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4.27.2016

'Ocidente' vive num 'mundo imaginário' (e a Rússia sugere regras para o mundo real)

A nova luta ideológica, de Sergey Karaganov

por Blog do Alok - Sociedade e Geopolítica Mundial (fonte no final do texto)


26/4/2016, Sergey Karaganov,* Izvestia (ru.), e Rússia Insider (trad. ru.-> ing., por Julia Rakhmetova e Rhod Mackenzie) -Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu


Durante uma década depois da autoextinção da URSS, foi como se o mundo estivesse livre da disputa pela dominação ideológica. Muitos especialistas concordavam que o mundo caminharia para sistema único de valores, baseado na democracia liberal ocidental e no capitalismo. Europa e EUA acenaram com a liberdade e com o sistema político vencedor que aquelas nações pareciam ter para oferecer ao mundo.

Os anos 2000s trouxeram outra realidade.

Naquela euforia, o 'ocidente' começara a impor à força as suas posições e valores políticos (Afeganistão, Iraque e Líbia). Mas perdeu a disputa. O apoio 'ocidental' à primavera árabe desestabilizou ainda mais o Oriente Médio, o que fez a democracia parecer cada dia menos atrativa.

Depois da crise financeira de 2008-2009, o modelo econômico do Consenso de Washington cedeu ante os chineses: uma maioria de países em ascensão decidiu não seguir as receitas de Washington.

Ao mesmo tempo, a Europa, e em menor grau também os EUA, abandonaram os valores que haviam 'oferecido' ao mundo, pelo menos os cristãos, e passaram a impor um multiculturalismo raso, uma nova tolerância zonza na abordagem das relações sociais e familiares, inaceitáveis para a maioria das culturas e povos não 'ocidentais'.

A abordagem das relações internacionais proposta por europeus sinceros e EUA calculistas, denunciaram soluções forçadas e esferas de influência baseadas exclusivamente na lei internacional. Começou quando a Alemanha, e depois a União Europeia, reconheceram ilegalmente a divisão de Bósnia e Croácia, separadas da Iugoslávia, o que levou à guerra civil a ao atroz bombardeio do país em 1999 e, com o tempo, também à agressão contra Iraque e Líbia.

Outro importante valor da Europa Ocidental moderna – a não violência e o pacifismo – vai-se tornando 'incômodo' no mundo novo e hoje imprevisível chamado 'ocidente'. Os europeus, que padeceram os horrores de duas guerras mundiais, tentaram impor aqueles valores ao mundo. Como seria fácil prever, as coisas saíram pela culatra e acabaram piores que nunca antes: a entrada massiva de cidadãos de outras culturas (que começou há décadas) forçou a Europa a adotar e adaptar políticas de direita, abandonando parcialmente importantes liberdades democráticas, supostamente para assegurar alguma ordem e segurança. Esse processo é extremamente doloroso e dispara reações ideológicas.

A alternativa trazida pela Rússia apareceu com ainda mais brilho, posta sobre o pano de fundo do 'ocidente'. A ameaça de um desafio russo contra a elite europeia explica-se em parte pelo fato de que, na busca de meios para se auto-restaurar, a Rússia oferecia ao mundo memes e valores mais viáveis e mais atraentes.

Em relações internacionais, esse tipo de soberania do estado, com identidade cultural e pluralismo, contradiz o meme 'ocidental' da universalidade como ideologia dominante.

A Rússia defende conceitos como honra e dignidade nacionais e coragem. Para muitos europeus são valores que parecem antiquados, inspirados pelas guerras que os europeus lançaram e perderam. De algum modo, a Rússia conseguiu sair vitoriosa naquelas guerras – a custo monstruoso – e também está pronta para defender pela força a própria soberania e valores de que a Europa também carece. 

No "mundo de Putin", é impensável que os homens não defendam as próprias mulheres e os próprios valores, como aconteceu em Colônia, Alemanha, quando das agressões causadas por migrantes. Os europeus têm medo desse novo mundo duro, feroz, que é hoje 'personificado' pela Rússia.

A segunda mensagem ideológica da Rússia ao mundo é que o consumo não é tudo nem resume tudo nem resolve tudo. Mais importantes são a dignidade individual e nacional e a busca de objetivos mais 'elevados', como o crescimento interno. A Rússia apoia todas as religiões e todas as aspirações religiosas, e está preparada para defender cristãos.

