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12.01.2015

COP 21 e clima em Paris: O impasse fundamental

Por Leonardo Boff , para Jornal do Brasil - Sociedade e sobrevivência na Mãe Terra (fonte no final)
  • Entre os dias 30 de novembro a 11 de dezembro de 2015 se celebrará mais uma Convenção das Mudanças Climáticas (COP 21) em Paris

Todas as convenções realizadas até hoje, chegaram a convergências (conclusões) pífias, muito distantes das exigências que o problema global exige. Há uma razão intrínseca ao atual sistema socioeconômico mundializado que impede alcançar objetivos comuns e adequados.
É semelhante a um trem sobre os trilhos. Ele está condicionado ao rumo que os trilhos traçam sem outra alternativa.
A metáfora vale para o atual sistema global. As sociedades mundiais continuam obsecadas pelo ideal do crescimento ilimitado, medido pelo PIB. Falam em desenvolvimento, mas na verdade, o que se busca é o crescimento material.
O crescimento pertence aos processos vitais. Mas sempre dentro de limites.
Uma árvore não cresce ilimitadamente para cima nem nós crescemos fisicamente de forma indefinida. Chega um ponto em que o crescimento para e outras funções têm  o seu lugar.
Ocorre que um planeta limitado e escasso de bens e serviços não tolera um crescimento ilimitado. Já nos demos conta de seus limites intransponíveis. Mas o sistema não toma tal fato em consideração.
Disse-o com grande lucidez o co-fundador do eco-socialismo, o franco-brasileiro Michael Löwy: "Todos os faróis estão no vermelho: é evidente que a corrida louca atrás do lucro, a lógica produtivista e mercantil da civilização capitalista/industrial nos leva a um desastre ecológico de proporções incalculáveis; a dinâmica do crescimento infinito, induzido pela expansão capitalista, ameaça destruir os fundamentos da vida humana no planeta" (Livro - Ecologia e socialismo 2005, 42).
A questão central não está, como viu o papa Francisco em sua encíclica sobre O cuidado da Casa Comum,  na relação entre crescimento e natureza. Mas entre ser humano e natureza. Este não se sente parte da natureza, mas seu dono que pode dispor dela como bem quiser.
Não cuida dela nem se responsabiliza pelos danos da voracidade de um crescimento infinito com o consumo ilimitado que o acompanha. Assim caminha célere rumo a um abismo, pois a Terra não  suporta mais tanta  exploração e devastação.
Entre as muitas consequências desta lógica perversa é o aquecimento global que não cessa de crescer. Desconsiderando os negacionistas (os que sempre negam), há dois dados seguros,  estabelecidos pela melhor pesquisa mundial.
Primeiro: o aquecimento é inequívoco; não dá para negá-lo, basta olharmos em volta e constatarmos os eventos extremos que ocorrem em todo o planeta;  
Segundo: para além da geofísica da própria Terra que conhece fases de aquecimento e de esfriamento, este aquecimento é antrópico, vale dizer, resultado da ininterrupta intervenção humana nos processos naturais.
O aquecimento que seria normal vem fortemente intensificado especialmente pelos gases de efeito estufa: o vapor d'água, o dióxido de carbono, o metano, o óxido nitroso e o ozônio. Esses gases funcionam como uma estufa que segura o calor aqui em baixo, impedindo que se disperse para o alto aquecendo em consequência o planeta.
Toda luta é limitarmo-nos a dois graus Celsius, o que permitiria um gerenciamento razoável da adaptação e da mitigação. Para nos mantermos nestes limites, dizem-nos os cientistas, deveríamos reduzir a emissão dos gases em 80% até 2050.
A maioria acha isso impossível. Se no entanto, por descuido humano, a temperatura chegar entre 4-6 graus Celsius  por volta desta data, a vida que conhecemos corre risco de desaparecer e atingir grande parte da espécie humana. 
O Secretário da ONU Ban Ki Moon advertiu recentemente:"As tendências atuais estão nos levando cada vez mais perto de potenciais pontos de ruptura, que reduziriam de maneira catastrófica a capacidade dos ecossistemas de prestarem seus serviços essenciais".
A consequência é: temos que mudar de rumo ou conheceremos a escuridão. Há que estabelecer uma nova relação para com a Terra, respeitar seus ciclos e limites, sentirmo-nos parte dela, cuidá-la com processos de produção e consumo que atendam nossas necessidades, sem exaurir sua biocapacidade. Deveremos aprender a ser mais com menos e a assumir uma sobriedade compartilhada em comunhão, com toda a comunidade de vida que também precisa da vitalidade da Mãe Terra para viver e se reproduzir.  Ou faremos esta "conversão ecológica"(papa Francisco) ou estará comprometida nossa trajetória sobre esse pequeno e belo planeta.
http://www.jb.com.br/leonardo-boff/noticias/2015/11/30/o-impasse-fundamental-da-cop-21-em-paris/

A questão da adoção e os orfãos: livro de ficção infanto-juvenil

Por redação da agência Adital - Sociedade, crianças e jovens (fonte no final do texto)
  • O texto do livro "Ioiô”, escrito por Belise Mofeoli e ilustrado por Raoni Xavier, pela editora Paulus, é motivado pelas lembranças da autora, que, quando pequena, se deparou com a notícia de crianças que haviam sido adotadas e, depois, devolvidas   
  • Isto que a deixou a autora profundamente triste, ela conta que ficou aliviada somente depois de escrever a obra
O tema ganha cada vez mais importância, uma vez que dados do Cadastro Nacional de Adoção, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), registra, 130 casos de crianças que foram adotadas, mas retornaram aos abrigos. Desde 2008, há uma média de duas crianças devolvidas a cada 45 dias.


