e da Índia, países que estão crescendo mais de 5% ao ano, e incorporando dezenas de milhões de pessoas ao consumo a cada ano – todos eles nossos parceiros no BRICS?
Ou investir tempo e energia com a Europa, um continente no qual a curva demográfica é descendente, o crescimento está estagnado e a população se encontra em acelerado processo de envelhecimento?
Um continente que é o maior exportador mundial de alimentos, e que concorre diretamente conosco, subsidiando direta e indiretamente seus produtos no mercado internacional?
Na hora de negociar, não devemos bater a porta na cara de ninguém. Mas não podemos perder de vista, nem os nossos interesses, nem a lógica, nem a razão.
http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2014/08/08/o-campo-e-os-brics/

8.05.2014

Por que a mídia brasileira é tão reacionária?

Silvio Caccia Bava * - mídia
Com um noticiário econômico com profunda carga ideológica, a desinformação e a dose diária de violência e insegurança que a mídia nos impõe, produzem a impressão de uma guerra de todos contra todos, na qual a família e o indivíduo estão à mercê da violência geral, com inimigos invisíveis por todos os lados. Propagam-se o medo e a ideia de crise iminente, de um governo fraco, omisso e patético. São os fundamentos para criar uma sociedade sem democracia e socialmente individualista.
As alianças que governos no passado fizeram com os poderes econômicos romperam-se na prática, ao menos com importantes setores como o financeiro e o das grandes corporações. Ainda que tenham contribuído com as campanhas eleitorais, eles estão visívelmente contra a administração pública. Mas não estão sós. O Brasil e suas riquezas interessam também ao capital internacional. Por exemplo, não é à toa que a revista The Economist sugere a mudança do ministro da Fazenda brasileiro, ou que as agências de rating ameacem rebaixar as notas para investimento no Brasil e suas companhias estatais. Tudo para criar um clima de derrotados...
O que permanece oculto nestas eleições é o projeto do Estado e os recursos públicos estarem direcionados cada vez mais para a distribuição de riqueza e poder. O projeto dos que detém o capital é promover um ajuste estrutural para aumentar os ganhos do setor financeiro, rebaixar o custo da força de trabalho e, com isso, facilitar a venda dos produtos brasileiros no exterior e aumentar seus já enormes lucros, privatizar os bens públicos, fazer o governo refém das políticas sociais hoje em prática, e abrir a economia para o capital internacional.
E contra o que se opõem com tanta força esses grandes interesses? Contra um modelo de distribuição de renda, contra a dinâmica da economia de hoje no aumento da distribuição de renda e da melhoria do mercado de consumo interno. O modelo atual da economia é distributivo e não dominante, e está crescendo em vários países da América do Sul, único continente que conseguiu reduzir a pobreza e a desigualdade na última década. No Brasil, esse modelo distributivo apresenta uma face moderada, mas com resultados positivos inquestionáveis e comprovados na prática. Sua manutenção e aprofundamento requerem políticas e investimentos públicos que vão contra os interesses do grande capital.
Há ainda uma dimensão política que preocupa os conservadores. O fortalecimento dos pequenos atores os faz também atores políticos, que pressionarão para alargar as fronteiras da atual democracia, melhorando assim a forma de pensar cidadã, onde se precisa avançar mais.
* Diretor e editor-chefe do Le Monde Diplomatique Brasil
http://www.diplomatique.org.br/editorial.php?edicao=85

