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10.15.2016

Como evitar notícia falsa e não espalhar boato prejudicial

  • ·         É bom senso identificar a veracidade de uma informação e não espalhar boatos
  • ·         Notícias falsas têm potencial devastador. Há algumas técnicas para tentar evitá-las
  • ·         Na semana em que a Câmara autorizou a abertura do impeachment da ex-presidente    Dilma Roussef, em abril, três das cinco matérias mais compartilhadas no Facebook no Brasil eram falsas
por Ana Freitas do jornal Nexo - Sociedade e a Boa Informação (fonte no final)

Foto: Yukiko Matsuoka/Flickr/Alguns direitos reservados
'Na dúvida, achei melhor enviar': será que essa é a melhor atitude?

Como identificar notícias falsas e boatos
Abaixo, o jornal Nexo reuniu um conjunto de boas práticas que podem ser aplicadas de maneira rápida, no dia a dia, por qualquer pessoa. Geralmente, o ideal é usar mais de uma técnica - e, se tiver tempo, todas elas.
Boas práticas para enviar informações pela internet
Sem fonte, não confie
Em muitos casos, textos ou vídeos compartilhados por mensagens do Whatsapp vêm sem uma fonte - ou, então, mencionam fonte sem um link para ela. Cheque sempre, usando o Google, se a informação é verdadeira e está mesmo disponível na fonte mencionada. Se o conteúdo vier sem fonte, é muito improvável que seja real. Além disso, ligue o radar diante de vídeos ou áudios gravados por completos desconhecidos. Qualquer um pode fazer um vídeo ou áudio de Whatsapp e dizer o que quiser, e já temos provas suficientes de que muita gente inventa informações falsas para compartilhar nessas redes.
Antes de enviar olhe um pouco o texto
É relativamente comum o compartilhamento de informações por Whatsapp e Facebook apenas com base no título do link. O título, no entanto, pode ser modificado: além de o Facebook permitir isso na publicação do conteúdo, também é possível usar ferramentas que mudem o título exibido quando o link é compartilhado. Por isso, evite compartilhar material sem ler o conteúdo completo.
Olhe as fontes
É simples: basta jogar as informações-chave relacionadas à notícia em questão no Google e verificar se outros veículos também falaram dela, e em quais termos. Caso você encontre apenas uma fonte para aquela informação, vale desconfiar. Se encontrar várias fontes, mas todas elas forem cópias de apenas um veículo, também é razoável considerar a matéria com cautela.
Acusação bruta demais são suspeitas
O excesso de adjetivos para difamar ou exaltar alguém ou algo, ou seja, um viés muito claro de acusação ou defesa no texto, também merecem sinal amarelo (especialmente em textos noticiosos).
Na dúvida, pense duas vezes
“Na dúvida, achei melhor compartilhar.” Você já deve ter lido a frase por aí. No entanto, embora a abordagem seja muitas vezes bem intencionada, ela pode ter efeitos trágicos - como aqueles mencionados nos primeiros parágrafos deste texto. Caso não consiga obter confirmação de uma informação que consumiu na internet, recomendamos que considere não compartilhá-la.
Há sites que acham boatos
Para qualquer tipo de informação recebida via Whatsapp e Facebook, há sites dedicados exclusivamente a pesquisar e confirmar (ou não) os boatos espalhados nas redes. Dois dos mais famosos são o E-Farsas e o Boatos.org. Uma visita rápida pode evitar o compartilhamento de uma informação falsa.
Buscar a fonte original
Uma notícia ou print mostra que uma figura pública disse ou fez alguma coisa. Confira nos canais oficiais daquela pessoa se o print é verdadeiro, ou se há uma entrevista original, publicada em um veículo de confiança, que exiba a declaração em questão. Também é importante ficar atento a perfis falsos - muitas vezes, prints de declarações polêmicas têm origens em perfis não-oficiais, às vezes criados com propósitos humorísticos, outras para difamar alguma figura pública.
Analise quem publica
Verifique o histórico do veículo que publicou a informação. Redações com jornalistas profissionais, sejam de veículos tradicionais ou novos, mantêm critérios de checagem em suas reportagens. E quando há erro, essas redações costumam corrigi-los. Isso não quer dizer que sites e blogs pequenos, além de posts no Facebook ou em outras redes sociais, não tragam bons conteúdos. Basta que você conheça o histórico desses canais.
Faça uma busca na fonte da imagem
Muitas fotos que circulam nas redes sociais são montagens. Antes de compartilhar a suposta foto da capa da revista “Time” que mostra uma reportagem bombástica sobre o Brasil, confira no próprio site do veículo - ou faça uma busca reversa, que procura a imagem no Google e encontra outros lugares em que ela (ou versões parecidas) foram publicadas. Para fazer isso, basta acessar a busca de imagens do Google. Então, clique no ícone de câmera dentro do campo de busca e transfira a imagem que gostaria de pesquisar.
Verifique a data da publicação
Em um contexto e data diferente, uma notícia antiga pode servir a uma narrativa atual completamente diferente daquela em que ela estava inserida no passado. Por isso, é comum que links antigos ganhem novas ondas de compartilhamento anos depois de publicados. Para evitar que uma informação fora de contexto contamine seu julgamento, adquira o hábito de checar a data de publicação de uma matéria antes de compartilhá-la. Geralmente, essa informação se encontra embaixo do título.
O serralheiro carioca Carlos Luiz Batista, de 39 anos, viu sua vida virar de cabeça para baixo em poucos dias em razão de um boato compartilhado nas redes sociais. Uma mensagem, acompanhada de sua foto, dizia que o serralheiro era “estuprador e sequestrador de crianças”.
Batista, que começou a receber ameaças, agora tem medo de sair de casa. Não é o primeiro caso do tipo: em 2014, uma mulher foi espancada até a morte no Guarujá, litoral paulista, depois de ser acusada, em boatos em redes sociais, de que estuprava e sequestrava crianças. No entanto, nem sequer existiam denúncias do tipo na região.
Esses casos demonstram o que acontece a indivíduos, em casos extremos, quando o compartilhamento de informações mentirosas sai do controle. Essa prática, comum em um mundo no qual todos são consumidores e produtores de conteúdo, também pode ter impactos políticos e sociais - na medida em que informações falsas ajudam as pessoas a construir opiniões.
Nos últimos anos, a crise política escancarou esse cenário no Brasil. De acordo com um levantamento do Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas de Acesso a Informação da USP, na semana em que a Câmara autorizou a abertura do impeachment da ex-presidente Dilma Roussef, em abril, três das cinco matérias mais compartilhadas no Facebook no Brasil eram falsas.
Por que as pessoas compartilham informações sem checá-las
“A dinâmica [de compartilhamento de boatos] é um efeito da polarização do debate político, mas também é muito marcada pelo viés de confirmação”, disse ao Nexo Marcio M. Ribeiro, professor da USP e pesquisador do Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas de Acesso a Informação da universidade.
O viés de confirmação é uma tendência cognitiva que faz com que nós tenhamos mais propensão de lembrar, pesquisar informações ou interpretar fatos de maneira que eles confirmem nossas crenças ou hipóteses.
Na dinâmica da comunicação digital e dos algoritmos que mostram apenas aquilo que queremos ver, o viés de confirmação cria uma “bolha” de visão de mundo que exclui aqueles que pensam diferente - o chamado “filtro bolha”.
Quando recebemos, por meio das redes sociais, o link de uma matéria que confirma nossa visão de mundo, temos mais chances de ignorar possíveis evidências de que ela seja falsa.
“Na dinâmica das redes sociais, as pessoas têm tanta ou mais responsabilidade que os veículos em determinar qual conteúdo terá mais ou menos visibilidade por meio do compartilhamento”, diz Ribeiro. Por isso, cabe também aos usuários garantir que a informação compartilhada seja verdadeira.
https://www.nexojornal.com.br/expresso/2016/10/11/Como-identificar-a-veracidade-de-uma-informa%C3%A7%C3%A3o-e-n%C3%A3o-espalhar-boatos