O livro se desenvolve pela narrativa de uma das crianças do orfanato, ou melhor, do abrigo, como o diretor da instituição prefere chamar
A história caminha entre as lembranças de parentes, amigos e das coisas que ocorrem no lugar. Entre elas, está a angústia dos pais que visitam o abrigo, ficam de voltar para levar alguma das crianças e não aparecem mais. Ou mesmo dos adotados, que foram morar com outras famílias, mas, em seguida, foram devolvidos.
"Os pais vêm, escolhem, gostam…Depois, se não gostam mais, devolvem. Tipo mercadoria.
Só que gente não é brinquedo. Não dá pra ficar fazendo ioiô delas, Ioiô é de plástico e não tem coração. Órfãos têm. Geralmente, partidos”.
Belise Mofeoli é formada em Publicidade e Propaganda pela PUC-SP [Pontifícia Universidade Católica da São Paulo], atuando mais como roteirista do que como redatora publicitária.
Possui trabalhos para diversos formatos: educativos, animações, games, teatro, tirinhas, letras de música, literatura e transmídia (modo narrativo multiplataforma com várias linguagens e interação).
Raoni Xavier é paraibano e mora em João Pessoa. Formado em Educação Artística pela UFPB [Universidade Federal da Paraíba], trabalha como diagramador na educação à distância do IFPB.
Livro - Ficha Técnica, título: Ioiô, autora: Belise Mofeoli, ilustrador: Raoni Xavier, ano: 2015, páginas: 96.
http://site.adital.com.br/site/noticia.php?lang=PT&cod=87494

‘Estamos numa crise que já conta 35 anos de idade!’, alerta economista da Unicamp

Por Rennan Martins para agência Adital- Sociedade e macroeconomia brasileira (fonte no final)
Do Blog dos Desenvolvimentistas

  • Em entrevista do economista da Unicamp Wilson Cano, é proposto o entendimento da crise econômica vivida pelo Brasil há mais 30 anos, desde que abandonamos o projeto de industrialização e desenvolvimento, ainda nos anos 1980
A predominância do capital financeiro sobre o trabalho e o capital produtivo, aliada a internacionalização e desregulação solapou o Estado nacional, que não mais dispõe de mecanismos que possibilitem uma gestão econômica voltada para o crescimento, desenvolvimento e o pleno emprego.
Na esteira dessa configuração, veio também a privatização da Vale [então mineradora estatal Vale do Rio Doce], que, hoje, é uma das donas da Samarco [mineradora acusada de provocar, por meio do rompimento de duas barragens em Mariana – Estado de Minas Gerais – um dos maiores desastres ambientais do país, no início deste mês]. E, com a lógica do lucro máximo a qualquer custo, o "descontrole sobre os investimentos estrangeiros na mineração” e a precarização dos serviços ambientais públicos, temos o conjunto de fatores confluentes para a tragédia das barragens.
jornalggn
Wilson Cano avalia causas e efeitos da crise no Brasil
Esta é a avaliação de Wilson Cano, professor do Instituto de Economia da Unicamp [Universidade de Campinas – São Paulo], que vê as iniciativas do BRICS [bloco que reúne o Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul] e do Mercosul como positivas, mas insuficientes frente ao atual quadro. Alerta ainda que "ou nos rebelamos contra esse estado insano de coisas, ou acabaremos pior do que estamos hoje”.