8.03.2014

A religião obriga os EUA a ficarem reféns de Israel

As fatais afinidades religiosas entre EUA e Israel

Para o professor Mokhtar Ben Barka, professor de Ciências Políticas especializado em Estados Unidos e Oriente Médio, Barack Obama não teria coragem de deixar de proteger Israel
por Gianni Carta — Oriente Médio
Mokhtar Ben Barka O professor de Ciências Políticas, especializado em EUA e Oriente Médio, Mokhtar Ben Barka explica que o elo entre os EUA e Israel é antes de tudo religioso
Para Mokhtar Ben Barka, professor de Ciências Políticas especializado em Estados Unidos e Oriente Médio na Universidade de Valenciennes, na França, o elo entre os EUA e Israel é antes de tudo religioso. “Escolhidos de Deus”, os americanos acreditam que “amar Israel é obedecer à vontade de Deus”. Como seus predecessores, Barack Obama não teria coragem de deixar de proteger Israel.
CartaCapital: O senhor costuma dizer que o “fator religioso” é mais forte nos Estados Unidos do que em outros países democráticos. De que forma a religiosidade americana faz de Israel um aliado?
Mokhtar Ben Barka: O “fator religioso” tem enorme impacto nos EUA. Essa religiosidade é histórica, remonta ao século XVII, quando judeus começam a ir aos Estados Unidos. É conectada à certeza de que eles, os americanos, foram os escolhidos de Deus, como dita a Bíblia. Nasce então nos americanos a certeza de que eles vivem na Nova Jerusalém. Amar Israel, especialmente para os evangélicos, os protestantes conservadores, faz parte da fé cristã. De fato, você não pode ser cristão se não amar Israel. Amar a Grande Israel, aquela de Abraão, como na Bíblia, é obedecer à vontade de Deus. Por isso, em 1948, sob a presidência de Harry Truman, os Estados Unidos foram o primeiro país a ratificar Israel, como novo Estado. A criação de Israel passa a ser uma profecia cumprida. Israel torna-se o principal aliado dos EUA. Os evangélicos, inclusive aqueles fundamentalisas, passam ainda a ter maior influência na política exterior dos EUA sob George W. Bush.
CC: E o lobby judeu?
MBB: É fortíssimo, principalmente nos EUA. Lobistas judeus têm muita influência sobre os congressistas americanos.
CC: A mídia israelense critica John Kerry, o qual busca mediadores para o cessar-fogo na Turquia e no Catar, não no Egito. Pela primeira vez, faria sentido o comportamento do secretário de Estado?
MBB: Os EUA encontram-se em uma posição bastante desconfortável. De fato, a Turquia é uma potência emergente, um país respeitado no mundo árabe. Os cataris, embora dominados pelos EUA, podem negociar com o Hamas, considerado um movimento terrorista por americanos e europeus. Esses países poderiam formular um tratado de paz favorável também para Gaza. Por sua vez, o Egito, que tirou do poder a Irmandade Muçulmana, um braço do Hamas, está mais preocupado em favorecer Israel.
CC: Pelo fato de Obama ter raízes na África muçulmana, ele não poderia, como se pensava quando foi eleito pela primeira vez, posicionar-se de forma mais equilibrada no Oriente Médio do que seus predecessores?
MBB: Seria a primeira vez na história. Nenhum presidente americano tem coragem para agir de tal modo. Uma posição equilibrada no Oriente Médio marcaria o fim da carreira de Obama, e com repercussões graves para o Partido Democrata.
CC: Os EUA foram o único país a votar na semana passada contra uma resolução do Conselho de Direitos Humanos da ONU para fomar uma comissão internacional chamada a investigar os ataques israelenses contra a Palestina. Aquele voto, dado por um país que busca o cessar-fogo, não lhe parece contraditório?
MBB: Voltamos à herança religiosa dos EUA, ao elo com Israel. É impensável para Washington se opor a Israel. Obama tenta satisfazer ambos os lados. Fala em cessar-fogo para ajudar Gaza, vítima de um massacre, mas vota contra uma comissão de observadores da ONU para averiguar se os ataques de Israel
fogem às normas do direito internacional.

CC: No mundo árabe, com seus 19 países, há diferenças enormes entre eles. Mas, de forma geral, até que ponto os árabes apoiam a Palestina?
MBB: É um tema importante para a vasta maioria. No entanto, países em diferentes regiões reagem de maneiras diferentes. As monarquias conservadoras do Golfo Pérsico não querem se envolver no conflito, embora possam lamentá-lo. Já no Magrebe é intenso o apoio aos palestinos. A Tunísia, por exemplo, está a enviar medicamentos, mantimentos e roupas para Gaza. De todo modo, apesar de simpatizar com os palestinos, nem todos os governos árabes concordam com a ideologia do Hamas.
http://www.cartacapital.com.br/revista/811/as-fatais-afinidades-religiosas-entre-eua-e-israel-333.html

Culinária na TV, massa bruta ?

