Páginas

1.20.2024

É justo que 129 milhões de brasileiras/os ficaram mais pobre nos últimos anos ?

 João Paulo Pacífico: "Todo mundo tem o direito de ter uma renda digna. Você acha justo que 129 milhões de brasileiros tenham ficado mais pobres desde 2020? Ao mesmo tempo em que quatro dos cinco bilionários mais ricos do Brasil aumentaram sua renda em 51% [segundo a Oxfam]?", indaga

Assim, Pacífico pediu para pagar mais impostos em apresentação de palestra no Fórum de  Davos, que aconteceu em 2024 na Suiça

É importante entender-se quem são as pessoas riquíssimas que praticamente não pagam impostos no Brasil, comparado ao que ganham

 por redação do Estadão – Sociedade e Desigualdade entre as Classses Baixas e os Riquíssimos no Brasil


 Forum de Davos na Suíça em 2024

Um grupo de pessoas riquíssimas pediram aos governos de seus respectivos países, que aumentassem os impostos que eles mesmos pagam como forma de diminuir a desigualdade. Os integrantes do movimento Proud to pay more (orgulho de pagar mais, em tradução livre) entregaram a carta aos líderes mundiais e executivos de negócios que estão reunidos no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Entre os que assinam a carta há apenas um brasileiro, João Paulo Pacífico, CEO de Investimentos de Impacto do Grupo Gaia.

  João Paulo Pacífico, CEO do Grupo Gaia

Imagem: na internet

"Nosso pedido é simples: pedimos que taxem os mais ricos da sociedade. Isto não irá alterar a nossa condição de vida, privar os nossos filhos ou prejudicar o crescimento econômico dos nossos países. Mas transformará a riqueza privada extrema e improdutiva, existente em todos os países de mundo e principalmente no Brasil, em um investimento para o nosso futuro democrático comum, melhorando a qualidade de vida de todas as pessoas, a segurança pública, as estradas, a saúde, a educação entre outros", diz a carta.

"Para mim é tão óbvio que pessoas mais ricas tem que pagar mais impostos", escreve Pacífico em sua conta oficial no Instagram. Em vídeo, ele cita que os cinco homens mais ricos do mundo mais que dobraram suas fortunas desde 2022 ou após a pandemia de covid, como revelou a entidade Oxfam da Inglaterra nesta semana, que estuda e pesquisa a riqueza no mundo.

Na sua visão, a questão poderia ser solucionada da seguinte forma: primeiro, ter uma tributação progressiva, "quanto mais rico, mais imposto proporcional a pessoa deve pagar", diz ele.

Em segundo lugar, Pacífico defende a implementação da renda básica universal: "Todo mundo tem o direito de ter uma renda digna. Você acha justo que 129 milhões de brasileiros tenham ficado mais pobres desde 2020? Ao mesmo tempo que quatro dos cinco bilionários mais ricos do Brasil aumentaram sua renda em 51% [segundo a Oxfam]?", indaga.

História da Fortuna que Formou João Paulo Pacífico

Pacífico começou a sua jornada com a Gaia em 2009, quando fundou a GaiaSec, uma securitizadora imobiliária. Depois, foi aberta a GaiaServ, empresa que faz gestão de créditos. Vários outros braços do grupo surgiram, como a Gaia Esportes, Gaia Agro e Gaia Cred.

Em 2014, o grupo montou a Gaia+, uma ONG focada na infância e nos educadores que atua para promover "a educação com compaixão entre professores" (como descreve o site oficial) e habilidades socioemocionais. O trabalho é voltado para crianças em situação de vulnerabilidade por meio da assistência social, dos esportes e da cultura.

A Gaia foi dividida em duas partes: uma composta por empresas de investimentos de impacto (Gaia Impacto), e a outra de investimentos tradicionais (Planeta). Atualmente, Pacífico ficou apenas com o braço de impacto social do grupo, depois de ter vendido a parte tradicional em março de 2022. Os recursos da venda e as ações da Gaia foram doados para a ONG de investimentos de impacto.

A Gaia investe em projetos sociais de agricultura sustentável, moradia digna, geração de renda, energias renováveis e educação. O grupo colabora com as cooperativas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e levou as cooperativas para o mercado financeiro por meio de um Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA ) emitido pelo grupo.

Pacífico, que se autodenomina ativista, também integra o movimento socioambiental e é membro do Conselho Fiscal do Greenpeace Brasil. Ele já foi colunista da revista Veja e apresentador de programa da Rádio Globo. Nas duas experiências, explorava questões relacionadas à felicidade.