Confira a entrevista


Encerraremos 2015 com um encolhimento que deve ultrapassar 2% do PIB [Produto Interno Bruto]. Como chegamos neste quadro? Quais são suas principais causas?
Estamos numa crise que já conta 35 anos de idade! Não caímos apenas na passagem 2014-2015. Passamos pela década de 1980, a crise da dívida, em que o Estado nacional foi fragilizado fortemente. Depois, na de 1990, com a instauração do neoliberalismo, abriu as comportas da fragilizada economia nacional, com a liberalização comercial e financeira, a privatização e a perda de vários direitos trabalhistas. Esta última valorizou fortemente o câmbio, jogando uma pá de cal sobre a indústria nacional. O pior é que não foram apenas os governos "liberais” que fizeram isso: depois de [ex-presidentes José] Sarney (fim do seu governo), [Fernando] Collor, Itamar [Franco] e FHC [Fernando Henrique Cardoso], o PT [Partido dos Trabalhadores] deu continuidade à política macroeconômica neoliberal, a despeito de suas ‘progressistas’ políticas sociais e de uma nova postura na política externa.
O quanto o cenário internacional afeta o mercado interno brasileiro? Quanto podemos atribuir a erros de gestão governamental?
Com a queda das exportações, é claro que os setores exportadores perdem, desempregam a reduzem, portanto, a renda por eles gerada. Além do mais, tanto Lula como Dilma praticaram elevadas taxas de juros, aumentando, sobremodo, a dívida interna e o montante de juros pagos no orçamento federal. Hoje, eles fazem algo como 8% do PIB e cerca de 95% do déficit fiscal!
Poderia nos explicar as razões e a forma com que a crise de 2008 saiu dos países desenvolvidos e agora atinge as economias emergentes?
A predominância do capital financeiro nas relações econômicas internacionais, a política neoliberal e a globalização ampliaram, sobremodo, a internacionalização das grandes empresas e dos bancos transacionais, sobretudo, os norte-americano. Com a adoção das políticas neoliberais, a maioria dos países foi fortemente afetada por aquela internacionalização, que contaminou suas finanças privadas e públicas, deteriorando suas economias.
De que maneira se estabeleceu a hegemonia dos ditames ortodoxos no campo da política econômica? Por que há tanta dificuldade em produzir novos consensos?
Para acabar de vez com o Padrão Ouro-Libra, fez-se a 1ª Guerra Mundial, para reorganizar as economias destroçadas pela grande depressão dos anos 1930, fez-se a 2ª. guerra. Os Estados Unidos consolidaram sua hegemonia com a crise dos anos 1970, liquidando com grande parte do socialismo e restaurando a hegemonia do capitalismo. Como se vê, não é a falta de "pactos” ou de "consensos” (aliás, vivemos, hoje, o de Washington) que "não se arruma a casa”. Não se arruma porque o capitalismo, com sua predominância financeira, nunca foi tão voraz e irracional, nunca criou tantos miseráveis como hoje, e nunca alimentou e realimentou tantas guerras como nos últimos 30 anos! Soltaram a fera, com a desregulamentação, agora, que se cuidem todos…
Recentemente, assistimos ao que pode ser o maior desastre ambiental da nossa história, falo do rompimento das duas barragens de rejeitos geridas pela Samarco, em Minas Gerais. Nosso modelo econômico teve parte nisso? Por que?
Sim, tem muito a ver com isso: a privatização da Vale; o descontrole sobre os investimentos estrangeiros na mineração; a fragilização do Estado nacional e de seu corpo técnico de funcionários; o imbróglio das "coalizões” políticas, nas quais não se sabe de quem é a responsabilidade e a autoridade efetiva; a impunidade nos desmandos da coisa pública; a conflituosidade que atingiu o Judiciário; enfim, são sequelas do desgoverno no neoliberalismo.

reproducao
Presidenta Dilma Rousseff sobrevoa área atingida por desastre ocasionado pela mineradora Samarco, em Minas Gerais
Que razões levaram o governo a adotar a agenda do ajuste fiscal que criticara nas eleições? O que se pode esperar caso aprofundemos a agenda da austeridade?
As razões da ingovernabilidade, causada por um orçamento em que os juros da dívida perfazem a metade do orçamento federal e 95% do déficit. Não há ajuste possível, a não ser que se elimine o Bolsa Família, se feche o sistema educacional público e o de saúde pública, preservando, é claro, as verbas necessárias à colossal ampliação do sistema presidiário, que deve crescer sobremodo. Não se corta o gasto público em crises, já nos ensinaram os grandes mestres da economia.
Quais são os caminhos para que retomemos o crescimento? Que medidas imediatas você sugeriria?
Não se pode aplicar nenhuma política macroeconômica de crescimento, quando se está atado a acordos internacionais que nos imobilizam: pouco ou nada podemos fazer com a nossa indústria, para protegê-la das importações, pois estamos atados à OMC [Organização Mundial do Comércio]; nossos bancos públicos tiveram seu grau de liberdade de ação pública restringidos pelo Acordo de Basiléia. Ou nos rebelamos contra esse estado insano de coisas ou acabaremos piores do que estamos, hoje. Nosso agrupamento ao BRICS e ao Mercosul são duas coisas boas e importantes, mas insuficientes para corrigirem a rota perdida.
Originalmente publicado em: http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/blog/2015/11/24/estamos-numa-crise-que-ja-conta-35-anos-de-idade-entrevista-com-wilson-cano/
http://site.adital.com.br/site/noticia.php?lang=PT&cod=87430

Mulheres em fuga: migrantes centro-americanas escapam da violência em seus países


Por Cristina Fontenele*, para agência Adital - Sociedade e povos em pavor (fonte no final do texto)
El Salvador, Guatemala, Honduras e México têm aumentado os pedidos de asilo nos Estados Unidos. Dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) revelam que um número crescente de mulheres destes países está fugindo para escapar da violência descontrolada, perpetuada pelas gangues e pelos parceiros das vítimas. No relatório Women on the run (Mulheres em fuga), 85% das mulheres entrevistadas descreveram sua vida, em bairros controlados por grupos criminosos armados.