A terceira mensagem é a prontidão, na Rússia, para seguir princípios tradicionais de política externa, incluindo defender pela força seus interesses nacionais, especialmente se tiverem sólido fundamento moral.

Esse conjunto de mensagens e valores garante à Rússia considerável "soft power" [poder suave], apesar da menor riqueza relativa e da 'falta' de liberdade [liberal].

A luta é urgente. O 'ocidente' supôs que tivesse vencido, mas agora já se vê que está sendo derrotado, e a Rússia recolheu a vantagem de uma política não ocidental atraente para a maioria dos países, inclusive muitos do 'ocidente'. Mas não parece ter planos para exportar essa sua ideologia, como o 'ocidente' faz, para vingar qualquer eventual derrota passada.

A alternativa vem do passado, do "moderno" sistema de Westphalia, mas visa à maioria. O "pós-modernismo" europeu e 'ocidental', que pareceria mais humano e progressista, está perdendo espaço, provavelmente por ser absolutista, ou porque a maioria dos humanos não estão preparados para essas ideias.

Depois da reação forte da Rússia contra a expansão ocidental na Ucrânia, a chanceler alemã Merkel acusou Putin de viver num mundo imaginário. É. Melhor seria talvez se todos fôssemos cegos e vivêssemos – sempre de olhos bem abertos! –, numa mesma realidade humana falsamente pacifista e falsamente tolerante.*****




* O autor é decano do Departamento de Economia Mundial e Política Global da Escola Superior de Economia de Moscou e um dos mais influentes especialistas russos. Em 1992, Sergey Karaganov escreveu (apud "Sergey Karaganov, o homem por trás da combatividade de Putin", 30/3/2014, The Globe and Mail):

"Estamos numa situação de pré-guerra mundial, mas, por causa das armas atômicas, não chegaremos lá" – disse ele, antes de agradecer aos cientistas soviéticos que garantiram à Rússia o seu poder de contenção. – "Mas podemos ter situação militar, ou quase-militar".

Sanções, disse o prof. Karaganov, não empurrarão a Rússia na direção que os líderes 'ocidentais' gostariam de vê-la marchar.

"Sanções mostram que nossos colegas 'ocidentais' não compreendem coisa alguma. Eles pensam que Putin e seus homens lutam por dinheiro. Não. Eles só lutam por po
der e pela honra.
http://blogdoalok.blogspot.com.br/2016/04/a-nova-luta-ideologica-por-sergey.html

4.20.2016

Brasil, melhor dividido que (des)governado




Editorial da revista recifense Será?, prefere um país dividido do que um país sem governoEditorial da revista recifense Será?, prefere um país dividido do que um país sem governo