Publicado no Estadão e UOL: 19/01/2024

Fonte: https://economia.uol.com.br/noticias/estadao-conteudo/2024/01/19/conheca-o-unico-brasileiro-super-rico-que-pediu-para-pagar-mais-impostos-em-davos.htm

 

 

1.18.2024

Privatizações contribuem para o aumento da desigualdade no Brasil e no mundo

Relatório da Oxfam indica que a venda de estatais faz com que empresários fiquem cada vez mais ricos enquanto lucram prestando serviços cada vez mais caros à população

O quesito sócio-econômico que mais influência na desigualdade, tanto no Brasil como no Mundo, é a falta de pensamento coletivo da população. Coisa que não pode ser internalizada artificialmente na mente de uma sociedade desiquilibrada, de cultura individualista. O Estado é o resultado do que as pessoas na sociedade pensam, agem e sobrevivem...

por Vinicius Konchinski no Brasil de FatoSociedade e Ser Humano Desequilibrado

Ato contra privatizações na Alesp (Foto: Alesp)

A privatização de empresas públicas está entre as principais causas do aumento da desigualdade social no mundo, de acordo com um estudo realizado pela organização internacional Oxfam. O trabalho foi divulgado na segunda-feira (15/jan/2024) e indica que a venda de companhias estatais faz com que empresários fiquem cada vez mais ricos enquanto lucram prestando serviços cada vez mais caros à população cada vez mais pobre.

A Oxfam dedica-se há anos a levantar dados sobre o aumento da discrepância social entre ricos e pobres no mundo. A entidade divulga anualmente um relatório sobre o assunto junto com o início do Fórum Mundial Econômico de Davos, na Suíça, onde lideranças políticas e empresariais de todo mundo reúnem-se para tratar desse e de outros assuntos.

Neste ano, o relatório da Oxfam foi intitulado de “Desigualdade S.A.”. Está focado em explicar como grandes empresas estão entre as grandes responsáveis pelo crescimento forte e constante da desigualdade mundial.

Segundo a Oxfam, a riqueza dos cinco mais ricos do mundo dobrou desde 2020. Ao mesmo tempo, 60% da população global – cerca de 5 bilhões de pessoas – ficou mais pobre. Ainda de acordo com a entidade, isso aconteceu, em parte, por conta das privatizações.

Descrição: .No Brasil, há políticos, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que ainda defendem esse tipo de venda do patrimônio público, aliando-se ao interesse de grandes companhias interessadas em expandir seus negócios. Para a Oxfam, o resultado dessas operações é uma maior concentração de renda.

“Uma forma importante – embora subestimada – pela qual o poder das grandes empresas fomenta a desigualdade é a privatização dos serviços públicos. Em todo o mundo, esse poder está pressionando incessantemente o setor público, mercantilizando e, muitas vezes, segregando o acesso a serviços vitais como educação, água e saúde, enquanto obtém enormes lucros bancados pelos contribuintes e destrói a capacidade dos governos de fornecer o tipo de serviços públicos universais e de alta qualidade que poderiam transformar vidas e reduzir a desigualdade”, diz o relatório.

“A privatização pode funcionar bem para os ricos, incluindo as elites econômicas e políticas, que podem se beneficiar financeiramente, bem como quem tem recursos suficientes para pagar por serviços privados caros. No entanto, um robusto conjunto de evidências demonstra que, em muitos casos, a privatização provoca exclusão, empobrecimento e outras consequências prejudiciais”, acrescenta.

‘Privatização moderna’ - A Oxfam ressalta que o interesse em privatizações é enorme já que “elas movimentam trilhões de dólares e representam imensas oportunidades de geração de lucros”. Instituições como o Banco Mundial, que em tese atua para reduzir a pobreza e desigualdade, seguem apoiando esse tipo de negócio, que hoje acontece de diversas formas: “integração deliberada do setor empresarial em políticas e programas públicos, terceirizações e parcerias público-privadas (PPPs)”, enumera.

“Muitos sistemas contemporâneos [de privatização], como as PPP e a terceirização, podem ser altamente dispendiosos para o Estado e exigir que os contribuintes garantam os lucros do setor privado. Os riscos fiscais das PPPs são particularmente elevados, o que lhes valeu o apelido de ‘bombas-relógio orçamentárias’. O fato desses sistemas representarem frequentemente um fardo pesado para os cofres públicos e geralmente custarem mais do que os serviços públicos coloca em questão os argumentos de que a privatização é necessária porque o setor público carece de recursos suficientes”, escreve a Oxfam, sobre as novas formas de privatização.