Segundo o relatório, estima-se que existam 20 mil membros de gangues em El Salvador, 12 mil em Honduras e 22 mil na Guatemala. Escapar da violência desses grupos é um dos principais motivos de fuga das mulheres de seus países.
Sem segurança em casa, as mulheres fogem para protegerem a si mesmas e seus filhos dos assassinatos, extorsão e estupros. Mas, nessas migrações forçadas, os mais vulneráveis também são as crianças e as mulheres. Estatísticas do governo dos Estados Unidos (EUA) mostram que mais de 66 mil famílias, em geral mães e crianças, chegaram aos Estados Unidos, em 2014.
A pesquisa da Acnur entrevistou 160 mulheres, que chegaram aos Estados Unidos desde outubro de 2013. Elas relatam como grupos criminosos aterrorizam a população de seus países, para controlarem grandes áreas. 64% das entrevistadas disseram terem recebido ameaças diretas e ataques de gangues, sendo este o motivo principal de fuga do próprio país.
Anya, de Honduras, relata: "eu vi o [cartel de drogas] matar alguém na rua, quando eu estava saindo da escola. Eles me viram fugindo. As ameaças começaram nesse dia. Eles me disseram que, se eu dissesse qualquer coisa ou me mudasse, eles me encontrariam e me matariam. O [criminoso] me estuprou duas vezes, me raptou quatro vezes, bateu no meu parceiro, e me maltratou de muitas outras formas. Eles disseram que iam me matar. Eles também disseram que, se eu não saísse, eles achariam minha família e a matariam também. Então, eu decidi ir”.
Além da violência imposta pelos grupos criminosos, existem os abusos físicos, sexuais e, muitas vezes, abusos psicológicos, realizado pelos próprios parceiros das mulheres. O relatório informa que 58% das entrevistadas deram testemunhos de agressão e abuso sexual. Quase todas as mulheres que sobreviveram de abuso doméstico lembraram que são chamadas de "vagabundas” ou "prostitutas” por seu parceiro.
Também há casos de violência e abuso policial. Uma transgênero de El Salvador relatou ao informe da Acnur: "eu fiz uma queixa criminal contra os policiais que me estupraram e me bateram, e eu tenho medo que eles vão me matar... Eles matam mulheres trans frequentemente . Eu tinha muitos amigas que foram assassinados”.
Separar-se dos filhos é outra situação de violência que enfrentam as "mulheres em fuga”. Mais de 60% das entrevistadas relataram que tiveram que deixar para trás uma ou mais crianças. Carolina, de Honduras, foi forçada a partir sem os filhos, que ficaram com o marido abusador. Em contato telefônico com a filha de 13 anos, Carolina revelou que o marido, agora, estava abusando da garota. "Ela [minha filha] está pagando pelo que aconteceu comigo”.
Cuba
Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores de Cuba denuncia que existe uma situação complexa de migração, envolvendo mais de 1 mil cidadãos cubanos que chegam a Costa Rica com a intenção de viajarem para os Estados Unidos. E acabam se tornando vítimas de traficantes e de grupos criminosos que, de maneira "inescrupulosa”, lucram com o controle da passagem dessas pessoas pela América do Sul, América Central e México.

Para o Ministério das Relações Exteriores de Cuba, a política de "pés secos-pés molhados” estimula a emigração irregular de Cuba para os Estados Unidos.
No documento, o Ministério denuncia também que esses migrantes se converteram em vítimas da politização do tema migratório por parte do Governo dos EUA, da Lei de Ajuste Cubano, em particular, da aplicação da chamada política de "pés secos-pés molhados”. "Pés secos” significam que aqueles que conseguem pisar em terra estadunidense poderão solicitar a residência permanente. "Pés molhados” referem-se aos indivíduos que tentam entrar nos EUA por via marítima e são interceptados, antes de alcançarem o objetivo.
"Essa política estimula a emigração irregular desde Cuba para os Estados Unidos e constitui uma violação da letra e do espírito dos Acordos Migratórios em vigor, mediante os quais ambos os países assumiram a obrigação de garantirem uma emigração legal, segura e ordenada”, afirma o Ministério cubano.

* Cristina Fontenele - Repórter E-mail: cristina@adital.com.br ou crisfonte@hotmail.com


http://site.adital.com.br/site/noticia.php?lang=PT&cod=87491

Senador Delcídio PT-PSDB é um elo da corrupção histórica na Petrobrás

  • A mídia recortou os minutos convenientes da gravação e desprezou os trechos nos quais a quadrilha relembra a roubalheira deles no governo FHC

    • Todos os 3 poderes sabiam do que se tratava (executivo, legislativo, judiciário) 


Por Jeferson Miola, para site Carta Maior - Sociedade e jogo de poder no Brasil

Créditos da foto: Waldemir Barreto / Agência Senado  Waldemir Barreto / Agência Senado
Matar mulher é feminicídio; matar presidente é magnicídio; matar criança é infanticídio; matar de vergonha é Delcídio 
(Postagem no twitter)
 
As gravações das conversas entre o Senador Delcídio do Amaral, Bernardo Cerveró [filho do ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró] e Edson Ribeiro [advogado do ex-diretor], são reveladoras do quão entranhável é a corrupção no estamento da política e dos negócios.
 