O Brasil está rachado, fraturado e dividido em dois blocos visíveis, mesmo com os naturais conflitos internos de cada lado. Mas a divisão é desigual, no tamanho e na forma.
De um lado, uma maioria significativa (quase dois terços dos brasileiros, a julgar pelas pesquisas) repudia o governo do PT, PCdoB, PDT, PSOL, pequena parte do PP, PMDB, PR e a presidente Dilma Rousseff, indignada com o desmonte da economia e a onda de corrupção.
Do outro lado, a maioria se mobiliza para tentar o impedimento (ou impeachment), recorrendo ao discurso da velha falsidade ideológica e aos mitos do milagre da distribuição do pão, slogan mais ouvido na ditadura militar de 1964.
Mas, enquanto a maioria forma uma massa dispersa, desorganizada e sem lideranças, a minoria é conduzida por alguns partidos e liderada por políticos carismáticos, tendo irradiação em várias organizações da sociedade, como por exemplo, desde CUT à CNBB, ao movimento LGBT, parcela da OAB identificados, principalmente, com a abertura democrática e a administração pública federal brasileira.
Normalmente, as minorias organizadas são hegemônicas, ganhando o apoio ou, no mínimo, a tolerância da maioria, o que vinha ocorrendo nos anos anteriores de liderança dos partidos plurais; não se pode esquecer que grande parte dos brasileiros que se mobiliza agora pelo impedimento da presidente, votou nela nas eleições presidenciais de 2014, há poquissimo tempo atrás.
Diante dos dados e fatos e das evidências da gritante pressão das elites, desde um judiciário injusto e machista, passando por interesses escusos internacionais e uma imprensa dominadora e antidemocrática,  a minoria organizada está tendo dificuldades gigantescas de manter o rumo político popular e está isolada.
Conserva capacidade de mobilização, mas não convence a maioria dominada pela elite que, mesmo dispersa, desorganizada e sem liderança, converge e se articula, através dos diferentes meios amplamente questionados, em torno de um objetivo central: afastar o PT e demais partidos plurais citados acima, do poder político brasileiro.
Independentemente do resultado da votação da Câmara de Deputados, que aconteceu neste final de semana, o Brasil está fragmentado em grandes disputas e profundos ressentimentos, que devem ameaçar o futuro incerto. Como tudo indica, o impedimento pode ser aprovado.
Se isto ocorrer, certamente haverá uma minoria organizada na oposição, seja qual for o governo da elite que venha a dominar o poder político federal
Esta minoria está demonstrando uma oposição implacável e convincente, a julgar pelos discursos de figuras de destaque como o representante do MST em discurso recente no Palácio do Planalto, CUT, CNBB, entre outras entidades oficiais, que buscam a justiça popular e social.
Dias difíceis poderão vir, mas, muito pior, seria se o (des)governo continuasse. 
(Publicado originalmente na Revista Será? Penso logo duvido, Recife, www.revistasera.info).
Editorial Revista Será?, editada no Recife.
Direto da Redação é um fórum de debates, editado pelo jornalista Rui Martins.
http://www.correiodobrasil.com.br/brasil-melhor-dividido-que-desgovernado/

Candidato a presidente nos EUA Bernie Sanders: EEUA não devem continuar derrubando governos na América Latina

  •  Bernie Sanders, declarou que a política de intervenção dos EUA na América Latina deve chegar ao fim
por site o cafezinho - Sociedade e Geopolítica dos EUA (fonte no final)
bernie_sandes_eua_sputnik

Foto: no Sputnik Brasil
O pré-candidato à presidência norte-americana pelo Partido Democrata, Bernie Sanders, declarou que a política de intervenção dos EUA na América Latina deve chegar ao fim.
"Temos que ser honestos. A história dos Estados Unidos em relação à América Latina foi a de uma nação poderosa, com o exército mais forte do mundo, dizendo: 'Não gostamos deste governo, vamos derrubá-lo'", afirmou o democrata.
Segundo Sanders, deve se iniciar um período baseado no “respeito mútuo”, ressaltando que os golpes de Estado resultaram em "caos" e "massacres".
"Os Estados Unidos não podem continuar intervindo na América Latina e derrubando governos ou tentando desestabilizá-los por razões econômicas", acrescentou o pré-candidato em vídeo divulgado na internet.
No vídeo, em que Sanders conversa com o vocalista do grupo porto-riquenho Calle 13, René Pérez, o democrata disse ser o único com uma visão das relações diplomáticas com a América Latina diferente da que imperou nas últimas décadas.


“Não é um segredo que Allende foi derrubado pela CIA e que após isso surgiu um governo neofascista que foi responsável pelo assassinato de milhares de pessoas. Isso é inaceitável", observou o senador de Vermont, ao comentar a intervenção norte-americana no golpe militar chileno.
Bernie Sanders concorre com a ex-secretária de Estado, Hillary Clinton, a disputa pela candidatura democrata. Nesta terça-feira (19) os dois se enfrentam nas primárias de Nova Iorque.
http://www.ocafezinho.com/2016/04/20/bernie-sanders-eua-nao-podem-continuar-derrubando-governos-na-america-latina/

Dilma prepara ida a Nova York e cogita denunciar golpe em cerimônia da ONU?