10.14.2016

Jornal 'The Guardian': se fechar o céu da Síria/Aleppo os EUA e aliados enfrentarão guerra com a Rússia

Sputnik

Em 1991, Londres e Washington criaram com sucesso uma zona de exclusão aérea no norte do Iraque para proteger os curdos, sublinha o jornalista. Ao mesmo tempo, os EUA isolaram Saddam Hussein do apoio internacional tirando-lhe a vontade de se confrontar com os EUA e finalmente o derrotaram no Kuwait. Na altura o fechamento do céu deu certo porque Saddam não organizou uma resistência séria e nenhum avião da coalizão foi abatido, mas no caso da Síria a situação é diferente.
"A Força Aérea da Síria participa totalmente do jogo e ela não pretende acabar com a campanha de eliminação dos seus adversários em Aleppo. Após três anos de equilíbrio militar, Bashar Assad sente que ganhou vantagem e ele pretende recuperar a maior cidade do país", diz o artigo. 
O que é ainda mais importante, continua o observador, no ar também está ativa a Rússia, assim, a criação de uma zona de exclusão aérea será de fato uma proclamação de guerra tanto contra o regime sírio como contra Moscou. E, ao mesmo tempo, o Ocidente pode até nem contar com um mandato do Conselho de Segurança da ONU.
Resumindo, Jonathan Steele nomeia três "possibilidades razoáveis" de salvar a população civil da Aleppo e que possam regularizar a situação sem confronto militar entre a Rússia e o Ocidente. Uma deles é a saída voluntária dos terroristas, que usam os habitantes como escudo humano e bloqueiam as saídas da cidade. A outra opção prevê o retorno ao controle total do governo. E a última variante é uma trégua, cuja realização permanece uma tarefa muito difícil no contexto do fracasso dos acordos anteriores entre a Rússia e os EUA.
http://www.jb.com.br/internacional/noticias/2016/10/13/the-guardian-se-fechar-ceu-da-siria-o-ocidente-enfrentara-guerra-com-russia/?from_rss=carnaval-2016