Se aquelas conversas fossem divulgadas sem a identificação dos interlocutores, ninguém hesitaria em reconhecer se tratar de um bando de bandidos reunidos para arquitetar crimes. Este fato é, em si mesmo, estarrecedor e escandaloso. A cassação do mandato de senador e a expulsão de Delcídio do PT serão os desdobramentos naturais.  
 
Tão escabroso quanto este fato, entretanto, é a seletividade do condomínio policial-jurídico-midiático de oposição, que recortou os minutos convenientes da 1 hora e 35 minutos da gravação e desprezou os trechos nos quais a quadrilha relembra a podridão e a roubalheira deles na Petrobrás ainda no governo FHC.  
 
Eles fizeram menção, por exemplo, à dinheirama depositada em bancos suíços originada de propina que receberam da empresa Alstom em 2001 e 2002, quando Delcídio era diretor da Petrobrás e Cerveró seu gerente. E também revelaram o nome do personagem que a décadas usa o lobista Fernando Baiano como preposto: o espanhol Gregório Preciado, que é casado com uma prima do senador tucano José Serra.  
 
Qual o procedimento policial e judicial instalado para investigar estes dois aspectos reveladores da gênese da corrupção na Petrobrás? Resposta: - nenhum! Houve cobertura midiática demonstrando jornalisticamente as conexões e os tentáculos tucanos na corrupção na Petrobrás? Resposta: nenhuma!  
 
A seletividade do condomínio policial-jurídico-midiático de oposição tem sido uma norma de conduta. Os responsáveis pela Lava Jato na Polícia Federal, no Ministério Público e no Judiciário simplesmente desconsideram testemunhos, indícios e provas que implicam políticos ligados ao PSDB e, além de não investigarem, arquivam as denúncias. E a mídia oposicionista completa o serviço, acobertando a verdade inteira.  
 
Foi assim com Pedro Barusco, o ex-gerente que confessou ter começado sua prática delituosa na Petrobrás na década de 1990, durante o governo FHC. Diante da confissão deste funcionário corrupto que devolveu 100 milhões de dólares roubados em 20 anos, qual a apuração da Lava Jato sobre o período FHC? Resposta: - nenhuma!  
 
Por uma estranha discricionariedade, o inquérito contra o senador tucano Anastasia foi arquivado, e a investigação sobre os 10 milhões de reais transferidos pelas empresas implicadas na Lava Jato ao PSDB na gestão do ex-presidente do Partido, Sérgio Guerra [já falecido], nunca prosperou. Qual a reação midiática a isso? Resposta: - nenhuma!
 
O chamado “mensalão” foi implacavelmente julgado para justiçar o período dos governos do PT. Entretanto, como está a investigação do “mensalão” mineiro, inventado pelo tucanato muitos anos antes? Resposta: - paralisada, podendo prescrever, e os envolvidos estão “todos soltos”.
 
A realidade não permite ilusões ou fanatismos alienantes: o Brasil está enfrentando uma das maiores crises morais e políticas da sua história. A corrupção é um fator desencadeante da corrosão moral que aflige o país. O mais importante, porém, é que pela primeira vez tudo está sendo investigado sem interferências do governo.
 
Esta conquista civilizatória do Brasil, de identificar e castigar a corrupção, poderá ser anulada por manobras maniqueístas do condomínio policial-jurídico-midiático de oposição, que recorta e seleciona a narrativa a ser construída, que visa preservar o PSDB e aniquilar o PT. Isso é contraproducente, porque dos mais de 100 indiciados na Lava Jato até agora, apenas 4 são identificados com o PT, e a imensa maioria pertence a outros partidos políticos.
 
Delcídio é um elo da corrupção histórica na Petrobrás; ele é o elo entre o presente e o passado; o elo corrupto entre o período FHC e o período Lula. Se, em razão disso, a Lava Jato não averiguar a raiz da corrupção na empresa, será uma agressão à justiça e à democracia.
 
Mais além da Lava Jato, é necessário um esforço de recomposição ética no Brasil, porque a corrupção está disseminada inclusive em práticas “legais”, ainda que imorais, em várias esferas da atividade pública nos três Poderes.
 
Só moralismo não resolve. Menos ainda o falso e seletivo moralismo. É necessário encarar esta crise de frente. O Brasil está num “mandrake político”, porque nenhuma força política se mostra crível como alternativa na crise. O país está à beira do abismo político e moral que ameaça produzir um forte estrago à economia nacional.
 