Ou alguém já ouviu um apresentador provar a comida e dizer que é ruim?
por Marcio Alemãomídia


Imeh Akpanudosen/Getty Images/AFP, Dylan Rives/Getty Images/AFP, Joerg Carstensen/AFP
Culinária na tevê
Os restaurantes de Jamie Oliver, um dos representantes da culinária na TV , são um fracasso, porque lá não há câmeras ligadas e amigos elogiando os dotes culinários.
Tenho um amigo que é bom para sugerir pautas. Ele prefere não ser identificado. Sua última sugestão, na verdade, daria um bom quadro de humor. Perguntou para mim se eu costumava assistir aos programas de culinária, que viraram modinha. Vejo alguns. Ver todos é tarefa impossível. Daí começou a conversa que divido nesta sopa de letrinhas com os leitores.
Em algum desses programas de culinária na TV, alguém chegou a ver um apresentador ou o convidado provar o que foi feito e dizer: “Uau! Isso ficou horrível!”? Nunca aconteceu. Mas, fora das câmeras, todos apostam que já aconteceu e deve acontecer direto.
Semana passada, falei do inglês cabotino que decidiu ensinar ao mundo como se cozinha e come. Por que seus restaurantes são um fracasso de público e crítica? Porque as câmeras não estão ligadas na cozinha dele. Porque seus amigos não estão lá para dizer em frente as câmeras: “Nossa! Como isso está maravilhoso!”
Emeril Green é o programa do chef Emeril Lagasse. Um chef conhecido nos Estados Unidos, que fez um acordo com o Whole Foods Market e faz o programa acontecer nas instalações do supermercado. O programa é charme zero, mas vale notar a quantidade de pimenta-do-reino moída que o chef coloca em tudo. É assustador. Nada além do gosto de pimenta deve sobreviver. Mas, até hoje, nenhum convidado reclamou. Em frente as câmeras, tudo vira maravilhoso, óóóhh mundo cruel.
E que tal aquele programa do chef Curtis Stone, que tem o carisma de uma barbatana de colarinho? O sujeito aborda uma moça no supermercado e promete fazer um jantar encantador para ela e o marido. A pior parte: ela aceita.Em um filme, na sequência, veríamos o pessoal do CSI entrando na casa da mulher e vendo suas partes assadas, cozidas, marinadas. E alguém diria: “É ele. O serial killer gourmet”.
Outro ponto interessante da conversa: o vocabulário do especialista, do gourmet, já está na boca de qualquer apresentador em qualquer situação. O sujeito dá uma bocada em um sanduba que leva 500 gramas de bacon frito, sem pagar nada.
Frito em fritadeira. Uma folha de alface, duas rodelas de tomate e 500 gramas de bacon. Outra fatia de bacon sobre tudo, claro. Ele morde, revira os olhos, só não solta um palavrão, porque as malditas câmeras estão lá, solta exclamações e diz: “Isso tem textura, tem a crocância do bacon com a suavidade do pão. Os açúcares do bacon com a acidez do tomate... hummm! Você sente a suculência, a força com delicadeza...”
Chega, né? 
Com meio quilo de bacon na boca você fica sem sentir gosto de outra coisa que não seja bacon durante 12 anos. Vai contaminar sua boca e seus sentidos. Vai odiar bacon para o resto da vida. Não estranharia se você ficasse surdo.
Mas tudo faz parte do realiy show. 
Quem sabe um programa de humor gourmet esteja tomando forma aí pelos 4 cantos do mundo.
http://www.cartacapital.com.br/revista/811/culinaria-na-teve-uma-bela-falacia-2166.html