  • A presidente Dilma deverá mesmo ir Nova York, nos Estados Unidos, para participar da reunião sobre clima na Organização das Nações Unidas (ONU) nesta sexta-feira, 22. Dilma pretende falar na tribuna internacional para denunciar o  golpe contra seu mandato, por considerar que está sofrendo impeachment sem crime de responsabilidade. A previsão é que a presidente embarque na quinta-feira, 21, e volte ao Brasil no sábado, dia 23

por site osamigosdopresidentelula (fonte no final)
Na semana passada, a viagem dependia da não aprovação do processo de impeachment na Câmara. Com a derrota, a viagem foi suspensa, mas agora, com a estratégia de difundir a mensagem de ruptura institucional, a presidente voltou a discutir o assunto e deverá mesmo viajar, a não ser que alguma mudança de última hora faça a presidente desistir.
OEA critica golpe contra  contra Dilma e "tucano" foi se explicar
O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, o uruguaio Luis Almagro, publicou nota oficial dizendo que “o impeachment constitui um ato de flagrante ilegalidade”. O documento também afirma o seguinte:

“Nossa organização fez uma análise detalhada sobre o julgamento político que teve início contra Dilma e concluiu que não se enquadra nas normas que sustentam esse procedimento”
Luis Almagro
Secretário-geral da OEA

A posição do representante da OEA,  sediado em Washington. 
Para convencer interlocutores internacionais  que o PSDB não é golpista, o  senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) foi escalado por Temer para ir aos Estados Unidos. O senador tucano embarcou para os EUA com a missão de “explicar que o Brasil não é uma república de bananas”.

Além da OEA, Unasul também criticou o impeachment

A crítica do representante da OEA foi seguida por posição semelhante do secretário-geral da Unasul (União de Nações Sul-Americanas), o colombiano Ernesto Samper. O representante do órgão sediado em Quito, no Equador, que representa 12 países sul-americanos, disse o seguinte:

“Aceitar que um mandatário possa ser tirado do cargo por supostas falhas em atos de caráter administrativo levaria a uma perigosa criminalização do exercício do governo por razões de índole simplesmente políticas”
Ernesto Samper
Secretário-geral da Unasul

Além da OEA e da Unasul, presidentes de outros países da região e até de órgãos da ONU também criticaram o impeachment. Governos mais à esquerda - como os da Bolívia, Equador e Venezuela -  também fizeram defesa da presidente Dilma.
http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2016/04/dilma-prepara-ida-nova-york-e-cogita.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed:+blogspot/Eemp+%28Os+Amigos+do+Presidente+Lula%29 

E se Dilma convocar eleição antes de cair?

  • Só pode governar quem ganha no voto

por Paulo Henrique Amorim do site Conversa Afiada - Sociedade e Poder em Luta (fonte no final do texto)

bessinha sim sim sim

Como o PT e o PCdoB não poderiam tomar essa iniciativa, foi o senador Roberto Requião, a face saudável do PMDB e do Paraná, quem deu a largada oficial para a campanha Eleições Diretas já, já!

A iniciativa para enviar ao Congresso uma mudança dessa natureza é exclusivamente da presidenta Dilma.

É o que diz a Constituição.

Não adianta o Senador Paim, que passa a vida inteira calado, a fugir das questões centrais, como o Suplicy fugia, não adianta o senador Paim querer aprovar no Senado um projeto para realizar eleições.

Ele não tem poder para isso.

Quem tem é a Presidenta.

Ela deve cair no Senado lá pelos dias 12 ou 13 de maio.

Não adianta recorrer ao Supremo, porque o Supremo jamais reveria decisões das duas casas do Congresso.

O Golpe já houve.

Portanto, ela tem que tomar a iniciativa em nome da Democracia.

Do respeito à vontade popular.

O Cerra quer ser Ministro da Fazenda no Governo do Temer.

Ele queria ser Ministro da Fazenda no Governo do Idi Amin Dada e, depois, derrubá-lo, para ser ditador.

Isso não é novidade.

Mas, como se sabe, nem o PSDB dará legitimidade ao Temer e ao Cunha.

Ao contrário: o Temer e o Cunha acabarão por desmoralizar o PSDB.

Será uma batalha feroz aprovar as Diretas já, já!

A Globo não vai querer!

A Globo pretende ocupar, de novo, o Ministério das Comunicações e se sentar no caixa do BB, CEF e BNDES.

É sua única salvação.

Mas, as ruas podem querer!

Os sindicatos organizados podem querer.

O ansioso blogueiro foi ontem à Livraria Cultura do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, comprar “Poesia Russa Moderna”, de Augusto de Campos, Haroldo de Campos e Boris Schnaiderman.