10.12.2016

O Brasil tem muito o que avançar em termos de direitos das meninas e mulheres

  • Brasil é o pior país da América do Sul para ser menina, aponta ONG

Dados mostram que tanto no RS quanto no Brasil há uma proporção considerável de negras e pardas entre adolescentes com o filho|Foto: Agência Brasil
Casamento infantil e gravidez na adolescência são fatores que puxam o Brasil para baixo no ranking |Foto: Agência Brasil
por redação do blog Sul21 - Sociedade e Poucos Direitos Humanos Femininos (fonte no final)
Relatório divulgado nesta terça-feira (11), da ONG Save the Children, indica que o Brasil tem muito o que avançar em termos de direitos das meninas. O documento, que analisa índices de casamento infantil, gravidez na adolescência, acesso a direitos reprodutivos, escolaridade e participação de mulheres na política, colocou o país como 102º do mundo, dentre 144 analisados. Com isso, o relatório aponta que Brasil é o pior lugar da América do Sul para ser uma menina — na América Latina, fica na frente apenas de Guatemala e Haiti. O ranking é encabeçado por Suécia, Finlândia e Noruega. O primeiro país de fora da Europa é a Nova Zelândia, na 16ª posição, e o primeiro da América Latina é Cuba, na 34ª.
Segundo a Save the Children, a cada ano, 15 milhões de meninas se casam antes de completar 18 anos. Em países em desenvolvimento, o número chega a ser de uma a cada três meninas. Uma das formas de prevenir essa realidade é o investimento em educação: conforme o relatório, esta seria uma das principais maneiras de se evitar o casamento infantil. Na Índia, um dos países com pior índice em termos de casamento infantil, muitas meninas também abandonam os estudos para cuidar de irmãos mais novos.
A pobreza, a guerra e as crises humanitárias são os principais fatores que promovem os casamentos infantis. Segundo o documento, nos países onde há conflitos, muitas famílias preferem casar as filhas cedo como forma de as proteger da pobreza e da guerra. No mundo, a mortalidade materna é a segunda maior causa de morte de adolescentes entre 15 e 19 anos, enquanto a primeira é suicídio.
O casamento infantil e a gravidez na adolescência são dois dos fatores que colocaram o Brasil em uma posição tão ruim no ranking. “O Brasil é um país com uma renda média-alta, mas está apenas um pouco acima no ranking do que o Haiti, com sua baixa renda e fragilidade”, aponta o documento. A falta de representação política também fez o país cair: a ONG se baseou em dados da Women in National Parliaments, que avalia a porcentagem de mulheres nos parlamentos em cada país, que colocou o Brasil como 155º dentre 187 países. Dentre os eleitos em 2014, menos de 10% dos parlamentares são mulheres.
Menina etíope de 17 anos com seu filho, de cinco. Ela casou aos 12 e foi abandonada pelo marido | Foto: Save the Children
Menina etíope de 17 anos com seu filho, de cinco. Ela casou aos 12 e foi abandonada pelo marido | Foto: Save the Children
Os piores lugares para se ser uma menina estão entre os mais pobres do mundo: Niger, Chad, República Centro Africana e Mali. Ao mesmo tempo, o relatório aponta alguns exemplos positivos, como Ruanda, que está na 49ª posição, puxada pela alta quantidade de mulheres nos parlamentos (é o com maior índice do mundo) e por estar conseguindo prevenir bem casamentos infantis e gravidez na adolescência, quando comparado com países de renda semelhante.
A maioria dos países está com dificuldades para ter paridade de gênero na política, o que independe do tamanho da economia, segundo a Save the Children. Apenas três países com a maior proporção de mulheres nos parlamentos são considerados ricos: Suécia, Finlândia e Espanha. Ruanda lidera o ranking com 64%, seguido por Bolívia e Cuba. Ao mesmo tempo, nos Estados Unidos há apenas 19% de parlamentares mulheres, o que fez o país ficar em 32º no índice da ONG. O alto índice de mortalidade materna também colaborou para que a maior economia do mundo caísse no ranking, com uma taxa de 14 mulheres mortas a cada 100 mil nascimentos, índice semelhante ao do Uruguai e do Líbano. A Argélia, que está logo acima dos Estados Unidos, conta com 31% dos parlamentares mulheres, além de índices relativamente baixos de mortalidade materna.
http://www.sul21.com.br/jornal/brasil-e-o-pior-pais-da-america-do-sul-para-ser-menina-aponta-ong/