7.24.2014

Bicicleta: chegou a hora de baixar o imposto

BICICLETA SAO PAULO JT GERAL ESPECIAL Grupo "Pedalinas" de mulheres que se reunem para andar de bicicleta. As moças costuma se encontrar na Praça do Ciclista,
Em sinal das injustiças fiscais brasileiras, carga tributária sobre “magrelas” é o dobro da que incide sobre automóveis. Campanha pede isenção do IPI
Por Afonso Capelas Jr, no DCM
No final de junho o governo federal anunciou uma prorrogação, até certo ponto inesperada, no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os veículos automotores. A medida tem a pretensão de proteger as montadoras e a indústria de autopeças da crise que se estabeleceu no setor nos últimos meses.
O efeito colateral é o fortalecimento do que chamo de “império do automóvel” nas cidades brasileiras. As consequências todos já sabemos: mais trânsito caótico, mais congestionamentos, mais poluição sonora e atmosférica, mais cidadãos estressados e doentes, menos qualidade de vida.
Aí fica a pergunta: porque não reduzir – ou até mesmo quase zerar – o IPI das bicicletas produzidas no Brasil? Com isto mais pessoas conseguiriam comprar sua magrela para usá-la, não só como lazer, mas principalmente como meio de transporte, aliviando o caos no trânsito urbano e talvez até melhorando a saúde de quem a usa.
No final do ano passado uma campanha foi iniciada pela rede Bicicleta para Todos, cujo lema é “Menos impostos, mais acesso”. A intenção maior é convencer o governo a quase zerar o IPI das bicicletas. A rede é formada por cicloativistas, além de mais de 120 empresas e organizações não governamentais de várias regiões do país.
Para incrementar a campanha, o Bicicleta para Todos desencadeou um abaixo-assinado que rola nas redes sociais pedindo o fim do IPI para as magrelas. Na petição a rede reivindica não somente a isenção do IPI, mas inclusive de peças e acessórios. O abaixo-assinado já conta com a adesão de mais de cem mil simpatizantes da campanha.
A rede fundamentou-se em uma pesquisa da empresa de consultoria Tendência, realizada a pedido da Associação Brasileira do Setor de Bicicletas-Aliança Bike. De acordo com o estudo, a isenção de IPI reduziria em 9,1% o preço final da bicicleta importada e em 4,9% a daquela produzida ou montada fora da Zona Franca de Manaus: a fabricação no polo industrial amazônico já está isenta do imposto.
Com a eliminação do IPI e os preços mais baixos as bicicletas, tanto as importadas quanto as produzidas fora da Zona Franca de Manaus, teriam um crescimento na demanda formal prevista em mais de 11%. A íntegra desse estudo pode ser acessado no site do Bicicleta para Todos.
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Sabe-se que, atualmente, quando compra uma bicicleta, o brasileiro(a) chega a pagar mais de 70% de impostos por uma importada: além dos 10% de IPI estão embutidos no preço mais 18% de ICMS, 10,2% de PIS/Cofins e 35% de imposto de importação. Já as cargas tributárias dos automóveis nacionais são próximas a 32%. Os dados são da Aliança Bike.
Já os dados estatísticos da Associação de Ciclistas Urbanos da Cidade de São Paulo (Ciclocidade) mostram que, no Brasil inteiro, 30% dos usuários de bicicletas recebem salários menores que R$ 600 ao mês, menos que um salário mínimo. A Ciclocidade também informa que metade das pessoas que adquire uma bike a utilizam para locomoção diária nas ruas de suas cidades.
Então, a eliminação do IPI ou mesmo uma redução da taxa incentivaria mais pessoas a comprarem bicicletas para usá-las como meio de transporte nas pequenas e médias cidades brasileiras, e nas grandes cidades que já possuem ciclovias.
A campanha do Bicicleta para Todos já surtiu algum efeito. Em abril passado uma proposta de redução do IPI das bikes chegou à Câmara dos Deputados, embora até agora não tenha sido votada. A disposição dos deputados em tratar do assunto, entretanto, já é um avanço.
Por outro lado, o Paraná saiu na frente: acaba de reduzir de 18% para 12% o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) no preço final das bicicletas comercializadas no estado. Quem se animar na luta por essa causa pode acessar o portal do Bicicleta para Todos. Lá é possível saber como participar da campanha, aderir ao abaixo-assinado e assistir (e divulgar) um vídeo sobre a campanha. Se gostou, divulgue.
http://outraspalavras.net/outrasmidias/destaque-outras-midias/bicicletas-hora-de-zerar-imposto/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=bicicletas-hora-de-zerar-imposto