Uma atenciosa vendedora perguntou: mas, seu Paulo Henrique, não tem um jeito de impedir que a gente seja governado pelo Temer?

Um jovem estudante se aproximou e disse: Paulo Henrique, tem como fazer uma nova eleição?

No caminho de volta, no taxi, o motorista avisou logo: não confio em nenhum deles.

É tudo a mesma coisa.

Mas, só pode governar quem ganhar no voto!

http://www.conversaafiada.com.br/politica/dilma-deve-convocar-eleicao-antes-de-cair

Ministro do STF Barroso diz: retirar matéria de qualquer site legal sempre será censura

  • Para ministro do STF, retirada de texto fere liberdade de expressão

por PHA do site Conversa Afiada  -  Sociedade e Disputa de Informação Real
publicado 20/04/2016
luis roberto barroso

Saiu na Fel-lha (ou folha):

Retirar matéria jornalística de site será sempre censura, diz Barroso

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso afirmou nesta terça-feira (19) que determinar a retira de matérias jornalísticas de sites de jornais ou portais na internet configura "censura".

Na avaliação do ministro, pessoas que se sentirem ofendidas podem recorrer à Justiça para pedir retificação do texto ou direito de resposta, mas não podem requerer a exclusão das reportagens. Para o ministro, a retirada de texto fere a liberdade de expressão.

(...)

http://www.conversaafiada.com.br/brasil/barroso-retirar-materia-de-site-sempre-sera-censura