Este momento de impasse é, também, um momento de rediscussão de um novo ordenamento jurídico-institucional. A atual lógica, em especial quanto ao sistema político, é uma das causas da transição inconclusa da ditadura para um Estado de bem-estar social. O PMDB, Partido individualmente minoritário, domina a ciência de navegar neste sistema obsoleto e fisiológico, é um dos principais fatores do atraso e do retrocesso.
 
É urgente, por isso, se buscar o apoio da sociedade brasileira para a convocação de uma Assembleia Constituinte autônoma e específica, que discuta um novo ordenamento jurídico-institucional, começando pela reforma política e pela democratização profunda do Estado.

http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Delcidio-e-um-elo-da-corrupcao-historica-na-Petrobras/4/35076

11.28.2015

A construção do Brasil livre

Por Mauro Santayana para revista Carta Capital, de blog do Alok - Sociedade e Nação Livre   
  • O Brasil precisa de um projeto para a construção de uma nação soberana, não de uma pinguela que nos encaminhe aos estábulos de nossos novos senhores
Os partidos políticos são como os homens. 
Eles nascem, envelhecem, algumas vezes, sem ter sequer crescido, e mudam, também, de posição.
Há outros que conhecem Glória e Poder e depois murcham, fenecem, quando não desaparecem por simples inanição.
Há aqueles que surgem das circunstâncias da hora, da resistência e das barricadas, para fazer História.
Há os que se organizam – ou se reorganizam, vergonhosamente - para impedir que a História se faça, que ela avance, e que com ela caminhem os povos e a Humanidade.
E há aqueles que fazem de tudo para conservar as coisas como estão. Mesmo que se disfarcem do novo, mesmo que se disfarcem de novo, e sob seus estandartes desfilem jovens atléticos de dentes brilhantes, seus olhos serão velhos como a morte, e de sua boca exalará o ódio, a violência e a podridão.
Há os partidos ideológicos. 
E há os que são circunstanciais e os fisiológicos. 
Os que foram formados por uma determinada classe, como as antigas agremiações agrárias, proletárias, industriais. 

E os oportunistas, que não se incomodam em mudar de nome, de marca, de história, como se trocassem de camisa - os que renegam origem e passado em troca de eventuais benesses do momento, sem nenhuma preocupação moral com o amanhã.
O MDB surgiu como uma frente de oposição ao regime militar que chegou ao poder com o Golpe de 1964.
Participou da Campanha das Diretas Já e da eleição de Tancredo Neves para a Presidência da República.
Teve papel fundamental, sob a liderança do Deputado Ulisses Guimarães, na promulgação da Carta Constitucional de 1988.
Depois disso, transformou-se em esteio da governabilidade, foi negociando, com os governos de turno, apoios, em troca de cargos e benesses, e acabou, majoritariamente, transformando-se no que é agora.
Em 1982, acompanhamos, por meio de amigos do Movimento Democrático Brasileiro, a formulação e redação de um documento com o nome Esperança e Mudança.
Um texto que apresentava um programa nacional e desenvolvimentista, soberano e autônomo, que defendia a queda dos juros, o uso estratégico do estado na construção do desenvolvimento, a diminuição da desigualdade e nossa integração com a América Latina.
Agora, 33 anos depois, o PMDB acaba de lançar um documento chamado Uma Ponte para o Futuro, a ser usado, em tese, como base para seu próximo Programa de Governo.
De sua leitura, depreende-se que ele pretende inviabilizar o Estado, diminuir as conquistas sociais, entregar o que resta de patrimônio nacional aos estrangeiros, fazer com que o Brasil saía do BRICS, e vire as costas à América Latina   
Ao lançar esse texto - por mais bem intencionados que possam eventualmente estar alguns de seus autores - a direção do PMDB rompe, definitivamente, com o pouco que ainda existia de seus antigos  compromissos  com o país e com o povo brasileiro.
A legenda escreve um claro, inequívoco,  definitivo atestado de abandono dos ideais que lhe deram origem.
E deixa uma prova incontestável, para a História, de sua rendição e de sua entrega àqueles que, do exterior, cobiçam e pretendem se assenhorear definitivamente do Brasil, de nossos recursos naturais, de nosso mercado interno, de nossa população, de nossas perspectivas de futuro.
No momento em que a China, com 4 trilhões de dólares em reservas internacionais em caixa,  se prepara para assumir – com uma economia majoritariamente estatal e nacionalizada, sem rendição ao discurso único ou ao TPP - a posição de maior economia do mundo; em que Pequim estabelece uma aliança com Moscou para a “construção” e o desenvolvimento de todo um novo continente, a Eurásia, com todas as oportunidades que esse projeto oferece; que o primeiro-ministro hindu – país que acaba de enviar, por méritos próprios, uma sonda à órbita de Marte - é recebido como o líder de uma potência mundial, na Grã-Bretanha; que o Brasil constrói com a Suécia uma nova geração de caças supersônicos para sua Força Aérea e forja o casco de seu primeiro submarino atômico; boa parte da atual geração de brasileiros se acovarda e se submete, entusiasta e pateticamente, – com base em um discurso tão frouxo, quanto mentiroso e hipócrita - à acoplagem secundária e abjeta da quinta maior nação do mundo ao projeto de domínio “ocidental”, como um mero mercado de produtos e serviços e fornecedor de commodities, defendendo o abandono do projeto do BRICS e de nossa liderança na América Latina, para fazer o país retornar, inapelavelmente, em pleno século XXI, à condição de colônia.
O que o Brasil precisa, neste momento – como no momento da redemocratização - é de um programa de união nacional, desenvolvimentista e socialmente justo, que estabeleça um caminho próprio para o país, em um novo mundo cada vez mais desafiante, multipolar e competitivo.
De um projeto para a construção de uma nação soberana e forte - que nas áreas de defesa e de infra-estrutura e de energia já está em andamento - e não de uma pinguela que nos encaminhe como cordeiros para o estábulo de nossos novos senhores de Washington e de Bruxelas.
http://blogdoalok.blogspot.com.br/2015/11/mauro-santayana-pinguela-e-o-estabulo.html