Mauricio Weiss, economista e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), acrescenta que a situação financeira dos estados segue como o maior argumento em favor das privatizações. Segundo ele, inclusive no Brasil, o setor empresarial pressiona os governos por corte de gastos e controle do orçamento público. Isso, na verdade, inviabiliza o funcionamento de estatais e a prestação de um serviço de qualidade. Resta ao Estado, portanto, privatizar.

“O que o mercado financeiro fala? Que o Estado tem que cortar os gastos. Se há corte de gastos, o governo reduz o investimento, inclusive nas estatais. Elas param de ter eficiência. Vira um argumento para privatizar”, descreve Weiss. “O privado faz a demonização das estatais porque eles querem privatização a preço baixo no mercado.”

Segundo Weiss, esse discurso de austeridade pautou privatizações de Bolsonaro. Empresas como a Eletrobras tiveram seu controle vendido por valores questionáveis. Empresários ganharam espaço em setores essenciais e com pouca concorrência – no caso, energia elétrica –, demitiram trabalhadores e aumentaram os ganhos da diretoria.

A Eletrobras, por exemplo, lançou um plano de demissão voluntária (PDV) após a privatização para desligar mais de 2 mil trabalhadores. Ao mesmo tempo, a empresa aumentou em 3.500% no salário de seus administradores.

Desigualdade tributária - Jefferson Nascimento, coordenador de Justiça Social e Econômica da Oxfam Brasil, diz que o fortalecimento do orçamento público é fundamental para evitar as privatizações e reduzir a desigualdade. Isso ocorre basicamente cobrando mais impostos dos ricos para oferecer melhores serviços aos pobres.

“Existe um amplo apoio ao fornecimento de serviços públicos universais, e esses serviços têm custo. Os custos são pagos por impostos”, lembrou. “Os impostos precisam ser mais justos para financiar esses serviços.”

No Brasil, no entanto, o sistema tributário contribui com as injustiças, segundo Nascimento. O governo concede descontos em tributos para empresas e sobre determinadas despesas que só beneficiam a população mais rica.

Ele lembra por exemplo que todas as custas médicas podem ser descontadas sobre o Imposto de Renda. Contudo, só ricos têm esse tipo de gasto, já que grande parte da população usa o Sistema Único de Saúde (SUS). “Cerca de 400 mil pessoas deduziram do seu imposto de renda R$ 26 bilhões só em 2022. Isso é 23% de tudo o que foi deduzido em despesas médicas no ano, de acordo com dados da Receita.”

Nascimento diz que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem sinalizado um esforço para a mudança na tributação sobre renda no país. Para ele, contudo, não é tão claro quanto foi o empenho feito para a reforma dos impostos sobre o consumo, aprovada no ano passado sem um efeito significativo contra a desigualdade.

Ao mesmo tempo, o governo estabeleceu o déficit zero das contas públicas já a partir de 2024 e colocou em vigor o Novo Arcabouço Fiscal (Naf). A nova regra limita o gasto público com base no crescimento da receita. Isso pode enfraquecer ainda mais o estado caso a arrecadação não cresça e acabar, ao fim, fomentando novas privatizações.

O quesito sócio-econômico que mais influência na desigualdade, tanto no Brasil como no Mundo, é a falta de pensamento coletivo da população. Coisa que não pode ser internalizada artificialmente na mente de uma sociedade desiquilibrada, de cultura individualista. O Estado é o resultado do que as pessoas na sociedade pensam, agem e sobrevivem. E se a população é culturalmente narcisista ou egocêntrica, o Estado será apenas um reflexo. Por esse viés importante para o equilíbrio sócio-econômico, Estado e população, nunca sairão da vala comum de desequilíbrio que predomina na civilização humana. Dúvida: como a civilização humana conseguirá se manter viva, dentro da Terra-Mãe, sem que o equilíbrio do corpo, mente e espírito humano se restabeleça?

Publicado no Brasil 24/7: 17 de janeiro de 2024

Fonte: https://www.brasil247.com/economia/como-as-privatizacoes-contribuem-para-o-aumento-da-desigualdade-no-brasil-e-no-mundo