America Latina busca a neutralidade da influência política, social e econômica dos EUA

Por Alexandra Dibizheva/VdR - de São Paulo-sociedade e economia
A América Latina tem servido como um quintal para os EUA
A América Latina tem servido como um quintal para os EUA
Durante muitos anos, a América Latina sentiu na pele todas as “qualidades” da “boa vizinhança americana”. Cuba, Venezuela, México, Chile, praticamente todos os Estados da parte meridional do continente estiveram sob um rígido controle político, social e econômico dos EUA.
A doutrina Monroe, que definia a América Latina como uma sua zona de particular influência, continua a vigorar hoje. Não obstante as realidades políticas e econômicas terem mudado sensivelmente, os EUA não pretendem renunciar à anterior política de domínio. Os EUA chamaram sempre à América Latina o seu “quintal”. Este princípio foi lançado na famosa doutrina Monroe de 1823, que definiu a política externa dos EUA. Em relação ao seu vizinho do sul, Washington chamou a si o papel de “protetor” e, além disso, limitou claramente a esfera de influência dos Estados europeus, afirma o perito russo Serguei Ermakov:
– O sentido consiste em que os países europeus não devem, de forma alguma, ingerir-se nessa zona. Ela é definida como zona de influência exclusiva dos EUA. Algumas dezenas de anos depois, podemos afirmar que a atitude dos EUA não mudou. A América Latina para eles é uma zona de interesses especiais.
A América Latina era vista por Washington como uma quinta onde tudo se pode fazer. O continente meridional tornou-se uma espécie de campo experimental de futuros princípios da famigerada democracia americana, explica Nikolai Mironov, diretor-geral do Instituto de Projetos Regionais Prioritários:
– Foi precisamente nos países da América Latina que eles (EUA) elaboraram todos os mecanismos das intervenções, das “revoluções floridas”. Foi precisamente aí que tudo começou. Tiveram lugar numerosos golpes de Estado, por detrás dos quais estiveram os Estados Unidos. Incluindo o conhecido, na história, golpe de Pinochet, que derrubou o governo socialista de Salvador Allende, que se orientava para outro bloco de política externa. Embora não completamente, mas mais para a Europa – disse.
Hoje previsível é a continuação da velha política dos EUA, que querem dominar esse continente, controlar todos os países e não lhes permitir uma política independente”. Hoje, a situação no continente latino-americano mudou. Começou pelo Brasil, Argentina, Chile, Peru. Todos os gigantes mundiais estão interessantes nos contatos comerciais com eles. Por isso, o outrora “quintal” poderá afastar os seus protetores. Os latino-americanos têm consciência hoje clara disso e tentam criar o seu próprio caminho comum, afirma Nikolai Mironov.
– Historicamente, os países latino-americanos sempre procuraram seu próprio centro de atração, que eles poderiam se apoiar e em torno do qual poderiam unir-se e contrapor-se aos EUA. Porque essa pressão – expansão econômica, domínio político, domínio cultural e social – nem sempre lhes agradou, principalmente tendo em conta os golpes militares e as repressões que várias vezes paratiram dos EUA.  Os latino-americanos inclinam-se mais para o seu centro. Por isso o mais provável é o aparecimento aqui de Estados fortes. Por enquanto é o Brasil. No futuro, poderá ser organizado outro bloco regional na América Latina, que irá procurar neutralidade com os EUA – acrescentou.
Semelhante situação não agrada nada a Washington. Mas, por enquanto, não se prevê vias fáceis para que os Latino Americanos a sua neutralidade no continente. Os americanos procuram preparar-se para isso.
A era de Monroe passou. E a América Latina está conseguindo ver a luz no fim do túnel.
http://correiodobrasil.com.br/ultimas/america-latina-tenta-se-livrar-da-influencia-economica-dos-eua/718277/