A política externa norte-americana

  • Será que tudo é lindo na política externa norte-americana como cita a imprensa dos EUA

  • A grande mídia corporativa dos EUA apoia a política externa do governo apresentando um mundo distorcido ao público norte-americano


Por DAVE LINDORFF - para CounterPunch, publicado no site Carta Maior- Sociedade,  Geopolítica dos EUA e a  Imprensa (fonte no final do texto)

Créditos da foto: Pete Souza 
Pete Souza
Seria a mídia corporativa norte-americana notadamente composta por órgãos de propaganda ou agências de notícias?

Aqui estão alguns pontos a se considerar e, então, o leitor pode decidir. Confira algumas perguntas abaixo e verifique como a mídia corporativa dos EUA geralmente produz suas respostas:
1. Se o Estado Islâmico ou a Al Qaeda deliberadamente atacam civis, como no recente episódio em Paris, indiscriminadamente matando dezenas de pessoas, seria isso terrorismo?
Resposta objetiva: Sim
Resposta da mídia dos EUA: Sim
 
2. Se os EUA deliberadamente atacam civis, como no caso do hospital dos Médicos Sem Fronteiras em Kunduz, Afeganistão, matando indiscriminadamente dezenas de pessoas, seria isso terrorismo?
Resposta objetiva: Sim
Resposta da mídia dos EUA: não

3. Se o governo chinês assume o controle de uma ilha minúscula, reivindicada por outra nação, e ali instala uma base militar, seria esse um exemplo de agressão, uma violação do direito internacional e uma provocação?
Resposta objetiva: Sim
Resposta da mídia dos EUA: Sim

4. Se o governo dos EUA assume o controle e, em seguida, se recusa a renunciar uma porção de uma minúscula ilha, propriedade de outro país, neste caso Cuba, e ali instala uma base militar (como tem feito já por décadas, no caso da Baía de Guantánamo) seria esse um exemplo de agressão, uma violação do direito internacional e uma provocação?
Resposta objetiva: Sim
Resposta da mídia dos EUA: não

5. Se a líder de um partido que ganha a eleição nacional, mas anuncia que, na verdade, é ela que tomara todas as decisões importantes para o governo recém eleito, como Suu Ky anunciou que fará em Mianmar, seria esse um exemplo de comportamento antidemocrático ou de caudilhismo?
Resposta objetiva: Sim
Resposta da mídia dos EUA: Não

6. Se um país estrangeiro coloca mísseis apontados para outra nação no território de um país adjacente ao país-destino, como fez a URSS em Cuba, seria essa uma ameaça para o país de destino, no caso os EUA?
Resposta objetiva: Sim
Resposta da mídia dos EUA: Sim

7. Se os EUA colocam mísseis na Polônia apontados pra Rússia, como fizeram, ou colocam armamento nuclear na Alemanha, também tendo a Rússia como alvo, o que foi feito, seriam essas ameaças para a Rússia?
Resposta objetiva: Sim
Resposta da mídia dos EUA: não

8. Se o Irã proporciona assistência militar aos rebeldes de um país vizinho como Iêmen e tal grupo, os Houthis, com sucesso derrubam um autocrata do poder, seria isso subversão?
Resposta objetiva: Sim
Resposta da mídia dos EUA: Sim

9: Se os EUA financiam organizações dentro de outro país que organizam protestos, marchas e atentados sangrentos que, finalmente, derrubam o governo eleito, como os EUA fizeram na Ucrânia, seria isso subversão?
Resposta objetiva: Sim
Resposta da mídia dos EUA: não

10. Se o Irã, signatário do Tratado de não Proliferação Nuclear, pretende desenvolver capacidade de refino do urânio-235, o que um dia poderia ser usado para fabricar armamento nuclear, mas concorda com inspeções e supervisão internacional, seria essa uma grave ameaça à estabilidade regional no Oriente Médio e à paz mundial?
Resposta objetiva: não, já que existe outra poderosa nação com armamento nuclear no Oriente Médio, com a capacidade de obliterar totalmente o Irã — ou seja, Israel.
Resposta da mídia: Sim