4.17.2016

A 'multa-bomba' de R$ 7 bilhões

  • Estamos cheios de gente com contas na Suíça solta e sem contas na Suíça atrás das grades – com a onipotente destruição do país, de milhares de empregos e bilhões em investimentos
por Mauro Santayana, para site Rede Brasil Atual - Sociedade e Tecnologia Made in Brazil
marinha do brasil e saab group
sabotadores.jpgFinalmente, depois de meses de pressão desumana, gestapiana, sobre o empresário Marcelo Odebrecht, o juiz Sérgio Moro levou-o a julgamento, condenando-o – baseado não em provas de sua participação direta, mas na suposição condicional de que um empresário que comanda uma holding com mais de 180 mil funcionários e que opera em mais de 20 países tem a obrigação de saber de tudo que ocorre nas dezenas de empresas que a compõem – a 19 anos e quatro meses de prisão.
Não satisfeito com a pena, e com a chantagem, que prossegue – já que o objetivo é quebrar o exemplo do réu –, um dos poucos que não se dobraram à prepotência e ao arbítrio – com o aceno ao preso da possibilidade de “fazer delação premiada a qualquer momento”, o juiz Moro, na impossibilidade de provar propinas e desvios, ou a existência de superfaturamento da ordem dos bilhões de reais alardeados aos quatro ventos desde o princípio dessa operação, pretende impor ao grupo Odebrecht uma estratosférica multa “civil” que pode chegar a R$ 7 bilhões – mais de 12 vezes o lucro da empresa em 2014 – que, pela sua magnitude, se cobrada for, deverá levá-lo à falência, ou à paralisação destrutiva, leia-se sucateamento, de dezenas de obras e de projetos, a maior parte deles essenciais, estratégicos, para o futuro do Brasil nos próximos anos.
Com a imposição dessa multa, absolutamente desproporcional, da ordem de 30 vezes as quantias que a sentença afirma terem sido pagas em propina pela Odebrecht, por meio de subsidiárias situadas no exterior, a corruptos da Petrobras que já estão, paradoxalmente, soltos, o juiz Sérgio Moro – e seus colegas do Ministério Público de uma operação que deveria se chamar “Destrói a Jato” – prova que não lhe importam, em nefasto efeito cascata, nem as dezenas de milhares de empregos que ainda serão eliminados pelo grupo Odebrecht, no Brasil e no exterior, nem a quebra de milhares de acionistas e fornecedores do grupo, nem a paralisação das obras com que a empresa se encontra envolvida neste momento, nem o futuro, por exemplo, de projetos de extrema importância para a defesa nacional, como os submarinos convencionais e o submarino nuclear brasileiro que estão sendo fabricados pela Odebrecht em parceria com a DCNS francesa, ou o míssil ar-ar A-Darter, que está sendo construído por sua controlada Mectron, em conjunto com a Denel sul-africana, além de outros produtos como softwares seguros de comunicação estratégica, radares aéreos para os caças AMX e produtos espaciais.
Considerando-se que se trata de uma decisão meramente punitiva, ao fazer isso o juiz Moro age, no comando da Operação Lava Jato, como agiria o líder de uma tropa de sabotadores estrangeiros que colocasse, diretamente, com essa sanção – e uma tremenda carga de irresponsabilidade estratégica e social – centenas de quilos de explosivos plásticos no casco desses submarinos, ou nos laboratórios onde ficam os protótipos desse míssil, sem o qual ficarão inermes os 36 aviões caça Gripen NG-BR que estão sendo desenvolvidos pelo Brasil com a Saab sueca.
Que não tenha ele a ilusão de que essa sua sanha destrutiva esteja agradando às centenas de técnicos envolvidos com esses projetos, ou aos almirantes da Marinha e brigadeiros da Aeronáutica que, depois de esperar décadas pela aprovação desses programas, estão vendo-os sofrer a ameaça de serem destruídos técnica e financeiramente de um dia para o outro.
Como um inútil, estúpido, sacrifício, um absurdo e estéril tributo da Nação – chantageada e manipulada por uma parte antinacional da mídia, que não tem o menor compromisso com o futuro do país – a ser realizado no altar da vaidade de quem parece pretender colocar toda a República de joelhos, até que alguém assuma a responsabilidade de impor, com determinação, bom senso e respeito à Lei e à Constituição Federal, limites à sua atuação e à implacável, imparável, destruição, de alguns dos principais projetos e empresas nacionais.
Enquanto isso, para ridículo do país e divertimento de nossos concorrentes externos, nos congressos, nos governos, na área de inteligência, nas forças armadas de outros países, milhares de tupiniquins vibram, nos bares, na conversinha fiada do escritório, nos comentários que agridem e insultam a inteligência nas redes sociais, com a destruição de um dos principais grupos empresariais do Brasil, deleitando-se com a perda de negócios e empregos, e com a sabotagem e incompreensível inviabilização de algumas de nossas maiores obras de engenharia e de defesa, mergulhados em uma orgia de desinformação, hipocrisia, manipulação e mediocridade.
Mesmo que Marcelo Odebrecht venha a aceitar, eventualmente, fazer um acordo de delação premiada, nenhum jurista do mundo reconheceria, moralmente, a sua legitimidade.
Não se pode pressionar ninguém, a fazer acordos com a Justiça, para fazer afirmações que dependerão da produção de provas futuras. Assim como não se pode confundir o combate à corrupção – se houver corruptos que sejam julgados com amplo direito de defesa e encaminhados exemplarmente à cadeia, estamos cheios de gente com contas na Suíça solta e sem contas na Suíça atrás das grades – com a onipotente destruição do país e de milhares de empregos e bilhões de reais em investimentos.
A pergunta que não quer calar é a seguinte: se a situação fosse contrária, e um juiz norte-americano formado no Brasil e “treinado” por autoridades brasileiras, a quem propôs, por mais de uma vez, sua “cooperação”, estivesse processando um almirante envolvido com o programa nuclear norte-americano, e influindo no destino de todo um programa de submarinos, da construção de um novo submarino atômico, e do desenvolvimento de um míssil ar-ar para a US Air Force, a ponto de a empresa norte-americana responsável por ele ter de ser provavelmente vendida a estrangeiros, ele teria chegado, à posição em que chegou, em nosso país, o juiz Sérgio Moro?
Ou já não teria sido denunciado por pelo menos parte da imprensa dos Estados Unidos, e chamado à razão, em nome da segurança e dos interesses nacionais, por autoridades – especialmente as judiciais – dos Estados Unidos? O único consolo que resta, nesta nação tomada pela loucura – lembramos por meio destas palavras, que quem sabe venham a ser transportadas, em bits, para o amanhã – é que, sob o olhar do tempo, que para todos passará, inexorável, a História, magistrada definitiva e atenciosa, criteriosa e implacável, vigia, registra e julga.
E cobrará caro no futuro.
http://www.redebrasilatual.com.br/revistas/116/a-multa-bomba-de-r-7-bilhoes-9245.html