11: Se Israel, que nunca assinou o Tratado de não Proliferação, se recusa a permitir inspeções em suas instalações nucleares, é conhecido por ter centenas de armas nucleares, bem como os aviões e mísseis para enviá-los a qualquer lugar, seria essa uma grave ameaça à estabilidade regional no Oriente Médio e à paz mundial?
Resposta objetiva: Sim
Resposta da mídia dos EUA: não

12: Se uma pessoa revela, por dinheiro, a uma potência estrangeira, o funcionamento interno do sistema de interceptação de sinais da Agência de Segurança Nacional (NSA), bem como as identidades de centenas de agentes da inteligência secreta dos EUA, como fez o espião israelense Jonathan Pollard, seria ele um inimigo dos Estados Unidos?
Resposta objetiva: Sim
Resposta da mídia dos EUA: não

13. Se uma pessoa revela, em ato de princípio e enquanto denunciante, sem compensação financeira, a espionagem ilegal e inconstitucional contra cidadãos americanos da NSA, como fez Edward Snowden, agora exilado, seria ele um inimigo dos Estados Unidos que deve, portanto, ser castigado?
Resposta objetiva: não
Resposta da mídia dos EUA: Sim

14. Se terroristas pró-Estado Islâmico em Paris disparam contra feridos, vítimas de seus atentados de terror, seria esse um exemplo da barbárie e um crime digno da condenação de todo o mundo?
Resposta objetiva: Sim
Resposta da mídia dos EUA: Sim

15: Se vídeos mostram as forças de defesa israelenses atirando na cabeça de um palestino, ferido e deitado na rua, seria esse é um exemplo de barbárie e um crime de guerra digno da condenação de todo o mundo?
Resposta objetiva: Sim
Resposta de mídia dos EUA: Não (não foi sequer noticiado)

Evidentemente que essa lista poderia continuar, mas as evidências tornam óbvio e incontestável que a grande mídia corporativa dos EUA trabalha em sintonia, essencialmente apoiando a política externa dos EUA e apresentando um determinado mundo para público norte-americano, de forma muito distorcida e pró-governo.
Porque isso acontece, uma vez que essas agências de notícias são, majoritariamente, não diretamente financiadas ou controladas pelo governo, como são em países onde se espera que a mídia seja arma de propaganda, é uma história complicada, que vem há muito tempo sendo explicada claramente por especialistas como Noam Chomsky e Edward Herman.

Independente da lermos sobre o assunto, a realidade é clara para qualquer um que preste a mínima atenção: a mídia dos EUA, particularmente quando trata de assuntos externos, mas também quando trata de assuntos como a inteligência e a espionagem doméstica, não pode ter nossa confiança por apresentar a verdade, nem algo que minimamente se aproxime da verdade.

Gostaria de salientar aqui que evidências sólidas em torno desse desrespeito intencional a verdade por parte da mídia corporativa podem ser encontradas aqui em nossa própria e humilde organização de pequenas notícias, ThisCantBeHappening!. Nos últimos quatro anos, nós denunciamos:

* O papel da CIA em orquestrar o caos sectário e terrorista no Paquistão

* O papel central da justiça e da inteligência norte-americanas na coordenação do esmagamento brutal do movimento Occupy nas cidades por todo os EUA.

* O conhecimento prévio e total falta de preocupação ou ação do FBI sobre os planos bem documentados em Houston que tratavam dos grupos conhecidos e não identificados que conspiravam para assassinar líderes do movimento Occupy por meio de "rifles de longo alcance". (O FBI enviou memorandos sobre esta trama para escritórios regionais do FBI e pro quartel-general, mas nunca agiu para impedi-la e nunca prendeu qualquer um dos envolvidos na trama).

* A administração Obama deliberadamente escondendo provas forenses dos médicos legistas turcos que mostravam que membros da força de defesa de Israel executaram brutalmente Furkan Dogan [5], um garoto americano de 19 anos a bordo da embarcação humanitária em Gaza, Mavi Marmara, e não fizeram nada para punir os assassinos.

* O assassinato, pelas mãos de um agente do FBI, de um jovem imigrante checheno, Ibragim Todashev, na Flórida, que havia sido interrogado por tal agente e por um policial de Boston em seu próprio apartamento (Todashev pode ter tido provas de que o FBI tinha trabalhado com os irmãos Tsarnaev antes da explosão da maratona de Boston). Série em três partes: perguntas obscuras 1, perguntas obscuras 2 e perguntas obscuras 3.

Essas e outras histórias, que foram relatadas e publicadas, e que foram amplamente cobertas pelos meios de comunicação alternativos, não foram nem ao menos mencionadas pela mídia corporativa dos EUA. Assim como a maioria dos importantes comunicados são ignorados sem qualquer aviso pela imprensa corporativa. Tais informações, portanto, não chegam a grande parte da população americana que obtém suas informações inteiramente através das fontes corporativas tradicionais.

Tradução por Allan Brum
http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Midia/Tudo-e-lindo-na-politica-externa-norte-americana/12/35067